janeiro 18, 2019

A Viagem




Acompanhe-me numa singular viagem. Para isto é necessário que aceite alguns postulados e a pouca consistência do que mostrarei, considerando que, em essência, tudo não passa de simples fantasia, mas os conceitos são os mais modernos de que a ciência dispõe. Façamos à semelhança de nossas lendas na Maçonaria, que mesmo sendo ficções, pretendem transmitir profundos conhecimentos filosóficos, dependendo apenas do grau de interesse e desenvolvimento de cada indivíduo e da perseverança em alcançar o conhecimento que leva a educação natural.

Tenha certeza que a pretensão é flutuar por caminhos fascinantes que poderão revelar entendimento de verdades complexas e difíceis de explicar de outra forma.

Preparando o Ambiente da Viagem

Façamos de conta que estamos parados no centro de uma loja aberta ritualisticamente. Dotada  com todos os instrumentos de trabalho do maçom, bem como sua matéria prima: a pedra bruta. Esotéricamente falando, o tecto não existe, então, vamos tirar de vez esta cobertura do lugar de onde está e empurrá-la para bem longe, tão longe que desapareça. Descortina-se sobre nós o espaço infindo e ao longe brilha o sol. Empurremos também as paredes de nosso templo para bem longe. Estamos no
centro do espaço infindo, que só não é totalmente negro porque a luz do luzeiro o ilumina. Eliminemos igualmente o piso de nosso templo, afastando-o mais devagar para que
nossa mente se acostume lentamente com o flutuar no espaço. Como não temos mais referenciais, não sabemos ao certo se é o piso da loja e a Terra que se estão afastando, ou se somos nós que estamos levitando, viajando espaço afora.

Se pensar que paramos aí, enganou-se, agora possuímos poderes sobrenaturais que nos permitem parar o tempo, o que fazemos. Este é nosso novo Universo: nada ao nosso redor, o tempo parado e apenas o Sol a iluminar-nos. Neste ambiente especial construído por nossa imaginação, apenas nós nos movemos. Estamos sem ponto de referência a não ser o sol. Longe de tudo. Não existe ruído ou necessidade de ar. Somos poderosos.

janeiro 08, 2019

As Lojas do Século XXI – Algumas reflexões em torno de Daniel Béresniak



Voltamos  publicar o trabalho com o titulo acima (inicialmente publicado neste Blog em Set.2016) por o considerarmos merecedor da melhor atenção, e portanto, duma 2ª leitura e simultânea revisão atenta.


Muitos Maçons espanhóis não conhecem seguramente  obra de Daniel Béresniak, que sem embargo tem alguma influência, ou melhor, uma certa influência na maçonaria liberal espanhola. Para começar e sem pretender ir mais adiante, esta Loja de Estudos «Theorema», em que IIr:. como Javier Otaola ou José Luis Cobos cultivam o pensamento maçónico de D. Béresniak, reconhecendo a sua fecunda e esclarecedora influência. Eu conheci a obra de D. Béresniak através da recomendação que me fez, Javier Otaola.  Excelente recomendação que só posso agradecer recomendando por meu lado, a leitura dos seus livros, recordando o que o Béresniak adverte ao leitor que se identifica com as suas opiniões:

Atenção ! – não faças do nosso discurso uma verdade absoluta, e desta verdade uma ortodoxia. O nosso discurso esclarece. Tem essa pretensão. Mas não esclarece tudo. Para esclarecer tudo deve associar-se à força, a todos os demais discursos, diferentes e inversos”.

D. Béresniak, falecido na noite de 26 de Abril de 2005, após ter assistido a uma Sessão em que se festejaram os seus cinquenta anos de vida maçónica, nasceu em Paris no seio duma família judia, proveniente da Ucrânia. Psicanalista, linguista, fervoroso adepto da Filosofia e da História, Mestre Maçom do Grande Oriente de França, homem duma vasta e cimentada cultura, é autor de cerca de quarenta livros, na sua maior parte divulgações e ensaios sobre maçonaria.

É desde logo um dos nomes mais referenciais da bibliografia maçónica, e a sua figura insere-se nessa fértil tradição do ensaísmo maçónico francês, em que nomes como Oswald Wirth, Jules Boucher, Paul Naudon ou Edouard Plantagenet são já clássicos, e em que uma plêiade de autores continua a enriquecer e a trazer a Luz à grande família maçónica universal.  Livros como “Ritos e Símbolos da Maçonaria”, “ O Secreto e o Compartilhado”, “O Espírito da Geometria” ou o “Jogo de Hermes” cativaram-me pela maravilhosa e radical liberdade de espírito, pelo seu rigor conceptual e histórico e pelo aroma de fraternal bonomia que desprendem e que, ao mesmo tempo,  se compadece perfeitamente com uma olhadela crítica.

dezembro 28, 2018

Primeiro Supremo Conselho do R:.E:.A:.A:.



As prováveis origens dos Graus Superiores na França estão ligadas a vários factos e entre eles, o primeiro, cita-se o famoso Discurso escrito em 1737, por André Michel Ramsay escocês de nascimento, iniciado na Inglaterra, documento este, jamais apresentado em Lojas, por ter sido proibido pelo cardeal de Fleury (André Hercule de Fleury) que era ministro forte de Luiz XV, documento onde Ramsay atribuiria uma origem nobre à Ordem tentando encobrir as raízes da Maçonaria nos pedreiros livres e dando à mesma um sentido cavalheiresco, alem de insinuar uma reforma geral na Ordem.

O texto foi publicado no ano seguinte, de certa forma foi um incentivo posterior à criação de graus acima do grau 03. Em 1743, teriam sido criados os graus: Mestre Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo.

Posteriormente houve a criação do Capítulo de Clermont, em 24.Nov.1754 também conhecido como o Colégio dos Jesuítas que pretendia praticar Altos Graus, criando sete graus, entidade de curta existência. A febre de Altos Graus não parou por aí.
Em 1758 ocorreu a fundação do Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém ao qual juntou-se os remanescentes do Capítulo de Clermont, estabelecendo-se um sistema de Altos Graus, chegando ao número de 25, chamados inicialmente de Graus de Perfeição depois constituindo-se em um Rito de Perfeição ou Rito de Heredon. Em 20.Ago.1762 este Conselho aprovou uma carta chamada Constituição de Bordeaux à qual anexaram posteriormente adendos chamados Institutos, Estatutos, Regulamentos e instruções suplementares.

dezembro 20, 2018

Implicações da Iniciação na vida do Maçom



Pela sua permanente actualidade, e sobretudo para os novos IIr:. Aprendizes (mas não só...) julgamos que não será demais, nem repetitivo, recordar  este traçado (publicado inicialmente neste Blog em Jul.2017).

I – Introdução 

Este texto pretende  elencar algumas das principais obrigações e aspectos simbólicos decorrentes do acto iniciático, com o objectivo de salientar a responsabilidade que os Maçons adquirem, após a Iniciação, no que respeita ao comportamento individual e colectivo e ao desenvolvimento da Maçonaria e da Sociedade em geral.

A Maçonaria como tradição intelectual e moral surgida  oficialmente em 1717,  evoluiu de maneira distinta  em diferentes países e contextos sociais, divergindo para posições conflituantes e até mesmo antagónicas em alguns aspectos,  razões pelas quais em termos estritos, deveremos  falar de Maçonarias em vez de Maçonaria, o que na maior parte das vezes é negligenciado ou até esquecido.

O Maçom, inserido activamente na Sociedade, homem livre e de bons costumes, conforme exige a Augusta Ordem (A:.O:.), tem por dever combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca constante da verdade, fazendo com que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos dentro dos Templos, transcendam o limite estrito da Loja e floresçam no quotidiano profano.

Não adianta acumular conhecimento se não for transmitido aos mais próximos e sobretudo às novas gerações, como testemunho da perenidade dos ensinamentos que fomos colectando ao longo da vida,  traduzindo o nosso contributo para  a sociedade que nos envolve,  projectando no futuro. Isto é particularmente importante no que respeita à Maçonaria. O conhecimento maçónico, se não for transmitido e aplicado, nada mais é, utilizando uma metáfora, do que uma estante cheia de livros, protegida por uma rede elétrica  que impede os leitores de os alcançar e ler.

dezembro 10, 2018

Sociedade Digital / Mistérios Antigos


Com os devidos agradecimentos, reconhecimento  e autorização da gestão do Blog do «Grémio Salvador Allende»), publicamos esta  interessantíssima  peça de arquitectura, sobre a qual, para além da necessária leitura,  todos devemos meditar atentamente.


A comunidade Humana está no topo da Cadeia Alimentar no Planeta Terra porque, ao contrário das outras espécies existentes, foi a única que conseguiu criar agregados compostos por muitos milhares de indivíduos que se consolidaram, não se baseando exclusivamente no conhecimento interpessoal, mas à volta de Ideias e Conceitos aceites por todos. Naturalmente que estas Ideias eram muito influenciadas por Mitos e Lendas que atravessavam gerações sem qualquer explicação plausível. Começaram por ser contadas oralmente, muito mais tarde ficaram registadas em textos soltos, e mais tarde ainda, foram compiladas em Obras de grande fôlego e que ainda hoje são objecto de estudo atento.

Há mais de 70 000 Anos sucedeu algo estranho na evolução desta espécie que habitava o Planeta. Hoje, utiliza-se o termo Revolução Cognitiva, e não se sabe ao certo o que a provocou, mas uma coisa é certa, esta espécie passou a ser capaz de criar realidades imaginadas, criando capacidades de cooperação alargada em grandes comunidades, acreditando em Mitos partilhados que apenas existem na imaginação colectiva dessas Comunidades.

Sabemos que é assim e podemos, a título de exemplo, reflectir um pouco sobre um dos Mitos mais antigos que foram criados e amplamente discutidos pela nossa espécie, o Mito da Criação. Este Mito em particular, serviu para criar estruturas de poder e de persuasão de massas. E a questão é, como lidaremos com estes tipos de Mitos quando o impacto da Inteligência Artificial alterar radicalmente conceitos como razão, emoção, sensação, imaginação, etc.

novembro 26, 2018

Maçonaria Diante das Mudanças de Valores Sociais


Por considerarmos pertinente o tema colocado, que nos tem motivado , pelo menos  desde há 6 anos,  a insistirmos nele, tomámos a liberdade de publicar este traçado deste Ir:. brasileiro,   com a satisfação de que a N:.A:.O:. parece ter acordado, finalmente,  para este importante  tema, que  pela sua premência  e actualidade, não podiamos mais contornar ou adiar. É um bom sinal, se persistir.

No meu tempo isso não era assim 

Quem ainda não ouviu de alguém o termo “no meu tempo não era assim”, “no meu tempo, isso era diferente”? Dentro do tema do "XXV Encontro de Estudos e Pesquisas Maçónica", promovido pela Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas: “A Maçonaria diante das mudanças de valores sociais”, estamos diante de um tema que nos parece bastante complexo e intrigante onde cabe o questionamento: “os valores mudaram ao longo do tempo?


Mudança de valores 

Como já dissemos falar de valores é uma tarefa bastante complexa, e para que façamos uma análise sobre valores e não fazermos juízos de valores teremos que agir de forma desapaixonada.
Conforme texto de Wilson Bragança (2018), para procedermos uma análise aos valores importa, Valor é a maneira de ser ou de agir que uma pessoa ou colectividade reconhece como ideal e que faz com que as condutas dos seres humanos, aos quais é atribuído, sejam desejáveis, estimáveis ou não. A sociedade tem um conjunto de valores e padrões e consoante estes valores as condutas dos indivíduos podem ser consideradas desejáveis ou não. Portanto, é um ideal que inspira e norteia a maneira de ser e de agir de uma pessoa. As normas que pautam a vida dos homens numa sociedade, determinando os seus comportamentos e atitudes são elaboradas tendo em conta o sistema de valores que norteia essa mesma sociedade, assegurando, o necessário equilíbrio e a coesão social.
antes de mais, clarificar o conceito.

novembro 18, 2018

Estado Social, Característica da Sociedade?

com a devida autorização da gestão do Blog da  R:.L:. Salvador Allende , atendendo à sua importância, temática e qualidade, publicamos este trabalho, selecionado daquele Blog.

O Estado constitucional surgiu nos séculos XVIII e XIX, como Estado liberal, assente na ideia de liberdade e, em nome dela, empenhado em conter o poder político tanto internamente, pela sua divisão, quanto, externamente, pela redução ao mínimo das suas funções perante a sociedade. “Il faut que le pouvoir arrête le pouvoir”, ensinava MONTESQUIEU.

Quando instaurado, coincidiu com o triunfo da burguesia. Daí o realce da liberdade contratual, a absolutização da propriedade, a recusa, durante muito tempo, do direito de associação (dizendo-se que ela diminuiria a liberdade individual), a restrição do direito de voto aos possuidores de certo montante de bens ou de rendimentos, únicos que, tendo responsabilidades sociais, deveriam assumir responsabilidades políticas. Contudo, a liberdade reclamada pela burguesia, no seu interesse de classe, só pelo facto de ter sido reclamada sob a veste do direito, veio a aproveitar aos trabalhadores e a redundar em prejuízo dos próprios interesses da burguesia sob a forma do direito de associação.

Seria, assim, menos em resultado das críticas doutrinais ao liberalismo, nas suas vertentes filosófica e económica do que, por efeito da progressiva organização dos trabalhadores em sindicatos e em partidos, que, no exercício da liberdade, seriam reivindicados direitos económicos para garantia da dignidade do trabalho, direitos sociais para segurança na necessidade e direitos culturais como exigência do acesso à educação e à cultura e, em último caso, de transformação da condição operária.

novembro 10, 2018

Presença e Motivação nas Sessões, determinantes da sobrevivência Maçónica



Para um  maçom em Loja, o objectivo essencial  é participar numa sessão maçónica motivadora, para reanimar e realimentar a sua mente das vivências, stress e eventuais desmotivações do dia-a-dia. Para tal as Sessões devem reduzir ao  mínimo essencial a parte correspondente à gestão  administrativa ( e não o contrário),  para que exista tempo suficiente para os Maçons debaterem os trabalhos ou ideias apresentadas, com a animação e a profundidade desejável, que simultaneamente permita aprender (ou reaprender) e que é essencial para o nosso crescimento e auto-educação. Este tempo é simultaneamente o motor e o dinamizador da  sessão maçónica. Nunca será de mais recordá-lo!.

Sabemos que um Iniciado só se poderá considerar verdadeiramente Maçom quando alcançar o conhecimento de si próprio e a partir daí compreenda aqueles que o rodeiam, nas suas fraquezas, tristezas e até falhas, tendo sempre a frontalidade de lhes transmitir o quanto é fundamental que a lealdade e a sinceridade prevaleçam sempre sobre os interesses individuais .

Contudo para adquirir essa Consciência para agir, é preciso dedicação, estudo das obras dos autores clássicos e compreensão dos trabalhos apresentados pelos IIr∴ em Loj∴, muito em especial dos mais experientes, bem como os ensinamentos contidos na Simbologia e na prática Ritualística,  que a maçonaria nos fornece, enquanto base da aprendizagem.  Uma Loja nunca deverá esquecer que a sua responsabilidade principal é,  para além de Iniciar o Homem ou Mulher,  instruí-los e prepará-los devidamente para a nova etapa na sua vida.

outubro 26, 2018

Uma Simbologia Comum em Torno da Fraternidade: A Orla Dentada, O Pavimento Mosaico, A Cadeia de União e as Romãs.



INTRODUÇÃO 
A Maçonaria foi e deve continuar a ser a união consciente de homens inteligentes, livres e virtuosos, todos ligados por laços de fraternidade, que através do exemplo e da prática diária das virtudes, visam esclarecer os homens e prepará-los para a evolução pacífica da Humanidade. Essa união e fraternidade que abrange e integra os  Maçons do mundo inteiro estão representadas em muitos dos símbolos presentes nos Templos maçónicos.

A Maçonaria é universal, a Maçonaria é uma na sua essência, tanto que a sua Filosofia, sua Simbologia e a Ritualística são reconhecidas por todos os Maçons do mundo. Significa dizer ainda, que é comum a todos os Maçons uma legislação maçónica tradicional, universalmente aceite, o que contribui fundamentalmente para que ela se torne homogénea. Quando o assunto são os símbolos, já sabemos de antemão que a Maçonaria guarda um universo deles: uns que falam bastante, e outros mais misteriosos. Depois de algum tempo transcorrido após sermos iniciados, alguns começam a parecer familiares.

O transcorrer das sessões, as instruções, as leituras, as interpretações, as indagações aos Irmãos mais antigos, todas essas situações vão conduzindo-nos para um entendimento. Mas, sempre haverá nuances, pontos de vista e contextos diferentes, sempre haverá a possibilidade de uma nova descoberta no terreno da Simbologia, haverá sempre uma pergunta final. Sobre a pergunta que eu faço agora, muitos já a fizeram antes de mim, outros irão fazê-la, e é para estes últimos que eu me dirijo especialmente.

O que existe em comum entre a corda de 81 nós, a orla dentada, o pavimento mosaico, a cadeia de união e as romãs?

outubro 16, 2018

A Regularidade e a Irregularidade Maçónicas: que Fundamentos ?



Pela sua análise crítica e porque que já tinhamos efectuado a sua publicação em Jan.2017,  republicarmos o presente traçado, após  a sua publicação no Brasil, específicamente no "Informativo CHICO DA BOTICA" - Nº122 - 30 Jun 2018 - Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas. 

Nas várias áreas da “história oficial” estão consagradas abordagens e mistificações profundamente limitativas dos factos ocorridos e com intuitos de manipulação e de condicionamento das consciências dos povos.

Está suficientemente demonstrado que a “história oficial”, em todos os períodos em que existem registos, foi sempre escrita pelos vencedores e pelas forças hegemónicas que em cada momento desempenharam o papel de grandes potências políticoeconómicas.

É partindo destes factos que podemos analisar melhor a “história oficial” da Maçonaria chamada especulativa que foi, numa apreciável parte, habilmente construída em clara subordinação a poderosos interesses políticos, religiosos e imperiais.

Por outro lado, importa sublinhar que essa história oficial está cheia de contradições e com diversos aspectos que colidem com a mais elementar sensatez.

Não existem registos anteriores a 1717, ao contrário do que acontece com diversas lojas inglesas e escocesas, de 3 das 4 lojas que nesse ano terão constituído a “ Grande Loja de Londres” e que mais tarde esteve na origem da Grande Loja de Inglaterra.

A excepção é a Loja “Ganso e a Grelha” que algumas escassas referências sugerem ter sido constituída em 1691.

A própria acção do reverendo James Anderson surge envolta em aspectos pouco claros, dado que é sistematicamente escamoteado que o início da sua actividade de compilação de vasta documentação maçónica se deveu a um trabalho pago pelo Duque de Montagu, tendo vindo a culminar poucos anos mais tarde, em 1723, na elaboração das Constituições apelidadas de Anderson, mas de que ele foi quase um mero redactor, dado que os verdadeiros inspiradores terão sido, segundo a ampla fundamentação do escritor Jean Barles, George Payne e Jean-Théophile Désagulier.


outubro 08, 2018

Quem é Iniciado e quem o julga ser - algumas notas



I – Introdução 

Em textos anteriores procurámos evidenciar as principais consequências, deveres, comportamentos  e aspectos simbólicos que resultam da sujeição ao processo iniciático em maçonaria. Mas será que todos os que entraram na Augusta Ordem (A∴O∴)  os compreendem, virão a compreender e estarão dispostos a cumpri-los?

A Maçonaria moderna tomou   emprestada  da maçonaria operativa a  metáfora da «construção», mas em que agora o objectivo não são já os grandes monumentos e catedrais em pedra, que perduraram até aos nossos dias, mas  “o ser humano como construtor de si mesmo e do mundo”.

Os pedreiros e construtores medievais descobriram  uma realidade psicológica plena  de  consequências:  quando actuamos  sobre a realidade,  a nossa acção não é dirigida  sómente para fora de nós próprios, mas   de certo modo  reflecte-se também sobre a nossa própria personalidade. A evidência desse conhecimento está contida numa frase  que encerra todo o fundamento  do método maçónico “Tudo o que fazes, te faz”.

O Maçom, homem livre e de bons costumes, conforme preconiza e exige a  Augusta Ordem (A:.O:.) (9) deve combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca permanente  da verdade, transformando-se primeiramente ele próprio, transformação essa que intitulamos  de essencial, a permanente etapa da «procura da LUZ». Posteriormente e tendo já as bases mínimas que o permitem sustentar-se maçónicamente, deverá, além de continuar a aprofundar os conhecimentos, procurar que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos internamente nos Templos, transponham os muros que os limitam e se expandam exteriormente, ultrapassando o domínio estrito da Loja, para que floresçam  no quotidiano profano.

setembro 24, 2018

O Ritual na Maçonaria, o que é e para que serve



I – O que é o Ritual

Em qualquer Obediência ou Organização iniciática, o(s) Rito(s) praticado(s) consiste(m), desde a Iniciação,  num conjunto de Graus (ou «patamares»), de complexidade e conhecimento crescentes, constituindo cada um deles um conjunto coerente de instruções e procedimentos específicos, suportados num Ritual, que levam à sua aprendizagem, compreensão/conhecimento, correspondendo ao sistema e objectivos específicos do Rito, a nível desse Grau.

Portanto numa Obediência, cada um dos graus que compõem um Rito, apresenta um Ritual específico, desejavelmente uniforme.

O conhecimento global do Rito só será atingível na sua plenitude, ao conseguir-se progredir consistentemente até ao topo, e mesmo assim o estudo e a pesquisa não terão fim, já que  a procura do conhecimento,, a caminho da Luz,  não tem limite (“somos sempre eternos Aprendizes”), e só terminará com a passagem ao Oriente Eterno.

A primeira conclusão a tirar é pois que Rito e Ritual não são a mesma coisa, mas estão interligados, podendo considerar-se genéricamente cada Ritual como um sub-conjunto específico dos actos e cerimoniais completos do Rito, respeitante a cada Grau que o constitui, e o seu vector de  transmissão iniciática, por excelência.