A Maçonaria é filha das “Luzes” (Enlightment) inglesas e escocesas. Sem o espírito tolerante de Locke e de Newton, sem a Revolução gloriosa que pôs fim à monarquia de direito divino e emancipou os dissidentes protestantes, ela nunca poderia ver o dia sob a forma que a conhecemos actualmente.
Foi porque o contexto religioso e político dos anos de 1717 lhe era favorável, que a Grande Loja de Inglaterra conseguiu progredir, precedendo em cerca de vinte anos a Grande Loja da Escócia (1736).
Conceder liberdades aos homens é uma coisa, mas é preciso que façam bom uso delas. As Lojas maçónicas, contrariamente aos muito aristocráticos clubes ingleses, são as únicas estruturas de acolhimento para estes dissidentes que estão fora da igreja anglicana, e ainda privados de direitos cívicos (que só obterão em 1828).
Porque Anderson inscreveu a tolerância religiosa nas suas célebres Constituições, estes dissidentes (“dissenters”), provenientes das classes médias ascendentes, pequenos artesãos e comerciantes, que não têm acesso ao governo e ao parlamento, exclusivamente compostos pelas elites fundiárias até 1832, podem encontrar nas Lojas os aristocratas anglicanos que estão no poder, em toda a Inglaterra.Maçonaria e Sociedade Britânica
A Maçonaria reflecte perfeitamente esta tensão entre aristocracia terrateniente, as elites fundiárias de um lado e a burguesia ascendente, do outro lado, que vive do comércio e da finança, e sobretudo este modus vivendi entre estas duas componentes, este compromisso social tão característico da sociedade britânica.






















