outubro 20, 2016

O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.


“ recupero este antigo e interessante trabalho do Ir:. Roger Dachez, que nos apresenta de forma aberta uma reflexão clara sobre a figura do  G.A.D.U. e da sua presença no  corpus maçónico francês e dos problemas de entendimento e mal-entendidos registados” - V.G.

Primeiro de tudo, quero agradecer o convite especial para participar nesta reunião da  Cornerstone Society, como um estudioso da Maçonaria - pois parece que é assim que sou considerado com certa indulgência por algumas pessoas - e, em seguida, sim como estudioso da Maçonaria, é conhecido o meu interesse pelos trabalhos desta Sociedade. Sinceramente sinto-me honrado por estar aqui hoje.

Vinte anos atrás, quando fui introduzido na pesquisa e investigação maçónica pelo meu professor,  o irmão René Guilly - um estudioso altamente respeitado sob o pseudónimo de "Rene Desaguliers" - que me disse que, sendo britânica a origem da maçonaria, não se poderia compreender algo sobre a Arte Real sem um conhecimento suficiente da história, da cultura e do carácter britânico – algo usualmente muito estranho para um Francês !

Não me foi muito difícil aceitar este pré-requisito, já que sendo a minha avó normanda,  desde muito pequeno estava convencido de que os meus antepassados tinham tomado parte na batalha de Hastings!     Agora a sério:

Durante dez anos, passei muito tempo com Robert Gould, Janmes Hugham, Herbert Poole, Harry Carr, Colyn Dyer, Eric Ward e Neville Barker Cryer - ou mais precisamente com os seus livros - e tive um grande prazer e satisfação intelectual ao descobrir Elias Ashmole , Randle Holme, Robert Plot, e, em seguida, James Anderson e Jean Thophile Desaguliers - deixem-me chamá-los pelo seu nome francês - os "Antigos e Modernos" William Preston e .... Todos os demais .

outubro 12, 2016

A propósito do(s) conceito(s) de "Regularidade" na Maçonaria


 I – Introdução 

Segundo Daniel Ligou (10) , «Regularidade» é uma das noções mais complexas da Maçonaria já que os  Maçons que se afirmam «regulares» não estão, mesmo entre eles, de acordo sobre os critérios de regularidade, como iremos tentar exemplificar.

R.Dachez (4) refere que: “uma vez que na sua utilização maçónica, as palavras regular e regularidade, fizeram a sua aparição em Inglaterra, desde o início da maçonaria organizada, será  à semântica inglesa que é preciso recorrer”.
Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados:
-”O carácter do que é uniforme» e “O que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal»”. O sentido mais comum da palavra inglesa “regular” é «banal, corrente, standard».    A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte dum estatuto normal.

É na segunda metade do século XVIII,  no contexto da grande disputa pelo controlo da Maçonaria Inglesa,  entre as duas Gr. Lojas inglesas rivais  (GLL - Grande Loja de Londres, os «Modernos» – 1717,   e a dos «Antigos» - 1751»), que se deve compreender a primeira noção de regularidade.

Neste século, é regular em Inglaterra uma Loja que se submete à autoridade duma Grande loja e…. que lhe pague as capitações. Em contrapartida os seus membros terão direito à Solidariedade dessa Gr. Loja, preocupação essencial aos maçons dessa época, e que nomeadamente nos «Modernos», deu origem à constituição dum comité de Solidariedade.
A Maçonaria dessa altura ainda não se definia como «ordem iniciática e tradicional» mas essencialmente como «Fraternidade de homens, reunidos em volta dos princípios gerais da moral cristã, leais aos poderes civis constituídos , engajados na ajuda e na assistência mútua, durante a vida».

setembro 28, 2016

Repensando a Maçonaria


Às vezes algumas dúvidas  vêm-nos à mente e, reflectindo, perguntamos:

Qual foi a força mágica que fez com que a Maçonaria sobrevivesse?
Qual foi o amálgama sociológico imperecivel utilizado para que acontecesse?
Quais foram os factores que permitiram a sua continuidade?

Francamente, não conseguimos uma resposta satisfatória. Encontramos explicações lógicas e coerentes apenas para algumas partes, mas para o todo, não nos convencem as respostas propostas.

Quando pesquisamos a história das associações esotéricas e iniciáticas alternativas, são raras as que duraram e ainda duram através dos tempos. Outras, que hoje conhecemos, ressurgiram como herdeiras de honoraveis e tradicionais instituições antigas, invocando para si uma antiguidade às vezes suspeita.  Já com a Maçonaria não aconteceu esse ressurgimento, porque ela jamais adormeceu. A partir do Iluminismo ou Ilustração, viu a monarquia  esvair-se, viu nascer a república, e com ela pelo menos acredita-se, o mundo respirou um pouco de democracia, viu o pensamento humano transformar-se, e sabe que teve parte nisso.

Desde que apareceu, vem atravessando o tempo, enfrentando e solucionando as suas próprias crises, ocupando seu espaço, tendo a sua própria história documentada, sendo mais presente que a própria história de muitos povos nos últimos cinco ou seis séculos. Inclusive, não nega as modificações pelas quais passou, quando deixou de ser Operativa.

setembro 22, 2016

A Origem Francesa do REAA


O Escocismo nasceu na França, como Maçonaria stuartista, sendo na realidade, a primeira manifestação maçónica em território francês. Quando, em 1649, o rei Carlos I (da dinastia dos Stuarts, de origem escocesa) foi decapitado, após a vitória da revolta puritana de Oliver Cromwell, sua viúva, Henriqueta de França, aceitou asilo em território francês, em Saint Germain , para onde foi, acompanhada de todo o seu séquito, onde já existiam numerosos maçons aceitos.

Onze anos depois, seria restaurado o trono stuartista na Inglaterra. Alec Mellor fala em origem jacobita do Rito Escocês, pelo fato de existirem Lojas militares, formadas pelos regimentos fiéis aos Stuarts, ou seja, regimentos irlandeses e escoceses, totalmente jacobitas e, em sua maioria, católicos. Jacobita foi o nome dado, na Inglaterra, após a revolução de 1688, quando houve nova queda de um Stuart (Jaime II), aos partidários da dinastia.

Paul Naudon informa que, em 1661, às vésperas de subir ao trono inglês, Carlos II criou, em Saint Germain, um regimento com o título de Real Irlandês, que, depois, seria alterado para Guardas Irlandeses. Esse regimento, seguindo os Stuarts, foi incluído na capitulação de 1688, desembarcando em Brest, a 9 de outubro de 1689, e permanecendo, até 1698, fora dos quadros militares franceses, quando foi incorporado ao exército francês. Segundo Gustave Bord, o regimento dos Guardas Irlandeses mantinha uma Loja maçónica, cujos documentos chegaram até à atualidade.

A 13 de março de 1777, o Grande Oriente da França admitiu que a constituição dessa Loja datava de 25 de março de 1688, sendo, portanto, a única Loja do século XVII, cujos vestígios chegaram até nós (e era uma Loja stuartista). Jean Baylot situa a fundação da primeira loja stuartista em 1689, em Saint-Germain-en-Laye, sede da corte de Jaime II, pelo regimento irlandês Walsh de infantaria, enquanto a segunda teria sido criada em Arras, pelo dignitário inglês lord Penbrocke.

setembro 15, 2016

As Lojas do Século XXI – Algumas reflexões em torno de Daniel Béresniak


Muitos Maçons espanhóis não conhecem seguramente  obra de Daniel Béresniak, que sem embargo tem alguma influência, ou melhor, uma certa influência na maçonaria liberal espanhola. Para começar e sem pretender ir mais adiante, esta Loja de Estudos «Theorema», em que IIr:. como Javier Otaola ou José Luis Cobos cultivam o pensamento maçónico de D. Béresniak, reconhecendo a sua fecunda e esclarecedora influência. Eu conheci a obra de D. Béresniak através da recomendação que me fez, Javier Otaola.  Excelente recomendação que só posso agradecer recomendando por meu lado, a leitura dos seus livros, recordando o que o Béresniak adverte ao leitor que se identifica com as suas opiniões:

Atenção ! – não faças do nosso discurso uma verdade absoluta, e desta verdade uma ortodoxia. O nosso discurso esclarece. Tem essa pretensão. Mas não esclarece tudo. Para esclarecer tudo deve associar-se à força, a todos os demais discursos, diferentes e inversos”.

D. Béresniak, falecido na noite de 26 de Abril de 2005, após ter assistido a uma Sessão em que se festejaram os seus cinquenta anos de vida maçónica, nasceu em Paris no seio duma família judia, proveniente da Ucrânia. Psicanalista, linguista, fervoroso adepto da Filosofia e da História, Mestre Maçom do Grande Oriente de França, homem duma vasta e cimentada cultura, é autor de cerca de quarenta livros, na sua maior parte divulgações e ensaios sobre maçonaria.

É desde logo um dos nomes mais referenciais da bibliografia maçónica, e a sua figura insere-se nessa fértil tradição do ensaísmo maçónico francês, em que nomes como Oswald Wirth, Jules Boucher, Paul Naudon ou Edouard Plantagenet são já clássicos, e em que uma plêiade de autores continua a enriquecer e a trazer a Luz à grande família maçónica universal.  Livros como “Ritos e Símbolos da Maçonaria”, “ O Secreto e o Compartilhado”, “O Espírito da Geometria” ou o “Jogo de Hermes” cativaram-me pela maravilhosa e radical liberdade de espírito, pelo seu rigor conceptual e histórico e pelo aroma de fraternal bonomia que desprendem e que, ao mesmo tempo,  se compadece perfeitamente com uma olhadela crítica.

setembro 10, 2016

Princípio Inabalável, Inexpressável e Infindável

(publicado com a devida autorização  do  Conselho Editorial do Blog "gremiosalvadorallende")


Desde sempre que o sagrado ligado às religiões teve como companheiro de cabeceira (ou como a outra face da mesma moeda) o chamado sagrado laico. Este, devido ao escasso conhecimento científico foi ficando o irmão pobre em contraponto ao outro que, devido às circunstâncias históricas, se tornou opulento e demasiado rico, aliás e mal comparado, como qualquer relação económica em que as assimetrias se evidenciam por múltiplas máscaras, sempre com os intervenientes de costas voltadas, agredindo-se mutuamente e sem a comunicação desejada.

Paulatinamente, com o conhecimento a medrar, vários pensadores de todas as áreas (filosofia, ciências humanas, teologia) foram separando o trigo do joio para que estes dois sagrados se unissem ficando a questão reduzida à semântica, isto é, o sagrado tem o mesmo significado em ambos por se tratar de um extraordinário fenómeno em que a saída do nosso pequeno Eu vai de encontro aos Outros e ao Universo e, se nas religiões, os Outros se designam por Igrejas e o Universo por Deus, no laico, os Outros são aqueles que se religam em objectivos comuns (vidé a N.’.A.’,O.’. com liberdade, fraternidade, justiça e tolerância) e o Universo podendo chamar-se Cosmos, GADU ou simplesmente Luz ou mesmo Verdade Primordial.

Desde os primeiros passos da humanidade que o sagrado se identifica com a luz (essencialmente Solar que tudo ilumina e dá brilho) e com o seu correlato (não menos adorado) a que se deu o nome genérico de trevas, Luz e escuridão numa oposição idêntica à dos sagrados religiosos e laico, vale dizer, de costas voltadas e incomunicáveis.

Serve esta introdução para me dedicar a uma das muitas vias para chegar a esse sagrado ou Luz (agora únicos e de olhos nos olhos) e que tem o nome de Iniciação.

agosto 30, 2016

Os Efeitos Psicológicos da Prática do Ritual Maçónico


Introdução 
A definição mais comum de Maçonaria é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos” (ZELDIS, 2011). Isso já diz muito sobre a instituição e seu modo de ensino e aprendizagem, que ocorre por meio de rituais repletos de alegorias e expressões simbólicas.

No entanto, entre o desdobramento do ritual e o comportamento moral de seus praticantes há um mecanismo psicológico que não pode ser ignorado e cuja compreensão pode colaborar um melhor entendimento da razão da Maçonaria atrair ao longo dos séculos o interesse de tantos distintos homens e a ira de tão perigosos inimigos, como os nazis, papas e o Comintern – Comité Comunista Internacional (ROBERTS, 1969).

Este estudo tem por objectivo analisar as influências psicológicas que a prática ritualística maçónica, os seus termos, movimentos, símbolos, dramas e alegorias, pode ter sobre seus praticantes. Muitos talvez possam julgar os rituais maçónicos como ingénuos, ultrapassados, estranhos ou até mesmo supersticiosos. Serão apresentados neste estudo indícios de que tanto os rituais como a mitologia possuem as mesmas fontes de origem — o inconsciente (CAMPBELL, 2007; JUNG, 2005).

Há, sem dúvida, inúmeras diferenças entre as religiões e mitologias da humanidade, e todas essas, de uma forma ou de outra, podem ser encontradas em alguma medida, representadas nas alegorias

julho 18, 2016

Uma Nova Cronologia para o Templo de Salomão


Ao longo de mais de trinta anos tenho-me deparado com as incongruências da história contadas pelos homens de várias gerações. Enquanto aprendiz de historiador, nos anos que passei pela Faculdade de Letras de Lisboa, memorizei datas coligidas e determinadas pelos historiadores de várias épocas, sem que me fosse dado o direito de as discutir, ou de até mesmo de as verificar.

Partindo de fronteiras temporais diferentes, com tendências políticas que forjaram as datações e ocultaram displicentemente os factos, aqueles historiadores e cronistas destruíram evidências, para que os acontecimentos se encaixassem num lógica cronológica de um tempo exageradamente religioso e político. Uma história quadrada, certinha, arranjadinha, segundo a ordem de um mundo dado à partida, não pelo universo, não como expressão de um Grande Arquitecto, mas de um artífice disforme com a aparência de um ogre, traidor até à medula, do qual descendem os historiadores e os políticos que nos avassalaram a liberdade no séc. XX e que arruinaram o Ocidente durante pouco mais de um século.

É certo que o homem faz a história, fabrica documentos e artefactos, mas igualmente os distorce perversamente, com intenções que muitas vezes contradizem o rumo da história, tentando apagar um passado que não corresponde à realidade vivida pela humanidade. É neste sentido que o passado igualmente se revela como uma fractal, não apenas o presente e o futuro. Sim, a deliberada acção dos cronistas e historiadores comprometidos com as instituições religiosas e políticas, sempre expressaram a futilidade de abdicar da ética e da deontologia, a troco de sestércios e dobrões de ouro; Hipátia foi vítima desta corja de falseadores, que construíram os Estados ditadura e um dos sistemas religiosos mais perversos da história da humanidade corrente, o cristianismo ocidental.

julho 08, 2016

Lendas e Rituais no 3º Grau de Instrução – Prováveis Origens


Com o advento da Arqueologia na segunda metade do Séc. XIX surgiram, em colecções particulares e em remotas e esquecidas bibliotecas, documentos que passaram a ser analisados sob o prisma científico daquela nova ciência.
"Felizes dos mortais que puderam assistir a este ritual", dizia Deméter a propósito dos Mistérios de Elêusis. Pois bem, em que medida o estudo retrospectivo contribui para cavar masmorras ao vício, que é uma nobre prática e paradigma deste terceiro grau de instrução?
Fazendo-o seriamente e com a intenção de melhor sedimentar uma prática que, apesar de milenar, ainda hoje sofre de agravados revezes.
Proponho-me, resumidamente, seguir as etapas das origens psicológicas, percorrendo os antecedentes históricos para que a génese e a filosofia do terceiro grau se iluminem sem vícios ou paixões.

1-Origens Psicológicas

Em linguagem maçónica Grau quer dizer Ritual. Ora, aqui teremos que recuar aos tempos primevos em que a primitividade da humanidade, em todas as regiões do mundo, celebrava verdadeiros mistérios aos quais só se tinha acesso através de uma iniciação. Revelo-vos alguns exemplos: na Austrália os jovens à entrada da puberdade eram submetidos a provas e numa delas um adulto semienterrado no solo, com um ramo de árvore espetado sobre ele, revelava-se aos jovens que o rodeavam.

Em África, os jovens fingiam-se mortos e eram levados para a floresta cerrada, onde ficavam vários meses para se esquecerem da sua vida precedente e assim poderem renascer; cerimónias idênticas na América do Norte das Nações Ameríndias e na Papua Nova Guiné;

junho 29, 2016

Perspectiva histórica da transição da maçonaria operativa para a maçonaria especulativa


De todos os debates sobre a história da maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. Este tema surgiu no início dos anos setenta, na Escócia, e em  França  através de  Roger Dachez com a divulgação de dois longos artigos publicados na revista Renaissance Traditionnelle, em 1989.

O simples fato de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de se mencionar a ausência de filiação directa com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reacções abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade. Vários autores em diferentes trabalhos, consideraram útil mencionar este debate, já dado como inevitável e que, portanto, era preciso examinar, pelo menos, as teorias da substituição e a teoria clássica da transição, julgadas igualmente dignas dentro da Maçonaria.

Em 1947 dois grandes historiadores britânicos da Maçonaria, Knoop e Jones, expressaram no prefácio da primeira edição da sua principal obra, A Gênese da Maçonaria, o seguinte: “embora até agora tenha sido habitual pensar a história da Maçonaria como uma questão totalmente separada da história comum, justificando, assim, um tratamento especial, nós achamos que se trata de um ramo da história social, do estudo de uma determinada instituição social e das ideias que estruturam esta instituição, e que se deve abordá-la e escrevê-la exatamente da mesma maneira que a história de outras instituições sociais.”

Assim como a história de certas religiões e igrejas, quando tratada com a objetividade às vezes dolorosa do historiador, leva a conflitos com os que se recusam a olhar para a sua própria história, também a “história secular” da Maçonaria não tem conseguido a adesão  unânime dos maçons.

junho 14, 2016

O que se espera de cada Maçom


I - A Maçonaria, o Maçom e o Comportamento Maçónico

1 – O Maçom  e a Loja
O simbolismo de nos despojamos dos metais à entrada em Templo, significa que não devemos  transportar  para dentro  os ressentimentos e vícios da vida profana,  as questiúnculas ou desagravos  que nos separam, a atracção pelo vil metal, mas sim  a compreensão, o respeito,  a tolerância  e a fraternidade que devem prevalecer no nosso convívio, apesar das naturais e salutares diferenças de opinião que nos possam fazer divergir.

Um Iniciado só será verdadeiramente Maçom quando alcançar o conhecimento de si próprio e a partir daí compreenda aqueles que o rodeiam, nas suas fraquezas, tristezas e até falhas, tendo sempre a frontalidade de lhes transmitir o quanto é fundamental que a lealdade e a sinceridade prevaleçam sempre sobre os interesses individuais .

Para sermos Maç∴ coerentes, sendo dignos dos valores que defendemos, é preciso perseverar no árduo trilho da eterna aprendizagem maçónica, tanto mais difícil numa sociedade que nos impinge constantemente o «pensamento único» através dos diversos meios de «comunicação», e em que a falta de ética, o oportunismo, o servilismo sem disfarces e a mentira mais ou menos descarada  são diariamente evidenciados e/ou promovidos, por  quem não  o deveria.

Ser Maçom não pode, nem deve, ser considerado estatuto ou rampa de lançamento correlacionados com perspectivas de promoção social, profissional, de negócio  ou outras. Quem assim pensa(ou) engana(ou)-se redondamente e está por certo redondamente equivocado quanto ao enquadramento na Nobre e Augusta Ordem Maçónica (N∴ A∴ O∴).

maio 18, 2016

Maçonaria Especulativa: o que, aqui e agora, se presume e conclui


Não é difícil entender porque o tema das origens da Maçonaria Especulativa tem sido fundamental para quem se dedica a historiar. É que assuntos, como o evocar a ausência da filiação directa com a Maçonaria Operativa Medieval ou outras que substituam a teoria clássica de Transição, provocam grande controvérsia e alarido na comunidade intelectual da Franco-Maçonaria.

Porquê ou para quê, então, basear-me num tema, que gera tanta controvérsia e azedume, para ser objecto de uma Prancha?
Cito-vos uma parte do Prefácio de um livro ("The Genesis of Freemansory") escrito por dois pensadores da história maçónica que diz: "em primeiro lugar advirto os leitores, bem ao contrário do que é habitual pensar-se de que a história da Franco-Maçonaria é qualquer coisa de inteiramente à parte da história normal, pensamos que aquela é um ramo justificado da história social e que deve ser abordada e escrita com os mesmos princípios científicos da história em geral".

Roger Dachez acrescenta mesmo que ela deve ser tratada com a objectividade dolorosa do historiador que deve, mesmo, ir contra os fiéis que recusam olhar para a sua própria história sugerindo o nome de História Laica da Maçonaria, ou, como John Hamill, que refere haver dois tipos de aproximação à história maçónica: um, o autêntico ou científico (segundo o qual uma teoria é fundamentada a partir de factos ou documentos verídicos) e um dito não-autêntico (que se esforça por colocar a Franco-Maçonaria no contexto da tradição dos Mistérios contando para isso com as alegorias, ensinamentos e simbolismos, quer da F-M em si própria quer dos textos esotéricos existentes).