maio 26, 2017

Comentários sobre os Graus Primitivos da Maçonaria


Datado de 02.Fev.1356 existe um documento na Prefeitura de Londres emitido por um mestre de obras de nome Henry Yevelle solicitando autorização para que ele e mais onze companheiros ( freemasons e freestones) pudessem realizar as suas reuniões em recinto fechado. No mínimo podemos deduzir que seriam reuniões de Aprendizes, isto numa época em que ainda não havia comprovação de que já existisse o grau de Companheiro e nem catecismos ou guias ou qualquer norma de como eram realizadas essas reuniões.

No documento a palavra companheiro não se referia a um grau da Maçonaria, mas sim de maçons livres, companheiros de trabalho. É claro que neste tempo a Ordem era Operativa e católica. No manuscrito de Harleian n.º 2054 do ano de 1650 já continha uma forma de juramento ou compromisso e ainda cita algumas palavras e sinais dos Pedreiros Livres, já indicando algum segredo. O manuscrito não dá maiores detalhes.

Entretanto nestes sinais de reconhecimento já se previa a possibilidade de se criar mais um grau, o que parece ter ocorrido vinte anos após em 1670 em função da necessidade de distinguir os Aprendizes Júniores dos Aprendizes Séniores, já que últimos tinham alguns privilégios a mais que os Aprendizes recém recebidos, o que caracterizava de certa forma um outro grau dentro do mesmo.
Os Aprendizes Júniores tomavam assento na Coluna do Norte (onde simbolicamente não entra Luz) e os Aprendizes Séniores sentavam-se na Coluna do Sul, além de terem funções diferentes no grémio. Era natural que, com o tempo se criasse um novo grau, porem esta transformação foi muito lenta. Neste período, começou a ocorrer outro desdobramento histórico interessante.

maio 20, 2017

Ritos e Símbolos Maçónicos - Uma Filosofia particular?


Pelo desenvolvimento contínuo dos graus propostos, do 1º ao 30º grau, todo o Maçom é  colocado em situação de descobrir a riqueza da polissemia dos símbolos maçónicos. Eles abrem  um mundo alegórico estruturado, portador de significado e sentido, oferecendo a possibilidade de numerosos desenvolvimentos filosóficos, entendidos em sentido amplo, que demonstra que a Maçonaria propõe um sistema completo e coerente, permitindo a todo o iniciado  completar a sua iniciação de modo que não seja virtual.

A Maçonaria apresenta a uma abordagem original para despertar ou revelar a interioridade do ser para favorecer a abertura da consciência, cuja principal constante simbólica será um caminho na obscuridade até à Luz. Esta será revelada progressivamente, grau após grau, para transcender e unificar com clareza toda a forma de dualidade.

Os graus do 15º ao 30º são enriquecidos pela influência de diversas tradições, nomeadamente bíblica, cavaleiresca, hermética, rosacruciana e gnóstica, bem como dum fundo legendário que sugere uma pluralidade de sentidos.  Estes graus podem ser considerados como filosóficos , tanto pela sua origem como pelo seu simbolismo. Este ecletismo confere-lhes um carácter universal.

O acento é colocado sobre  aquisição das virtudes e da Virtude,  desde o grau de Aprendiz. Quando da sua admissão todo o recipiendiário é reconhecido livre e de bons costumes, condição sina qua non para ser admitido à iniciação.

A Virtude surge aqui como uma arte de viver que nasce da força em si. É um sustentáculo constante da acção e supõe uma  intenção de realizar o bem em si, dum modo sempre mais eficaz e reflectido. A sua procura corresponde a uma tomada de consciência tanto da fragilidade como da fraqueza da condição humana. É uma conquista da lucidez que passa pelo despojamento voluntário dos vícios e paixões, designados sob o nome de metais, para aceder à força da libertação interior que é a verdadeira liberdade. A Virtude é sinónimo de força e de grandeza de alma.

maio 10, 2017

A Maçonaria Britânica ao Serviço da Monarquia


A Maçonaria é filha das “Luzes” (Enlightment) inglesas e escocesas. Sem o espírito tolerante de Locke e de Newton, sem a Revolução gloriosa que pôs fim à monarquia de direito divino e emancipou os dissidentes protestantes, ela nunca poderia ver o dia sob a forma que a conhecemos actualmente.

Foi porque o contexto religioso e político dos anos de 1717 lhe era favorável, que a Grande Loja de Inglaterra conseguiu progredir, precedendo em cerca de vinte anos a Grande Loja da Escócia (1736).

Conceder liberdades aos homens é uma coisa, mas  é preciso que façam bom uso delas. As Lojas maçónicas, contrariamente aos  muito aristocráticos clubes ingleses, são as únicas estruturas de acolhimento para estes dissidentes que estão fora da igreja anglicana, e ainda privados de direitos cívicos (que só obterão em 1828).

Porque Anderson  inscreveu a tolerância religiosa nas suas célebres Constituições, estes dissidentes (“dissenters”), provenientes das classes médias ascendentes, pequenos artesãos e comerciantes, que não têm acesso ao governo e ao parlamento, exclusivamente compostos pelas elites fundiárias até 1832, podem encontrar nas Lojas os aristocratas anglicanos que estão no poder, em toda a Inglaterra.

Maçonaria e Sociedade Britânica

A Maçonaria reflecte perfeitamente esta tensão entre aristocracia terrateniente, as elites fundiárias de um lado e a burguesia ascendente, do outro lado, que vive do comércio e da finança, e sobretudo este modus vivendi entre estas duas componentes,  este compromisso social tão característico da sociedade britânica.

abril 18, 2017

O Maçom, esse desconhecido


O Homem é um ser complexo, estranho e imperfeito. Às vezes julga-se senhor do mundo e às vezes em depressão, ou quando algo na sua vida não está bem sente- se muito pequeno inútil e destruído. Nos seus momentos de fantasia aspira ser poderoso, dono da verdade, sendo que jamais poderá vir a sê-lo.

Quer ser imortal, pois não admite a morte, mas nunca se lembra de que se perpetua através dos seus genes nos seus descendentes. É um ser gregário, aliás, condição vital para sobreviver. Desde os tempos das cavernas que ele aprendeu a viver em grupo.

É curioso. Pergunta muito, muito embora não tenha respostas para causas maiores da sua existência. Isto traz- lhe um conflito existencial muito grande. Quer conhecer a todo custo o que se passou com as civilizações anteriores e quer entrar em contacto com seres inteligentes do Universo.

Explora o Cosmo como um todo e em particularidades, explora a própria Terra, em busca de suas raízes, suas origens, sem tê-las conseguido até a presente data.

Desconhece a razão da vida e da morte, e temeroso diante das forças telúricas e universais passou a respeitar, venerar e até idolatrar o criador invisível de tudo. Ai reside o princípio religioso da maioria dos Homens, mais pelo temor da grandiosidade que o cerca, que pela sua inteligência, a qual é limitada.

abril 10, 2017

…Nada do que é Humano me é estranho…



…nihil humani a me alienum puto..
Públio Terêncio (185-159 a.C.) em “O Atormentador de Si Próprio”


Sempre pensei e continuo a pensar que se há lugar para dissecar o mais complexo dos paradoxos é, exactamente, na N.’.A.’.O.’., onde, uma vez iniciados, calcorreamos os diversos degraus infinitamente dispostos mas nunca indefinidamente, ou seja, começando por mergulhar em Nós próprios vamos em direcção aos Outros e ao Universo.

A Humanidade - que tema apropriado para vos transmitir as minhas reflexões.
Hoje, sabemos muito mais do que na Antiguidade sabiam os Pais-Fundadores do pensamento, porém e pasme-se, os circuitos neuronais do nosso actual cérebro (quer o queiramos ou não, é a base material da espiritualidade dita humana) são, precisamente, os mesmos que existiam na Idade da Pedra. Se é assim, a pergunta surge de imediato: o que há-de novo e a mais?

Bem, a mais, há uma enormidade de novidades que não caberiam em milhares de páginas, mas de novo, e este é o imbróglio, parece não haver nada de nada.

Vou expor-vos algumas considerações que, depois de interiorizadas, nos levarão ao degrau seguinte, vale dizer, a vós, e ao cosmos para que a tríade essencial da Iniciação fique ligada, seja ela coerente e racional (à qual estou mais ligado) ou transcendente e emocional (a qual procuro entender). Assim:

1- Graças ao pioneirismo de um cientista português (de seu nome António Damásio) os estudos sobre a fisiologia e patologia cerebral deram um passo de gigante (claro que, e como escreveu I. Newton, apoiado em muitos outros gigantes) no que diz respeito à base anatómica do seu funcionamento.

abril 06, 2017

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos ( II )



                               (CONTINUAÇÃO)

A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões  e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina,  a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” (6).
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica,  segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».

Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França,  comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” (6).

Para além do discurso do cavaleiro Ramsay,  existem adicionalmente  duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»:

2) O Capítulo de Clermont 
3) O Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente 

março 30, 2017

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos ( I )



 I – Introdução 

Distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvens de várias lendas até então assumidas, contribuindo para  esclarecer progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) e às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes. Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que se seguem.

Por outro lado a importância do grau de Mestre na consolidação da Maçonaria especulativa é um facto inquestionável (já alvo de trabalho anterior),  onde socorrendo-nos de alguns dos trabalhos recentes mais credenciados referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora continue a não ser possível determinar com precisão as suas origens. É nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva lenda hirâmica, criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus», que com maior propriedade se deveriam designar simplesmente por «graus complementares».

Não existem dúvidas de que na Maçonaria Operativa existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro, não apresentando  quaisquer influências astrológicas, alquímicas, rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos  esotéricos.  Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que a coordenava. 

março 24, 2017

Noções de realismo "fantástico" aplicadas à Maçonaria


O Homem actual, parcialmente desperto do seu sono mental de milhares de anos, está um pouco mais liberto, mas ainda está preso aos grilhões de preconceitos, lendas, falsos mitos, crendices que foram programados no seu subconsciente há muitas gerações, que vem assimilando através do seu DNA.
Ele começa lentamente a vislumbrar através da sua memória genética a experiência e a vivência dos seus antepassados de milhões de anos, mas ainda está mal programado a respeito do Universo e do seu papel na natureza. A Terra tem a sua idade estimada em cinco bilhões de anos.

O Homem quer saber a qualquer custo de onde veio e qual é o mistério da vida. E por isso ele especula muito.
Foi criado aqui neste planeta a partir dum tronco comum com os primatas ou é oriundo de outros planetas, ou de habitantes de outros mundos mais evoluídos, que fizeram experiências genéticas a partir dos primatas existentes na Terra? No momento actual há uma ansiedade, uma verdadeira febre de procura das suas prováveis origens.

A razão principal desta tendência é porque a Ciência está tornando o Homem mais liberto de falsas morais, falsos deuses e crenças descabidas e assim ele está  programando-se para a grande e fantástica aventura cósmica. É claro que conhecendo o passado ignoto, será mais fácil antecipar o futuro maravilhoso que o espera.

Cada ser humano tem na sua mente uma verdadeira procissão de fantasmas mentais, no meio da qual caminha uma realidade desconhecida para ele.

março 18, 2017

Inteligência Artificial

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Propus-me tratar aqui uma pequena reflexão sobre qual o papel e eficácia da N:.A:.O:. num Mundo muito diferente daquele em que os nossos antepassados criaram esta  congregação de esforços com o objectivo de lutar pelo bem comum.

Muitos dos saltos civilizacionais dos últimos 300 Anos tiveram na sua origem IIr:. Maçons. O contexto em que se moviam era o de um Mundo Novo, em que o equilíbrio de poderes fora totalmente alterado graças à evolução da Tecnologia e ao estabelecimento do livre pensamento, após muitos Séculos de imposição de todo o tipo de dogmas castrantes.

Não valerá a pena detalhar demasiado, mas se tomarmos como exemplo a Bíblia, um livro que bem conhecemos e cujas histórias que revela, em muitos casos, nos enquadram ritos e alegorias, era proibida a sua leitura até ao início do Século XVII, em Portugal, se não se tratasse da Vulgata Católica, tradução da Bíblia Grega para Latim, feita por S. Gerónimo no século IV.  Inclusive, a partir do Século XV, quem cometesse essa heresia, estaria entregue aos poderes do Santo Ofício.

Este exemplo, e muitos outros que poderiam ser aqui descritos, são o contexto em que tudo terá começado por acção de homens livres e pensadores influentes. A História da Humanidade mudou radicalmente com este grito de revolta construtiva, que assentou a sua acção em princípios e valores que ainda hoje nos são caros e sustentam o nosso comportamento.
Mas retomemos o exemplo da Bíblia e a obrigatoriedade de a consultar apenas na tradução censurada de S.Gerónimo. Esta imposição, tinha como objectivo não deixar ao livre arbítrio, interpretações perturbadoras dos textos Bíblicos, que afectassem toda uma lógica de poder alicerçada em verdades que não o eram. A riqueza interpretativa, possível, de textos tão belos, feita numa perspectiva de rigor e livre apreciação, pode levar-nos a conclusões, ou estabelecer dúvidas, que muito poderiam lesar a consistência da verdade estabelecida.Ou seja, opiniões que não se coadunassem com a Ordem estabelecida, pura e simplesmente, eram banidas.E tudo isto era dirigido por Homens que acreditavam ter o direito de decidir o que é bom, e o que é mau, para a maioria dos outros Homens.

março 08, 2017

Que Perspectivas para a Maçonaria no Século XXI ?



I – Introdução

É de inquestionável actualidade que  nos debrucemos, sobre o que pretendemos para a Maçonaria ao longo do Século actual,  neste ano que completa três séculos de existência oficial, enquanto estrutura com coordenação central, com a criação da Grande Loja de Londres em 1717.

Nesta perspectiva tem de estar subjacente o modo como perspectivamos o futuro a curto / médio prazo, mas sobretudo, como nos iremos construir e organizar a médio / longo prazo, neste século  de  profundas e alarmantes alterações a todos os níveis, pleno de fortes incertezas e ameaças, em áreas que julgávamos, trinta anos atrás, plenamente adquiridas e estabilizadas (emprego, segurança social, saúde, direitos e liberdades cívicas, segurança, etc.).
Aonde já vai a visão e a convicção que muitos partilhámos, na altura, duma Europa como polo agregador de crescente prosperidade, igualdade e estabilidade entre  os diferentes estados,  a da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que tanto cultivamos,  desmotivadora de visões nacionalistas exacerbadas e xenófobas, de racismos ou de totalitarismos mais ou menos disfarçados?.  

A partir do início dos anos oitenta, em que a globalização financeira desenfreada teve papel determinante, apesar dos muitos avanços alcançados (permitindo retirar da pobreza e penúria muitos milhões de seres humanos (sobretudo na China, Ìndia e América do Sul), agravaram-se globalmente as desigualdades, tendo como consequência a guerra, o sofrimento e a fome. O escape habitual nos países e àreas mais fustigadas, traduziu-se no exacerbar dos extremismos contra os valores ditos ocidentais, na fuga para a prática de  religiões ou crenças totalitárias, cadinho essencial em que floresceu e se desenvolveu o terrorismo sem pátria, que actualmente ameaça os valores e a segurança das sociedades mais livres e desenvolvidas, precisamente aquelas em que a Maçonaria históricamente mais se tinha desenvolvido.

março 06, 2017

Manuscritos e Documentos Antigos ( II )


                                                                                                                                      (CONTINUAÇÃO)

Com a derradeira publicação do diário digital “JB News”, que se foi construindo e constituindo como polo agregador do intercâmbio do conhecimento maçónico do espaço da língua portuguesa,  em especial brasileira (e não só), graças ao trabalho notável do seu dinamizador e à colaboração desinteressada de muitos maçons,  nada mais oportuno do que selecionar este trabalho inédito do Irmão Hercule Spoladore,  ainda não publicado na imprensa Maçónica. 


MANUSCRITO DE WILLIAM WATSON (1535)
É um manuscrito em folhas de pergaminho formando um rolo de 12 pés e foi escrito por volta de 1535. Sua primeira transcrição foi feita em 1687. O manuscrito foi descoberto numa caixa de ferro velho em Newcastle comprado em 1890 por William Watson que era bibliotecário da Grande Loja Provincial de Yorkshire e foi publicado em 1891.

Como sempre com muita semelhança, o texto do manuscrito começa invocando o glorioso Deus e faz apologia à sua divindade. Descreve inicialmente as sete ciências liberais. Fala da Maçonaria Antediluviana ou noaquita, templo de Salomão, para depois citar o Rei Athlesan e seu filho Edwin. Finalmente entra nos direitos e deveres dos operários da construção, ou seja, dos maçons operativos, sempre respeitando a figura do mestre de obras, como autoridade principal na arte da construção. Está depositado na Biblioteca de Yorkshire.

AS ORDENANÇAS DE ESTRASBURGO – (1563)
No dia 29/09/1563 foi realizada uma assembleia em Estrasburgo por maçons operativos alemães vindos de Calmer, Busel, Stuttgart, Berna, Zurique e outras cidades. Com a Reforma deve ter havido também mudanças no relacionamento entre maçons e religiosos, pois a partir de 1525 a 1562 na Alemanha, ela esteve sob o culto protestante.

A Igreja de Estrasburgo foi iniciada no inicio do século XIII e terminada em 1439.

março 04, 2017

Manuscritos e Documentos Antigos ( I )


Com a derradeira publicação do diário digital “JB News”, que se foi construindo e constituindo como polo agregador do intercâmbio do conhecimento maçónico do espaço da língua portuguesa,  em especial brasileira (e não só), graças ao trabalho notável do seu dinamizador e à colaboração desinteressada de muitos maçons,  nada mais oportuno do que selecionar este trabalho inédito do Irmão Hercule Spoladore,  ainda não publicado na imprensa Maçónica. 

O que é um "Manuscrito"?  Dos dicionários, constam como aqueles factos, aquelas ideias, aqueles pensamentos, aquela história, aquele diálogo que se escreveu e que se registou através da escrita à mão. Obra escrita à mão. Os manuscritos iniciais, quando não existia a imprensa eram escritos em papiro, pele de cordeiro, pergaminhos com iluminuras ou mesmo sem elas e em folhas de papel. A maior parte dos manuscritos foi escrita em rolos sobre um suporte, ou preservados em actas antigas de Igrejas ou outras Instituições e em bibliotecas e museus.

A Paleografia é o estudo das escritas antigas e medievais e  refere-se aos manuscritos e matéria própria deste tipo de escrita em papiros e pergaminhos.

Os manuscritos mais antigos que se conhecem são de origem religiosa. Evidentemente, após as descobertas feitas na costa noroeste do Mar Morto, dos manuscritos encontrados dentro de vasos de argila em cavernas calcárias situadas em Qunram, a partir de 1947, muitos outros foram encontrados sendo que até a presente data foram descobertos cerca de 900 documentos, textos e fragmentos de textos que correspondem a 350 obras, a maior parte referindo-se ao Antigo Testamento (Tanakh) . Estes documentos datam de 150 a.C. até 70 d.C. e estão sendo estudados pelos exegetas e paleógrafos mais competentes do mundo.