novembro 10, 2018

Presença e Motivação nas Sessões, determinantes da sobrevivência Maçónica



Para um  maçom em Loja, o objectivo essencial  é participar numa sessão maçónica motivadora, para reanimar e realimentar a sua mente das vivências, stress e eventuais desmotivações do dia-a-dia. Para tal as Sessões devem reduzir ao  mínimo essencial a parte correspondente à gestão  administrativa ( e não o contrário),  para que exista tempo suficiente para os Maçons debaterem os trabalhos ou ideias apresentadas, com a animação e a profundidade desejável, que simultaneamente permita aprender (ou reaprender) e que é essencial para o nosso crescimento e auto-educação. Este tempo é simultaneamente o motor e o dinamizador da  sessão maçónica. Nunca será de mais recordá-lo!.

Sabemos que um Iniciado só se poderá considerar verdadeiramente Maçom quando alcançar o conhecimento de si próprio e a partir daí compreenda aqueles que o rodeiam, nas suas fraquezas, tristezas e até falhas, tendo sempre a frontalidade de lhes transmitir o quanto é fundamental que a lealdade e a sinceridade prevaleçam sempre sobre os interesses individuais .

Contudo para adquirir essa Consciência para agir, é preciso dedicação, estudo das obras dos autores clássicos e compreensão dos trabalhos apresentados pelos IIr∴ em Loj∴, muito em especial dos mais experientes, bem como os ensinamentos contidos na Simbologia e na prática Ritualística,  que a maçonaria nos fornece, enquanto base da aprendizagem.  Uma Loja nunca deverá esquecer que a sua responsabilidade principal é,  para além de Iniciar o Homem ou Mulher,  instruí-los e prepará-los devidamente para a nova etapa na sua vida.

outubro 26, 2018

Uma Simbologia Comum em Torno da Fraternidade: A Orla Dentada, O Pavimento Mosaico, A Cadeia de União e as Romãs.



INTRODUÇÃO 
A Maçonaria foi e deve continuar a ser a união consciente de homens inteligentes, livres e virtuosos, todos ligados por laços de fraternidade, que através do exemplo e da prática diária das virtudes, visam esclarecer os homens e prepará-los para a evolução pacífica da Humanidade. Essa união e fraternidade que abrange e integra os  Maçons do mundo inteiro estão representadas em muitos dos símbolos presentes nos Templos maçónicos.

A Maçonaria é universal, a Maçonaria é uma na sua essência, tanto que a sua Filosofia, sua Simbologia e a Ritualística são reconhecidas por todos os Maçons do mundo. Significa dizer ainda, que é comum a todos os Maçons uma legislação maçónica tradicional, universalmente aceite, o que contribui fundamentalmente para que ela se torne homogénea. Quando o assunto são os símbolos, já sabemos de antemão que a Maçonaria guarda um universo deles: uns que falam bastante, e outros mais misteriosos. Depois de algum tempo transcorrido após sermos iniciados, alguns começam a parecer familiares.

O transcorrer das sessões, as instruções, as leituras, as interpretações, as indagações aos Irmãos mais antigos, todas essas situações vão conduzindo-nos para um entendimento. Mas, sempre haverá nuances, pontos de vista e contextos diferentes, sempre haverá a possibilidade de uma nova descoberta no terreno da Simbologia, haverá sempre uma pergunta final. Sobre a pergunta que eu faço agora, muitos já a fizeram antes de mim, outros irão fazê-la, e é para estes últimos que eu me dirijo especialmente.

O que existe em comum entre a corda de 81 nós, a orla dentada, o pavimento mosaico, a cadeia de união e as romãs?

outubro 16, 2018

A Regularidade e a Irregularidade Maçónicas: que Fundamentos ?



Pela sua análise crítica e porque que já tinhamos efectuado a sua publicação em Jan.2017,  republicarmos o presente traçado, após  a sua publicação no Brasil, específicamente no "Informativo CHICO DA BOTICA" - Nº122 - 30 Jun 2018 - Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas. 

Nas várias áreas da “história oficial” estão consagradas abordagens e mistificações profundamente limitativas dos factos ocorridos e com intuitos de manipulação e de condicionamento das consciências dos povos.

Está suficientemente demonstrado que a “história oficial”, em todos os períodos em que existem registos, foi sempre escrita pelos vencedores e pelas forças hegemónicas que em cada momento desempenharam o papel de grandes potências políticoeconómicas.

É partindo destes factos que podemos analisar melhor a “história oficial” da Maçonaria chamada especulativa que foi, numa apreciável parte, habilmente construída em clara subordinação a poderosos interesses políticos, religiosos e imperiais.

Por outro lado, importa sublinhar que essa história oficial está cheia de contradições e com diversos aspectos que colidem com a mais elementar sensatez.

Não existem registos anteriores a 1717, ao contrário do que acontece com diversas lojas inglesas e escocesas, de 3 das 4 lojas que nesse ano terão constituído a “ Grande Loja de Londres” e que mais tarde esteve na origem da Grande Loja de Inglaterra.

A excepção é a Loja “Ganso e a Grelha” que algumas escassas referências sugerem ter sido constituída em 1691.

A própria acção do reverendo James Anderson surge envolta em aspectos pouco claros, dado que é sistematicamente escamoteado que o início da sua actividade de compilação de vasta documentação maçónica se deveu a um trabalho pago pelo Duque de Montagu, tendo vindo a culminar poucos anos mais tarde, em 1723, na elaboração das Constituições apelidadas de Anderson, mas de que ele foi quase um mero redactor, dado que os verdadeiros inspiradores terão sido, segundo a ampla fundamentação do escritor Jean Barles, George Payne e Jean-Théophile Désagulier.


outubro 08, 2018

Quem é Iniciado e quem o julga ser - algumas notas



I – Introdução 

Em textos anteriores procurámos evidenciar as principais consequências, deveres, comportamentos  e aspectos simbólicos que resultam da sujeição ao processo iniciático em maçonaria. Mas será que todos os que entraram na Augusta Ordem (A∴O∴)  os compreendem, virão a compreender e estarão dispostos a cumpri-los?

A Maçonaria moderna tomou   emprestada  da maçonaria operativa a  metáfora da «construção», mas em que agora o objectivo não são já os grandes monumentos e catedrais em pedra, que perduraram até aos nossos dias, mas  “o ser humano como construtor de si mesmo e do mundo”.

Os pedreiros e construtores medievais descobriram  uma realidade psicológica plena  de  consequências:  quando actuamos  sobre a realidade,  a nossa acção não é dirigida  sómente para fora de nós próprios, mas   de certo modo  reflecte-se também sobre a nossa própria personalidade. A evidência desse conhecimento está contida numa frase  que encerra todo o fundamento  do método maçónico “Tudo o que fazes, te faz”.

O Maçom, homem livre e de bons costumes, conforme preconiza e exige a  Augusta Ordem (A:.O:.) (9) deve combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca permanente  da verdade, transformando-se primeiramente ele próprio, transformação essa que intitulamos  de essencial, a permanente etapa da «procura da LUZ». Posteriormente e tendo já as bases mínimas que o permitem sustentar-se maçónicamente, deverá, além de continuar a aprofundar os conhecimentos, procurar que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos internamente nos Templos, transponham os muros que os limitam e se expandam exteriormente, ultrapassando o domínio estrito da Loja, para que floresçam  no quotidiano profano.

setembro 24, 2018

O Ritual na Maçonaria, o que é e para que serve



I – O que é o Ritual

Em qualquer Obediência ou Organização iniciática, o(s) Rito(s) praticado(s) consiste(m), desde a Iniciação,  num conjunto de Graus (ou «patamares»), de complexidade e conhecimento crescentes, constituindo cada um deles um conjunto coerente de instruções e procedimentos específicos, suportados num Ritual, que levam à sua aprendizagem, compreensão/conhecimento, correspondendo ao sistema e objectivos específicos do Rito, a nível desse Grau.

Portanto numa Obediência, cada um dos graus que compõem um Rito, apresenta um Ritual específico, desejavelmente uniforme.

O conhecimento global do Rito só será atingível na sua plenitude, ao conseguir-se progredir consistentemente até ao topo, e mesmo assim o estudo e a pesquisa não terão fim, já que  a procura do conhecimento,, a caminho da Luz,  não tem limite (“somos sempre eternos Aprendizes”), e só terminará com a passagem ao Oriente Eterno.

A primeira conclusão a tirar é pois que Rito e Ritual não são a mesma coisa, mas estão interligados, podendo considerar-se genéricamente cada Ritual como um sub-conjunto específico dos actos e cerimoniais completos do Rito, respeitante a cada Grau que o constitui, e o seu vector de  transmissão iniciática, por excelência.

setembro 15, 2018

A Essência...




O maçom tem que caminhar uma longa trajectória, para se considerar e ser na realidade um verdadeiro Iniciado.

Para entrar na Ordem passará por duas portas. Uma, a porta física do Templo onde o espera um estranho e intrigante ritual, mas ao mesmo tempo belo, um verdadeiro teatro simbólico e sublime. É o dia do seu recebimento formal na Ordem, que quando bem desempenhado pelos Iniciadores[1], a cerimónia o marcará, de forma indelével na mente.

A segunda porta é simbólica. Do ponto de vista mental, é um acesso através de uma pequena fresta, isto é, uma pequena abertura que está fechada para o Inconsciente.

Uma vez a venda cobrindo a visão, isto fará com que o Iniciando desperte e aguce os outros órgãos dos sentidos, já que ele então enxergará com os olhos da mente e se colocará especialmente numa situação de pura introspecção, que nada mais é que uma verdadeira jornada interior e que para grande maioria dos Iniciandos é o reencontro, ou mesmo o primeiro encontro súbito, inesperado e surpreendente com o seu duplo Eu, há muito tempo adormecido, talvez nunca procurado, ou quem sabe ele nem soubesse da existência de um duplo estado de sua consciência.

setembro 07, 2018

A Maçonaria é ainda relevante?



A questão de se a Maçonaria ainda é relevante na nossa sociedade em constante mutação é frequentemente colocada em fóruns maçónicos e por profanos.

Isso indica que é de importância à maioria dos Irmãos. Além disso, a questão é frequentemente colocada quando se discute as condições nas quais as nossas Lojas estão actualmente, talvez até mesmo um desespero ante o que parece ser o futuro da Maçonaria. Na minha opinião, esse é um aspecto um tanto limitado de “relevância,” isto é, a habilidade de contribuir positivamente à solução dos problemas ou entraves defrontados pela Maçonaria e pelos Irmãos, como tais, nas suas vidas diárias.

O dicionário Webster define “relevante” como: “Etimologia: Latim medieval "relevant" -, do latim, particípio presente de "revelare"
alçar. 1. Ter suporte significativo e demonstrável no assunto em questão 2. Suprir evidências tencionando provar ou desaprovar qualquer assunto em debate ou sob discussão 3. Ter relevância social 4. A qualidade ou estado de ser relevante; pertinência; aplicabilidade.

Para os propósitos deste trabalho, eu enfatizaria as últimas duas definições. Apesar de tudo, queremos certificar-nos de que o que fazemos vale os nossos esforços!

agosto 26, 2018

Carta a um Irmão


(com a devida autorização da R:. L:. "Alves Martins", a Oriente de Viseu)


Ergue-te homem! Eleva-te acima do impossível! Fixa, por instantes, o teu olhar no horizonte do  infinito e observa a inquietude que trazes no teu espírito, a fragilidade da tua existência, o absurdo dos teus passos arrastados pela áurea vontade de saíres da sombra... Levanta-te homem que és homem, a aurora hiante abraça já o firmamento! Eleva o teu espírito, centelha de Luz, porque o mundo precisa do teu brilho! Vê ao largo o Oriente, meu Ir:. onde o espírito enobrece o gesto... Olha para o incomensurável rasto de luz daqueles que iluminaram o mundo antes de ti, vestígios de história, fragmentos incandescentes que hão-de abrasar o teu espírito.

Se hoje te atemorizam as mais básicas violações da condição humana, quando se relativizam verdades profundas e arreigadas ao nosso espírito como a de que os homens nascem por natureza livres e iguais em direitos, então pensa que há séculos o homem foi capaz de se libertar da condição de joguete dos deuses e dos seus caprichos para passar a agir de acordo com sua própria consciência moral, fundada na razão. Mas cuidado! Não uma moral abstracta e discricionária, alheia ao próprio homem para aceder à graça dos deuses, mas uma moral prática, instruída na boa vontade que parte de uma reflexão ética laica assente naquilo que há de mais profundamente humano.

O tão conhecido Immanuel Kant diria numa das suas famosas formulações, no seu livro Fundamentação Metafísica dos Costumes: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal”. Procura, por isso, incessantemente, a matéria da tua acção para que o teu espírito eleve o teu gesto e inspires, no mundo profano, atitudes práticas que melhorem a sociedade e as pessoas que nela vivem.

Não tenhas pressa... nunca alcançarás o conhecimento definitivo e último da existência, da vida, do mundo e do cosmos... viverás essa fractura constante. Mas essa demanda pela Sabedoria, pelo Conhecimento, pela Luz é e será sempre uma odisseia individual e voluntária tua que há-de estabelecer uma diferença fundamental entre aqueles que se movem por essa demanda e aqueles que lhe são alheios, ou entre os que verdadeiramente buscam, pela admiração natural, e os que permanecem presos às aparências e à vaidade dos bordados que ostentam nos paramentos.

agosto 12, 2018

O Ritual e a Cadeia de União - considerações





I – Acerca do Ritual

A palavra Ritual tem origem no adjectivo latino «liber ritualis», sendo contudo um substantivo em português. Nas religiões (como na católica, p. ex.) é um livro litúrgico onde residem o conjunto das cerimónias do culto, de cariz essencialmente dogmático. Na Maçonaria designa semelhantemente um conjunto de instruções com determinado significado e coerência simbólicas,  que se utilizam para coordenar a realização de uma Sessão.

A grande diferença é que em Maçonaria o Ritual é interpretado sob uma perspectiva não dogmática e (à excepção dos Rito Inglês de Emulação ou do de York) não é obrigatório sabê-los de cor. Contudo deve ser seguido  como auxiliar ao aperfeiçoamento maçónico individual, dando coesão e sentido de unidade ao trabalho em Loja. Este é motivo mais do que suficiente para que, sobretudo  cada Apr:. deva seguir atentamente o ritual em cada Sessão e tentar perceber os ensinamentos e o simbolismo nele contido.

Os Rituais são publicados (pelo menos nos graus simbólicos) pelas Obediências e o seu cumprimento rigoroso deve ser exigido às Lojas que a compõem, devendo (contrariamente ao que defendem alguns Irmãos) ser uniforme em todas elas, ou seja as LLoj:. não devem «inventar» sobre o ritual oficial. Se existirem dúvidas ou propostas de alteração, desde que devidamente fundamentadas,  deve ser solicitado superiormente ao Conselho da Ordem, a correcção de eventuais erros ou desactualizações, que no entanto só terão validade após a aprovação do «Supremo Conselho do Grau 33 para Prt:.e sua jurisdição» (isto no que ao R.E.A.A. diz respeito), já que é este corpo que é responsável pela  gestão do Rito .

julho 28, 2018

Do «Escocismo» ao Grau 33 do R.E.A.A – percursos de um Rito




 I – Introdução 

Diversos e distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvensdas   várias lendas assumidas até então, esclarecendo progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) , bem como às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes.

Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que humildemente procurámos coligir, aprofundando algum estudo adicional já previamente efectuado.

Cada vez se nos afigura como um facto intransponível  a importância do grau de «Mestre» na consolidação da Maçonaria especulativa (já alvo de trabalho anterior).  Aí socorremo-nos  de alguns dos trabalhos recentes e credenciados, referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora concluíssemos que continua a não ser possível determinar com precisão as suas origens.

É contudo nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva «lenda hirâmica», criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus» (mais correctamente «Graus Complementares»,  com maior propriedade).

julho 20, 2018

A Origem Francesa do R:.E:.A:.A:.



Da autoria dum excelente autor e maçom brasileiro, o Ir. José Castellani, republicamos de novo, pelo seu interesse sempre actual, um traçado que inicialmente viu a luz neste Blog em 08.Março.2012.

O escocismo nasceu na França, como Maçonaria stuartista, sendo, na realidade, a primeira manifestação maçónica em território francês.
Quando, em 1649, o rei Carlos I (da dinastia dos Stuarts, de origem escocesa) foi decapitado, após a vitória da revolta puritana de Oliver Cromwell, sua viúva, Henriqueta de França, aceitou asilo em território francês, em Saint Germain, para onde foi, acompanhada de todo o seu séquito, onde já existiam numerosos maçons aceitos.

Onze anos depois, seria restaurado o trono stuartista na Inglaterra. Alec Mellor fala em origem jacobita do Rito Escocês, pelo facto de existirem Lojas militares, formadas pelos regimentos fiéis aos Stuarts, ou seja, regimentos irlandeses e escoceses, totalmente jacobitas e, na sua maioria, católicos. Jacobita foi o nome dado, na Inglaterra, após a revolução de 1688, quando houve nova queda de um Stuart (Jaime II), aos partidários da dinastia.

Paul Naudon informa que, em 1661, às vésperas de subir ao trono inglês, Carlos II criou, em Saint Germain, um regimento com o título de Real Irlandês, que, depois, seria alterado para Guardas Irlandeses. Esse regimento, seguindo os Stuarts, foi incluído na capitulação de 1688, desembarcando em Brest, a 9 de outubro de 1689, e permanecendo, até 1698, fora dos quadros militares franceses, quando foi incorporado ao exército francês.

julho 12, 2018

A Sociedade em Rede e o papel da Maçonaria



por que considerámos que ainda se mantem  minimamente actual, tomamos a liberdade de voltar a publicar um trabalho elaborado em Abril.2011 , por altura do XIII Congreso da N:.A:.O:.


Em primeiro lugar esperamos que nos tolerem a ousadia de tentar uma análise dum tema tão vasto no  mundo profano,  mas  todavia cada vez mais importante e relativamente  pouco  tratado nos  trabalhos de âmbito macónico. A oportunidade que a convocação do  XIII Congresso da nossa Aug:. Ord:. oferece, pareceu-nos  apropriada para  colocar   algumas questões sobre este tema.

A Maç:. é frequentemente tratada no mundo profano como sendo uma organização secreta (ou quase), fechada no mínimo, regendo-se por rituais considerados ultrapassados e sem sentido e cujo futuro, numa sociedade cada vez mais globalizada, essencialmente suportada nas  Tecnologias de Informação (nem sempre ao serviço das mais nobres causas....) estará cada vez mais ameaçado, levando à sua «previsivel» decadencia e /ou extinção.

Como Maçons  e a par das reais ameaças que impedem sobre quem, sem abdicar dos principios, persiste em adapatar-se às novas realidades sócio-tecnológicas que condicionam (ou mesmo formatam) a evolução social, não se nos afiguram correctas aquelas «visões» profanas, pelos argumentos que passaremos a expor.

Que relacionamento sustentado poderá existir entre a Sociedade de Informação / Sociedade em Rede e a Maçonaria, que não comprometa o desenvolvimento desta e que vantagens (ou ameaças) poderá representar para a correcta divulgação dos ideiais e prática macónicos???


julho 04, 2018

Uma síntese da Simbologia Maçónica


Em especial para os IIr:. Aprendizes (mas não só), reeditamos de novo este excelente trabalho de sínteses apresentado pelo Ir:. José Marti, em Julho de 2008 (na R.L."Ocidente").

- Um símbolo não impõe nada. Convida a descobrir, a compreender e a meditar.
- Um símbolo é um meio para atingir o conhecimento. É um conjunto que reúne diversos elementos, representando a soma das partes.
- A palavra símbolo provém do grego sumbolum que quer dizer sinal, o qual é uma representação concreta de uma ideia abstracta.
- Um rito é constituído por um conjunto de símbolos colocados em acção, não somente pelos objectos empregues e as figuras representadas, mas também pelos gestos efectuados ou palavras pronunciadas. O rito e o símbolo são 2 aspectos de uma mesma realidade.
- Os rituais são constituídos por gestos e palavras repetidas que se tornam também códigos particulares, permitindo o reconhecimento mútuo e rápido dos membros de um mesmo grupo. A acção ritual assenta na transmissão e execução de gestos obedecendo a ritmos ou a traçados geométricos precisos.

Sinal à ordem
O sinal designa uma marca ou carácter visível que possibilita conhecer qualquer coisa escondida ou secreta. Trata-se de gestos, acções ou distintivos que os homens convencionaram para fazerem entender entre eles alguns pensamentos particulares.
O “sinal à ordem” faz-se com a mão direita colocada horizontalmente sob o queixo, 4 dedos juntos e o dedo polegar afastado, formando um esquadro, e o braço esquerdo pendente. O “sinal à ordem” faz-se unicamente de pé. É também chamado sinal gutural. Os pés estão unidos nos calcanhares e formam um ângulo aberto em esquadro.

junho 14, 2018

Ritual e Tradição


(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")

A Kabbalah não é judaísmo e não é religião, mas também não é um culto de "new age". A Kabbalah emergiu na cultura judaica como um conjunto de técnicas ligadas à filosofia especulativa, à cosmogonia e à alquimia. Porém, a Kabbalah, não sendo em si uma religião, acabou por formar o esqueleto da religião judaica.

A N:.A:.O:. e o nosso Rito Escocês Antigo e Aceito é de tradição cabalística, o que significa que a tradição iniciática que seguimos e praticamos, parte do conhecimento da Kabbalah enquanto filosofia e não como religião.

A nossa tradição é cabalista porque nasceu no seio da cultura mediterrânica, partilhada por três grandes tradições com mais de dois mil anos de convívio: a tradição judaica, a cristã e a islâmica. Em todas as três podemos encontrar marcas profundas da mesma Kabbalah.

Mas o que é verdadeiramente a Kabbalah? Como ela se encontrar enraizada na Maçonaria? Como os nossos rituais se ligam à matriz cabalística? Qual o fim da Kabbalah na aprendizagem dos maçons?

Estas questões, que são verdadeiramente importantes e fundadoras do perfil da Maçonaria, e da ética do Maçon, devem ser respondidas e aprendidas por todos, desde o Aprendiz ao Mestre. A Kabbalah sempre foi um conhecimento reservado e discreto, e na antiguidade foi exclusivo do sacerdócio e auxiliar da ciência (astronomia/astrologia), da filosofia, da dialética, da lógica, da matemática e da linguística. Desde a sua formação que a Kabbalah sempre foi uma súmula de conhecimento universal, constituindo-se como instrumento hábil do saber e da investigação da vida e do universo.

Eis as razões porque a Kabbalah está na origem de várias ordens iniciáticas, de várias escolas filosóficas e científicas. Desde a antiguidade clássica até hoje podemos encontrar vários pensadores e cientistas que foram cabalistas, e que por terem aprendido o método cabalístico, poderam desenvolver e avançar nos seus estudos. Não só na tradição rabínica, como fora da comunidade judaica, grandes intelectuais e cientistas usufruíram do método cabalístico para resolver vários problemas e questões que de outra forma teriam demorado muito mais tempo ou teriam ficado insolúveis.

junho 06, 2018

Maçonaria e a Teoria das Cores



Naturalmente perguntar-me-ão o que é que a Teoria das Cores tem a ver com a Maçonaria? A resposta é simples: tudo e nada, porque, quer o zero quer o infinitamente definido se sentam na mesa do banquete do conhecimento, ou seja, se aprofundar o conhecimento de Si próprio tem como finalidade o relacionamento com os Outros e o Universo, então e pela Lei das Comparações, haverá algo em comum mas, por outro lado, se o conhecimento de nós próprios se limita a engordar o Ego e não o Eu nada haverá para se conjugar.

Desde os Pré-Socráticos (muito bem explicados por Aristóteles) que as cores estão intimamente ligadas à Luz embora aqueles se tenham baseado sobre este assunto de modo intuitivo, e foi muito mais tarde que Isaac Newton, cientificamente, propôs e demonstrou a Teoria das Cores, prontamente contrariada por Goethe e Leibniz.

Isaac Newton pensou que a Luz era uma energia que se movia, refractava e dividia nas sete cores prismáticas mas com a oposição de Goethe que pretendeu demonstrar ser a Luz, não só invisível como indivisível, pertencendo os vários graus das cores à sombra que se revela sob a influência da Luz, ou seja, as cores seriam qualidades das sombras e não quantidades da Luz exprimindo esta Teoria, simbolicamente, por um número, o 6, e por uma figura, o Hexagrama que como sabemos são dois triângulos de bases e vértices opostos que se entrecruzam formando um ponto central que se relaciona com as formas angulares intermédias numa correspondência entre o Uno e os Múltiplos, melhor dizendo: o ponto central (Luz invisível e indivisível) e a atmosfera circundante (sombra ou trevas) também invisível mas divisível.

maio 26, 2018

Da História e do Conceito da Eutanásia

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


…como afirmou SIMONE DE BEAUVOIR,

“…todos os Homens são mortais, mas para cada Homem a sua morte é um acidente e,  mesmo que ele a conheça e consinta, <é uma violência indevida…  (1)
nunca esqueçamos que ante a insinuação dum assassínio piedoso, em nenhuma circunstância, e sob nenhuma pressão, devem os Médicos “dar drogas venenosas a alguém, nem jamais sugerir tal conselho” … reza o Juramento de HIPÓCRATES… (2)

…Vida Biológica não se identifica com Vida Humana. Pode haver Vida Vegetativa depois de ter desaparecido, de todo, o rastro de Vida Humana... (3).

Comecemos pela “Declaração de GENEBRA da Associação Médica Mundial” revista em Outubro de 2017  na passada 68ª Assembleia - CHICAGO (EUA) .
Aí se afirma, entre outros compromissos, que o MÉDICO se obriga

“… - a considerar a SAÚDE e o BEM-ESTAR do seu DOENTE como as primeiras preocupações;

… - a RESPEITAR a Autonomia e a Dignidade do seu DOENTE;

maio 14, 2018

A Quem Interessa a Verdade?



Por colocar algumas questões pertinentes, embora possamos discordar da forma condensada como passa por cima de alguns períodos pontualmente importantes para a caracterização e consolidação do R.E.A.A., julgamos interesante a divulgação deste trabalho.
Da história deste Rito ainda subsistem vários pontos mais ou menos obscuros, por inexistencia de documentação, mas alguns novos trabalhos (Alain Bernheim  e outros autores) vindos a público, têm vindo a clarificar algumas lacunas. 

O título, tomei-o emprestado de um artigo publicado na revista "HIRAM", nº 1 / 2010 do Grande Oriente da Itália, e reportava uma célebre discussão, um tanto parnasiana, entre Emmanuel Kant e Benjamim Constant [1].

O texto comenta a discussão entre os dois pensadores, colocando a posição clássica e inflexível de Kant que afirmava que o dever moral se impõe a evitar a mentira em qualquer caso, mesmo se sua finalidade seja o bem, enquanto Constant, mais flexível atenua o rigor kantiano afirmando que um princípio moral que obriga a dizer em absoluto a verdade tornaria impossível uma pacífica convivência social.

Como parecem longe de nós essas discussões do século XIX. A sensação é que hoje não se sente, talvez por indiferença, a necessidade de distinguir entre a verdade e uma mentira, ou entre a realidade e a ficção.

A afirmação da verdade não interessa mais. O seu sentido evaporou-se, como acontece com a palavra que define mentira. Esta deveria ser uma anomalia, uma transgressão à regra, mas como contece cada vez mais, a anomalia  transforma-se na regra. Se todos mentem sem se sentirem culpados, e sem temerem as consequências, desaparece o conceito de mentira, para transformar-se de uma forma ou outra, no exercício da sua liberdade de falar. E, nos dias de hoje, isso acentua-se com o uso da Internet e das redes sociais.

maio 04, 2018

A Maçonaria face às Ditaduras




Para que  os Maçons e todos os Democratas não esqueçam a violência da ditaduras relativamente à Maçonaria e aos valores  democráticos, tomamos a liberdade de republicar um artigo que há mais de quatro anos apresentámos neste Blog. Não podemos esquecer que o passado recente que julgávamos enterrado, após a II Guerra Mundial, está  perigosamente a reactivar-se, pelos muitos erros cometidos pela U.E ( e não só....).

Introdução
Do ponto de vista histórico, a Maçonaria é um fenómeno sócio-político que desempenhou um papel mais ou menos grande na nossa história ocidental, directa ou indiretamente, mas sempre de forma constante ao longo dos últimos três séculos.
No entanto, poucos assuntos, mesmo ainda hoje, têm causado tanta polémica e têm sido tão controversos.  A Maçonaria pertence a um capítulo da história, que até ainda recentemente, se tornou polo de atracção  de dois campos opostos, o dos apologistas e o dos detractores. E isso numa área que poderíamos chamar de especialistas; pelo contrário,  para um nível mais popular, a Maçonaria continua a ser muito pouco conhecida, embora se fale muito sobre ela.

O complot jacobino, ou se preferir, revolucionário no final do século XVIII, na sua luta contra o trono e o altar será rapidamente substituído pelo complot satânico (habilmente inventado e explorado por um personagem tão pitoresco como Leo Taxil) especialmente dirigido  contra o poder da Igreja.  Derivará em pleno século XX, para a conspiração judaico-maçónica à qual se irão acrescentar novos termos "pejorativos" como a palavra marxista ou comunista, traço característico de certas ditaduras, como a do general Franco, durante a qual o seu famoso slogan do complot "judaico-maçónico-comunista" causa de todos os males passados , presentes  e futuros  da Espanha,  se transformou numa verdadeira obsessão.

abril 29, 2018

Regulares Ingleses contra Liberais Franceses


Com a devida  consideração e autorização transcrevemos, do Blogue "gremiosalvadorallende", este interessante artigo de opinião:
"Regulares Ingleses contra Liberais Franceses – Um panorama atualizado da Maçonaria Mundial em 2016"

A Maçonaria pretende ser o “Centro de União. Mas onde se encontra esse famoso centro?
Em Londres ou Paris?

As duas principais tendências da maçonaria mundial, que se divide entre “regulares” e “liberais” somam verdadeiras rivalidades históricas, diferenças reais de abordagem espiritual, social, simbólica, que, seja o que for que se pense, não estão perto de desaparecer. Especialmente se os liberais parecem agora segurar a corda, é muitas vezes uma reação contra uma maçonaria “inglesa” considerada dogmática, separada do mundo, envelhecida
Os Maçons acreditam em Deus? A Maçonaria é mista? Os Maçons fazem política? Eles são progressistas ou conservadores?
Os membros de muitas potências francesas geralmente têm pouca dificuldade em responder a estas perguntas básicas que parecem lógicas na paisagem maçónica francesa. Mas, suponhamos que seja membro de uma loja Inglesa ou afiliada à Grande Loja Unida da Inglaterra. Estas perguntas parecerão absurdas, ou deslocadas, na medida em que elas são estranhas à visão de Maçonaria que ainda prevalece em grande parte do mundo. Porque no seio da Maçonaria Mundial, não é um estreito Pas-de-Calais que separa ingleses e franceses, mas um oceano de incompreensão que, se raramente se tinge de hostilidade aberta, banhada da arrogância mútua de dois continentes soberbamente isolados entre si.

abril 16, 2018

Alguns Vícios que corroem a Maçonaria



I – Introdução 

O objectivo deste texto é evidenciar algumas situações negativas que por vezes ocorrem,  traduzindo  posições incorrectas individuais (e dada a natureza humana terão sempre ocorrido, em maior ou menor escala, sobretudo em períodos de maior expansão). Referimo-nos em particular ao nosso país, depois da expansão que a N:.A:.O:. reiniciou, após o fim do longo e negro período da repressão ditatorial salazarenta, possível pelo inesquecível Abril da Liberdade.

A Maçonaria como associação moderna (especulativa ou reflexiva), celebra precisamente os seus 300 anos de existência. Surgiu (segundo quase todos os documentos oficiais), em Londres,  em 1717, como renovação e reelaboração duma antiga e muito anterior tradição  associativa operativa e de grémio, através de quatro LLoj:. que se reuniam em outras tantas tabernas. A Inovação de fundo foi a decisão de se agregarem sob coordenação centralizada (face à situação até aqui existente, em que cada Loj:. era autónoma) embora existam razões histórico-políticas para tal (a larga maioria das LLoj:. existentes à altura opunha-se ou não simpatizava com a nova dinastia «hanoveriana», conforme abordámos em trabalhos anteriores). Constituíram  então a chamada Grande Loja de Londres (G:.L:.L:.).

Segundo a historiografia inglesa predominante a moderna Maçonaria tomou  por empréstimo à maçonaria operativa a  metáfora da construção, mas agora os objectivos não são já as grandes catedrais e monumentos em pedra, mas  “o ser humano como construtor de si mesmo e do mundo”.

A nova Maçonaria, como tradição intelectual e moral, tem evoluido de maneira distinta  em diferentes países e contextos sociais, divergindo para posições até mesmo antagónicas e conflituantes em alguns aspectos,  pelo que em, termos estritos, deveremos  falar correctamente de Maçonarias em vez de Maçonaria, o que na maior parte das vezes é negligenciado ou até esquecido.