
Ao longo de mais de trinta anos tenho-me deparado com as incongruências da história contadas pelos homens de várias gerações. Enquanto aprendiz de historiador, nos anos que passei pela Faculdade de Letras de Lisboa, memorizei datas coligidas e determinadas pelos historiadores de várias épocas, sem que me fosse dado o direito de as discutir, ou de até mesmo de as verificar.
Partindo de fronteiras temporais diferentes, com tendências políticas que forjaram as datações e ocultaram displicentemente os factos, aqueles historiadores e cronistas destruíram evidências, para que os acontecimentos se encaixassem num lógica cronológica de um tempo exageradamente religioso e político. Uma história quadrada, certinha, arranjadinha, segundo a ordem de um mundo dado à partida, não pelo universo, não como expressão de um Grande Arquitecto, mas de um artífice disforme com a aparência de um ogre, traidor até à medula, do qual descendem os historiadores e os políticos que nos avassalaram a liberdade no séc. XX e que arruinaram o Ocidente durante pouco mais de um século.
É certo que o homem faz a história, fabrica documentos e artefactos, mas igualmente os distorce perversamente, com intenções que muitas vezes contradizem o rumo da história, tentando apagar um passado que não corresponde à realidade vivida pela humanidade. É neste sentido que o passado igualmente se revela como uma fractal, não apenas o presente e o futuro. Sim, a deliberada acção dos cronistas e historiadores comprometidos com as instituições religiosas e políticas, sempre expressaram a futilidade de abdicar da ética e da deontologia, a troco de sestércios e dobrões de ouro; Hipátia foi vítima desta corja de falseadores, que construíram os Estados ditadura e um dos sistemas religiosos mais perversos da história da humanidade corrente, o cristianismo ocidental.






















