I – Introdução
É de inquestionável actualidade que nos debrucemos, sobre o que pretendemos para a Maçonaria ao longo do Século actual, neste ano que completa três séculos de existência oficial, enquanto estrutura com coordenação central, com a criação da Grande Loja de Londres em 1717.
Nesta perspectiva tem de estar subjacente o modo como perspectivamos o futuro a curto / médio prazo, mas sobretudo, como nos iremos construir e organizar a médio / longo prazo, neste século de profundas e alarmantes alterações a todos os níveis, pleno de fortes incertezas e ameaças, em áreas que julgávamos, trinta anos atrás, plenamente adquiridas e estabilizadas (emprego, segurança social, saúde, direitos e liberdades cívicas, segurança, etc.).
Aonde já vai a visão e a convicção que muitos partilhámos, na altura, duma Europa como polo agregador de crescente prosperidade, igualdade e estabilidade entre os diferentes estados, a da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que tanto cultivamos, desmotivadora de visões nacionalistas exacerbadas e xenófobas, de racismos ou de totalitarismos mais ou menos disfarçados?. A partir do início dos anos oitenta, em que a globalização financeira desenfreada teve papel determinante, apesar dos muitos avanços alcançados (permitindo retirar da pobreza e penúria muitos milhões de seres humanos (sobretudo na China, Ìndia e América do Sul), agravaram-se globalmente as desigualdades, tendo como consequência a guerra, o sofrimento e a fome. O escape habitual nos países e àreas mais fustigadas, traduziu-se no exacerbar dos extremismos contra os valores ditos ocidentais, na fuga para a prática de religiões ou crenças totalitárias, cadinho essencial em que floresceu e se desenvolveu o terrorismo sem pátria, que actualmente ameaça os valores e a segurança das sociedades mais livres e desenvolvidas, precisamente aquelas em que a Maçonaria históricamente mais se tinha desenvolvido.






















