julho 20, 2018
A Origem Francesa do R:.E:.A:.A:.
Da autoria dum excelente autor e maçom brasileiro, o Ir. José Castellani, republicamos de novo, pelo seu interesse sempre actual, um traçado que inicialmente viu a luz neste Blog em 08.Março.2012.
O escocismo nasceu na França, como Maçonaria stuartista, sendo, na realidade, a primeira manifestação maçónica em território francês.
Quando, em 1649, o rei Carlos I (da dinastia dos Stuarts, de origem escocesa) foi decapitado, após a vitória da revolta puritana de Oliver Cromwell, sua viúva, Henriqueta de França, aceitou asilo em território francês, em Saint Germain, para onde foi, acompanhada de todo o seu séquito, onde já existiam numerosos maçons aceitos.
Onze anos depois, seria restaurado o trono stuartista na Inglaterra. Alec Mellor fala em origem jacobita do Rito Escocês, pelo facto de existirem Lojas militares, formadas pelos regimentos fiéis aos Stuarts, ou seja, regimentos irlandeses e escoceses, totalmente jacobitas e, na sua maioria, católicos. Jacobita foi o nome dado, na Inglaterra, após a revolução de 1688, quando houve nova queda de um Stuart (Jaime II), aos partidários da dinastia.
Paul Naudon informa que, em 1661, às vésperas de subir ao trono inglês, Carlos II criou, em Saint Germain, um regimento com o título de Real Irlandês, que, depois, seria alterado para Guardas Irlandeses. Esse regimento, seguindo os Stuarts, foi incluído na capitulação de 1688, desembarcando em Brest, a 9 de outubro de 1689, e permanecendo, até 1698, fora dos quadros militares franceses, quando foi incorporado ao exército francês.
julho 12, 2018
A Sociedade em Rede e o papel da Maçonaria
por que considerámos que ainda se mantem minimamente actual, tomamos a liberdade de voltar a publicar um trabalho elaborado em Abril.2011 , por altura do XIII Congreso da N:.A:.O:.
Em primeiro lugar esperamos que nos tolerem a ousadia de tentar uma análise dum tema tão vasto no mundo profano, mas todavia cada vez mais importante e relativamente pouco tratado nos trabalhos de âmbito macónico. A oportunidade que a convocação do XIII Congresso da nossa Aug:. Ord:. oferece, pareceu-nos apropriada para colocar algumas questões sobre este tema.
A Maç:. é frequentemente tratada no mundo profano como sendo uma organização secreta (ou quase), fechada no mínimo, regendo-se por rituais considerados ultrapassados e sem sentido e cujo futuro, numa sociedade cada vez mais globalizada, essencialmente suportada nas Tecnologias de Informação (nem sempre ao serviço das mais nobres causas....) estará cada vez mais ameaçado, levando à sua «previsivel» decadencia e /ou extinção.

Como Maçons e a par das reais ameaças que impedem sobre quem, sem abdicar dos principios, persiste em adapatar-se às novas realidades sócio-tecnológicas que condicionam (ou mesmo formatam) a evolução social, não se nos afiguram correctas aquelas «visões» profanas, pelos argumentos que passaremos a expor.
Que relacionamento sustentado poderá existir entre a Sociedade de Informação / Sociedade em Rede e a Maçonaria, que não comprometa o desenvolvimento desta e que vantagens (ou ameaças) poderá representar para a correcta divulgação dos ideiais e prática macónicos???
julho 04, 2018
Uma síntese da Simbologia Maçónica
Em especial para os IIr:. Aprendizes (mas não só), reeditamos de novo este excelente trabalho de sínteses apresentado pelo Ir:. José Marti, em Julho de 2008 (na R.L."Ocidente").
- Um símbolo não impõe nada. Convida a descobrir, a compreender e a meditar.
- Um símbolo é um meio para atingir o conhecimento. É um conjunto que reúne diversos elementos, representando a soma das partes.
- A palavra símbolo provém do grego sumbolum que quer dizer sinal, o qual é uma representação concreta de uma ideia abstracta.
- Um rito é constituído por um conjunto de símbolos colocados em acção, não somente pelos objectos empregues e as figuras representadas, mas também pelos gestos efectuados ou palavras pronunciadas. O rito e o símbolo são 2 aspectos de uma mesma realidade.
- Os rituais são constituídos por gestos e palavras repetidas que se tornam também códigos particulares, permitindo o reconhecimento mútuo e rápido dos membros de um mesmo grupo. A acção ritual assenta na transmissão e execução de gestos obedecendo a ritmos ou a traçados geométricos precisos.
Sinal à ordem
O sinal designa uma marca ou carácter visível que possibilita conhecer qualquer coisa escondida ou secreta. Trata-se de gestos, acções ou distintivos que os homens convencionaram para fazerem entender entre eles alguns pensamentos particulares.
O “sinal à ordem” faz-se com a mão direita colocada horizontalmente sob o queixo, 4 dedos juntos e o dedo polegar afastado, formando um esquadro, e o braço esquerdo pendente. O “sinal à ordem” faz-se unicamente de pé. É também chamado sinal gutural. Os pés estão unidos nos calcanhares e formam um ângulo aberto em esquadro.
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junho 14, 2018
Ritual e Tradição
(publicado com a devida autorização do Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")
A Kabbalah não é judaísmo e não é religião, mas também não é um culto de "new age". A Kabbalah emergiu na cultura judaica como um conjunto de técnicas ligadas à filosofia especulativa, à cosmogonia e à alquimia. Porém, a Kabbalah, não sendo em si uma religião, acabou por formar o esqueleto da religião judaica.
A N:.A:.O:. e o nosso Rito Escocês Antigo e Aceito é de tradição cabalística, o que significa que a tradição iniciática que seguimos e praticamos, parte do conhecimento da Kabbalah enquanto filosofia e não como religião.
A nossa tradição é cabalista porque nasceu no seio da cultura mediterrânica, partilhada por três grandes tradições com mais de dois mil anos de convívio: a tradição judaica, a cristã e a islâmica. Em todas as três podemos encontrar marcas profundas da mesma Kabbalah.
Mas o que é verdadeiramente a Kabbalah? Como ela se encontrar enraizada na Maçonaria? Como os nossos rituais se ligam à matriz cabalística? Qual o fim da Kabbalah na aprendizagem dos maçons?
Estas questões, que são verdadeiramente importantes e fundadoras do perfil da Maçonaria, e da ética do Maçon, devem ser respondidas e aprendidas por todos, desde o Aprendiz ao Mestre. A Kabbalah sempre foi um conhecimento reservado e discreto, e na antiguidade foi exclusivo do sacerdócio e auxiliar da ciência (astronomia/astrologia), da filosofia, da dialética, da lógica, da matemática e da linguística. Desde a sua formação que a Kabbalah sempre foi uma súmula de conhecimento universal, constituindo-se como instrumento hábil do saber e da investigação da vida e do universo.
Eis as razões porque a Kabbalah está na origem de várias ordens iniciáticas, de várias escolas filosóficas e científicas. Desde a antiguidade clássica até hoje podemos encontrar vários pensadores e cientistas que foram cabalistas, e que por terem aprendido o método cabalístico, poderam desenvolver e avançar nos seus estudos. Não só na tradição rabínica, como fora da comunidade judaica, grandes intelectuais e cientistas usufruíram do método cabalístico para resolver vários problemas e questões que de outra forma teriam demorado muito mais tempo ou teriam ficado insolúveis.
junho 06, 2018
Maçonaria e a Teoria das Cores
Naturalmente perguntar-me-ão o que é que a Teoria das Cores tem a ver com a Maçonaria? A resposta é simples: tudo e nada, porque, quer o zero quer o infinitamente definido se sentam na mesa do banquete do conhecimento, ou seja, se aprofundar o conhecimento de Si próprio tem como finalidade o relacionamento com os Outros e o Universo, então e pela Lei das Comparações, haverá algo em comum mas, por outro lado, se o conhecimento de nós próprios se limita a engordar o Ego e não o Eu nada haverá para se conjugar.
Desde os Pré-Socráticos (muito bem explicados por Aristóteles) que as cores estão intimamente ligadas à Luz embora aqueles se tenham baseado sobre este assunto de modo intuitivo, e foi muito mais tarde que Isaac Newton, cientificamente, propôs e demonstrou a Teoria das Cores, prontamente contrariada por Goethe e Leibniz.
Isaac Newton pensou que a Luz era uma energia que se movia, refractava e dividia nas sete cores prismáticas mas com a oposição de Goethe que pretendeu demonstrar ser a Luz, não só invisível como indivisível, pertencendo os vários graus das cores à sombra que se revela sob a influência da Luz, ou seja, as cores seriam qualidades das sombras e não quantidades da Luz exprimindo esta Teoria, simbolicamente, por um número, o 6, e por uma figura, o Hexagrama que como sabemos são dois triângulos de bases e vértices opostos que se entrecruzam formando um ponto central que se relaciona com as formas angulares intermédias numa correspondência entre o Uno e os Múltiplos, melhor dizendo: o ponto central (Luz invisível e indivisível) e a atmosfera circundante (sombra ou trevas) também invisível mas divisível.
maio 26, 2018
Da História e do Conceito da Eutanásia
(publicado com a devida autorização do Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")
…como afirmou SIMONE DE BEAUVOIR,
“…todos os Homens são mortais, mas para cada Homem a sua morte é um acidente e, mesmo que ele a conheça e consinta, <é uma violência indevida… (1)
…nunca esqueçamos que ante a insinuação dum assassínio piedoso, em nenhuma circunstância, e sob nenhuma pressão, devem os Médicos “dar drogas venenosas a alguém, nem jamais sugerir tal conselho” … reza o Juramento de HIPÓCRATES… (2)
…Vida Biológica não se identifica com Vida Humana. Pode haver Vida Vegetativa depois de ter desaparecido, de todo, o rastro de Vida Humana... (3).
Comecemos pela “Declaração de GENEBRA da Associação Médica Mundial” revista em Outubro de 2017 na passada 68ª Assembleia - CHICAGO (EUA) .
Aí se afirma, entre outros compromissos, que o MÉDICO se obriga
“… - a considerar a SAÚDE e o BEM-ESTAR do seu DOENTE como as primeiras preocupações;
… - a RESPEITAR a Autonomia e a Dignidade do seu DOENTE;
…como afirmou SIMONE DE BEAUVOIR,
“…todos os Homens são mortais, mas para cada Homem a sua morte é um acidente e, mesmo que ele a conheça e consinta, <é uma violência indevida… (1)
…nunca esqueçamos que ante a insinuação dum assassínio piedoso, em nenhuma circunstância, e sob nenhuma pressão, devem os Médicos “dar drogas venenosas a alguém, nem jamais sugerir tal conselho” … reza o Juramento de HIPÓCRATES… (2)
…Vida Biológica não se identifica com Vida Humana. Pode haver Vida Vegetativa depois de ter desaparecido, de todo, o rastro de Vida Humana... (3).
Comecemos pela “Declaração de GENEBRA da Associação Médica Mundial” revista em Outubro de 2017 na passada 68ª Assembleia - CHICAGO (EUA) .
Aí se afirma, entre outros compromissos, que o MÉDICO se obriga
“… - a considerar a SAÚDE e o BEM-ESTAR do seu DOENTE como as primeiras preocupações;
… - a RESPEITAR a Autonomia e a Dignidade do seu DOENTE;
maio 14, 2018
A Quem Interessa a Verdade?

Por colocar algumas questões pertinentes, embora possamos discordar da forma condensada como passa por cima de alguns períodos pontualmente importantes para a caracterização e consolidação do R.E.A.A., julgamos interesante a divulgação deste trabalho.
Da história deste Rito ainda subsistem vários pontos mais ou menos obscuros, por inexistencia de documentação, mas alguns novos trabalhos (Alain Bernheim e outros autores) vindos a público, têm vindo a clarificar algumas lacunas.
O título, tomei-o emprestado de um artigo publicado na revista "HIRAM", nº 1 / 2010 do Grande Oriente da Itália, e reportava uma célebre discussão, um tanto parnasiana, entre Emmanuel Kant e Benjamim Constant [1].
O texto comenta a discussão entre os dois pensadores, colocando a posição clássica e inflexível de Kant que afirmava que o dever moral se impõe a evitar a mentira em qualquer caso, mesmo se sua finalidade seja o bem, enquanto Constant, mais flexível atenua o rigor kantiano afirmando que um princípio moral que obriga a dizer em absoluto a verdade tornaria impossível uma pacífica convivência social.
Como parecem longe de nós essas discussões do século XIX. A sensação é que hoje não se sente, talvez por indiferença, a necessidade de distinguir entre a verdade e uma mentira, ou entre a realidade e a ficção.
A afirmação da verdade não interessa mais. O seu sentido evaporou-se, como acontece com a palavra que define mentira. Esta deveria ser uma anomalia, uma transgressão à regra, mas como contece cada vez mais, a anomalia transforma-se na regra. Se todos mentem sem se sentirem culpados, e sem temerem as consequências, desaparece o conceito de mentira, para transformar-se de uma forma ou outra, no exercício da sua liberdade de falar. E, nos dias de hoje, isso acentua-se com o uso da Internet e das redes sociais.
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maio 04, 2018
A Maçonaria face às Ditaduras

Do ponto de vista histórico, a Maçonaria é um fenómeno sócio-político que desempenhou um papel mais ou menos grande na nossa história ocidental, directa ou indiretamente, mas sempre de forma constante ao longo dos últimos três séculos.
No entanto, poucos assuntos, mesmo ainda hoje, têm causado tanta polémica e têm sido tão controversos. A Maçonaria pertence a um capítulo da história, que até ainda recentemente, se tornou polo de atracção de dois campos opostos, o dos apologistas e o dos detractores. E isso numa área que poderíamos chamar de especialistas; pelo contrário, para um nível mais popular, a Maçonaria continua a ser muito pouco conhecida, embora se fale muito sobre ela.

O complot jacobino, ou se preferir, revolucionário no final do século XVIII, na sua luta contra o trono e o altar será rapidamente substituído pelo complot satânico (habilmente inventado e explorado por um personagem tão pitoresco como Leo Taxil) especialmente dirigido contra o poder da Igreja. Derivará em pleno século XX, para a conspiração judaico-maçónica à qual se irão acrescentar novos termos "pejorativos" como a palavra marxista ou comunista, traço característico de certas ditaduras, como a do general Franco, durante a qual o seu famoso slogan do complot "judaico-maçónico-comunista" causa de todos os males passados , presentes e futuros da Espanha, se transformou numa verdadeira obsessão.
abril 29, 2018
Regulares Ingleses contra Liberais Franceses
Com a devida consideração e autorização transcrevemos, do Blogue "gremiosalvadorallende", este interessante artigo de opinião:
"Regulares Ingleses contra Liberais Franceses – Um panorama atualizado da Maçonaria Mundial em 2016"
A Maçonaria pretende ser o “Centro de União”. Mas onde se encontra esse famoso centro?
Em Londres ou Paris?
As duas principais tendências da maçonaria mundial, que se divide entre “regulares” e “liberais” somam verdadeiras rivalidades históricas, diferenças reais de abordagem espiritual, social, simbólica, que, seja o que for que se pense, não estão perto de desaparecer. Especialmente se os liberais parecem agora segurar a corda, é muitas vezes uma reação contra uma maçonaria “inglesa” considerada dogmática, separada do mundo, envelhecida.
Em Londres ou Paris?
As duas principais tendências da maçonaria mundial, que se divide entre “regulares” e “liberais” somam verdadeiras rivalidades históricas, diferenças reais de abordagem espiritual, social, simbólica, que, seja o que for que se pense, não estão perto de desaparecer. Especialmente se os liberais parecem agora segurar a corda, é muitas vezes uma reação contra uma maçonaria “inglesa” considerada dogmática, separada do mundo, envelhecida.
Os Maçons acreditam em Deus? A Maçonaria é mista? Os Maçons fazem política? Eles são progressistas ou conservadores?
Os membros de muitas potências francesas geralmente têm pouca dificuldade em responder a estas perguntas básicas que parecem lógicas na paisagem maçónica francesa. Mas, suponhamos que seja membro de uma loja Inglesa ou afiliada à Grande Loja Unida da Inglaterra. Estas perguntas parecerão absurdas, ou deslocadas, na medida em que elas são estranhas à visão de Maçonaria que ainda prevalece em grande parte do mundo. Porque no seio da Maçonaria Mundial, não é um estreito Pas-de-Calais que separa ingleses e franceses, mas um oceano de incompreensão que, se raramente se tinge de hostilidade aberta, banhada da arrogância mútua de dois continentes soberbamente isolados entre si.
Os membros de muitas potências francesas geralmente têm pouca dificuldade em responder a estas perguntas básicas que parecem lógicas na paisagem maçónica francesa. Mas, suponhamos que seja membro de uma loja Inglesa ou afiliada à Grande Loja Unida da Inglaterra. Estas perguntas parecerão absurdas, ou deslocadas, na medida em que elas são estranhas à visão de Maçonaria que ainda prevalece em grande parte do mundo. Porque no seio da Maçonaria Mundial, não é um estreito Pas-de-Calais que separa ingleses e franceses, mas um oceano de incompreensão que, se raramente se tinge de hostilidade aberta, banhada da arrogância mútua de dois continentes soberbamente isolados entre si.
abril 16, 2018
Alguns Vícios que corroem a Maçonaria
I – Introdução
O objectivo deste texto é evidenciar algumas situações negativas que por vezes ocorrem, traduzindo posições incorrectas individuais (e dada a natureza humana terão sempre ocorrido, em maior ou menor escala, sobretudo em períodos de maior expansão). Referimo-nos em particular ao nosso país, depois da expansão que a N:.A:.O:. reiniciou, após o fim do longo e negro período da repressão ditatorial salazarenta, possível pelo inesquecível Abril da Liberdade.
A Maçonaria como associação moderna (especulativa ou reflexiva), celebra precisamente os seus 300 anos de existência. Surgiu (segundo quase todos os documentos oficiais), em Londres, em 1717, como renovação e reelaboração duma antiga e muito anterior tradição associativa operativa e de grémio, através de quatro LLoj:. que se reuniam em outras tantas tabernas. A Inovação de fundo foi a decisão de se agregarem sob coordenação centralizada (face à situação até aqui existente, em que cada Loj:. era autónoma) embora existam razões histórico-políticas para tal (a larga maioria das LLoj:. existentes à altura opunha-se ou não simpatizava com a nova dinastia «hanoveriana», conforme abordámos em trabalhos anteriores). Constituíram então a chamada Grande Loja de Londres (G:.L:.L:.).
Segundo a historiografia inglesa predominante a moderna Maçonaria tomou por empréstimo à maçonaria operativa a metáfora da construção, mas agora os objectivos não são já as grandes catedrais e monumentos em pedra, mas “o ser humano como construtor de si mesmo e do mundo”.A nova Maçonaria, como tradição intelectual e moral, tem evoluido de maneira distinta em diferentes países e contextos sociais, divergindo para posições até mesmo antagónicas e conflituantes em alguns aspectos, pelo que em, termos estritos, deveremos falar correctamente de Maçonarias em vez de Maçonaria, o que na maior parte das vezes é negligenciado ou até esquecido.
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abril 06, 2018
Reflexões Maçónicas
A finalidade desta prancha é abordar de forma meditativa algumas matérias Maçónicas que são pilares formais e substanciais na existência da nossa Augusta Ordem.
A escrita tripontuada
Estou convicto de que muitos maçons desconhecem a origem da escrita tripontuada que caracteriza o discurso impresso maçónico.
Observemos a sequência de quatro pares de letras maiúsculas, cada par seguido de três pontos formando um triângulo equilátero, quer dizer, de três lados iguais. Elas são: MM:. LL:. AA:. AA:.
Isto é a escritura tripontuada adoptada pela Maçonaria; porém a escritura tripontuada não foi criada pela Maçonaria.
O primeiro documento maçónico conhecido que utiliza a escritura com três pontos é uma circular do Grande Oriente da França, datado 12 de Agosto de 1774, comunicando novo valor da anuidade e mudança de local.
Lennhoff, no "Dicionário Maçónico Internacional", diz que os três pontos aparecem já em antigos escritos monacais, conservados na Biblioteca Coraini, Roma.
Na Corte Pontifícia de Roma existia um tribunal denominado "Tribunal da A:. C:." que para uns era Augusta Consulta e para outros Auditor Camarae.
março 24, 2018
Música e Maçonaria
A música, com linguagem própria e estrutura genuína, acompanhou homens e mulheres desde os tempos da proto-história, e refiro-me ao espírito musical xamânico do Neolítico em que as peles dos animais mortos eram esticadas e depois percutidas para se iniciar a comunicação com o espírito dos animais, ou seja, a música falava a língua da natureza economizando o verbo e as palavras (significante sem significado).
Mais tarde, sob a forma de cânticos (a voz é considerada o primeiro instrumento musical que se conhece), logo, acrescentado o verbo, passou a ter um significado em que se reforçavam os laços fraternos e se emitiam mensagens de prazer, reconhecimento, regozijo, alegria e reflexão. Mais recentemente tornou-se a expressão das inquietações pessoais relativas aos paradoxos da vida procurando vencer o sofrimento, ou seja, uma projecção dos estados emocionais puramente humanos.

À medida que foi evoluindo desenvolveu uma técnica e uma linguagem à margem do pensamento conceptual tornando-se numa das formas da criação artística. Podemos, então, compará-la à chamada Arte Real por esta também gerar uma construção ordenada saindo do Caos fazendo imergir o melhor das qualidades humanas a partir da Pedra Bruta polindo-a e aperfeiçoando-a num enquadramento cosmogónico universal. Tornou-se assim um elo condutor entre a Beleza patente no Universo e na mole humana.
Ambas tarefas têm muito de espiritual mas também trabalho duro e puro (artesanal), aliás, como qualquer tarefa humana que sem trabalho nada se faz ou constrói, isto é, procuram a virtude melhorando-a com destreza, rigor, disciplina e sensibilidade que não se querem exclusivos mas compartilhada com os Outros.
















