janeiro 28, 2017

A Fraternidade como factor de Crescimento e Consolidação Social da Maçonaria


Não podemos falar em Fraternidade sem falarmos em outros princípios definidos e defendidos pela Ordem onde se incluem a Igualdade, a Liberdade, a Tolerância e a União, pois entendemos que todas eles compõem e completam a Fraternidade.

O tema “A Fraternidade como fator de crescimento e consolidação social da maçonaria”, propositalmente é instigante e complexo, porque pretendemos reflectir a respeito para melhor compreendê-lo e poder aplicá-lo efetivamente nas nossas acções na Ordem, no contexto actual que percebemos.

Diversos questionamentos nos vêm à mente: a Fraternidade Maçónica existe? Ela é praticada? De que forma? Não estaria superada pelas nossas vaidades? Com resolver o problema?

 É de certa forma o que, dentro das nossas limitações, vamos tentar expor a seguir, primeiramente com a identificação de alguns conceitos que deveremos analisar e nos colocarmos em cada um deles.

Maçonaria 
O vocábulo 'Maçonaria' vem de maçom (pedreiro). Por extensão, a Instituição Maçonaria pode ser compreendida como a congregação de maçons livres, pedreiros livres ou livres pensadores, porque é livre de dogmas, pratica a liberdade absoluta de consciência e respeita a tolerância. Nesse sentido podemos dizer que Maçonaria é Construção, pois constrói o futuro da humanidade, tornando-a mais Justa e Perfeita.

O maçom constrói-se a si mesmo e ao seu futuro, tornando-se um homem melhor na convivência social. Os grandes valores da Maçonaria podem ser sintetizados em outros três vocábulos: Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

janeiro 22, 2017

Regularidade, “Landmarks” e Reconhecimento – Algumas Notas


 I – Introdução 

Actualmente, nas diferentes organizações maçónicas, existe uma utilização frequente   e uma certa confusão, relativamente aos termos “regularidade”, “regular”, “landmarks” e “reconhecimento”, que em nossa opinião se afigura exagerada, incorrecta, ou pelo menos desajustada.  Qual a origem desta terminologia, que significado possui para quem  a utiliza e qual a sua origem, é o que pretendemos  contribuir para esclarecer, nas notas que se seguem.

Roger Dachez (2) sugere que: “uma vez que na utilização maçónica, as palavras “regular” e “regularidade”, surgiram na  Inglaterra, desde o início da maçonaria especulativa organizada, será  à semântica inglesa que é preciso recorrer”.  Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados: 
“carácter do que é uniforme» e “o que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal»”. A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente e em vigor, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte desse estatuto.

O problema da regularidade é claramente inter-Obedencial, já que entre duas obediências que reconheçam regularidade recíproca ninguém discutirá a legitimidade dum Maçom iniciado numa loja “justa e perfeita”.  Ainda segundo Daniel Ligou (8) o problema da regularidade maçónica está estritamente ligado às concepções que fazem diversas Obediências dos «landmarks», ou seja da concepção doutrinal da Maçonaria.

janeiro 20, 2017

A Vida Comunitária em Loja e o Simbolismo das Funções


Este será mais um traçado que não poderá ser considerado de Instrução, pois apenas pretende percorrer pistas que necessitarão de ser aprofundadas com um rigor reflexivo para nos guindar à Luz, Luz esta, que tem uma tripla pronúncia: amor, conhecimento e trabalho que, como escreveu Daniel Béresniak, …"são indispensáveis sem que nenhum deles possa ser privilegiado ou posto de lado para se não correr o risco de se tornarem paródias"…

Assim, e sabendo nós que uma Loja designa uma comunidade de franco-maçons que se reúnem à volta do Templo numa perspectiva simbólica, podemos começar, usando a analogia como procedimento essencial do pensamento simbólico, por imaginar que o ser humano é um microcosmos e o universo o macrocosmos representando o Templo a intimidade entre estes dois opostos, ou seja, comecemos por tentar racionalizar e compreender a obra humana (nas vertentes racional, imaginativa e intuitiva) para a situar no universo. Esta relação entre sonho e realidade é feita decifrando os símbolos de modo a proporcionar a verdadeira libertação da dicotomia objectividade/subjectividade.

Para que se …reúna o que está esparso…,é necessário que esta vida comunitária, aqui expressa na Loja/Templo, tenha regras surgindo assim a funcionalidade bem visível nos Ofícios e Oficiais que a compõem. É desta funcionalidade e suas implicações que vos quero falar.

Convém recordar que as viagens são um dos princípios essenciais do ensino iniciático e se as cito é para remarcar que nenhuma pessoa deve permanecer numa função durante demasiado tempo para se não correr o risco de esquecermos as três facetas de uma função: fazer, proteger e ensinar.

janeiro 16, 2017

O ex-Venerável "dono da Loja"


Por ser uma situação que infelizmente ocorre por vezes nalgumas Lojas, distorcendo e subvertendo os princípios de funcionamento colegial que deveriam ser respeitados, considerámos pertinente a reprodução deste esclarecedor artigo de um notável Ir:. brasileiro.

É uma situação que ocorre com frequência na maçonaria  brasileira (mas quiçá na mundial... ) O que vem a ser esta situação?

Simplesmente, conforme o titulo sugere, é um Irmão que exerceu sua gestão como Venerável de uma Loja e que seu desempenho pode ter sido muito bom ou muito mau, mas seu mandato se esgotou. Contudo esquecendo que já passou o seu momento como principal gestor da loja e que deveria ficar quieto no seu canto, insiste em intrometer-se nos trabalhos da nova liderança que democraticamente surgiu na sua loja através do voto.

Apegado ao poder, chega aos limites da hipocrisia que, como se sabe, é o acto de fingir qualidades, ideias ou sentimentos que na realidade não tem e isso,  às vezes;  torna-se uma verdade para ele, ainda que falsa, um verdadeiro sofisma, e acreditando ser o que sabe tudo, que sabe mais que os outros, pretende ser o dono da verdade.

Este tipo de ex_VM não sabe conter-se, não consegue ficar sem dar palpites, ou sem dar ordens ao novo venerável ou criticar o novo líder, não somando as suas forças com as da nova gestão, pelo contrário, atrapalhando-a e óbvimente enfraquecendo-a. Se o novo Venerável não for um líder pragmático, pulso forte, que não saiba impor-se, ficará a mercê do antecessor, não podendo exercer a sua gestão a contento, como eventualmente terá planeado.

Todavia, numa loja democrática, não faltarão Irmãos que com coerência e bom senso, tomarão partido do novo líder e os mais habilidosos, chegam ao ex e com muito jeito, com parcimónia,  tentam fazê-lo compreender a nova situação, o que às vezes não conseguem,  havendo até em certos casos uma cisão na loja. Muitas novas lojas foram fundadas por ex-veneráveis que não souberam respeitar a nova liderança. Este é um facto incontestável.

janeiro 14, 2017

O Exercício do Veneralato


A Loja Maçónica é a célula básica da instituição, denominada "Loja Simbólica". É onde a Maçonaria actua a nível local, sob a jurisdição do Grande Oriente. É onde o Maçom recebe instruções, onde são recebidos os pedidos de admissão e onde são conferidos os graus maçónicos. Em suma, é o local em que se congregam os Maçons para um trabalho específico.

Liderança envolve árduo-trabalho. Muitos dos líderes não conseguem desempenhá-lo. Outros têm os atributos adequados, mas não conseguem fazer qualquer coisa a respeito, o que nos leva a definir e esclarecer princípios de liderança. O estudioso Philip Crosby afirma: “… é, deliberadamente, fazer com que as ações conduzidas por pessoas sejam planeadas, para permitir a realização de um programa de trabalho".

Adaptando esta definição para a linguagem maçónica, poderíamos ter algo assim: “liderança, deliberadamente fazer com que as ações executadas pelo Venerável Mestre sejam planeadas, para permitir a realização de um plano de trabalho" .

Desdobrando alguns elementos da definição, poderemos torná-la mais compreensível. "Deliberadamente" significa que a Loja deve eleger um determinado caminho e um propósito, estabelecendo objectivos e metas claras para todos os Irmãos.

"Ações executadas pelos Irmãos" significa que os objectivos e metas devem ser alcançados por meio de ações empreendidas por todos os Irmãos e não acções executadas por "um pequeno - grupo.

janeiro 10, 2017

Lojas de S. João



Este não vai ser um traçado de instrução por isso implicar um estudo profundo dos factos históricos, simbólicos e ritualísticos relacionados com o tema que vos vou propor. Vai ser, apenas, uma lasca da pedra bruta a ser burilada com a finalidade de enriquecer a mim próprio e a todos os IIr.’. se assim o desejarem.

Tradicionalmente, as Lojas Azuis são chamadas de Lojas de S. João, bem expressas nos trabalhos do Grau de Apr.’. que todos sabem de cor e salteado.

E logo várias perguntas se impõem:
- Por que razão são assim designadas numa época em que a F-M se exibe laica e não enfeudada à religião?
- Porquê a razão de os F-M celebrarem os dias festivos de 24 de Junho e 27 de Dezembro?
- Porquê, seguindo a tradição operativa do reconhecimento entre IIr.’. com perguntas e respostas, eles respondem que …vêm de uma Loja de S. João…?

Por questões de metodologia abordarei este assunto, primeiro sob a perspectiva dos factos históricos e de seguida as possíveis interpretações simbólicas e ritualísticas.

1-FACTOS HISTÓRICOS

Começo por vos dizer que, segundo alguns estudiosos da tradição maçónica, a 1ªLoja, ou Loja Mãe, foi convocada em Jerusalém dedicando-se a S. João, primeiro o Baptista, depois o Evangelista e, posteriormente, a ambos (não há documentos históricos que o comprovem, apenas lendas).

janeiro 08, 2017

A Essência...


O maçom tem que caminhar uma longa trajectória, para se considerar e ser na realidade um verdadeiro Iniciado.

Para entrar na Ordem passará por duas portas. Uma, a porta física do Templo onde o espera um estranho e intrigante ritual, mas ao mesmo tempo belo, um verdadeiro teatro simbólico e sublimado.

É o dia do seu recebimento formal na Ordem, que quando bem desempenhado pelos Iniciadores [1], a cerimónia  marcá-lo-á, de forma indelével na mente.

A segunda porta é simbólica. Do ponto de vista mental, é um acesso através de uma pequena fresta, isto é, uma pequena abertura que está fechada pelo Subconsciente.

Uma vez a venda cobrindo a visão, isto fará com que o Iniciando desperte e aguce os outros órgãos dos sentidos, e  então enxergará com os olhos da mente e colocar-se-á especialmente numa situação de pura introspecção, que nada mais é que uma verdadeira jornada interior e que para a grande maioria dos Iniciandos é o reencontro, ou mesmo o primeiro encontro súbito, inesperado e surpreendente, com o seu duplo Eu, há muito tempo adormecido, talvez nunca procurado, ou quem sabe nem ele soubesse da existência de um duplo estado da sua consciência.

janeiro 05, 2017

Judaísmo e Maçonaria

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Existe desde há muito tempo uma profunda confusão que tem levado eminentes historiadores e investigadores da maçonaria a atribuírem o início da nossa Augusta Ordem ao povo de Israel, com referências directas a Salomão, a Hiram Abiff e à construção do Templo.
Os judeus estão, portanto, implicitamente ligados aos fundamentos da Maçonaria Operativa e da Construção Sagrada. Pelo menos, é assim que o mito maçónico tem sido continuado e declarado até nós. Os nomes, os sinais, as letras, os graus...

Mas perguntemo-nos se durante a Alta Idade Média, os Maçons Operativos de facto se identificavam com os judeus errantes, que construíam as suas comunidades aqui e ali, ao sabor das rotas de comércio que ligavam o Mediterrâneo ao Cáucaso, aos Balcãs, à Península Itálica, à França e à Península Ibérica?

Meus QQ IIr, a história da Maçonaria Especulativa parece estar irrevogavelmente ligada à história do povo de Israel, como se a própria Maçonaria não tivesse outro passado que não fosse o semita. Mas a Maçonaria Operativa terá ela tido a mesma influência de raiz? Terá sido ela forjada no mesmo Mar de Bronze, onde o sol nascente inundava as planícies, os montes Golan e o Horebe na Palestina? É que construtores de catedrais e de palácios sempre houve, desde o período dos grandes impérios, do Médio Oriente à Ásia do Sul, da Ásia Central ao Sudeste Asiático. E entre estes não houve judeus. Pelo menos é assim que se pensa.

Como então explicar, que de uma tradição antes verdadeiramente universal se tenha passado a um fundamentalismo cultural e a um regionalismo étnico? Eis uma questão que não encontraremos respondida nos manuais maçónicos. Os mitos emergem do inconsciente quando a cultura se encontra identificada, quando a identidade dos povos se encontra unida pela língua. Os mitos são assim, a forma de continuidade de uma nação, que se encontra pronta a ser transferida pela emigração, pela guerra ou pela conquista, sem se alterarem, participando na unidade da língua, do imaginário e da cosmologia dos povos. Isto aconteceu com os judeus.


dezembro 20, 2016

A Maçonaria na Revolução Francesa: que papel?


Ainda hoje é frequente ler e ouvir que a Revolução Francesa é sinónimo de uma acção vigorosa e organizada da Maçonaria francesa.

Sendo indiscutível, por múltiplos registos históricos, que uma grande parte da elite intelectual francesa integrava a Maçonaria, isso não significa que ela estivesse alinhada, como tal, com a ideologia revolucionária de então.

A importante presença dos maçons é outro facto inquestionável, muito activos individualmente, mas presentes em todos os campos político-ideológicos, incluindo a nível dos Chouans, que constituíam a corrente política e militar de defesa dos interesses da realeza.
A primeira iniciativa em torno da criação do mito dos maçons como autores da Revolução é do abade Lefranc, director do seminário de Caen que, em 1791, publicou um livro com um extenso título e cuja parte inicial era “ Le voile levé pour les curieux ou les secrets de la revolution revélés …”.

Uns anos mais tarde surgiu um ex-jesuíta, o abade Barruel, que publicou um livro que teve várias edições, de que a primeira é de 1797/1798, com o título “ Les mémoires pour servir à l’histoire du jacobinisme”.

Toda a campanha antimaçónica, visando fazer crer que a Revolução Francesa foi obra da Maçonaria, acabou por partir dele.

Este tipo de especulações levou, ao longo de muitas décadas, à divulgação de informações falsas sobre a suposta filiação maçónica de personalidades como Robespierre, Saint Etienne, Danton, Saint Just, Desmoulins e mesmo Condorcet.

dezembro 14, 2016

Quando o GOdF abandona o tema do GADU - ( II )

(CONTINUAÇÃO)

Este tema capital, que  esteve na base do que depois significou a ruptura entre a maçonaria dita regular e a liberal, é dos mais desconhecidos. Por essa razão e para conhecer um pouco melhor como se estruturaram os rituais do GODF, apresentamos pela mão de Daniel Ligou,  o  desenvolvimento do modo como o positivismo entrou nos rituais GODF, entre os anos de 1877 a 1887.

O labor de Amiable  e a oposição de Wirth frente à tendência dominante

O. Wirth é um dos claros adversários da tendência dominante do Grande Oriente da França. Discute a preparação de um relatório que apresenta ao GODF,  no qual propõe um retorno ao termo e ao conceito do Grande Arquiteto do Universo (GADU), que para ele é a parte central de todo o edifício maçónico, sendo o pilar que o sustenta  mesmo dentro da renovação do simbolismo tradicional que estava a surgir.

Naquela época Wirth começa a ficar muito interessado pelo ocultismo, mas não é ainda o ocultista que se consolidará depois de 1890. Em qualquer caso, o seu relatório, finalmente bastante moderado, foi aprovado pela sua loja, embora não pareça  nesse momento preocupar muito o Grande Oriente, já que devia passar por outros filtros.

Em 1887, Wirth aborda novamente a questão do simbolismo, numa conferência que pronuncia na loja parisiense "Les Amis Triomphants",  sob o título "Estudos sobre o simbolismo", que o irmão Hubert publicou  na revista “La Chaine d’ Union”. Um pouco mais tarde dar-se-á o rompimento entre os dois estudiosos maçons.

dezembro 08, 2016

Quando o GOdF abandona o tema do GADU - ( I )



Este tema capital, que  esteve na base do que depois significou a ruptura entre a maçonaria dita regular e a liberal, é dos mais desconhecidos. Por essa razão e para conhecer um pouco melhor como se estruturaram os rituais do GODF, apresentamos pela mão de Daniel Ligou,  o  desenvolvimento do modo como o positivismo entrou nos rituais GODF, entre os anos de 1877 a 1887.


No decorrer duma famosa sessão do Convénio do GODF de 13 de Setembro de 1877, o pastor Frédéric Desmons, Venerável da loja “Saint Geniès de Maloirès” e, por sua vez, membro do Conselho da Ordem colocou à votação, conseguindo por larga maioria, que o princípio do "agnosticismo" da Obediência seria toda uma premissa que iria suprimir do artigo 1 da Constituição da GODF a afirmação (descrita mais tarde como dogmática), de "que a Maçonaria tinha por base a existência de Deus e a imortalidade da alma". A pedido do Grão-Mestre Dr. Antoine de Saint Jean, o Convénio acrescentava que a instituição "não exclui ninguém pelas suas crenças", reservas não deviam, segundo ele,  impedir que as obediências Anglo-Saxónicas rompessem com o GODF.

Esta decisão, com as suas consequências seculares, foi a expressão da grande maioria dos irmãos, especialmente da ala mais activa e não é, em nossa opinião, de sentido duvidoso. Os dignitários encontraram-se com uma onda de fundo - que explica tanto as circunstâncias políticas como a evolução intelectual das classes sociais nas quais os irmãos eram recrutados – à qual não puderam resistir, apesar das suas boas intenções e hábeis manobras contemporizadoras. Talvez pensassem que uma deliberação como a que assistiam, não poderia ser uma coisa definitiva e que chegariam, apesar do sentido do voto (porque tinham em mão os mecanismos da Obediência), à ideia de poder "neutralizar" o movimento e, em qualquer caso, evitar promovê-lo até às últimas consequências,  "interpretando" num  sentido tradicional a decisão tomada.

dezembro 06, 2016

A Irmandade Pitagórica e a Maçonaria Portuguesa


Durante muito tempo se pensou que a Maçonaria especulativa, ou seja, a Maçonaria de tipo actual, derivava directamente, por evolução, da Maçonaria operativa, isto é, das lojas de pedreiros de origem medieval. Esta tese está hoje muito abalada, «explorando-se a possibilidade de que os originadores da Maçonaria especulativa se disfarçassem na aparência de uma organização operativa ou corporação, a fim de encobrir actividades e ideias que, na época, se tornava impossível praticar abertamente». Assim, as primitivas lojas «maçónicas», surgidas na Grã-Bretanha em finais do século XVI e no século XVII, poderiam não ser mais do que associações de convívio político e religioso, opondo-se à intransigência estatal. O seu objectivo primacial teria sido «a promoção da tolerância e a consequente criação de uma sociedade melhor». Outra hipótese, com grandes perspectivas de desenvolvimento, faz remontar a Maçonaria especulativa a associações de socorros mútuos, mais ou menos laicas, surgidas no século XVII e derivadas do convívio interprofissional conseguido em tabernas, botequins, estalagens, etc. Os seus primeiros membros seriam, por isso mesmo, comerciantes. Teria então começado a evolução para uma Maçonaria de tipo filosófico e alegórico.

Para Portugal, não existem ainda estudos sobre associações de qualquer desses tipos, nomeadamente caritativas, onde tendências similares possam ser encontradas. Além das corporações, sabe-se terem existido, no século XVIII sociedade de pedreiros operativos, mas nada se conhece da sua multiplicação e eventuais características especulativas. Também se sabe que a Irmandade de S. Lucas, fundada em 1602, com compromisso em 1609, além de agremiar pintores, arquitectos, escultores, iluminadores «ou outras quaisquer pessoas que professarem debuxo», podia receber gente de distinção nas Armas e nas Letras. Praticamente extinta em 1755, a Irmandade foi reconstituída a partir de 1781 sem grandes resultados práticos. O compromisso de 1792-94 permitia a existência de «protectores», que curiosamente foram o duque e a duquesa de Lafões, recebidos em Maio de 1792.