junho 30, 2017

Coluna Norte (Tributo a Daniel Béresniak)




MM.’.QQ.’.IIr.’. sentados na Coluna Norte, quando olho para vós, a minha memória afectiva denuncia-me com singelas gotas de água e cloreto de sódio que escorrem sublimadas pelo muito que aí, sentado como vós, aprendi e reaprendi modificando o meu comportamento, materialmente montado e espiritualmente incompleto.

Aí, foram muitas as vezes que perguntei a mim próprio, porque me sentia ignorante e desfasado, para e porquê a sucessão dos trabalhos com símbolos, gestos e toques a desfilarem sem sentido aparente e num corrupio ambíguo que provocava, à vez, uma alegria intensa e uma tristeza estranha?
Quis o acaso e a necessidade que nesses instantes e pedaços estivessem presentes, solidários e fraternos, um conjunto de IIr.’. que fizeram a diferença: uns confiando nas minhas capacidades, outros cedendo-me grande parte da sua bibliografia pessoal e ainda outros, com a sua maneira de estar e agir, a demonstrarem que é possível um segundo nascimento com a finalidade de reunir o que está esparso.

Das mil leituras que fiz, das mil experiências que assimilei e das mil coisas que me escaparam, vou falar-vos de uma Obra Literária, da qual farei um resumo pessoal (embora os conceitos e as ideias pertençam ao Autor) com o intuito de poder contribuir, se assim o desejarem, para a vossa caminhada na via da Luz, que uma vez Iniciada vai ser calcorreada infinitamente até ao fim dos vossos dias. Chama-se "L’Apprentissage Maçonnique, une école de l’éveil?" O Autor é Daniel Béresniak - um digníssimo representante dos que sentem e agem a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. É óbvio que a leitura completa da obra é, não só essencial como obrigatória. É claro também que todas as incorrecções que encontrarem, sou o responsável e nunca o Autor.
Em termos de estrutura do traçado vou enumerar (aqui sim, a escolha é minha) o que de mais importante apurei, transcrevendo os extraordinários pensamentos de D. Béresniak e seguindo os capítulos da Obra mencionada. Assim:

A - INTRODUÇÃO

1 - O estudo dos símbolos e dos mitos é a via para a introspecção e do conhecimento de Si-mesmo.
2 - Para se dominarem as paixões é preciso conhecê-las primeiro.
3 - Homem Livre: nada sabe; é indiferente às honrarias e considerações sociais; segue um caminho à volta de si próprio para não ser manipulado por ideologias que aprenderá a desmontar; reduz e isola os mitos dos arquétipos que os compõem ficando ao abrigo do ódio e das simplificações mortais.

junho 20, 2017

Tradição e Modernidade na Maçonaria


1. Preliminar.

Mal me decidi a confiar finalmente as minhas dúvidas ao papel, logo me questionava como iria ser capaz de introduzir o tema. Confesso que me deixei embalar por uma doce euforia imaginando que um sinal exterior viria alimentar a minha imaginação. Assim pensado, assim realizado. Os meus passos conduziram-me à minha livraria favorita, onde meti as mãos numa nova publicação de André Comte-Sponville (referência 1). Um amigo tinha-me oferecido, há muitos anos um dos seus escritos que agora deve repousar algures num dos meus armários. O que eu me ofereci tem como título "O Espírito do Ateísmo" e ao vê-lo no escaparate, não pude resistir. Qual é a ligação com o assunto em mãos, dirão? A resposta é fácil, mas não é óbvio o porquê. A tradição maçónica alimenta-se de  espiritualidade e parece difícil de cultivar a espiritualidade sem Deus à mão de semear. André Comte-Sponville promete, ou pelo menos propõe,  uma espiritualidade sem Deus.

Desde o prefácio, que me questionei interiormente. "Regresso da espiritualidade? Não seria um problema. Mas o dogmatismo volta com muita freqüência e o obscurantismo, o fundamentalismo e o fanatismo às vezes. Seria errado abandonar-lhes o campo. O combate pela luzes continua, raramente tem sido tão urgente, e é um combate pela liberdade. " (Fim da citação). Não vou citar desde a  introdução tudo o que ele escreveu, mas é provável que me suporte nas suas ideias porque me parecem ter alguma relevância para o tópico que vos pretendo comunicar. Poderia em rigor criticar a ideia do combate mas, permanecendo profundamente pacifista, reflecti que às vezes é necessário intimidar os adversários. Não é contudo necessário matá-los. Mas parece que o homem parece ser o único entre as espécies animais a ser  lobo de si mesmo. Aceitemos pois que há um combate moderado, se é que estas duas palavras podem ser coladas à mesma idéia.

junho 06, 2017

Acerca dos conceitos de Símbolo, Simbologia e Alegoria



I - Introdução 

A origem etimológica da palavra símbolo, é geralmente atribuida ao grego “sumbolon”, derivada do verbo “sumbollein”, pretendendo significar sinal, no sentido de traduzir a representação concreta duma ideia abstracta.  Segundo I. Mainguy (3), Guénon define-o como “a fixação dum gesto ritual” e indo mais longe, sugere uma pesquisa para encontrar a sua origem.

A Maçonaria é normalmente definida como sendo: “um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado  por símbolos

Nesta definição aparecem duas palavras,   Símbolo e Alegoria,  que na maior parte das vezes, são incorrectamente interpretadas, pelo que consideramos  oportuno tentar perceber a distinção entre as duas, pelo que tentámos recolher e reunir algumas  breves referências relativas a este tema, de que resultam as notas que se seguem, entre as quais se salienta o trabalho de Anatoli Oliynik (5).

No que respeita à palavra latina “symbolus”, entende-se  o seu significado como sinal de reconhecimento, sendo constituído por um objecto cortado em dois, cada uma das duas partes estando entre as mãos de duas pessoas que se vão separar. Espécie de sinal de reconhecimento, que quando mais tarde se encontrarem as duas partes poderão, ao reuni-las, selar a sua reunião.

maio 26, 2017

Comentários sobre os Graus Primitivos da Maçonaria


Datado de 02.Fev.1356 existe um documento na Prefeitura de Londres emitido por um mestre de obras de nome Henry Yevelle solicitando autorização para que ele e mais onze companheiros ( freemasons e freestones) pudessem realizar as suas reuniões em recinto fechado. No mínimo podemos deduzir que seriam reuniões de Aprendizes, isto numa época em que ainda não havia comprovação de que já existisse o grau de Companheiro e nem catecismos ou guias ou qualquer norma de como eram realizadas essas reuniões.

No documento a palavra companheiro não se referia a um grau da Maçonaria, mas sim de maçons livres, companheiros de trabalho. É claro que neste tempo a Ordem era Operativa e católica. No manuscrito de Harleian n.º 2054 do ano de 1650 já continha uma forma de juramento ou compromisso e ainda cita algumas palavras e sinais dos Pedreiros Livres, já indicando algum segredo. O manuscrito não dá maiores detalhes.

Entretanto nestes sinais de reconhecimento já se previa a possibilidade de se criar mais um grau, o que parece ter ocorrido vinte anos após em 1670 em função da necessidade de distinguir os Aprendizes Júniores dos Aprendizes Séniores, já que últimos tinham alguns privilégios a mais que os Aprendizes recém recebidos, o que caracterizava de certa forma um outro grau dentro do mesmo.
Os Aprendizes Júniores tomavam assento na Coluna do Norte (onde simbolicamente não entra Luz) e os Aprendizes Séniores sentavam-se na Coluna do Sul, além de terem funções diferentes no grémio. Era natural que, com o tempo se criasse um novo grau, porem esta transformação foi muito lenta. Neste período, começou a ocorrer outro desdobramento histórico interessante.

maio 20, 2017

Ritos e Símbolos Maçónicos - Uma Filosofia particular?


Pelo desenvolvimento contínuo dos graus propostos, do 1º ao 30º grau, todo o Maçom é  colocado em situação de descobrir a riqueza da polissemia dos símbolos maçónicos. Eles abrem  um mundo alegórico estruturado, portador de significado e sentido, oferecendo a possibilidade de numerosos desenvolvimentos filosóficos, entendidos em sentido amplo, que demonstra que a Maçonaria propõe um sistema completo e coerente, permitindo a todo o iniciado  completar a sua iniciação de modo que não seja virtual.

A Maçonaria apresenta a uma abordagem original para despertar ou revelar a interioridade do ser para favorecer a abertura da consciência, cuja principal constante simbólica será um caminho na obscuridade até à Luz. Esta será revelada progressivamente, grau após grau, para transcender e unificar com clareza toda a forma de dualidade.

Os graus do 15º ao 30º são enriquecidos pela influência de diversas tradições, nomeadamente bíblica, cavaleiresca, hermética, rosacruciana e gnóstica, bem como dum fundo legendário que sugere uma pluralidade de sentidos.  Estes graus podem ser considerados como filosóficos , tanto pela sua origem como pelo seu simbolismo. Este ecletismo confere-lhes um carácter universal.

O acento é colocado sobre  aquisição das virtudes e da Virtude,  desde o grau de Aprendiz. Quando da sua admissão todo o recipiendiário é reconhecido livre e de bons costumes, condição sina qua non para ser admitido à iniciação.

A Virtude surge aqui como uma arte de viver que nasce da força em si. É um sustentáculo constante da acção e supõe uma  intenção de realizar o bem em si, dum modo sempre mais eficaz e reflectido. A sua procura corresponde a uma tomada de consciência tanto da fragilidade como da fraqueza da condição humana. É uma conquista da lucidez que passa pelo despojamento voluntário dos vícios e paixões, designados sob o nome de metais, para aceder à força da libertação interior que é a verdadeira liberdade. A Virtude é sinónimo de força e de grandeza de alma.

maio 10, 2017

A Maçonaria Britânica ao Serviço da Monarquia


A Maçonaria é filha das “Luzes” (Enlightment) inglesas e escocesas. Sem o espírito tolerante de Locke e de Newton, sem a Revolução gloriosa que pôs fim à monarquia de direito divino e emancipou os dissidentes protestantes, ela nunca poderia ver o dia sob a forma que a conhecemos actualmente.

Foi porque o contexto religioso e político dos anos de 1717 lhe era favorável, que a Grande Loja de Inglaterra conseguiu progredir, precedendo em cerca de vinte anos a Grande Loja da Escócia (1736).

Conceder liberdades aos homens é uma coisa, mas  é preciso que façam bom uso delas. As Lojas maçónicas, contrariamente aos  muito aristocráticos clubes ingleses, são as únicas estruturas de acolhimento para estes dissidentes que estão fora da igreja anglicana, e ainda privados de direitos cívicos (que só obterão em 1828).

Porque Anderson  inscreveu a tolerância religiosa nas suas célebres Constituições, estes dissidentes (“dissenters”), provenientes das classes médias ascendentes, pequenos artesãos e comerciantes, que não têm acesso ao governo e ao parlamento, exclusivamente compostos pelas elites fundiárias até 1832, podem encontrar nas Lojas os aristocratas anglicanos que estão no poder, em toda a Inglaterra.

Maçonaria e Sociedade Britânica

A Maçonaria reflecte perfeitamente esta tensão entre aristocracia terrateniente, as elites fundiárias de um lado e a burguesia ascendente, do outro lado, que vive do comércio e da finança, e sobretudo este modus vivendi entre estas duas componentes,  este compromisso social tão característico da sociedade britânica.

abril 18, 2017

O Maçom, esse desconhecido


O Homem é um ser complexo, estranho e imperfeito. Às vezes julga-se senhor do mundo e às vezes em depressão, ou quando algo na sua vida não está bem sente- se muito pequeno inútil e destruído. Nos seus momentos de fantasia aspira ser poderoso, dono da verdade, sendo que jamais poderá vir a sê-lo.

Quer ser imortal, pois não admite a morte, mas nunca se lembra de que se perpetua através dos seus genes nos seus descendentes. É um ser gregário, aliás, condição vital para sobreviver. Desde os tempos das cavernas que ele aprendeu a viver em grupo.

É curioso. Pergunta muito, muito embora não tenha respostas para causas maiores da sua existência. Isto traz- lhe um conflito existencial muito grande. Quer conhecer a todo custo o que se passou com as civilizações anteriores e quer entrar em contacto com seres inteligentes do Universo.

Explora o Cosmo como um todo e em particularidades, explora a própria Terra, em busca de suas raízes, suas origens, sem tê-las conseguido até a presente data.

Desconhece a razão da vida e da morte, e temeroso diante das forças telúricas e universais passou a respeitar, venerar e até idolatrar o criador invisível de tudo. Ai reside o princípio religioso da maioria dos Homens, mais pelo temor da grandiosidade que o cerca, que pela sua inteligência, a qual é limitada.

abril 10, 2017

…Nada do que é Humano me é estranho…



…nihil humani a me alienum puto..
Públio Terêncio (185-159 a.C.) em “O Atormentador de Si Próprio”


Sempre pensei e continuo a pensar que se há lugar para dissecar o mais complexo dos paradoxos é, exactamente, na N.’.A.’.O.’., onde, uma vez iniciados, calcorreamos os diversos degraus infinitamente dispostos mas nunca indefinidamente, ou seja, começando por mergulhar em Nós próprios vamos em direcção aos Outros e ao Universo.

A Humanidade - que tema apropriado para vos transmitir as minhas reflexões.
Hoje, sabemos muito mais do que na Antiguidade sabiam os Pais-Fundadores do pensamento, porém e pasme-se, os circuitos neuronais do nosso actual cérebro (quer o queiramos ou não, é a base material da espiritualidade dita humana) são, precisamente, os mesmos que existiam na Idade da Pedra. Se é assim, a pergunta surge de imediato: o que há-de novo e a mais?

Bem, a mais, há uma enormidade de novidades que não caberiam em milhares de páginas, mas de novo, e este é o imbróglio, parece não haver nada de nada.

Vou expor-vos algumas considerações que, depois de interiorizadas, nos levarão ao degrau seguinte, vale dizer, a vós, e ao cosmos para que a tríade essencial da Iniciação fique ligada, seja ela coerente e racional (à qual estou mais ligado) ou transcendente e emocional (a qual procuro entender). Assim:

1- Graças ao pioneirismo de um cientista português (de seu nome António Damásio) os estudos sobre a fisiologia e patologia cerebral deram um passo de gigante (claro que, e como escreveu I. Newton, apoiado em muitos outros gigantes) no que diz respeito à base anatómica do seu funcionamento.

abril 06, 2017

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos ( II )



                               (CONTINUAÇÃO)

A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões  e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina,  a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” (6).
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica,  segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».

Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França,  comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” (6).

Para além do discurso do cavaleiro Ramsay,  existem adicionalmente  duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»:

2) O Capítulo de Clermont 
3) O Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente 

março 30, 2017

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos ( I )



 I – Introdução 

Distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvens de várias lendas até então assumidas, contribuindo para  esclarecer progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) e às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes. Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que se seguem.

Por outro lado a importância do grau de Mestre na consolidação da Maçonaria especulativa é um facto inquestionável (já alvo de trabalho anterior),  onde socorrendo-nos de alguns dos trabalhos recentes mais credenciados referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora continue a não ser possível determinar com precisão as suas origens. É nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva lenda hirâmica, criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus», que com maior propriedade se deveriam designar simplesmente por «graus complementares».

Não existem dúvidas de que na Maçonaria Operativa existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro, não apresentando  quaisquer influências astrológicas, alquímicas, rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos  esotéricos.  Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que a coordenava. 

março 24, 2017

Noções de realismo "fantástico" aplicadas à Maçonaria


O Homem actual, parcialmente desperto do seu sono mental de milhares de anos, está um pouco mais liberto, mas ainda está preso aos grilhões de preconceitos, lendas, falsos mitos, crendices que foram programados no seu subconsciente há muitas gerações, que vem assimilando através do seu DNA.
Ele começa lentamente a vislumbrar através da sua memória genética a experiência e a vivência dos seus antepassados de milhões de anos, mas ainda está mal programado a respeito do Universo e do seu papel na natureza. A Terra tem a sua idade estimada em cinco bilhões de anos.

O Homem quer saber a qualquer custo de onde veio e qual é o mistério da vida. E por isso ele especula muito.
Foi criado aqui neste planeta a partir dum tronco comum com os primatas ou é oriundo de outros planetas, ou de habitantes de outros mundos mais evoluídos, que fizeram experiências genéticas a partir dos primatas existentes na Terra? No momento actual há uma ansiedade, uma verdadeira febre de procura das suas prováveis origens.

A razão principal desta tendência é porque a Ciência está tornando o Homem mais liberto de falsas morais, falsos deuses e crenças descabidas e assim ele está  programando-se para a grande e fantástica aventura cósmica. É claro que conhecendo o passado ignoto, será mais fácil antecipar o futuro maravilhoso que o espera.

Cada ser humano tem na sua mente uma verdadeira procissão de fantasmas mentais, no meio da qual caminha uma realidade desconhecida para ele.

março 18, 2017

Inteligência Artificial

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Propus-me tratar aqui uma pequena reflexão sobre qual o papel e eficácia da N:.A:.O:. num Mundo muito diferente daquele em que os nossos antepassados criaram esta  congregação de esforços com o objectivo de lutar pelo bem comum.

Muitos dos saltos civilizacionais dos últimos 300 Anos tiveram na sua origem IIr:. Maçons. O contexto em que se moviam era o de um Mundo Novo, em que o equilíbrio de poderes fora totalmente alterado graças à evolução da Tecnologia e ao estabelecimento do livre pensamento, após muitos Séculos de imposição de todo o tipo de dogmas castrantes.

Não valerá a pena detalhar demasiado, mas se tomarmos como exemplo a Bíblia, um livro que bem conhecemos e cujas histórias que revela, em muitos casos, nos enquadram ritos e alegorias, era proibida a sua leitura até ao início do Século XVII, em Portugal, se não se tratasse da Vulgata Católica, tradução da Bíblia Grega para Latim, feita por S. Gerónimo no século IV.  Inclusive, a partir do Século XV, quem cometesse essa heresia, estaria entregue aos poderes do Santo Ofício.

Este exemplo, e muitos outros que poderiam ser aqui descritos, são o contexto em que tudo terá começado por acção de homens livres e pensadores influentes. A História da Humanidade mudou radicalmente com este grito de revolta construtiva, que assentou a sua acção em princípios e valores que ainda hoje nos são caros e sustentam o nosso comportamento.
Mas retomemos o exemplo da Bíblia e a obrigatoriedade de a consultar apenas na tradução censurada de S.Gerónimo. Esta imposição, tinha como objectivo não deixar ao livre arbítrio, interpretações perturbadoras dos textos Bíblicos, que afectassem toda uma lógica de poder alicerçada em verdades que não o eram. A riqueza interpretativa, possível, de textos tão belos, feita numa perspectiva de rigor e livre apreciação, pode levar-nos a conclusões, ou estabelecer dúvidas, que muito poderiam lesar a consistência da verdade estabelecida.Ou seja, opiniões que não se coadunassem com a Ordem estabelecida, pura e simplesmente, eram banidas.E tudo isto era dirigido por Homens que acreditavam ter o direito de decidir o que é bom, e o que é mau, para a maioria dos outros Homens.