dezembro 06, 2016

A Irmandade Pitagórica e a Maçonaria Portuguesa


Durante muito tempo se pensou que a Maçonaria especulativa, ou seja, a Maçonaria de tipo actual, derivava directamente, por evolução, da Maçonaria operativa, isto é, das lojas de pedreiros de origem medieval. Esta tese está hoje muito abalada, «explorando-se a possibilidade de que os originadores da Maçonaria especulativa se disfarçassem na aparência de uma organização operativa ou corporação, a fim de encobrir actividades e ideias que, na época, se tornava impossível praticar abertamente». Assim, as primitivas lojas «maçónicas», surgidas na Grã-Bretanha em finais do século XVI e no século XVII, poderiam não ser mais do que associações de convívio político e religioso, opondo-se à intransigência estatal. O seu objectivo primacial teria sido «a promoção da tolerância e a consequente criação de uma sociedade melhor». Outra hipótese, com grandes perspectivas de desenvolvimento, faz remontar a Maçonaria especulativa a associações de socorros mútuos, mais ou menos laicas, surgidas no século XVII e derivadas do convívio interprofissional conseguido em tabernas, botequins, estalagens, etc. Os seus primeiros membros seriam, por isso mesmo, comerciantes. Teria então começado a evolução para uma Maçonaria de tipo filosófico e alegórico.

Para Portugal, não existem ainda estudos sobre associações de qualquer desses tipos, nomeadamente caritativas, onde tendências similares possam ser encontradas. Além das corporações, sabe-se terem existido, no século XVIII sociedade de pedreiros operativos, mas nada se conhece da sua multiplicação e eventuais características especulativas. Também se sabe que a Irmandade de S. Lucas, fundada em 1602, com compromisso em 1609, além de agremiar pintores, arquitectos, escultores, iluminadores «ou outras quaisquer pessoas que professarem debuxo», podia receber gente de distinção nas Armas e nas Letras. Praticamente extinta em 1755, a Irmandade foi reconstituída a partir de 1781 sem grandes resultados práticos. O compromisso de 1792-94 permitia a existência de «protectores», que curiosamente foram o duque e a duquesa de Lafões, recebidos em Maio de 1792.

novembro 25, 2016

Os Protocolos dos Sábios de Sião


Qual foi a pior situação que a Ordem enfrentou durante a sua existência?
 Dá para se enumerar muitas, tais como perseguições de ordem religiosas, políticas, sociais, pessoais que até hoje ainda existem, calúnias, mentiras, difamações, enfim uma série de epítetos que as pessoas que não gostam de nós, nos impingem,  combatem-nos e querem-nos destruir.

Existem famosos livros escritos por antimaçons que se contam aos milhares, que ainda circulam pelo mundo. Porem todos fantasiosos e que muito falam do segredo dos maçons.

Entres os clássicos temos a primeira publicação que realmente tocou o público, ávido de conhecer o segredo dos maçons, que foi a célebre "Maçonaria Dissecada" do maçom que abalou a Ordem, Samuel Prichard publicada em cinco edições num jornal de Londres em 1730.

Nela Prichard revelou todos os chamados segredos da Maçonaria da época,  do primeiro ao terceiro grau. Este livro sofreu desde então, um considerável número de plágios. Hoje é considerado como uma fonte de estudos, porque quando Prichard escreveu para o jornal inglês a Maçonaria não tinha rituais ou catecismos impressos. Nada se escrevia. Tudo era decorado e passado de maçom para maçom. Querendo ou não, sua traição hoje é considerada como uma fonte primária de estudos modernos na Quatuor Coronati nº 2076, da Maçonaria como era praticada na época.

Tivemos também os livros de Leo Taxil que no final do século XIX jogou muita infâmia sobre a Ordem. No final a mentira era tão fantasiosa que se perdeu por si e o autor foi desmoralizado e retratou-se. Paul Rosen outro maçom que se desligou da Maçonaria escreveu um livro revelando quase tudo sobre a Ordem, sendo o seu livro principal “Satan & Cia”. Só mentiras, fantasias e invenções.

novembro 20, 2016

Da génese dos «Antigos» ao estabelecimento da G.L.U.I.



I – Uma nova abordagem sobre um conflito fundamental na Maçonaria Inglesa 

A história dos primeiros tempos da  Maçonaria  inglesa  surge mais complexa do que tínhamos percepcionado até recentemente, em grande parte graças ao aprofundar da pesquisa e ao avanço nas investigações sobre este período. O conflito que sacudiu Maçonaria e que tem sido denominado como o diferendo entre "Antigos" e "Modernos” (de 1751/1753, até 1813), ocorreu do outro lado do Canal da Mancha,  ao longo de cerca de 60 anos.

Não será propriamente por acaso que este período e este diferendo têm sido estudados, até aqui, como um facto histórico interno à própria Inglaterra. No entanto, se queremos renovar a abordagem e as consequentes perspectivas que se abrem sobre este interessante período, devemos aprofundá-lo como desenvolvimento Inglês, mas de recorte irlandês, contribuindo decididamente para deslocar e influenciar a Maçonaria continental e sobretudo a Maçonaria francesa. Nesta perspectiva a posterior G.L.U.I. (Grande Loja Unida de Inglaterra),  resultante da fusão entre «Modernos» e «Antigos» em 1813,  na ânsia de se auto-designar como herdeira e continuadora da Grande Loja de Londres (G.L.L.) e assim estender,  sob o manto diáfano da «Regularidade», o seu domínio à escala mundial, obviamente não tem interesse em fazê-lo emergir do estrito âmbito inglês.

Phillip Crossle, grande historiador da Maçonaria irlandesa, a partir de 1928  começou a chamar a atenção para as especificidades desta Maçonaria e especialmente, para a existência de um sistema composto por 3 Graus, anterior ao sistema revelado por Samuel Prichard  em1730.  Este sistema era dotado dum conteúdo diferente, ao compreender um novo grau, denominado de “Arco Real”. Ao apresentar o seu trabalho de investigação,  Crossle estava implicitamente ta levantar também uma questão complexa, a do aparecimento e influência dos Altos Graus na história geral da Maçonaria.

Por outro lado, como mostrou Alain Bernheim (5), tanto a Maçonaria Inglesa como a francesa foram, no que respeita aos graus azuis, substancialmente idênticas pelo menos até 1750,  altura do aparecimento dos "Antigos".

novembro 18, 2016

Acerca da Tolerância na Maçonaria


Recordando  Saint-Exupéry (Citadelle, 1948):     «Se diferes de mim, meu Irmão, longe de me prejudicares, enriqueces-me».(f.c.)

I - Introdução

A Tolerância é um dos princípios  mais nobres que nos impõe a Maç:. ao proclamar (Constituição da N:.A:.O:. -  Titulo I, Artigo 1º) que    «A Maçonaria....obedece aos princípios da Fraternidade e da Tolerância, constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e Crenças” (6).

A palavra Tolerância deriva do latim "tolerare", que significa tolerar, suportar, mas também suster, manter.  Segundo Mainguy (3) esta palavra só tomou o sentido positivo que actualmente lhe damos a partir do século XVI, aparecendo como noção filosófica evolutiva e começando verdadeiramente a definir-se nos decénios que precedem a eclosão da MM:. sob a forma especulativa moderna.

Ao consultar o   Dicionário a primeira definição de TOLERÂNCIA é a seguinte:

<1. (Substantivo…).Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos>, (f.c.).

M. Pinto dos Santos  salienta ("Dicionário da Antiga e Moderna Maçonaria") (8) que «Tolerância – Virtude através da qual  o Maç:. aceita nos outros IIr:. a diferença ao nível do pensamento, da sua expressão e dos actos. A prática desta virtude é condição do progresso maçónico, uma vez que a aceitação da diferença e do contrário é fonte da dialéctica que se coloca ao Aprendiz desde a sua iniciação» (f.c.).

novembro 14, 2016

Pontes para o Sagrado


Segundo J. Habermas o conundrum da filosofia moderna, depois da velhíssima oposição/tensão entre o Ideal e o Real, consiste na transformação da razão pura em razão situada ou contextualizada, vale dizer…quando e como se desvanecem os traços da razão transcendental nas areias do contextualismo…?

Ora, pegando nesta reflexão de Habermas resolvi entrar nos corredores da análise psíquica, à qual Carl Gustave Jung se dedicou sem um propósito ou contexto marcadamente maçónico. E faço-o porquê? Porque não conheço mente tão esclarecida a dissecar as avenidas do espiritualismo e do seu correlato que é a evidência física. Essencialmente, fui buscar auxílio a uma magnífica obra literária de Jean-Luc Maxence que se intitula: “Jung est L’Avenir de la Franc-Maçonerie

Traduzir numa Prancha o pensamento de um dos maiores vultos da Psicologia Analítica do Séc. XIX/XX é tarefa arriscada, quer pelo muito que vai ficar de fora quer porque quando se resume deforma-se, porém, quão aliciante é expressar pistas que posteriormente os MM.’.QQ.’.IIr.’. poderão aprofundar. E, compará-lo à praxis maçónica ainda será mais complicado pois C. Jung nunca se adornou com um avental embora seu Avô e Pai tenham sido maçons confirmados (uma história curiosa revelada pela imprensa dos mexericos sociais da época foi que Jung seria neto bastardo de Goethe-também maçon- que teve uma relação extra conjugal com a Avó de Jung). O que é certo e documentado é que este excepcional profano, embora nunca o tivesse citado expressamente, foi buscar à metodologia maçónica, alquímica e hermética muitos dos fundamentos da sua obra como fundador da Psicologia Analítica.

outubro 20, 2016

O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.


“ recupero este antigo e interessante trabalho do Ir:. Roger Dachez, que nos apresenta de forma aberta uma reflexão clara sobre a figura do  G.A.D.U. e da sua presença no  corpus maçónico francês e dos problemas de entendimento e mal-entendidos registados” - V.G.

Primeiro de tudo, quero agradecer o convite especial para participar nesta reunião da  Cornerstone Society, como um estudioso da Maçonaria - pois parece que é assim que sou considerado com certa indulgência por algumas pessoas - e, em seguida, sim como estudioso da Maçonaria, é conhecido o meu interesse pelos trabalhos desta Sociedade. Sinceramente sinto-me honrado por estar aqui hoje.

Vinte anos atrás, quando fui introduzido na pesquisa e investigação maçónica pelo meu professor,  o irmão René Guilly - um estudioso altamente respeitado sob o pseudónimo de "Rene Desaguliers" - que me disse que, sendo britânica a origem da maçonaria, não se poderia compreender algo sobre a Arte Real sem um conhecimento suficiente da história, da cultura e do carácter britânico – algo usualmente muito estranho para um Francês !

Não me foi muito difícil aceitar este pré-requisito, já que sendo a minha avó normanda,  desde muito pequeno estava convencido de que os meus antepassados tinham tomado parte na batalha de Hastings!     Agora a sério:

Durante dez anos, passei muito tempo com Robert Gould, Janmes Hugham, Herbert Poole, Harry Carr, Colyn Dyer, Eric Ward e Neville Barker Cryer - ou mais precisamente com os seus livros - e tive um grande prazer e satisfação intelectual ao descobrir Elias Ashmole , Randle Holme, Robert Plot, e, em seguida, James Anderson e Jean Thophile Desaguliers - deixem-me chamá-los pelo seu nome francês - os "Antigos e Modernos" William Preston e .... Todos os demais .

outubro 12, 2016

A propósito do(s) conceito(s) de "Regularidade" na Maçonaria


 I – Introdução 

Segundo Daniel Ligou (10) , «Regularidade» é uma das noções mais complexas da Maçonaria já que os  Maçons que se afirmam «regulares» não estão, mesmo entre eles, de acordo sobre os critérios de regularidade, como iremos tentar exemplificar.

R.Dachez (4) refere que: “uma vez que na sua utilização maçónica, as palavras regular e regularidade, fizeram a sua aparição em Inglaterra, desde o início da maçonaria organizada, será  à semântica inglesa que é preciso recorrer”.
Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados:
-”O carácter do que é uniforme» e “O que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal»”. O sentido mais comum da palavra inglesa “regular” é «banal, corrente, standard».    A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte dum estatuto normal.

É na segunda metade do século XVIII,  no contexto da grande disputa pelo controlo da Maçonaria Inglesa,  entre as duas Gr. Lojas inglesas rivais  (GLL - Grande Loja de Londres, os «Modernos» – 1717,   e a dos «Antigos» - 1751»), que se deve compreender a primeira noção de regularidade.

Neste século, é regular em Inglaterra uma Loja que se submete à autoridade duma Grande loja e…. que lhe pague as capitações. Em contrapartida os seus membros terão direito à Solidariedade dessa Gr. Loja, preocupação essencial aos maçons dessa época, e que nomeadamente nos «Modernos», deu origem à constituição dum comité de Solidariedade.
A Maçonaria dessa altura ainda não se definia como «ordem iniciática e tradicional» mas essencialmente como «Fraternidade de homens, reunidos em volta dos princípios gerais da moral cristã, leais aos poderes civis constituídos , engajados na ajuda e na assistência mútua, durante a vida».

setembro 28, 2016

Repensando a Maçonaria


Às vezes algumas dúvidas  vêm-nos à mente e, reflectindo, perguntamos:

Qual foi a força mágica que fez com que a Maçonaria sobrevivesse?
Qual foi o amálgama sociológico imperecivel utilizado para que acontecesse?
Quais foram os factores que permitiram a sua continuidade?

Francamente, não conseguimos uma resposta satisfatória. Encontramos explicações lógicas e coerentes apenas para algumas partes, mas para o todo, não nos convencem as respostas propostas.

Quando pesquisamos a história das associações esotéricas e iniciáticas alternativas, são raras as que duraram e ainda duram através dos tempos. Outras, que hoje conhecemos, ressurgiram como herdeiras de honoraveis e tradicionais instituições antigas, invocando para si uma antiguidade às vezes suspeita.  Já com a Maçonaria não aconteceu esse ressurgimento, porque ela jamais adormeceu. A partir do Iluminismo ou Ilustração, viu a monarquia  esvair-se, viu nascer a república, e com ela pelo menos acredita-se, o mundo respirou um pouco de democracia, viu o pensamento humano transformar-se, e sabe que teve parte nisso.

Desde que apareceu, vem atravessando o tempo, enfrentando e solucionando as suas próprias crises, ocupando seu espaço, tendo a sua própria história documentada, sendo mais presente que a própria história de muitos povos nos últimos cinco ou seis séculos. Inclusive, não nega as modificações pelas quais passou, quando deixou de ser Operativa.

setembro 22, 2016

A Origem Francesa do REAA


O Escocismo nasceu na França, como Maçonaria stuartista, sendo na realidade, a primeira manifestação maçónica em território francês. Quando, em 1649, o rei Carlos I (da dinastia dos Stuarts, de origem escocesa) foi decapitado, após a vitória da revolta puritana de Oliver Cromwell, sua viúva, Henriqueta de França, aceitou asilo em território francês, em Saint Germain , para onde foi, acompanhada de todo o seu séquito, onde já existiam numerosos maçons aceitos.

Onze anos depois, seria restaurado o trono stuartista na Inglaterra. Alec Mellor fala em origem jacobita do Rito Escocês, pelo fato de existirem Lojas militares, formadas pelos regimentos fiéis aos Stuarts, ou seja, regimentos irlandeses e escoceses, totalmente jacobitas e, em sua maioria, católicos. Jacobita foi o nome dado, na Inglaterra, após a revolução de 1688, quando houve nova queda de um Stuart (Jaime II), aos partidários da dinastia.

Paul Naudon informa que, em 1661, às vésperas de subir ao trono inglês, Carlos II criou, em Saint Germain, um regimento com o título de Real Irlandês, que, depois, seria alterado para Guardas Irlandeses. Esse regimento, seguindo os Stuarts, foi incluído na capitulação de 1688, desembarcando em Brest, a 9 de outubro de 1689, e permanecendo, até 1698, fora dos quadros militares franceses, quando foi incorporado ao exército francês. Segundo Gustave Bord, o regimento dos Guardas Irlandeses mantinha uma Loja maçónica, cujos documentos chegaram até à atualidade.

A 13 de março de 1777, o Grande Oriente da França admitiu que a constituição dessa Loja datava de 25 de março de 1688, sendo, portanto, a única Loja do século XVII, cujos vestígios chegaram até nós (e era uma Loja stuartista). Jean Baylot situa a fundação da primeira loja stuartista em 1689, em Saint-Germain-en-Laye, sede da corte de Jaime II, pelo regimento irlandês Walsh de infantaria, enquanto a segunda teria sido criada em Arras, pelo dignitário inglês lord Penbrocke.

setembro 15, 2016

As Lojas do Século XXI – Algumas reflexões em torno de Daniel Béresniak


Muitos Maçons espanhóis não conhecem seguramente  obra de Daniel Béresniak, que sem embargo tem alguma influência, ou melhor, uma certa influência na maçonaria liberal espanhola. Para começar e sem pretender ir mais adiante, esta Loja de Estudos «Theorema», em que IIr:. como Javier Otaola ou José Luis Cobos cultivam o pensamento maçónico de D. Béresniak, reconhecendo a sua fecunda e esclarecedora influência. Eu conheci a obra de D. Béresniak através da recomendação que me fez, Javier Otaola.  Excelente recomendação que só posso agradecer recomendando por meu lado, a leitura dos seus livros, recordando o que o Béresniak adverte ao leitor que se identifica com as suas opiniões:

Atenção ! – não faças do nosso discurso uma verdade absoluta, e desta verdade uma ortodoxia. O nosso discurso esclarece. Tem essa pretensão. Mas não esclarece tudo. Para esclarecer tudo deve associar-se à força, a todos os demais discursos, diferentes e inversos”.

D. Béresniak, falecido na noite de 26 de Abril de 2005, após ter assistido a uma Sessão em que se festejaram os seus cinquenta anos de vida maçónica, nasceu em Paris no seio duma família judia, proveniente da Ucrânia. Psicanalista, linguista, fervoroso adepto da Filosofia e da História, Mestre Maçom do Grande Oriente de França, homem duma vasta e cimentada cultura, é autor de cerca de quarenta livros, na sua maior parte divulgações e ensaios sobre maçonaria.

É desde logo um dos nomes mais referenciais da bibliografia maçónica, e a sua figura insere-se nessa fértil tradição do ensaísmo maçónico francês, em que nomes como Oswald Wirth, Jules Boucher, Paul Naudon ou Edouard Plantagenet são já clássicos, e em que uma plêiade de autores continua a enriquecer e a trazer a Luz à grande família maçónica universal.  Livros como “Ritos e Símbolos da Maçonaria”, “ O Secreto e o Compartilhado”, “O Espírito da Geometria” ou o “Jogo de Hermes” cativaram-me pela maravilhosa e radical liberdade de espírito, pelo seu rigor conceptual e histórico e pelo aroma de fraternal bonomia que desprendem e que, ao mesmo tempo,  se compadece perfeitamente com uma olhadela crítica.

setembro 10, 2016

Princípio Inabalável, Inexpressável e Infindável

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Desde sempre que o sagrado ligado às religiões teve como companheiro de cabeceira (ou como a outra face da mesma moeda) o chamado sagrado laico. Este, devido ao escasso conhecimento científico foi ficando o irmão pobre em contraponto ao outro que, devido às circunstâncias históricas, se tornou opulento e demasiado rico, aliás e mal comparado, como qualquer relação económica em que as assimetrias se evidenciam por múltiplas máscaras, sempre com os intervenientes de costas voltadas, agredindo-se mutuamente e sem a comunicação desejada.

Paulatinamente, com o conhecimento a medrar, vários pensadores de todas as áreas (filosofia, ciências humanas, teologia) foram separando o trigo do joio para que estes dois sagrados se unissem ficando a questão reduzida à semântica, isto é, o sagrado tem o mesmo significado em ambos por se tratar de um extraordinário fenómeno em que a saída do nosso pequeno Eu vai de encontro aos Outros e ao Universo e, se nas religiões, os Outros se designam por Igrejas e o Universo por Deus, no laico, os Outros são aqueles que se religam em objectivos comuns (vidé a N.’.A.’,O.’. com liberdade, fraternidade, justiça e tolerância) e o Universo podendo chamar-se Cosmos, GADU ou simplesmente Luz ou mesmo Verdade Primordial.

Desde os primeiros passos da humanidade que o sagrado se identifica com a luz (essencialmente Solar que tudo ilumina e dá brilho) e com o seu correlato (não menos adorado) a que se deu o nome genérico de trevas, Luz e escuridão numa oposição idêntica à dos sagrados religiosos e laico, vale dizer, de costas voltadas e incomunicáveis.

Serve esta introdução para me dedicar a uma das muitas vias para chegar a esse sagrado ou Luz (agora únicos e de olhos nos olhos) e que tem o nome de Iniciação.

agosto 30, 2016

Os Efeitos Psicológicos da Prática do Ritual Maçónico


Introdução 
A definição mais comum de Maçonaria é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos” (ZELDIS, 2011). Isso já diz muito sobre a instituição e seu modo de ensino e aprendizagem, que ocorre por meio de rituais repletos de alegorias e expressões simbólicas.

No entanto, entre o desdobramento do ritual e o comportamento moral de seus praticantes há um mecanismo psicológico que não pode ser ignorado e cuja compreensão pode colaborar um melhor entendimento da razão da Maçonaria atrair ao longo dos séculos o interesse de tantos distintos homens e a ira de tão perigosos inimigos, como os nazis, papas e o Comintern – Comité Comunista Internacional (ROBERTS, 1969).

Este estudo tem por objectivo analisar as influências psicológicas que a prática ritualística maçónica, os seus termos, movimentos, símbolos, dramas e alegorias, pode ter sobre seus praticantes. Muitos talvez possam julgar os rituais maçónicos como ingénuos, ultrapassados, estranhos ou até mesmo supersticiosos. Serão apresentados neste estudo indícios de que tanto os rituais como a mitologia possuem as mesmas fontes de origem — o inconsciente (CAMPBELL, 2007; JUNG, 2005).

Há, sem dúvida, inúmeras diferenças entre as religiões e mitologias da humanidade, e todas essas, de uma forma ou de outra, podem ser encontradas em alguma medida, representadas nas alegorias