
(com a devida autorização da R:. L:. "Alves Martins", a Oriente de Viseu)
Ergue-te homem! Eleva-te acima do impossível! Fixa, por instantes, o teu olhar no horizonte do infinito e observa a inquietude que trazes no teu espírito, a fragilidade da tua existência, o absurdo dos teus passos arrastados pela áurea vontade de saíres da sombra... Levanta-te homem que és homem, a aurora hiante abraça já o firmamento! Eleva o teu espírito, centelha de Luz, porque o mundo precisa do teu brilho! Vê ao largo o Oriente, meu Ir:. onde o espírito enobrece o gesto... Olha para o incomensurável rasto de luz daqueles que iluminaram o mundo antes de ti, vestígios de história, fragmentos incandescentes que hão-de abrasar o teu espírito.
Se hoje te atemorizam as mais básicas violações da condição humana, quando se relativizam verdades profundas e arreigadas ao nosso espírito como a de que os homens nascem por natureza livres e iguais em direitos, então pensa que há séculos o homem foi capaz de se libertar da condição de joguete dos deuses e dos seus caprichos para passar a agir de acordo com sua própria consciência moral, fundada na razão. Mas cuidado! Não uma moral abstracta e discricionária, alheia ao próprio homem para aceder à graça dos deuses, mas uma moral prática, instruída na boa vontade que parte de uma reflexão ética laica assente naquilo que há de mais profundamente humano.
O tão conhecido Immanuel Kant diria numa das suas famosas formulações, no seu livro Fundamentação Metafísica dos Costumes: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal”. Procura, por isso, incessantemente, a matéria da tua acção para que o teu espírito eleve o teu gesto e inspires, no mundo profano, atitudes práticas que melhorem a sociedade e as pessoas que nela vivem.Não tenhas pressa... nunca alcançarás o conhecimento definitivo e último da existência, da vida, do mundo e do cosmos... viverás essa fractura constante. Mas essa demanda pela Sabedoria, pelo Conhecimento, pela Luz é e será sempre uma odisseia individual e voluntária tua que há-de estabelecer uma diferença fundamental entre aqueles que se movem por essa demanda e aqueles que lhe são alheios, ou entre os que verdadeiramente buscam, pela admiração natural, e os que permanecem presos às aparências e à vaidade dos bordados que ostentam nos paramentos.




















