março 04, 2017

Manuscritos e Documentos Antigos ( I )


Com a derradeira publicação do diário digital “JB News”, que se foi construindo e constituindo como polo agregador do intercâmbio do conhecimento maçónico do espaço da língua portuguesa,  em especial brasileira (e não só), graças ao trabalho notável do seu dinamizador e à colaboração desinteressada de muitos maçons,  nada mais oportuno do que selecionar este trabalho inédito do Irmão Hercule Spoladore,  ainda não publicado na imprensa Maçónica. 

O que é um "Manuscrito"?  Dos dicionários, constam como aqueles factos, aquelas ideias, aqueles pensamentos, aquela história, aquele diálogo que se escreveu e que se registou através da escrita à mão. Obra escrita à mão. Os manuscritos iniciais, quando não existia a imprensa eram escritos em papiro, pele de cordeiro, pergaminhos com iluminuras ou mesmo sem elas e em folhas de papel. A maior parte dos manuscritos foi escrita em rolos sobre um suporte, ou preservados em actas antigas de Igrejas ou outras Instituições e em bibliotecas e museus.

A Paleografia é o estudo das escritas antigas e medievais e  refere-se aos manuscritos e matéria própria deste tipo de escrita em papiros e pergaminhos.

Os manuscritos mais antigos que se conhecem são de origem religiosa. Evidentemente, após as descobertas feitas na costa noroeste do Mar Morto, dos manuscritos encontrados dentro de vasos de argila em cavernas calcárias situadas em Qunram, a partir de 1947, muitos outros foram encontrados sendo que até a presente data foram descobertos cerca de 900 documentos, textos e fragmentos de textos que correspondem a 350 obras, a maior parte referindo-se ao Antigo Testamento (Tanakh) . Estes documentos datam de 150 a.C. até 70 d.C. e estão sendo estudados pelos exegetas e paleógrafos mais competentes do mundo.

fevereiro 20, 2017

Modelos de Maçonaria...


Por se tratar dum tema actual, pesem embora as distintas realidades e eventuais discordâncias pontuais, muitos dos problemas apontados também emergem do lado de cá do Atlântico, pelo que transcrevemos, adaptando ligeiramente no que ao português concerne, mais estas importantes notas deste  conceituado Ir:. e Mestre brasileiro.

Temos ouvido e analisado alguns conceitos de estudiosos da Maçonaria através dos anos. Alguns deles merecem ser citados.

Ouvimos de certa vez, que o modelo maçónico que nos legaram nossos Irmãos do passado já não se adapta ao homem actual. Está anacrónico. Um irmão místico mencionou que a Maçonaria actual tornou-se materialista, pois dentro dos seus templos ainda existem símbolos poderosos e mágicos, mas que os maçons actuais não os respeitam como tais, pois não têm a noção dos seus significados. Por esta razão, a Maçonaria fragmentou-se, perdeu a sua força e confundiu-se.

Outro irmão referia que o maior objectivo político que acalentou e deu forças a inúmeras gerações de maçons do século passado era a República, e que morreu com o nascimento desta, ou seja, desde então os maçons não tiveram, em termos do Brasil, um objectivo prioritário para lutar por ele.

Não criaram outra motivação cívica, a Maçonaria fragmentou-se em diversas Potências , cada qual com sua orientação político social, sempre se autodenominando representante de todas as opiniões da população maçónica e de quando em vez, soltando na imprensa brasileira bisonhos pronunciamentos políticos.

Entretanto, autores actuais afirmam que a Maçonaria visa apenas o homem em si, como líder, como embrião, como uma célula dentro da sociedade.

fevereiro 16, 2017

Geométricamente Laico


O pensamento é dinâmico, e no momento em que cessar esta característica, ai de nós, humanidade pura e dura que acredita, e citando Daniel Béresniak"que as certezas são estéreis e a inquietude é fecunda…," melhor dizendo, que não aceita as definições definitivas por impedirem a dedução verificada e corrigida pelos factos.

Desde as mais antigas Eras que os Geómetras (pronuncia-se Maçons) associaram a razão, intuição e imaginação para explicarem as coisas e o mundo para além da dimensão técnica e, estando eu grato por tais ensinamentos, vou relacionar a Geometria com uma das mais marcantes consequências desse acontecimento do Séc. XVIII que se designou por Revolução Francesa de 1789 que deu à Luz a chamada Laicidade.

Já sinto as farpas (lê-se certezas) dos que, estaticamente, aceitam as verdades por desígnios autoritários (Roma locuta, causa finita), mas que venham elas pois esta viagem vou encetá-la preparado para, sobretudo, errar (nunca mais me esqueci de um ditado hassídico que diz…nunca perguntes qual o caminho a quem o conhece pois assim tu nunca poderás errar…) e depois corrigir se assim for necessário.

Geometricamente Laico! Paradoxo ou verdade ainda por descobrir? Vamos, então, debruçarmo-nos sobre as partes para vermos a Luz que tudo esclarece e domina.

Sabe-se que na Laicidade:

1- É convicção aceite por muitos que é inseparável da liberdade e tolerância e uma opositora feroz das representações totalitárias afirmando-se como universal ao transmitir-nos o saber independentemente das certezas dogmáticas.

2- Afirma-se também como uma aliada dos Mistérios Antigos que foram abafados pelas ortodoxias vigentes na Antiguidade.

fevereiro 10, 2017

A Regularidade e a Irregularidade Maçónicas: que fundamentos?



Nas várias áreas da “história oficial” estão consagradas abordagens e mistificações profundamente limitativas dos factos ocorridos e com intuitos de manipulação e de condicionamento das consciências dos povos.

Está suficientemente demonstrado que a “história oficial”, em todos os períodos em que existem registos, foi sempre escrita pelos vencedores e pelas forças hegemónicas que em cada momento desempenharam o papel de grandes potências políticoeconómicas.

É partindo destes factos que podemos analisar melhor a “história oficial” da Maçonaria chamada especulativa que foi, numa apreciável parte, habilmente construída em clara subordinação a poderosos interesses políticos, religiosos e imperiais.

Por outro lado, importa sublinhar que essa história oficial está cheia de contradições e com diversos aspectos que colidem com a mais elementar sensatez.

Não existem registos anteriores a 1717, ao contrário do que acontece com diversas lojas inglesas e escocesas, de 3 das 4 lojas que nesse ano terão constituído a “ Grande Loja de Londres” e que mais tarde esteve na origem da Grande Loja de Inglaterra.

A excepção é a Loja “Ganso e a Grelha” que algumas escassas referências sugerem ter sido constituída em 1691.

A própria acção do reverendo James Anderson surge envolta em aspectos pouco claros, dado que é sistematicamente escamoteado que o início da sua actividade de compilação de vasta documentação maçónica se deveu a um trabalho pago pelo Duque de Montagu, tendo vindo a culminar poucos anos mais tarde, em 1723, na elaboração das Constituições apelidadas de Anderson, mas de que ele foi quase um mero redactor, dado que os verdadeiros inspiradores terão sido, segundo a ampla fundamentação do escritor Jean Barles, George Payne e Jean-Théophile Désagulier.

fevereiro 06, 2017

Simbolismo na Maçonaria - Introdução


Abordar o tema do Simbolismo é, provavelmente, o acto mais frequentemente escrito em toda a Maçonaria representada no nosso Planeta. Os nossos Irmãos fizeram-no cientes da importância que os Símbolos têm na Augusta Ordem Maçónica e de um modo sapiente e apaixonado.
Traçando com a Régua da Verdade, com o Esquadro do Direito e o Compasso do Dever o meu contributo será o de elaborar uma introdução sobre este tema do Simbolismo que posteriormente terá desenvolvimento noutros traçados.

Dissertar sobre o que é e em que se fundamenta a Franco-Maçonaria é, tentador por um lado mas seguramente difícil por outro pois desde os tempos primevos que muitos Maçons se dedicaram a escalpelizar, analisar e sintetizar o que é um Símbolo.

Tentado e ciente do que me proponho começo, exactamente, pelos primórdios: quando, como e porque surgiram os Símbolos?

Todos sabemos que as etapas da evolução humana foram: Australopitecos, Homo Habilis (2,5 milhões de anos), Homo Erectus (1 milhão de anos) e Homo Sapiens (400000 de anos), cada uma delas caracterizada por especificidades que resumo: ao largar a bipedia soltaram-se as mãos tornando-se estas os seus primeiros utensílios, a seguir, já erecto e direito, utiliza os pés para a marcha deslocando-se para distâncias consideráveis (de África para o resto do Mundo) e aperfeiçoa a sua habilidade de construir utensílios mais elaborados (a pedra de 2 faces) cortando e colando (em linguagem moderna) e assim descobre a construção, passa a dominar o fogo iniciando um interesse rústico pela estética, sendo, portanto, desta forma que foram desenhados os primeiros Símbolos.

janeiro 28, 2017

A Fraternidade como factor de Crescimento e Consolidação Social da Maçonaria


Não podemos falar em Fraternidade sem falarmos em outros princípios definidos e defendidos pela Ordem onde se incluem a Igualdade, a Liberdade, a Tolerância e a União, pois entendemos que todas eles compõem e completam a Fraternidade.

O tema “A Fraternidade como fator de crescimento e consolidação social da maçonaria”, propositalmente é instigante e complexo, porque pretendemos reflectir a respeito para melhor compreendê-lo e poder aplicá-lo efetivamente nas nossas acções na Ordem, no contexto actual que percebemos.

Diversos questionamentos nos vêm à mente: a Fraternidade Maçónica existe? Ela é praticada? De que forma? Não estaria superada pelas nossas vaidades? Com resolver o problema?

 É de certa forma o que, dentro das nossas limitações, vamos tentar expor a seguir, primeiramente com a identificação de alguns conceitos que deveremos analisar e nos colocarmos em cada um deles.

Maçonaria 
O vocábulo 'Maçonaria' vem de maçom (pedreiro). Por extensão, a Instituição Maçonaria pode ser compreendida como a congregação de maçons livres, pedreiros livres ou livres pensadores, porque é livre de dogmas, pratica a liberdade absoluta de consciência e respeita a tolerância. Nesse sentido podemos dizer que Maçonaria é Construção, pois constrói o futuro da humanidade, tornando-a mais Justa e Perfeita.

O maçom constrói-se a si mesmo e ao seu futuro, tornando-se um homem melhor na convivência social. Os grandes valores da Maçonaria podem ser sintetizados em outros três vocábulos: Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

janeiro 22, 2017

Regularidade, “Landmarks” e Reconhecimento – Algumas Notas


 I – Introdução 

Actualmente, nas diferentes organizações maçónicas, existe uma utilização frequente   e uma certa confusão, relativamente aos termos “regularidade”, “regular”, “landmarks” e “reconhecimento”, que em nossa opinião se afigura exagerada, incorrecta, ou pelo menos desajustada.  Qual a origem desta terminologia, que significado possui para quem  a utiliza e qual a sua origem, é o que pretendemos  contribuir para esclarecer, nas notas que se seguem.

Roger Dachez (2) sugere que: “uma vez que na utilização maçónica, as palavras “regular” e “regularidade”, surgiram na  Inglaterra, desde o início da maçonaria especulativa organizada, será  à semântica inglesa que é preciso recorrer”.  Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados: 
“carácter do que é uniforme» e “o que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal»”. A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente e em vigor, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte desse estatuto.

O problema da regularidade é claramente inter-Obedencial, já que entre duas obediências que reconheçam regularidade recíproca ninguém discutirá a legitimidade dum Maçom iniciado numa loja “justa e perfeita”.  Ainda segundo Daniel Ligou (8) o problema da regularidade maçónica está estritamente ligado às concepções que fazem diversas Obediências dos «landmarks», ou seja da concepção doutrinal da Maçonaria.

janeiro 20, 2017

A Vida Comunitária em Loja e o Simbolismo das Funções


Este será mais um traçado que não poderá ser considerado de Instrução, pois apenas pretende percorrer pistas que necessitarão de ser aprofundadas com um rigor reflexivo para nos guindar à Luz, Luz esta, que tem uma tripla pronúncia: amor, conhecimento e trabalho que, como escreveu Daniel Béresniak, …"são indispensáveis sem que nenhum deles possa ser privilegiado ou posto de lado para se não correr o risco de se tornarem paródias"…

Assim, e sabendo nós que uma Loja designa uma comunidade de franco-maçons que se reúnem à volta do Templo numa perspectiva simbólica, podemos começar, usando a analogia como procedimento essencial do pensamento simbólico, por imaginar que o ser humano é um microcosmos e o universo o macrocosmos representando o Templo a intimidade entre estes dois opostos, ou seja, comecemos por tentar racionalizar e compreender a obra humana (nas vertentes racional, imaginativa e intuitiva) para a situar no universo. Esta relação entre sonho e realidade é feita decifrando os símbolos de modo a proporcionar a verdadeira libertação da dicotomia objectividade/subjectividade.

Para que se …reúna o que está esparso…,é necessário que esta vida comunitária, aqui expressa na Loja/Templo, tenha regras surgindo assim a funcionalidade bem visível nos Ofícios e Oficiais que a compõem. É desta funcionalidade e suas implicações que vos quero falar.

Convém recordar que as viagens são um dos princípios essenciais do ensino iniciático e se as cito é para remarcar que nenhuma pessoa deve permanecer numa função durante demasiado tempo para se não correr o risco de esquecermos as três facetas de uma função: fazer, proteger e ensinar.

janeiro 16, 2017

O ex-Venerável "dono da Loja"


Por ser uma situação que infelizmente ocorre por vezes nalgumas Lojas, distorcendo e subvertendo os princípios de funcionamento colegial que deveriam ser respeitados, considerámos pertinente a reprodução deste esclarecedor artigo de um notável Ir:. brasileiro.

É uma situação que ocorre com frequência na maçonaria  brasileira (mas quiçá na mundial... ) O que vem a ser esta situação?

Simplesmente, conforme o titulo sugere, é um Irmão que exerceu sua gestão como Venerável de uma Loja e que seu desempenho pode ter sido muito bom ou muito mau, mas seu mandato se esgotou. Contudo esquecendo que já passou o seu momento como principal gestor da loja e que deveria ficar quieto no seu canto, insiste em intrometer-se nos trabalhos da nova liderança que democraticamente surgiu na sua loja através do voto.

Apegado ao poder, chega aos limites da hipocrisia que, como se sabe, é o acto de fingir qualidades, ideias ou sentimentos que na realidade não tem e isso,  às vezes;  torna-se uma verdade para ele, ainda que falsa, um verdadeiro sofisma, e acreditando ser o que sabe tudo, que sabe mais que os outros, pretende ser o dono da verdade.

Este tipo de ex_VM não sabe conter-se, não consegue ficar sem dar palpites, ou sem dar ordens ao novo venerável ou criticar o novo líder, não somando as suas forças com as da nova gestão, pelo contrário, atrapalhando-a e óbvimente enfraquecendo-a. Se o novo Venerável não for um líder pragmático, pulso forte, que não saiba impor-se, ficará a mercê do antecessor, não podendo exercer a sua gestão a contento, como eventualmente terá planeado.

Todavia, numa loja democrática, não faltarão Irmãos que com coerência e bom senso, tomarão partido do novo líder e os mais habilidosos, chegam ao ex e com muito jeito, com parcimónia,  tentam fazê-lo compreender a nova situação, o que às vezes não conseguem,  havendo até em certos casos uma cisão na loja. Muitas novas lojas foram fundadas por ex-veneráveis que não souberam respeitar a nova liderança. Este é um facto incontestável.

janeiro 14, 2017

O Exercício do Veneralato


A Loja Maçónica é a célula básica da instituição, denominada "Loja Simbólica". É onde a Maçonaria actua a nível local, sob a jurisdição do Grande Oriente. É onde o Maçom recebe instruções, onde são recebidos os pedidos de admissão e onde são conferidos os graus maçónicos. Em suma, é o local em que se congregam os Maçons para um trabalho específico.

Liderança envolve árduo-trabalho. Muitos dos líderes não conseguem desempenhá-lo. Outros têm os atributos adequados, mas não conseguem fazer qualquer coisa a respeito, o que nos leva a definir e esclarecer princípios de liderança. O estudioso Philip Crosby afirma: “… é, deliberadamente, fazer com que as ações conduzidas por pessoas sejam planeadas, para permitir a realização de um programa de trabalho".

Adaptando esta definição para a linguagem maçónica, poderíamos ter algo assim: “liderança, deliberadamente fazer com que as ações executadas pelo Venerável Mestre sejam planeadas, para permitir a realização de um plano de trabalho" .

Desdobrando alguns elementos da definição, poderemos torná-la mais compreensível. "Deliberadamente" significa que a Loja deve eleger um determinado caminho e um propósito, estabelecendo objectivos e metas claras para todos os Irmãos.

"Ações executadas pelos Irmãos" significa que os objectivos e metas devem ser alcançados por meio de ações empreendidas por todos os Irmãos e não acções executadas por "um pequeno - grupo.

janeiro 10, 2017

Lojas de S. João



Este não vai ser um traçado de instrução por isso implicar um estudo profundo dos factos históricos, simbólicos e ritualísticos relacionados com o tema que vos vou propor. Vai ser, apenas, uma lasca da pedra bruta a ser burilada com a finalidade de enriquecer a mim próprio e a todos os IIr.’. se assim o desejarem.

Tradicionalmente, as Lojas Azuis são chamadas de Lojas de S. João, bem expressas nos trabalhos do Grau de Apr.’. que todos sabem de cor e salteado.

E logo várias perguntas se impõem:
- Por que razão são assim designadas numa época em que a F-M se exibe laica e não enfeudada à religião?
- Porquê a razão de os F-M celebrarem os dias festivos de 24 de Junho e 27 de Dezembro?
- Porquê, seguindo a tradição operativa do reconhecimento entre IIr.’. com perguntas e respostas, eles respondem que …vêm de uma Loja de S. João…?

Por questões de metodologia abordarei este assunto, primeiro sob a perspectiva dos factos históricos e de seguida as possíveis interpretações simbólicas e ritualísticas.

1-FACTOS HISTÓRICOS

Começo por vos dizer que, segundo alguns estudiosos da tradição maçónica, a 1ªLoja, ou Loja Mãe, foi convocada em Jerusalém dedicando-se a S. João, primeiro o Baptista, depois o Evangelista e, posteriormente, a ambos (não há documentos históricos que o comprovem, apenas lendas).

janeiro 08, 2017

A Essência...


O maçom tem que caminhar uma longa trajectória, para se considerar e ser na realidade um verdadeiro Iniciado.

Para entrar na Ordem passará por duas portas. Uma, a porta física do Templo onde o espera um estranho e intrigante ritual, mas ao mesmo tempo belo, um verdadeiro teatro simbólico e sublimado.

É o dia do seu recebimento formal na Ordem, que quando bem desempenhado pelos Iniciadores [1], a cerimónia  marcá-lo-á, de forma indelével na mente.

A segunda porta é simbólica. Do ponto de vista mental, é um acesso através de uma pequena fresta, isto é, uma pequena abertura que está fechada pelo Subconsciente.

Uma vez a venda cobrindo a visão, isto fará com que o Iniciando desperte e aguce os outros órgãos dos sentidos, e  então enxergará com os olhos da mente e colocar-se-á especialmente numa situação de pura introspecção, que nada mais é que uma verdadeira jornada interior e que para a grande maioria dos Iniciandos é o reencontro, ou mesmo o primeiro encontro súbito, inesperado e surpreendente, com o seu duplo Eu, há muito tempo adormecido, talvez nunca procurado, ou quem sabe nem ele soubesse da existência de um duplo estado da sua consciência.