abril 08, 2019
Simbolismo via para o Conhecimento
"Tantas coisas estavam escondidas sob fórmulas e mitos que envolviam numa aparência obscura, a verdade, e a manifestavam pela transparência. "
Plutarco (Isis e Osíris).
"Tudo se relaciona neste mundo que vemos, a um outro mundo que não vemos. Nós vivemos no meio de um sistema de coisas invisíveis, visivelmente manifestadas. "
Joseph de Maistre.
A Maçonaria foi definida como uma "instituição de iniciação espiritual através dos símbolos". E os maçons em geral, os maçons escoceses da Grande Loja da França, estão particularmente ligados ao estudo e à prática do simbolismo.
Os templos em que se reúnem no decurso das suas Sessões regulares, onde meditam e trabalham, são decorados, com muitos símbolos.
Símbolos que muitas vezes os direcionam - e às vezes com ironia - para a atenção da opinião pública: quem não ouviu falar, dos cavaleiros da trolha? quem nunca viu, numa dessas numerosas publicações dedicadas à Maçonaria, um esquadro e um compasso entrelaçados, uma pedra bruta e uma pedra cúbica, uma estrela de cinco pontas, colunas harmoniosamente distribuídas ou simplesmente o célebre triângulo?
março 26, 2019
Encadeamento Lógico dos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito
Ao fazer resumo dos graus filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito procurou-se um encadeamento lógico entre eles; um ou outro formam certa ligação, mas a conclusão até o momento é: não existe interconexão; os diversos graus não mantêm vínculo entre si; o amor é elo da maioria, mas existem graus que dele nem passam perto; é como se os temas dos graus fossem jogados ao léu, em desordem, logicamente desconexos, aleatórios nas suas propostas, mas magníficos e esclarecedores nos seus objetivos.
Esta inexistência de conexão lógica entre os graus é busca constante de mentes com formação cartesiana. Teria a Caballah respostas? O misticismo? O esoterismo? A lógica humana continua exuberante dentro da filosofia maçónica, seja ela mecanicista ou mística, mas em todos predomina
cegueira, não se entende a possibilidade de existir ordem na desordem. O maçom busca a perfeição. O seu objectivo é a religação com Grande Arquitecto do Universo. Estará ele munido de capacidade intelectual suficiente para ver beleza e ordem onde a sua capacidade de pensar ainda não alcança e apenas vê desordem? Infelizmente é na busca desta condição de perfeição, condicionada ao grau da evolução humana, que se obscurece a razão para ver ordem na aparente desordem.
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março 19, 2019
Ateísmo e Maçonaria
Introdução
Longe de ser exaustivo sobre a questão da ligação a ser determinada entre o ateísmo e a maçonaria, este modesto trabalho, tem pelo menos o mérito de me permitir "esculpir" um pouco a minha pedra e ser claro comigo mesmo e com as minhas convicções profundas, e espero que tal suscite o debate entre nós.
Eu vou prosseguir em três etapas.
Primeiro, tentarei esclarecer o assunto e dar uma definição aceitável da palavra "ateísmo" e dos seus derivados (ou noções que giram em torno dele).
Depois, num segundo tempo, tentarei apreender o ateísmo através do prisma de três séculos de maçonaria moderna.
Finalmente, compartilharei convosco as minhas reflexões e as minhas interrogações quanto aos verdadeiros objectivos da Maçonaria: deverá trabalhar para uma sociedade «ateia» e "pós-cristã"?
1) O que é ser ateu?
A palavra "ateu" deriva do grego théos (= deus) ao qual adicionamos o prefixo "a".
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março 06, 2019
A "Tradição dos Antigos": um mito historiográfico francês
O Blog "Pierres Vivantes" contem na última edição da «Renaissance Tradittionnele» (R.T.), dedicada ao tema "Antigos e Modernos", um artigo da autoria de Roger Dachez sob o título acima, que pela sua importância, transcrevemos.
Uma tentativa de desconstruir lendas urbanas que ainda perduram em alguns ambientes maçónicos franceses ...
À luz do que acabamos de ver, uma realidade muito simples aparece: o que separava os «Antigos» e os «Modernos», na Inglaterra, ao nível estritamente maçónico e ritual, tinha muito poucas coisas, e essa diferença foi-se embora e diminuiu muito rapidamente, tanto que foi muito fácil eliminar os obstáculos que ainda os separavam, no final do século XVIII.
É provável que o caso da Lei sobre as Sociedades Ilegais (Unlawful Societies Act), de 1799, que levou os dois Grão-Mestres das duas Grandes Lojas "rivais", a efectuar uma abordagem conjunta com as autoridades para isentar todo a Maçonaria dos rigores da lei, marcou um passo importante na reaproximação - embora não tendo procedido da iniciativa das próprias Grandes Lojas! É preciso também ter em conta, sem dúvida, o desaparecimento da geração fundadora, fortemente envolvida no período mais violento do conflito, incluindo o próprio Lawrence Dermott, que morreu em 1791.
Em todo caso, o caminho para a união vinha sendo pavimentado por múltiplas intersecções das práticas duns e doutros, como vimos. Quando a Grande Loja dos Modernos, em 1809, convocou uma Loja de Promulgação, para restaurar os "Verdadeiros «Landmarks»”, simplesmente adoptou a "velha ordem das palavras" - isto é, para o afirmar mais justamente, a ordem das palavras praticadas pelos Antigos naquele tempo - afirmar a necessidade dos Diáconos e reconhecer que a Instalação Secreta do Mestre da Loja era uma cerimónia essencial.
Uma tentativa de desconstruir lendas urbanas que ainda perduram em alguns ambientes maçónicos franceses ...
À luz do que acabamos de ver, uma realidade muito simples aparece: o que separava os «Antigos» e os «Modernos», na Inglaterra, ao nível estritamente maçónico e ritual, tinha muito poucas coisas, e essa diferença foi-se embora e diminuiu muito rapidamente, tanto que foi muito fácil eliminar os obstáculos que ainda os separavam, no final do século XVIII.
É provável que o caso da Lei sobre as Sociedades Ilegais (Unlawful Societies Act), de 1799, que levou os dois Grão-Mestres das duas Grandes Lojas "rivais", a efectuar uma abordagem conjunta com as autoridades para isentar todo a Maçonaria dos rigores da lei, marcou um passo importante na reaproximação - embora não tendo procedido da iniciativa das próprias Grandes Lojas! É preciso também ter em conta, sem dúvida, o desaparecimento da geração fundadora, fortemente envolvida no período mais violento do conflito, incluindo o próprio Lawrence Dermott, que morreu em 1791.
Em todo caso, o caminho para a união vinha sendo pavimentado por múltiplas intersecções das práticas duns e doutros, como vimos. Quando a Grande Loja dos Modernos, em 1809, convocou uma Loja de Promulgação, para restaurar os "Verdadeiros «Landmarks»”, simplesmente adoptou a "velha ordem das palavras" - isto é, para o afirmar mais justamente, a ordem das palavras praticadas pelos Antigos naquele tempo - afirmar a necessidade dos Diáconos e reconhecer que a Instalação Secreta do Mestre da Loja era uma cerimónia essencial.
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fevereiro 26, 2019
O Maçom deve ter um Perfil?

(com a devida autorização da Comissao de Gestão do Blog «gremiosalvadorallende» , que agradecemos)
“Neste mundo nu e indiferente, é somente
dos homens que os homens podem esperar
dedicação, calor de sentimentos e ajuda nas
dificuldades da vida”.
Norbert Elias in «A Condição Humana»
O Maçom deve ter um Perfil?
Em primeiro lugar devemos dizer que ao reflectir sobre este assunto fomos gradualmente confrontados com um conjunto de temas e conceitos, interligados em rede como que formando um mapa de conceitos, como os que fazemos por vezes em investigação. Dispersámo-nos! E todo o presente traçado vai no sentido de clarificar o problema e a ideia de que se há ou poderá haver o “maçom ideal” vs “ideal de maçom” (com um seu respectivo perfil).

O tema merece, naturalmente, uma tese. Ficamo-nos por um esboço de imperfeito traçado. Assim, paralelamente às qualidades que um maçom deve possuir, deparámo-nos com a necessidade de confrontação com outras entidades que, ao se aproximarem contagiando os valores da maçonaria, a podem desfocar, distorcer, desvirtuar ou mesmo perverter (ou seja, inverter o papel ou fazer uso para outros fins). Tal como para outras áreas do humano, a tentativa de compreensão de uma designada “normalidade” recorre à caracterização daquilo que dela se afasta (evidenciando o contraste), também aqui tentaremos enunciar qualidades desviantes indesejáveis, ou mesmo incompatíveis, com um perfil de maçom.
Abordaremos assim breves considerações sobre as noções de Identidade, Carácter, Perversão,
fevereiro 16, 2019
A propósito do(s) conceito(s) de "Regularidade" na Maçonaria

(Artigo inicialmente publicado neste Blog em Out.2016)
I – Introdução
Segundo Daniel Ligou (10) , «Regularidade» é uma das noções mais complexas da Maçonaria já que os Maçons que se afirmam «regulares» não estão, mesmo entre eles, de acordo sobre os critérios de regularidade, como iremos tentar exemplificar.
R.Dachez (4) refere que: “uma vez que na sua utilização maçónica, as palavras regular e regularidade, fizeram a sua aparição em Inglaterra, desde o início da maçonaria organizada, será à semântica inglesa que é preciso recorrer”.
Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados:
-”O carácter do que é uniforme» e “O que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal»”. O sentido mais comum da palavra inglesa “regular” é «banal, corrente, standard». A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte dum estatuto normal.
É na segunda metade do século XVIII, no contexto da grande disputa pelo controlo da Maçonaria Inglesa, entre as duas Gr. Lojas inglesas rivais (GLL - Grande Loja de Londres, os «Modernos» – 1717, e a dos «Antigos» - 1751»), que se deve compreender a primeira noção de regularidade.
Neste século, é regular em Inglaterra uma Loja que se submete à autoridade duma Grande loja e…. que lhe pague as capitações. Em contrapartida os seus membros terão direito à Solidariedade dessa Gr. Loja, preocupação essencial aos maçons dessa época, e que nomeadamente nos «Modernos», deu origem à constituição dum comité de Solidariedade.
A Maçonaria dessa altura ainda não se definia como «ordem iniciática e tradicional» mas essencialmente como «Fraternidade de homens, reunidos em volta dos princípios gerais da moral cristã, leais aos poderes civis constituídos , engajados na ajuda e na assistência mútua, durante a vida».
fevereiro 04, 2019
Os desafios da Tecnologia - Sociedade, Emprego e o Futuro.

I – Breve Introdução Histórica
Ao longo dos últimos 3 séculos a Humanidade registou três «Revoluções industriais». A primeira ocorreu aproximadamente entre 1760 e 1840, desencadeada pela invenção da máquina a vapor, levando à construção generalizada do caminho de ferro e iniciando a produção mecânica nas grandes fábricas, antes estritamente manuais, actualizadas agora com novas máquinas alimentadas pela combustão a carvão.
Com esta mudança começou a estruturar-se a primeira descontinuidade da tradicional organização social, com a ascenção ao poder da burguesia capitalista, a par do desemprego em larga escala dos antigos operários manuais, agora substituídos (com muito maior produtividade) pelas novas máquinas a vapor, em muitas das antigas funções. A fome e o desemprego alastraram nos países europeus mais desenvolvidos. Demorou algumas dezenas de anos a progressiva readaptação social, com a criação de novos empregos, decorrentes da colocação ao serviço de novas fábricas, o que desencadeou a migração maciça das pessoas do campo para a periferia das grandes cidades industriais.
A Segunda revolução Industrial começou em finais do Seculo XIX, impulsionada pelo advento da electricidade e mais tarde do motor eléctrico, dando início à chamada massificação da produção, caracterizando-se pelas famosas linhas de montagem em série, teorizadas e introduzidas por Taylor e de que Ford foi um dos expoentes organizacionais mais conhecidos. Atingiu-se o auge do «fordismo» e o operário «especializado» não era mais do que uma «máquina» pretensamente «síncrona» com as restantes, ao longo da cadeia de produção, realizando tarefas iguais, repetidas e monótonas, durante todo o dia de trabalho, mês e ano, até à exaustão precoce e / ou doença.
janeiro 26, 2019
Normas do Comportamento Maçónico

Em homenagem ao nosso Querido Ir:. Flemming, que do Oriente Eternos nos continua a inspirar com sua sabedoria e frontalidade, decidimos republicar um dos primeiros artigos deste Blog, que interessará, do ponto de vista histórico, sobretudo aos Aprendizes (mas igualmente a todos os Maçons), mesmo tendo em conta o facto de não concordarmos de qualquer forma, com alguns dos chamados «landmarks« que A. Mckey preconizou. Estas discordâncias estão bem assinaladas, na parte respectiva, correspondendo esssencialmente ao que distingue a Maçonatria que praticamos - dita de «Adogmática / Liberal», da corrente «Anglo-Saxónica»).
Desde sempre que houve a preocupação de estabelecer normas e de reger o comportamento dos Maçons, dentro e fora da Loja.
As Constituições, os Regulamentos internos, os decretos-leis dos Grão-mestrado, os normativos dos Conselhos da Ordem etc. são vários exemplos de documentos da regência comportamental maçónica .
Existem, todavia, dois que sobrenadam por todos estes.
Um, que constitui a trave mestra do edifício maçónico, e que é o ponto de partida para todos os outros, que são as CONSTITUIÇÕES DE ANDERSEN e outro, com um estilo de implantação diferente e exercendo uma maior influência na Maçonaria americana, mas que é alvo de forte contestação pontual por parte da Maçonaria Liberal. Estamos a referir aos Landmarks de Mackey.
Façamos então umas breves passagens sobre estes dois documentos para dar uma panorâmica geral da estrutura normativa que nos orienta.
AS CONSTITUIÇÕES DE ANDERSEN
Em 1717, quatro Lojas de Pedreiros Livres – “O Ganso e o Espeto” ; “A Cervejaria e a Coroa”; “A Taverna da Macieira” e a “Taverna da Caneca e do Vinho” – decidiram organizar-se numa espécie de Federação a que deram o nome de Grande Loja.
Elegeram então um primeiro Grão-Mestre, com autoridade sobre todos os Maçons.
janeiro 18, 2019
A Viagem

Acompanhe-me numa singular viagem. Para isto é necessário que aceite alguns postulados e a pouca consistência do que mostrarei, considerando que, em essência, tudo não passa de simples fantasia, mas os conceitos são os mais modernos de que a ciência dispõe. Façamos à semelhança de nossas lendas na Maçonaria, que mesmo sendo ficções, pretendem transmitir profundos conhecimentos filosóficos, dependendo apenas do grau de interesse e desenvolvimento de cada indivíduo e da perseverança em alcançar o conhecimento que leva a educação natural.
Tenha certeza que a pretensão é flutuar por caminhos fascinantes que poderão revelar entendimento de verdades complexas e difíceis de explicar de outra forma.
Preparando o Ambiente da Viagem
Façamos de conta que estamos parados no centro de uma loja aberta ritualisticamente. Dotada com todos os instrumentos de trabalho do maçom, bem como sua matéria prima: a pedra bruta. Esotéricamente falando, o tecto não existe, então, vamos tirar de vez esta cobertura do lugar de onde está e empurrá-la para bem longe, tão longe que desapareça. Descortina-se sobre nós o espaço infindo e ao longe brilha o sol. Empurremos também as paredes de nosso templo para bem longe. Estamos no centro do espaço infindo, que só não é totalmente negro porque a luz do luzeiro o ilumina. Eliminemos igualmente o piso de nosso templo, afastando-o mais devagar para que
Se pensar que paramos aí, enganou-se, agora possuímos poderes sobrenaturais que nos permitem parar o tempo, o que fazemos. Este é nosso novo Universo: nada ao nosso redor, o tempo parado e apenas o Sol a iluminar-nos. Neste ambiente especial construído por nossa imaginação, apenas nós nos movemos. Estamos sem ponto de referência a não ser o sol. Longe de tudo. Não existe ruído ou necessidade de ar. Somos poderosos.
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janeiro 08, 2019
As Lojas do Século XXI – Algumas reflexões em torno de Daniel Béresniak

Voltamos publicar o trabalho com o titulo acima (inicialmente publicado neste Blog em Set.2016) por o considerarmos merecedor da melhor atenção, e portanto, duma 2ª leitura e simultânea revisão atenta.
Muitos Maçons espanhóis não conhecem seguramente obra de Daniel Béresniak, que sem embargo tem alguma influência, ou melhor, uma certa influência na maçonaria liberal espanhola. Para começar e sem pretender ir mais adiante, esta Loja de Estudos «Theorema», em que IIr:. como Javier Otaola ou José Luis Cobos cultivam o pensamento maçónico de D. Béresniak, reconhecendo a sua fecunda e esclarecedora influência. Eu conheci a obra de D. Béresniak através da recomendação que me fez, Javier Otaola. Excelente recomendação que só posso agradecer recomendando por meu lado, a leitura dos seus livros, recordando o que o Béresniak adverte ao leitor que se identifica com as suas opiniões:
“Atenção ! – não faças do nosso discurso uma verdade absoluta, e desta verdade uma ortodoxia. O nosso discurso esclarece. Tem essa pretensão. Mas não esclarece tudo. Para esclarecer tudo deve associar-se à força, a todos os demais discursos, diferentes e inversos”.
D. Béresniak, falecido na noite de 26 de Abril de 2005, após ter assistido a uma Sessão em que se festejaram os seus cinquenta anos de vida maçónica, nasceu em Paris no seio duma família judia, proveniente da Ucrânia. Psicanalista, linguista, fervoroso adepto da Filosofia e da História, Mestre Maçom do Grande Oriente de França, homem duma vasta e cimentada cultura, é autor de cerca de quarenta livros, na sua maior parte divulgações e ensaios sobre maçonaria.É desde logo um dos nomes mais referenciais da bibliografia maçónica, e a sua figura insere-se nessa fértil tradição do ensaísmo maçónico francês, em que nomes como Oswald Wirth, Jules Boucher, Paul Naudon ou Edouard Plantagenet são já clássicos, e em que uma plêiade de autores continua a enriquecer e a trazer a Luz à grande família maçónica universal. Livros como “Ritos e Símbolos da Maçonaria”, “ O Secreto e o Compartilhado”, “O Espírito da Geometria” ou o “Jogo de Hermes” cativaram-me pela maravilhosa e radical liberdade de espírito, pelo seu rigor conceptual e histórico e pelo aroma de fraternal bonomia que desprendem e que, ao mesmo tempo, se compadece perfeitamente com uma olhadela crítica.
dezembro 28, 2018
Primeiro Supremo Conselho do R:.E:.A:.A:.
As prováveis origens dos Graus Superiores na França estão ligadas a vários factos e entre eles, o primeiro, cita-se o famoso Discurso escrito em 1737, por André Michel Ramsay escocês de nascimento, iniciado na Inglaterra, documento este, jamais apresentado em Lojas, por ter sido proibido pelo cardeal de Fleury (André Hercule de Fleury) que era ministro forte de Luiz XV, documento onde Ramsay atribuiria uma origem nobre à Ordem tentando encobrir as raízes da Maçonaria nos pedreiros livres e dando à mesma um sentido cavalheiresco, alem de insinuar uma reforma geral na Ordem.
O texto foi publicado no ano seguinte, de certa forma foi um incentivo posterior à criação de graus acima do grau 03. Em 1743, teriam sido criados os graus: Mestre Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo.
Em 1758 ocorreu a fundação do Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém ao qual juntou-se os remanescentes do Capítulo de Clermont, estabelecendo-se um sistema de Altos Graus, chegando ao número de 25, chamados inicialmente de Graus de Perfeição depois constituindo-se em um Rito de Perfeição ou Rito de Heredon. Em 20.Ago.1762 este Conselho aprovou uma carta chamada Constituição de Bordeaux à qual anexaram posteriormente adendos chamados Institutos, Estatutos, Regulamentos e instruções suplementares.
dezembro 20, 2018
Implicações da Iniciação na vida do Maçom

Pela sua permanente actualidade, e sobretudo para os novos IIr:. Aprendizes (mas não só...) julgamos que não será demais, nem repetitivo, recordar este traçado (publicado inicialmente neste Blog em Jul.2017).
I – Introdução
Este texto pretende elencar algumas das principais obrigações e aspectos simbólicos decorrentes do acto iniciático, com o objectivo de salientar a responsabilidade que os Maçons adquirem, após a Iniciação, no que respeita ao comportamento individual e colectivo e ao desenvolvimento da Maçonaria e da Sociedade em geral.
A Maçonaria como tradição intelectual e moral surgida oficialmente em 1717, evoluiu de maneira distinta em diferentes países e contextos sociais, divergindo para posições conflituantes e até mesmo antagónicas em alguns aspectos, razões pelas quais em termos estritos, deveremos falar de Maçonarias em vez de Maçonaria, o que na maior parte das vezes é negligenciado ou até esquecido.
O Maçom, inserido activamente na Sociedade, homem livre e de bons costumes, conforme exige a Augusta Ordem (A:.O:.), tem por dever combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca constante da verdade, fazendo com que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos dentro dos Templos, transcendam o limite estrito da Loja e floresçam no quotidiano profano.
Não adianta acumular conhecimento se não for transmitido aos mais próximos e sobretudo às novas gerações, como testemunho da perenidade dos ensinamentos que fomos colectando ao longo da vida, traduzindo o nosso contributo para a sociedade que nos envolve, projectando no futuro. Isto é particularmente importante no que respeita à Maçonaria. O conhecimento maçónico, se não for transmitido e aplicado, nada mais é, utilizando uma metáfora, do que uma estante cheia de livros, protegida por uma rede elétrica que impede os leitores de os alcançar e ler.











