dezembro 08, 2019

A Maçonaria no Séc. XXI - Sociedade, I.A., Automatização e Desemprego - Que fazer?

Com o devido agradecimento pela  autorização da Comissão de Gestão do Blog do Grémio Salvador Allende ("gremiosalvadorallende.blogspot.com") temos a honra de publicar este interessantissímo, oportuno e muito apreciado  trabalho do N:.Q:.Ir:. Isaac Newton


Para podermos refletir um pouco sobre o futuro, será importante caracterizar e contextualizar o passado e o presente nas suas fases marcantes, isto naturalmente de acordo com a minha perspectiva.

I - Passado 

1. - 2,5 Milhões de Anos os Autrolopitecus indiciam ser a separação dos nossos primos Símios. São hominídeos, que evoluirão para o Homo Erectus e para o Homo Habilis. Têm características semelhantes às nossas, mas apresentam uma massa encefálica cerca de 35% menor que a nossa.

2. - 200 000 Anos – Existem várias espécies de Hominídeos, entre os quais o Homo Sapiens, todos mostram capacidades notáveis, mas um vai sobrepor-se a todos os outros.

3. - 70 000 Anos - Revolução Cognitiva. Não se sabe ainda porquê, mas um grupo a que agora chamaremos de Homo Sapiens Sapiens ganha capacidades cognitivas surpreendentes. Mais do que uma sofisticada linguagem, adquire capacidades de Abstração, de criação de realidades Imaginadas.

novembro 28, 2019

Os Maçons são Filósofos ?



A Maçonaria que vivemos nasceu de um projecto filosófico, mas e os Maçons? A resposta cada um a tem.

O filósofo sempre foi um pensador. Filosofar hoje é pensar sobre os seres, causas, valores, princípios. O filósofo pensa e tenta explicar, por um discurso, o homem, a natureza, a sociedade e o universo, de onde viemos, quem somos e para onde vamos. A filosofia é, portanto, caracterizada pela sua manifestação externa: o discurso.

A Maçonaria é um convite permanente para filosofar. Hervé Hasquin também escreveu em tempos que "a Maçonaria é um laboratório de pensamento".

É verdade que a filosofia e, portanto os filósofos, criam inteligibilidade e tentam dar sentido aos seres, ao pensamento e à vida.

novembro 18, 2019

O Segredo


Agora com a devida vénia e autorização da Comissão de Gestão do Blog do Grémio Salvador Allende (gremiosalvadoralllende.blogspot.pt), voltamos a publicar este excelente trabalho,  que este Blog já tinha tido a honra de  ter publicado  préviamente em Set.2017, então com a devida autorização do autor.

Quase não andava, saltitava com passinhos curtos com medo da própria sombra. Bigodinho fino exposto num lábio que parecia estar sempre a esconder-se, óculos redondos com aros de tartaruga, lentes grossíssimas tapando os olhos, tristes subentende-se. Corpo magro, esguio e furtivo, o Malaquias, circulava por entre os escombros das almas perdidas guardando-lhes os segredos que não eram secretos.

Segredo/Secreto? Substantivo e adjectivo, que de tão semelhantes conseguem ser, mesmo, quase opostos. Explico melhor: o Malaquias tinha um dom que era saber escutar com uma enorme paciência não interferindo nunca nos desabafos alheios, e isto, claro, valeu-lhe uma valente reputação junto de quem, secretamente, sofria as agruras de se situar entre os Outros e o Cosmos, coisa medonha de se enfrentar e em cujo resultado se constrói a persona, sim, a máscara que, passo a passo, edificamos para parecermos o que não somos ou como diria um aprendiz de S. Freud - ter uma personalidade. Se as ditas agruras fossem segredos, as pobres almas nunca os comunicariam, e se o fazem, então, ó semântica, querer-se-ão secretos?

novembro 08, 2019

O Rito de Emulação, uma visão a partir do exterior.

Após vários trabalhos já publicados neste Blog acerca das origens,  percursos, conflitos e divergências (durante cerca de setenta anos),  entre «Antigos» e «Modernos», até à sua fusão «imposta», mais por motivos políticos que filosóficos, tentámos retratar aquele que foi o principal conflito  fundacional da  moderna Maçonaria inglesa,, de cujo resultado  resultou a divisão definitiva  entre a Maçonaria  Inglesa e a Continental.
Dado o interesse inequívoco que  continuamos  a atribuir a este tema, (de que a  historiografia maçónica clássica inglesa tenta «disfarçar» ou «distorcer» as reais causas), tomámos a liberdade de adaptar e traduzir este excelente artigo, com uma visão que complementa as anteriores (mas que em nada as invalida ou contradiz). Utilizámos o excelente  trabalho  do Irmão francês  '"Joel", existente na biblioteca "L´Edifice", que V. Guerra comentou e traduziu livremente do original para o espanhol.


Ao abordar o livro do Ritual de Bristol, fui forçado a aprofundar o Ritual da Emulação lendo vários trabalhos, inclusive visitando algumas lojas de Emulação para poder entender o ritual e o seu desenvolvimento, o que fiz em diferentes lojas onde normalmente trabalho, e apesar de me perguntarem o que eu estava a fazer ali no meio de uma loja de instrução de Emulação máxima, quando sou considerado praticante do Rito Moderno, proveniente do Rito Francês do Grande Oriente da França (GOdF).

Fruto  dessas casualidades  e imerso no trabalho já comentado sobre uma intensa comparação entre o "ritual de Bristol" e o "Ritual de Emulação", encontrei um trabalho que me foi muito útil por causa do seu certo espírito revelador

Trata-se duma prancha de um irmão francês: "Joël", publicado no projecto de estudo maçónico mantido pelo grupo de pesquisa "L’Edifice"; o qual não apenas contribui com uma dimensão diferente da Maçonaria de Emulação, com abordagens remotas aos modelos clássicos ingleses, uma vez que é realizada a partir de uma prática do ritual de Emulação em solo francês e no seio do Grande Oriente da França, o que para muitos pode resultar paradoxal.

outubro 28, 2019

A Exaltação ao Trabalho no Grau de Companheiro




Permitam-me, meus Irmãos, apoderar-me de um dos mais belos trechos da «Oração aos Moços», de Rui Barbosa: “Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo subliminar da alma pelo contacto com o  G.A.D.U. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua de cada um sobre si mesmo e sobre o mundo onde labutamos. … O Criador começa e a criatura acaba a criação de si própria. Quem quer, pois, que trabalhe, está em oração ao  G.A.D.U.” (trecho da Obra de Rui Barbosa extraído do artigo do Ir:. Raimundo Rodrigues – Cartilha do Companheiro – Ed. A Trolha – 1a. Edição – 1998 – págs. 105 e seguintes)

O Grau de Companheiro, ensina-nos o Rito Escocês Antigo e Aceito, é o Grau dedicado à exaltação do Trabalho. De pouca relevância o tipo de trabalho, ministra também lições nesse sentido, o Ritual. Imprescindível, entretanto, nos dias tumultuados de nossa atualidade, quando valores invertidos atropelam sem ressentimentos a Ética, que o trabalho seja prestado com respaldo nos melhores princípios da dignidade, que o acto de trabalhar seja praticado com a alegria do crescimento espiritual, pois o homem, na sua capacidade de errar e transgredir, esmera-se em arquitectar formas nada saudáveis e recomendáveis de “trabalhos” distantes de qualidades sublimes, exercidos unicamente com o intuito de provocar um enriquecimento rápido e sem causa, com a meta apenas de acumular a matéria.

outubro 18, 2019

A propósito do livro de RITO MODERNO de Walter Celso de Lima



RITO MODERNO - Um livro de Walter Celso de Lima

Com gratidão e gosto recibi este livro desde o Brasil, o qual constitui  toda uma proeza, refiro-me ao envio, pois o empenho da  editorial  ATrolha para colocar no tapete editorial maçónico obras de todo o estilo e cultura maçónica, e o trabalho dos seus autores, para que a sua obra seja conhecida é impresionante.

É uma pena que os europeus, em concreto os maçoms e os leitores franceses, permaneçam fechados a tudo aquilo que não seja gerado  dentro dos arcanos do hexágono e apontem a espada a tudo o que se produz fora da área francófona,  e menos  ainda se as obras levam o  título de Rito Moderno, o que que los leitores europeus têm conformado como algo proveniente de além dos mares.

Sendo certo que em Espanha se têm vindo a realizar algumas reflexões sobre la temática, com bastante repetição e pouca inovação, pois no final estar dando sobre um día  ou se é outro também sobre o mesmo martela, cansa e fadiga, e no final gera unas certas sinergias pouco sugestivas.

Mas é o que nos chega de outras latitudes, como o gerado nas latitudes de língua hispânica e portuguesa, que estão a resultar em leituras muito estimulantes e especialmente em relação ao rito moderno..

Por outro lado, indicar que sou pouco amigo da hospitalidade, minha e de outras pessoas, o que é estranho no mundo da Maçonaria, que é uma verdadeira festa de vaidades sob a cobertura da fraternidade, o que não significa que eu mostre o meu interesse e o manifeste pelo que ocorre do outro lado do oceano, não importa quanta urticária surja em alguns maçoms europeus.

outubro 08, 2019

Landmarks, o que eu penso a Respeito...




Publicamos (embora em versão algo diferente e mais reduzida) um interessante artigo do nosso muito  estimado Mestre Hercule Spoladore, relativo ao sempre polémico tema dos «Landmarks».


A Maçonaria tem no seu acervo de palavras, no seu vocabulário de uso quotidiano uma complexa terminologia, repleta de « figuras, ideias, princípios, explicações, lendas, alegorias, conceitos, sínteses filosóficas, ensinamentos, frases lapidares, etc.», que se consubstanciam em termos tais como «Iniciação, ritos, graus, emblemas, símbolos, Lojas, Potências, Obediências, Irmãos, Arte Real», isto só para citar alguns poucos, das centenas de vocábulos que, por assim dizer, constituem uma verdadeira linguagem sobreposta à nossa linguagem comum, tornando-se  especial, concretizando-se assim a língua maçónica, que é semelhante à língua normalmente falada no país, mas que quando falada por maçons tem outro significado e só estes a entendem.


Esta é uma infinidade de conceitos, leis princípios aparentemente muito complexos que se imbricam como um verdadeiro quebra-cabeças, e sómente são acessíveis aos Iniciados, cujas interpretações são de natureza diversa e bastante heterogénea, pois cada adepto tem a sua própria maneira de assimilar os ensinamentos de acordo com as suas concepções mais íntimas, quer sejam agnósticos, deístas ou teístas. Mas de qualquer forma esta linguagem e suas significações são o meio de comunicação e os vectores das suas mensagens, pelas quais os maçons comunicam entre eles.

setembro 26, 2019

Maçonaria nas Redes Sociais


Transcrevemos esta interessante abordagem do Ir:. Marco A. Perottoni, porque apesar de incidir mais no âmbito brasileiro, vem ao encontro de muitas questões que temos levantado em diversas trabalhos e tem uma abordagem esssencial , mas simples, das causas fundamentais dos diversos problemas que se colocam às Obediências, nesta nova e interessante àrea da ditas «Redes Sociais», que afinal têm, na maior parte, origem nos «velhos problemas», conhecidos de todos nós, mas não  resolvidos, na origem .... Contudo há que tomar decisões, antes que seja tarde demais...

As Redes Sociais existem desde que a humanidade se organizou em grupos para sobreviver.

Nos grupos humanos as atividades necessárias à sobrevivência são realizadas, normalmente, de forma colaborativa ou competitiva. Mesmo com todo este tempo já passado, sómente recentemente esse assunto passou a ser mais divulgado e acedido pela humanidade.

Sem dúvidas com a popularização da WEB, ou Internet, surge um tema novo que, com mais força a partir de 1991, estamos enfrentando, não só na maçonaria como em qualquer actividade desenvolvida pelo homem.

Internet ou Web, como muitos conhecem, é uma rede mundial de computadores, onde temos a possibilidade de manter contactos e buscar informações, praticamente em tempo real, com qualquer pessoa ou entidade que esteja conectada com a rede.

setembro 18, 2019

Uma Simbologia Comum em Torno da Fraternidade: A Corda de 81 Nós, A Orla Denteada, o Pavimento de Mosaico, A Cadeia de União e as Romãs.



INTRODUÇÃO 

A Maçonaria foi e deve continuar a ser a união consciente de homens inteligentes, livres e virtuosos, todos ligados por laços de fraternidade, que através do exemplo e da prática diária das virtudes, visam esclarecer os homens e prepará-los para a evolução pacífica da Humanidade. Essa união e fraternidade que abrange e integra aos Maçons do mundo inteiro estão representadas em muitos dos símbolos presentes nos Templos maçónicos.
A Maçonaria é universal, a Maçonaria é uma na sua essência, tanto que a sua Filosofia, sua Simbologia e a Ritualística são reconhecidas por todos os Maçons do mundo. Significa dizer ainda, que é comum a todos os Maçons uma legislação maçónica tradicional, universalmente aceite, o que contribui fundamentalmente para que ela se torne homogénea. Quando o assunto são os símbolos, já sabemos de antemão que a Maçonaria guarda um universo deles: uns que falam bastante, e outros mais misteriosos.
Depois de algum tempo transcorrido após sermos iniciados, alguns começam a parecer familiares. O transcorrer das sessões, as instruções, as leituras, as interpretações, as indagações aos Irmãos mais antigos, todas essas situações vão conduzindo-nos para um entendimento. Mas, sempre haverá nuances, pontos de vista e contextos diferentes, sempre haverá a possibilidade de uma nova descoberta no terreno da Simbologia, sempre haverá uma pergunta final. Sobre a pergunta que eu faço agora, muitos já a fizeram antes de mim, outros irão fazê-la, e é para estes últimos que eu me dirijo especialmente.

setembro 08, 2019

Maçonaria: Passado, Presente e Futuro - O Maçom dentro do contexto histórico

Pelo enorme prestígio e conhecimento do autor, o Mestre Hercule Spoladore, tomámos a liberdade de selecionar este aliciante texto, que partindo dos primórdios e eventuais antecendentes históricos da Moderna Maçonaria, foca as suas principais etapas evolutivas e tenta projectar o Futuro, a partir do presente. Embora refira , por vezes,  situações actuais do Brasil, tal não altera nem desmerece, quanto a nós, a pertinência da sua leitura


A Maçonaria Operativa teve vários períodos que a precederam que se poderia intitula-los de fase pré-operativa. Esta fase aconteceu no transcorrer de muitos séculos e talvez milénios. Os primeiros homens pré-históricos habitavam cavernas, mas com o passar do tempo migraram para fora delas, tornaram-se nómadas, gregários e assim para terem abrigo, para se protegerem das intempéries, e também para se abrigarem da luz solar e se proteger das noites frias, começaram a construir suas choupanas, casas, surgindo assim, ainda que de maneira ainda rudimentar, os primeiros construtores, havendo entre eles os mais habilitados que se firmaram como os primeiros profissionais da construção, ainda que a humanidade estivesse gatinhando, e as casas ou abrigos eram toscos, simples.

Desta forma serão citadas várias etapas das construções que antecederam a fase da Maçonaria Operativa em si.

Fala-se que no Império Romano o segundo rei Roma, Numa Pompilio (714 a 671a.C) sempre citado na literatura maçónica, por ter mandado construir templos de deuses pagãos, criou para esta finalidade os "collegia fabrorum" dos quais se originaram os "collegia construtorum" que segundo referem alguns autores, seriam as sementes da futura Maçonaria Operativa, porque ele teria regulamentado a profissão de construtores e também a organização dos cultos, já que estes «coleggias» eram dotados de intensa religiosidade, mesmo naquela época em que se adoravam deuses pagãos. Cita-se também que em seu reinado ele teria mandado urbanizar Roma e as construções  tiveram um desenvolvimento.

agosto 26, 2019

Planificar, Edificar, Realizar



Carl Von Clausewitz, pensador  prussiano, estudioso da guerra, autor de “PRINCÍPIOS DE GUERRA”, baseou sua obra na interpretação da estratégia de Napoleão Bonaparte. Segundo ele as vitórias napoleónicas provinham de factores morais.

Clausewitz, estudando as campanhas napoleónicas, definiu estratégia como sendo: a combinação entre si de vários combates isolados. A estratégia elabora o plano de guerra, delineia o rumo para as diversas campanhas e prevê as batalhas a serem travadas em cada campanha.

Na Maçonaria a Estratégia traçada nas Lojas deve visar ao fortalecimento da Potência a que a Loja esteja filiada sendo, para isso, necessário a preparação intelectual e a liderança dos Veneráveis Mestres, respeitáveis condutores de homens livres .

Um Venerável capaz e inteligente pugna pelo fortalecimento da sua oficina, instruindo e motivando obreiros, como argamassa sólida capaz de sustentar as colunas da Loja que ele administra.

agosto 16, 2019

O Aprendiz o Mestre




I - Introdução 

Com este texto pretendemos realçar alguns comportamentos menos correctos, no relacionamento entre Aprendizes e Mestres, que as Lojas devem  procurar evitar.  O objectivo será sempre o de estabelecer a relação correcta e saudável que deverá existir entre o Aprendiz e o Mestre, tal como preconizado pela N:.A:.O:., antes que relacionamentos «enviezados» possam resultar em prejuízo da obra colectiva e solidária, verdadeira base do bom funcionamento duma Loja Maçónica. O que afirmamos relativamente ao Aprendiz pode também aplicar-se por vezes, ao Companheiro (e até ao Mestre…).

Após a Iniciação, os Aprendizes vão assimilando mais ou menos lentamente (dependendo da sua sensibilidade, vontade e preparação) alguns aspectos simbólicos decorrentes do acto iniciático, com o objectivo de os consolidar  progressivamente, e  simultaneamente assumir a  responsabilidade que passam a ter no que respeita ao comportamento individual e colectivo, para com os outros Irmãos, bem como ao compromisso com o desenvolvimento da Maçonaria e da Sociedade em geral.

José Castellani [7],  afirmava: “Ser Maçom especulativo significa ser observador, perceber os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los na construção de relacionamentos humanos confiáveis, sinceros e leais, e através do estudo e da observação, tentar aprender a melhor forma de construir uma perfeita e harmoniosa fraternidade”.