janeiro 08, 2017

A Essência...


O maçom tem que caminhar uma longa trajectória, para se considerar e ser na realidade um verdadeiro Iniciado.

Para entrar na Ordem passará por duas portas. Uma, a porta física do Templo onde o espera um estranho e intrigante ritual, mas ao mesmo tempo belo, um verdadeiro teatro simbólico e sublimado.

É o dia do seu recebimento formal na Ordem, que quando bem desempenhado pelos Iniciadores [1], a cerimónia  marcá-lo-á, de forma indelével na mente.

A segunda porta é simbólica. Do ponto de vista mental, é um acesso através de uma pequena fresta, isto é, uma pequena abertura que está fechada pelo Subconsciente.

Uma vez a venda cobrindo a visão, isto fará com que o Iniciando desperte e aguce os outros órgãos dos sentidos, e  então enxergará com os olhos da mente e colocar-se-á especialmente numa situação de pura introspecção, que nada mais é que uma verdadeira jornada interior e que para a grande maioria dos Iniciandos é o reencontro, ou mesmo o primeiro encontro súbito, inesperado e surpreendente, com o seu duplo Eu, há muito tempo adormecido, talvez nunca procurado, ou quem sabe nem ele soubesse da existência de um duplo estado da sua consciência.

janeiro 05, 2017

Judaísmo e Maçonaria

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Existe desde há muito tempo uma profunda confusão que tem levado eminentes historiadores e investigadores da maçonaria a atribuírem o início da nossa Augusta Ordem ao povo de Israel, com referências directas a Salomão, a Hiram Abiff e à construção do Templo.
Os judeus estão, portanto, implicitamente ligados aos fundamentos da Maçonaria Operativa e da Construção Sagrada. Pelo menos, é assim que o mito maçónico tem sido continuado e declarado até nós. Os nomes, os sinais, as letras, os graus...

Mas perguntemo-nos se durante a Alta Idade Média, os Maçons Operativos de facto se identificavam com os judeus errantes, que construíam as suas comunidades aqui e ali, ao sabor das rotas de comércio que ligavam o Mediterrâneo ao Cáucaso, aos Balcãs, à Península Itálica, à França e à Península Ibérica?

Meus QQ IIr, a história da Maçonaria Especulativa parece estar irrevogavelmente ligada à história do povo de Israel, como se a própria Maçonaria não tivesse outro passado que não fosse o semita. Mas a Maçonaria Operativa terá ela tido a mesma influência de raiz? Terá sido ela forjada no mesmo Mar de Bronze, onde o sol nascente inundava as planícies, os montes Golan e o Horebe na Palestina? É que construtores de catedrais e de palácios sempre houve, desde o período dos grandes impérios, do Médio Oriente à Ásia do Sul, da Ásia Central ao Sudeste Asiático. E entre estes não houve judeus. Pelo menos é assim que se pensa.

Como então explicar, que de uma tradição antes verdadeiramente universal se tenha passado a um fundamentalismo cultural e a um regionalismo étnico? Eis uma questão que não encontraremos respondida nos manuais maçónicos. Os mitos emergem do inconsciente quando a cultura se encontra identificada, quando a identidade dos povos se encontra unida pela língua. Os mitos são assim, a forma de continuidade de uma nação, que se encontra pronta a ser transferida pela emigração, pela guerra ou pela conquista, sem se alterarem, participando na unidade da língua, do imaginário e da cosmologia dos povos. Isto aconteceu com os judeus.


dezembro 20, 2016

A Maçonaria na Revolução Francesa: que papel?


Ainda hoje é frequente ler e ouvir que a Revolução Francesa é sinónimo de uma acção vigorosa e organizada da Maçonaria francesa.

Sendo indiscutível, por múltiplos registos históricos, que uma grande parte da elite intelectual francesa integrava a Maçonaria, isso não significa que ela estivesse alinhada, como tal, com a ideologia revolucionária de então.

A importante presença dos maçons é outro facto inquestionável, muito activos individualmente, mas presentes em todos os campos político-ideológicos, incluindo a nível dos Chouans, que constituíam a corrente política e militar de defesa dos interesses da realeza.
A primeira iniciativa em torno da criação do mito dos maçons como autores da Revolução é do abade Lefranc, director do seminário de Caen que, em 1791, publicou um livro com um extenso título e cuja parte inicial era “ Le voile levé pour les curieux ou les secrets de la revolution revélés …”.

Uns anos mais tarde surgiu um ex-jesuíta, o abade Barruel, que publicou um livro que teve várias edições, de que a primeira é de 1797/1798, com o título “ Les mémoires pour servir à l’histoire du jacobinisme”.

Toda a campanha antimaçónica, visando fazer crer que a Revolução Francesa foi obra da Maçonaria, acabou por partir dele.

Este tipo de especulações levou, ao longo de muitas décadas, à divulgação de informações falsas sobre a suposta filiação maçónica de personalidades como Robespierre, Saint Etienne, Danton, Saint Just, Desmoulins e mesmo Condorcet.

dezembro 14, 2016

Quando o GOdF abandona o tema do GADU - ( II )

(CONTINUAÇÃO)

Este tema capital, que  esteve na base do que depois significou a ruptura entre a maçonaria dita regular e a liberal, é dos mais desconhecidos. Por essa razão e para conhecer um pouco melhor como se estruturaram os rituais do GODF, apresentamos pela mão de Daniel Ligou,  o  desenvolvimento do modo como o positivismo entrou nos rituais GODF, entre os anos de 1877 a 1887.

O labor de Amiable  e a oposição de Wirth frente à tendência dominante

O. Wirth é um dos claros adversários da tendência dominante do Grande Oriente da França. Discute a preparação de um relatório que apresenta ao GODF,  no qual propõe um retorno ao termo e ao conceito do Grande Arquiteto do Universo (GADU), que para ele é a parte central de todo o edifício maçónico, sendo o pilar que o sustenta  mesmo dentro da renovação do simbolismo tradicional que estava a surgir.

Naquela época Wirth começa a ficar muito interessado pelo ocultismo, mas não é ainda o ocultista que se consolidará depois de 1890. Em qualquer caso, o seu relatório, finalmente bastante moderado, foi aprovado pela sua loja, embora não pareça  nesse momento preocupar muito o Grande Oriente, já que devia passar por outros filtros.

Em 1887, Wirth aborda novamente a questão do simbolismo, numa conferência que pronuncia na loja parisiense "Les Amis Triomphants",  sob o título "Estudos sobre o simbolismo", que o irmão Hubert publicou  na revista “La Chaine d’ Union”. Um pouco mais tarde dar-se-á o rompimento entre os dois estudiosos maçons.

dezembro 08, 2016

Quando o GOdF abandona o tema do GADU - ( I )



Este tema capital, que  esteve na base do que depois significou a ruptura entre a maçonaria dita regular e a liberal, é dos mais desconhecidos. Por essa razão e para conhecer um pouco melhor como se estruturaram os rituais do GODF, apresentamos pela mão de Daniel Ligou,  o  desenvolvimento do modo como o positivismo entrou nos rituais GODF, entre os anos de 1877 a 1887.


No decorrer duma famosa sessão do Convénio do GODF de 13 de Setembro de 1877, o pastor Frédéric Desmons, Venerável da loja “Saint Geniès de Maloirès” e, por sua vez, membro do Conselho da Ordem colocou à votação, conseguindo por larga maioria, que o princípio do "agnosticismo" da Obediência seria toda uma premissa que iria suprimir do artigo 1 da Constituição da GODF a afirmação (descrita mais tarde como dogmática), de "que a Maçonaria tinha por base a existência de Deus e a imortalidade da alma". A pedido do Grão-Mestre Dr. Antoine de Saint Jean, o Convénio acrescentava que a instituição "não exclui ninguém pelas suas crenças", reservas não deviam, segundo ele,  impedir que as obediências Anglo-Saxónicas rompessem com o GODF.

Esta decisão, com as suas consequências seculares, foi a expressão da grande maioria dos irmãos, especialmente da ala mais activa e não é, em nossa opinião, de sentido duvidoso. Os dignitários encontraram-se com uma onda de fundo - que explica tanto as circunstâncias políticas como a evolução intelectual das classes sociais nas quais os irmãos eram recrutados – à qual não puderam resistir, apesar das suas boas intenções e hábeis manobras contemporizadoras. Talvez pensassem que uma deliberação como a que assistiam, não poderia ser uma coisa definitiva e que chegariam, apesar do sentido do voto (porque tinham em mão os mecanismos da Obediência), à ideia de poder "neutralizar" o movimento e, em qualquer caso, evitar promovê-lo até às últimas consequências,  "interpretando" num  sentido tradicional a decisão tomada.

dezembro 06, 2016

A Irmandade Pitagórica e a Maçonaria Portuguesa


Durante muito tempo se pensou que a Maçonaria especulativa, ou seja, a Maçonaria de tipo actual, derivava directamente, por evolução, da Maçonaria operativa, isto é, das lojas de pedreiros de origem medieval. Esta tese está hoje muito abalada, «explorando-se a possibilidade de que os originadores da Maçonaria especulativa se disfarçassem na aparência de uma organização operativa ou corporação, a fim de encobrir actividades e ideias que, na época, se tornava impossível praticar abertamente». Assim, as primitivas lojas «maçónicas», surgidas na Grã-Bretanha em finais do século XVI e no século XVII, poderiam não ser mais do que associações de convívio político e religioso, opondo-se à intransigência estatal. O seu objectivo primacial teria sido «a promoção da tolerância e a consequente criação de uma sociedade melhor». Outra hipótese, com grandes perspectivas de desenvolvimento, faz remontar a Maçonaria especulativa a associações de socorros mútuos, mais ou menos laicas, surgidas no século XVII e derivadas do convívio interprofissional conseguido em tabernas, botequins, estalagens, etc. Os seus primeiros membros seriam, por isso mesmo, comerciantes. Teria então começado a evolução para uma Maçonaria de tipo filosófico e alegórico.

Para Portugal, não existem ainda estudos sobre associações de qualquer desses tipos, nomeadamente caritativas, onde tendências similares possam ser encontradas. Além das corporações, sabe-se terem existido, no século XVIII sociedade de pedreiros operativos, mas nada se conhece da sua multiplicação e eventuais características especulativas. Também se sabe que a Irmandade de S. Lucas, fundada em 1602, com compromisso em 1609, além de agremiar pintores, arquitectos, escultores, iluminadores «ou outras quaisquer pessoas que professarem debuxo», podia receber gente de distinção nas Armas e nas Letras. Praticamente extinta em 1755, a Irmandade foi reconstituída a partir de 1781 sem grandes resultados práticos. O compromisso de 1792-94 permitia a existência de «protectores», que curiosamente foram o duque e a duquesa de Lafões, recebidos em Maio de 1792.

novembro 25, 2016

Os Protocolos dos Sábios de Sião


Qual foi a pior situação que a Ordem enfrentou durante a sua existência?
 Dá para se enumerar muitas, tais como perseguições de ordem religiosas, políticas, sociais, pessoais que até hoje ainda existem, calúnias, mentiras, difamações, enfim uma série de epítetos que as pessoas que não gostam de nós, nos impingem,  combatem-nos e querem-nos destruir.

Existem famosos livros escritos por antimaçons que se contam aos milhares, que ainda circulam pelo mundo. Porem todos fantasiosos e que muito falam do segredo dos maçons.

Entres os clássicos temos a primeira publicação que realmente tocou o público, ávido de conhecer o segredo dos maçons, que foi a célebre "Maçonaria Dissecada" do maçom que abalou a Ordem, Samuel Prichard publicada em cinco edições num jornal de Londres em 1730.

Nela Prichard revelou todos os chamados segredos da Maçonaria da época,  do primeiro ao terceiro grau. Este livro sofreu desde então, um considerável número de plágios. Hoje é considerado como uma fonte de estudos, porque quando Prichard escreveu para o jornal inglês a Maçonaria não tinha rituais ou catecismos impressos. Nada se escrevia. Tudo era decorado e passado de maçom para maçom. Querendo ou não, sua traição hoje é considerada como uma fonte primária de estudos modernos na Quatuor Coronati nº 2076, da Maçonaria como era praticada na época.

Tivemos também os livros de Leo Taxil que no final do século XIX jogou muita infâmia sobre a Ordem. No final a mentira era tão fantasiosa que se perdeu por si e o autor foi desmoralizado e retratou-se. Paul Rosen outro maçom que se desligou da Maçonaria escreveu um livro revelando quase tudo sobre a Ordem, sendo o seu livro principal “Satan & Cia”. Só mentiras, fantasias e invenções.

novembro 20, 2016

Da génese dos «Antigos» ao estabelecimento da G.L.U.I.



I – Uma nova abordagem sobre um conflito fundamental na Maçonaria Inglesa 

A história dos primeiros tempos da  Maçonaria  inglesa  surge mais complexa do que tínhamos percepcionado até recentemente, em grande parte graças ao aprofundar da pesquisa e ao avanço nas investigações sobre este período. O conflito que sacudiu Maçonaria e que tem sido denominado como o diferendo entre "Antigos" e "Modernos” (de 1751/1753, até 1813), ocorreu do outro lado do Canal da Mancha,  ao longo de cerca de 60 anos.

Não será propriamente por acaso que este período e este diferendo têm sido estudados, até aqui, como um facto histórico interno à própria Inglaterra. No entanto, se queremos renovar a abordagem e as consequentes perspectivas que se abrem sobre este interessante período, devemos aprofundá-lo como desenvolvimento Inglês, mas de recorte irlandês, contribuindo decididamente para deslocar e influenciar a Maçonaria continental e sobretudo a Maçonaria francesa. Nesta perspectiva a posterior G.L.U.I. (Grande Loja Unida de Inglaterra),  resultante da fusão entre «Modernos» e «Antigos» em 1813,  na ânsia de se auto-designar como herdeira e continuadora da Grande Loja de Londres (G.L.L.) e assim estender,  sob o manto diáfano da «Regularidade», o seu domínio à escala mundial, obviamente não tem interesse em fazê-lo emergir do estrito âmbito inglês.

Phillip Crossle, grande historiador da Maçonaria irlandesa, a partir de 1928  começou a chamar a atenção para as especificidades desta Maçonaria e especialmente, para a existência de um sistema composto por 3 Graus, anterior ao sistema revelado por Samuel Prichard  em1730.  Este sistema era dotado dum conteúdo diferente, ao compreender um novo grau, denominado de “Arco Real”. Ao apresentar o seu trabalho de investigação,  Crossle estava implicitamente ta levantar também uma questão complexa, a do aparecimento e influência dos Altos Graus na história geral da Maçonaria.

Por outro lado, como mostrou Alain Bernheim (5), tanto a Maçonaria Inglesa como a francesa foram, no que respeita aos graus azuis, substancialmente idênticas pelo menos até 1750,  altura do aparecimento dos "Antigos".

novembro 18, 2016

Acerca da Tolerância na Maçonaria


Recordando  Saint-Exupéry (Citadelle, 1948):     «Se diferes de mim, meu Irmão, longe de me prejudicares, enriqueces-me».(f.c.)

I - Introdução

A Tolerância é um dos princípios  mais nobres que nos impõe a Maç:. ao proclamar (Constituição da N:.A:.O:. -  Titulo I, Artigo 1º) que    «A Maçonaria....obedece aos princípios da Fraternidade e da Tolerância, constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e Crenças” (6).

A palavra Tolerância deriva do latim "tolerare", que significa tolerar, suportar, mas também suster, manter.  Segundo Mainguy (3) esta palavra só tomou o sentido positivo que actualmente lhe damos a partir do século XVI, aparecendo como noção filosófica evolutiva e começando verdadeiramente a definir-se nos decénios que precedem a eclosão da MM:. sob a forma especulativa moderna.

Ao consultar o   Dicionário a primeira definição de TOLERÂNCIA é a seguinte:

<1. (Substantivo…).Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos>, (f.c.).

M. Pinto dos Santos  salienta ("Dicionário da Antiga e Moderna Maçonaria") (8) que «Tolerância – Virtude através da qual  o Maç:. aceita nos outros IIr:. a diferença ao nível do pensamento, da sua expressão e dos actos. A prática desta virtude é condição do progresso maçónico, uma vez que a aceitação da diferença e do contrário é fonte da dialéctica que se coloca ao Aprendiz desde a sua iniciação» (f.c.).

novembro 14, 2016

Pontes para o Sagrado


Segundo J. Habermas o conundrum da filosofia moderna, depois da velhíssima oposição/tensão entre o Ideal e o Real, consiste na transformação da razão pura em razão situada ou contextualizada, vale dizer…quando e como se desvanecem os traços da razão transcendental nas areias do contextualismo…?

Ora, pegando nesta reflexão de Habermas resolvi entrar nos corredores da análise psíquica, à qual Carl Gustave Jung se dedicou sem um propósito ou contexto marcadamente maçónico. E faço-o porquê? Porque não conheço mente tão esclarecida a dissecar as avenidas do espiritualismo e do seu correlato que é a evidência física. Essencialmente, fui buscar auxílio a uma magnífica obra literária de Jean-Luc Maxence que se intitula: “Jung est L’Avenir de la Franc-Maçonerie

Traduzir numa Prancha o pensamento de um dos maiores vultos da Psicologia Analítica do Séc. XIX/XX é tarefa arriscada, quer pelo muito que vai ficar de fora quer porque quando se resume deforma-se, porém, quão aliciante é expressar pistas que posteriormente os MM.’.QQ.’.IIr.’. poderão aprofundar. E, compará-lo à praxis maçónica ainda será mais complicado pois C. Jung nunca se adornou com um avental embora seu Avô e Pai tenham sido maçons confirmados (uma história curiosa revelada pela imprensa dos mexericos sociais da época foi que Jung seria neto bastardo de Goethe-também maçon- que teve uma relação extra conjugal com a Avó de Jung). O que é certo e documentado é que este excepcional profano, embora nunca o tivesse citado expressamente, foi buscar à metodologia maçónica, alquímica e hermética muitos dos fundamentos da sua obra como fundador da Psicologia Analítica.

outubro 20, 2016

O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.


“ recupero este antigo e interessante trabalho do Ir:. Roger Dachez, que nos apresenta de forma aberta uma reflexão clara sobre a figura do  G.A.D.U. e da sua presença no  corpus maçónico francês e dos problemas de entendimento e mal-entendidos registados” - V.G.

Primeiro de tudo, quero agradecer o convite especial para participar nesta reunião da  Cornerstone Society, como um estudioso da Maçonaria - pois parece que é assim que sou considerado com certa indulgência por algumas pessoas - e, em seguida, sim como estudioso da Maçonaria, é conhecido o meu interesse pelos trabalhos desta Sociedade. Sinceramente sinto-me honrado por estar aqui hoje.

Vinte anos atrás, quando fui introduzido na pesquisa e investigação maçónica pelo meu professor,  o irmão René Guilly - um estudioso altamente respeitado sob o pseudónimo de "Rene Desaguliers" - que me disse que, sendo britânica a origem da maçonaria, não se poderia compreender algo sobre a Arte Real sem um conhecimento suficiente da história, da cultura e do carácter britânico – algo usualmente muito estranho para um Francês !

Não me foi muito difícil aceitar este pré-requisito, já que sendo a minha avó normanda,  desde muito pequeno estava convencido de que os meus antepassados tinham tomado parte na batalha de Hastings!     Agora a sério:

Durante dez anos, passei muito tempo com Robert Gould, Janmes Hugham, Herbert Poole, Harry Carr, Colyn Dyer, Eric Ward e Neville Barker Cryer - ou mais precisamente com os seus livros - e tive um grande prazer e satisfação intelectual ao descobrir Elias Ashmole , Randle Holme, Robert Plot, e, em seguida, James Anderson e Jean Thophile Desaguliers - deixem-me chamá-los pelo seu nome francês - os "Antigos e Modernos" William Preston e .... Todos os demais .

outubro 12, 2016

A propósito do(s) conceito(s) de "Regularidade" na Maçonaria


 I – Introdução 

Segundo Daniel Ligou (10) , «Regularidade» é uma das noções mais complexas da Maçonaria já que os  Maçons que se afirmam «regulares» não estão, mesmo entre eles, de acordo sobre os critérios de regularidade, como iremos tentar exemplificar.

R.Dachez (4) refere que: “uma vez que na sua utilização maçónica, as palavras regular e regularidade, fizeram a sua aparição em Inglaterra, desde o início da maçonaria organizada, será  à semântica inglesa que é preciso recorrer”.
Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados:
-”O carácter do que é uniforme» e “O que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal»”. O sentido mais comum da palavra inglesa “regular” é «banal, corrente, standard».    A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte dum estatuto normal.

É na segunda metade do século XVIII,  no contexto da grande disputa pelo controlo da Maçonaria Inglesa,  entre as duas Gr. Lojas inglesas rivais  (GLL - Grande Loja de Londres, os «Modernos» – 1717,   e a dos «Antigos» - 1751»), que se deve compreender a primeira noção de regularidade.

Neste século, é regular em Inglaterra uma Loja que se submete à autoridade duma Grande loja e…. que lhe pague as capitações. Em contrapartida os seus membros terão direito à Solidariedade dessa Gr. Loja, preocupação essencial aos maçons dessa época, e que nomeadamente nos «Modernos», deu origem à constituição dum comité de Solidariedade.
A Maçonaria dessa altura ainda não se definia como «ordem iniciática e tradicional» mas essencialmente como «Fraternidade de homens, reunidos em volta dos princípios gerais da moral cristã, leais aos poderes civis constituídos , engajados na ajuda e na assistência mútua, durante a vida».