abril 06, 2017

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos ( II )



                               (CONTINUAÇÃO)

A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões  e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina,  a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” (6).
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica,  segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».

Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França,  comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” (6).

Para além do discurso do cavaleiro Ramsay,  existem adicionalmente  duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»:

2) O Capítulo de Clermont 
3) O Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente 

março 30, 2017

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos ( I )



 I – Introdução 

Distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvens de várias lendas até então assumidas, contribuindo para  esclarecer progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) e às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes. Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que se seguem.

Por outro lado a importância do grau de Mestre na consolidação da Maçonaria especulativa é um facto inquestionável (já alvo de trabalho anterior),  onde socorrendo-nos de alguns dos trabalhos recentes mais credenciados referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora continue a não ser possível determinar com precisão as suas origens. É nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva lenda hirâmica, criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus», que com maior propriedade se deveriam designar simplesmente por «graus complementares».

Não existem dúvidas de que na Maçonaria Operativa existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro, não apresentando  quaisquer influências astrológicas, alquímicas, rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos  esotéricos.  Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que a coordenava. 

março 24, 2017

Noções de realismo "fantástico" aplicadas à Maçonaria


O Homem actual, parcialmente desperto do seu sono mental de milhares de anos, está um pouco mais liberto, mas ainda está preso aos grilhões de preconceitos, lendas, falsos mitos, crendices que foram programados no seu subconsciente há muitas gerações, que vem assimilando através do seu DNA.
Ele começa lentamente a vislumbrar através da sua memória genética a experiência e a vivência dos seus antepassados de milhões de anos, mas ainda está mal programado a respeito do Universo e do seu papel na natureza. A Terra tem a sua idade estimada em cinco bilhões de anos.

O Homem quer saber a qualquer custo de onde veio e qual é o mistério da vida. E por isso ele especula muito.
Foi criado aqui neste planeta a partir dum tronco comum com os primatas ou é oriundo de outros planetas, ou de habitantes de outros mundos mais evoluídos, que fizeram experiências genéticas a partir dos primatas existentes na Terra? No momento actual há uma ansiedade, uma verdadeira febre de procura das suas prováveis origens.

A razão principal desta tendência é porque a Ciência está tornando o Homem mais liberto de falsas morais, falsos deuses e crenças descabidas e assim ele está  programando-se para a grande e fantástica aventura cósmica. É claro que conhecendo o passado ignoto, será mais fácil antecipar o futuro maravilhoso que o espera.

Cada ser humano tem na sua mente uma verdadeira procissão de fantasmas mentais, no meio da qual caminha uma realidade desconhecida para ele.

março 18, 2017

Inteligência Artificial

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Propus-me tratar aqui uma pequena reflexão sobre qual o papel e eficácia da N:.A:.O:. num Mundo muito diferente daquele em que os nossos antepassados criaram esta  congregação de esforços com o objectivo de lutar pelo bem comum.

Muitos dos saltos civilizacionais dos últimos 300 Anos tiveram na sua origem IIr:. Maçons. O contexto em que se moviam era o de um Mundo Novo, em que o equilíbrio de poderes fora totalmente alterado graças à evolução da Tecnologia e ao estabelecimento do livre pensamento, após muitos Séculos de imposição de todo o tipo de dogmas castrantes.

Não valerá a pena detalhar demasiado, mas se tomarmos como exemplo a Bíblia, um livro que bem conhecemos e cujas histórias que revela, em muitos casos, nos enquadram ritos e alegorias, era proibida a sua leitura até ao início do Século XVII, em Portugal, se não se tratasse da Vulgata Católica, tradução da Bíblia Grega para Latim, feita por S. Gerónimo no século IV.  Inclusive, a partir do Século XV, quem cometesse essa heresia, estaria entregue aos poderes do Santo Ofício.

Este exemplo, e muitos outros que poderiam ser aqui descritos, são o contexto em que tudo terá começado por acção de homens livres e pensadores influentes. A História da Humanidade mudou radicalmente com este grito de revolta construtiva, que assentou a sua acção em princípios e valores que ainda hoje nos são caros e sustentam o nosso comportamento.
Mas retomemos o exemplo da Bíblia e a obrigatoriedade de a consultar apenas na tradução censurada de S.Gerónimo. Esta imposição, tinha como objectivo não deixar ao livre arbítrio, interpretações perturbadoras dos textos Bíblicos, que afectassem toda uma lógica de poder alicerçada em verdades que não o eram. A riqueza interpretativa, possível, de textos tão belos, feita numa perspectiva de rigor e livre apreciação, pode levar-nos a conclusões, ou estabelecer dúvidas, que muito poderiam lesar a consistência da verdade estabelecida.Ou seja, opiniões que não se coadunassem com a Ordem estabelecida, pura e simplesmente, eram banidas.E tudo isto era dirigido por Homens que acreditavam ter o direito de decidir o que é bom, e o que é mau, para a maioria dos outros Homens.

março 08, 2017

Que Perspectivas para a Maçonaria no Século XXI ?



I – Introdução

É de inquestionável actualidade que  nos debrucemos, sobre o que pretendemos para a Maçonaria ao longo do Século actual,  neste ano que completa três séculos de existência oficial, enquanto estrutura com coordenação central, com a criação da Grande Loja de Londres em 1717.

Nesta perspectiva tem de estar subjacente o modo como perspectivamos o futuro a curto / médio prazo, mas sobretudo, como nos iremos construir e organizar a médio / longo prazo, neste século  de  profundas e alarmantes alterações a todos os níveis, pleno de fortes incertezas e ameaças, em áreas que julgávamos, trinta anos atrás, plenamente adquiridas e estabilizadas (emprego, segurança social, saúde, direitos e liberdades cívicas, segurança, etc.).
Aonde já vai a visão e a convicção que muitos partilhámos, na altura, duma Europa como polo agregador de crescente prosperidade, igualdade e estabilidade entre  os diferentes estados,  a da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que tanto cultivamos,  desmotivadora de visões nacionalistas exacerbadas e xenófobas, de racismos ou de totalitarismos mais ou menos disfarçados?.  

A partir do início dos anos oitenta, em que a globalização financeira desenfreada teve papel determinante, apesar dos muitos avanços alcançados (permitindo retirar da pobreza e penúria muitos milhões de seres humanos (sobretudo na China, Ìndia e América do Sul), agravaram-se globalmente as desigualdades, tendo como consequência a guerra, o sofrimento e a fome. O escape habitual nos países e àreas mais fustigadas, traduziu-se no exacerbar dos extremismos contra os valores ditos ocidentais, na fuga para a prática de  religiões ou crenças totalitárias, cadinho essencial em que floresceu e se desenvolveu o terrorismo sem pátria, que actualmente ameaça os valores e a segurança das sociedades mais livres e desenvolvidas, precisamente aquelas em que a Maçonaria históricamente mais se tinha desenvolvido.

março 06, 2017

Manuscritos e Documentos Antigos ( II )


                                                                                                                                      (CONTINUAÇÃO)

Com a derradeira publicação do diário digital “JB News”, que se foi construindo e constituindo como polo agregador do intercâmbio do conhecimento maçónico do espaço da língua portuguesa,  em especial brasileira (e não só), graças ao trabalho notável do seu dinamizador e à colaboração desinteressada de muitos maçons,  nada mais oportuno do que selecionar este trabalho inédito do Irmão Hercule Spoladore,  ainda não publicado na imprensa Maçónica. 


MANUSCRITO DE WILLIAM WATSON (1535)
É um manuscrito em folhas de pergaminho formando um rolo de 12 pés e foi escrito por volta de 1535. Sua primeira transcrição foi feita em 1687. O manuscrito foi descoberto numa caixa de ferro velho em Newcastle comprado em 1890 por William Watson que era bibliotecário da Grande Loja Provincial de Yorkshire e foi publicado em 1891.

Como sempre com muita semelhança, o texto do manuscrito começa invocando o glorioso Deus e faz apologia à sua divindade. Descreve inicialmente as sete ciências liberais. Fala da Maçonaria Antediluviana ou noaquita, templo de Salomão, para depois citar o Rei Athlesan e seu filho Edwin. Finalmente entra nos direitos e deveres dos operários da construção, ou seja, dos maçons operativos, sempre respeitando a figura do mestre de obras, como autoridade principal na arte da construção. Está depositado na Biblioteca de Yorkshire.

AS ORDENANÇAS DE ESTRASBURGO – (1563)
No dia 29/09/1563 foi realizada uma assembleia em Estrasburgo por maçons operativos alemães vindos de Calmer, Busel, Stuttgart, Berna, Zurique e outras cidades. Com a Reforma deve ter havido também mudanças no relacionamento entre maçons e religiosos, pois a partir de 1525 a 1562 na Alemanha, ela esteve sob o culto protestante.

A Igreja de Estrasburgo foi iniciada no inicio do século XIII e terminada em 1439.

março 04, 2017

Manuscritos e Documentos Antigos ( I )


Com a derradeira publicação do diário digital “JB News”, que se foi construindo e constituindo como polo agregador do intercâmbio do conhecimento maçónico do espaço da língua portuguesa,  em especial brasileira (e não só), graças ao trabalho notável do seu dinamizador e à colaboração desinteressada de muitos maçons,  nada mais oportuno do que selecionar este trabalho inédito do Irmão Hercule Spoladore,  ainda não publicado na imprensa Maçónica. 

O que é um "Manuscrito"?  Dos dicionários, constam como aqueles factos, aquelas ideias, aqueles pensamentos, aquela história, aquele diálogo que se escreveu e que se registou através da escrita à mão. Obra escrita à mão. Os manuscritos iniciais, quando não existia a imprensa eram escritos em papiro, pele de cordeiro, pergaminhos com iluminuras ou mesmo sem elas e em folhas de papel. A maior parte dos manuscritos foi escrita em rolos sobre um suporte, ou preservados em actas antigas de Igrejas ou outras Instituições e em bibliotecas e museus.

A Paleografia é o estudo das escritas antigas e medievais e  refere-se aos manuscritos e matéria própria deste tipo de escrita em papiros e pergaminhos.

Os manuscritos mais antigos que se conhecem são de origem religiosa. Evidentemente, após as descobertas feitas na costa noroeste do Mar Morto, dos manuscritos encontrados dentro de vasos de argila em cavernas calcárias situadas em Qunram, a partir de 1947, muitos outros foram encontrados sendo que até a presente data foram descobertos cerca de 900 documentos, textos e fragmentos de textos que correspondem a 350 obras, a maior parte referindo-se ao Antigo Testamento (Tanakh) . Estes documentos datam de 150 a.C. até 70 d.C. e estão sendo estudados pelos exegetas e paleógrafos mais competentes do mundo.

fevereiro 20, 2017

Modelos de Maçonaria...


Por se tratar dum tema actual, pesem embora as distintas realidades e eventuais discordâncias pontuais, muitos dos problemas apontados também emergem do lado de cá do Atlântico, pelo que transcrevemos, adaptando ligeiramente no que ao português concerne, mais estas importantes notas deste  conceituado Ir:. e Mestre brasileiro.

Temos ouvido e analisado alguns conceitos de estudiosos da Maçonaria através dos anos. Alguns deles merecem ser citados.

Ouvimos de certa vez, que o modelo maçónico que nos legaram nossos Irmãos do passado já não se adapta ao homem actual. Está anacrónico. Um irmão místico mencionou que a Maçonaria actual tornou-se materialista, pois dentro dos seus templos ainda existem símbolos poderosos e mágicos, mas que os maçons actuais não os respeitam como tais, pois não têm a noção dos seus significados. Por esta razão, a Maçonaria fragmentou-se, perdeu a sua força e confundiu-se.

Outro irmão referia que o maior objectivo político que acalentou e deu forças a inúmeras gerações de maçons do século passado era a República, e que morreu com o nascimento desta, ou seja, desde então os maçons não tiveram, em termos do Brasil, um objectivo prioritário para lutar por ele.

Não criaram outra motivação cívica, a Maçonaria fragmentou-se em diversas Potências , cada qual com sua orientação político social, sempre se autodenominando representante de todas as opiniões da população maçónica e de quando em vez, soltando na imprensa brasileira bisonhos pronunciamentos políticos.

Entretanto, autores actuais afirmam que a Maçonaria visa apenas o homem em si, como líder, como embrião, como uma célula dentro da sociedade.

fevereiro 16, 2017

Geométricamente Laico


O pensamento é dinâmico, e no momento em que cessar esta característica, ai de nós, humanidade pura e dura que acredita, e citando Daniel Béresniak"que as certezas são estéreis e a inquietude é fecunda…," melhor dizendo, que não aceita as definições definitivas por impedirem a dedução verificada e corrigida pelos factos.

Desde as mais antigas Eras que os Geómetras (pronuncia-se Maçons) associaram a razão, intuição e imaginação para explicarem as coisas e o mundo para além da dimensão técnica e, estando eu grato por tais ensinamentos, vou relacionar a Geometria com uma das mais marcantes consequências desse acontecimento do Séc. XVIII que se designou por Revolução Francesa de 1789 que deu à Luz a chamada Laicidade.

Já sinto as farpas (lê-se certezas) dos que, estaticamente, aceitam as verdades por desígnios autoritários (Roma locuta, causa finita), mas que venham elas pois esta viagem vou encetá-la preparado para, sobretudo, errar (nunca mais me esqueci de um ditado hassídico que diz…nunca perguntes qual o caminho a quem o conhece pois assim tu nunca poderás errar…) e depois corrigir se assim for necessário.

Geometricamente Laico! Paradoxo ou verdade ainda por descobrir? Vamos, então, debruçarmo-nos sobre as partes para vermos a Luz que tudo esclarece e domina.

Sabe-se que na Laicidade:

1- É convicção aceite por muitos que é inseparável da liberdade e tolerância e uma opositora feroz das representações totalitárias afirmando-se como universal ao transmitir-nos o saber independentemente das certezas dogmáticas.

2- Afirma-se também como uma aliada dos Mistérios Antigos que foram abafados pelas ortodoxias vigentes na Antiguidade.

fevereiro 10, 2017

A Regularidade e a Irregularidade Maçónicas: que fundamentos?



Nas várias áreas da “história oficial” estão consagradas abordagens e mistificações profundamente limitativas dos factos ocorridos e com intuitos de manipulação e de condicionamento das consciências dos povos.

Está suficientemente demonstrado que a “história oficial”, em todos os períodos em que existem registos, foi sempre escrita pelos vencedores e pelas forças hegemónicas que em cada momento desempenharam o papel de grandes potências políticoeconómicas.

É partindo destes factos que podemos analisar melhor a “história oficial” da Maçonaria chamada especulativa que foi, numa apreciável parte, habilmente construída em clara subordinação a poderosos interesses políticos, religiosos e imperiais.

Por outro lado, importa sublinhar que essa história oficial está cheia de contradições e com diversos aspectos que colidem com a mais elementar sensatez.

Não existem registos anteriores a 1717, ao contrário do que acontece com diversas lojas inglesas e escocesas, de 3 das 4 lojas que nesse ano terão constituído a “ Grande Loja de Londres” e que mais tarde esteve na origem da Grande Loja de Inglaterra.

A excepção é a Loja “Ganso e a Grelha” que algumas escassas referências sugerem ter sido constituída em 1691.

A própria acção do reverendo James Anderson surge envolta em aspectos pouco claros, dado que é sistematicamente escamoteado que o início da sua actividade de compilação de vasta documentação maçónica se deveu a um trabalho pago pelo Duque de Montagu, tendo vindo a culminar poucos anos mais tarde, em 1723, na elaboração das Constituições apelidadas de Anderson, mas de que ele foi quase um mero redactor, dado que os verdadeiros inspiradores terão sido, segundo a ampla fundamentação do escritor Jean Barles, George Payne e Jean-Théophile Désagulier.

fevereiro 06, 2017

Simbolismo na Maçonaria - Introdução


Abordar o tema do Simbolismo é, provavelmente, o acto mais frequentemente escrito em toda a Maçonaria representada no nosso Planeta. Os nossos Irmãos fizeram-no cientes da importância que os Símbolos têm na Augusta Ordem Maçónica e de um modo sapiente e apaixonado.
Traçando com a Régua da Verdade, com o Esquadro do Direito e o Compasso do Dever o meu contributo será o de elaborar uma introdução sobre este tema do Simbolismo que posteriormente terá desenvolvimento noutros traçados.

Dissertar sobre o que é e em que se fundamenta a Franco-Maçonaria é, tentador por um lado mas seguramente difícil por outro pois desde os tempos primevos que muitos Maçons se dedicaram a escalpelizar, analisar e sintetizar o que é um Símbolo.

Tentado e ciente do que me proponho começo, exactamente, pelos primórdios: quando, como e porque surgiram os Símbolos?

Todos sabemos que as etapas da evolução humana foram: Australopitecos, Homo Habilis (2,5 milhões de anos), Homo Erectus (1 milhão de anos) e Homo Sapiens (400000 de anos), cada uma delas caracterizada por especificidades que resumo: ao largar a bipedia soltaram-se as mãos tornando-se estas os seus primeiros utensílios, a seguir, já erecto e direito, utiliza os pés para a marcha deslocando-se para distâncias consideráveis (de África para o resto do Mundo) e aperfeiçoa a sua habilidade de construir utensílios mais elaborados (a pedra de 2 faces) cortando e colando (em linguagem moderna) e assim descobre a construção, passa a dominar o fogo iniciando um interesse rústico pela estética, sendo, portanto, desta forma que foram desenhados os primeiros Símbolos.

janeiro 28, 2017

A Fraternidade como factor de Crescimento e Consolidação Social da Maçonaria


Não podemos falar em Fraternidade sem falarmos em outros princípios definidos e defendidos pela Ordem onde se incluem a Igualdade, a Liberdade, a Tolerância e a União, pois entendemos que todas eles compõem e completam a Fraternidade.

O tema “A Fraternidade como fator de crescimento e consolidação social da maçonaria”, propositalmente é instigante e complexo, porque pretendemos reflectir a respeito para melhor compreendê-lo e poder aplicá-lo efetivamente nas nossas acções na Ordem, no contexto actual que percebemos.

Diversos questionamentos nos vêm à mente: a Fraternidade Maçónica existe? Ela é praticada? De que forma? Não estaria superada pelas nossas vaidades? Com resolver o problema?

 É de certa forma o que, dentro das nossas limitações, vamos tentar expor a seguir, primeiramente com a identificação de alguns conceitos que deveremos analisar e nos colocarmos em cada um deles.

Maçonaria 
O vocábulo 'Maçonaria' vem de maçom (pedreiro). Por extensão, a Instituição Maçonaria pode ser compreendida como a congregação de maçons livres, pedreiros livres ou livres pensadores, porque é livre de dogmas, pratica a liberdade absoluta de consciência e respeita a tolerância. Nesse sentido podemos dizer que Maçonaria é Construção, pois constrói o futuro da humanidade, tornando-a mais Justa e Perfeita.

O maçom constrói-se a si mesmo e ao seu futuro, tornando-se um homem melhor na convivência social. Os grandes valores da Maçonaria podem ser sintetizados em outros três vocábulos: Igualdade, Liberdade e Fraternidade.