abril 20, 2015

Mistérios Antigos sob uma Brisa Racional



Mistérios Antigos!
Não há maçom, em todos os cantos do Planeta, que não saiba que foi a Franco-Maçonaria a esponja que, não só os absorveu e reteu, como também depois de espremida os solta em catapulta. A este reservatório da ciência antiga, todos os historiadores da F-M designam por Mistérios Antigos e tem sido alvo de milhares de páginas escritas, de conferências ditas e de tema de debates em associações secretas ou abertas, tudo com um cunho muito filodóxico e quase nada filosófico.

Devido ao seu cariz oculto, misterioso e divino, pergunto aos MM:.QQ:.IIr:. se o que sabemos sobre eles corresponde mesmo ao que eram? Depois da leitura e análise de dois livros (The Biggining of Francmansory de Frank Higgins escrito em 1916 e Contre Histoire de la Philosophie de Michel Onfray escrito em 2006) uma brisa carregada de fragmentos racionais percorreu-me a alma e o corpo não sendo, por conseguinte, esta análise, nem idealista nem transcendental lembrando-me de Demócrito quando afirmou que tão ou mais importante que procurar o prazer é impedir o seu correlato, quer dizer, o desprazer.

Começo pelos princípios dos princípios, a ver:

1-       Todos concordamos que os mistérios antigos não são senão a gnose dos tempos primevos que, por tal, são vagos e apetecendo mesmo dizer que quase incompreensíveis. Os antigos estavam convencidos que a complexidade dos fenómenos físicos não estava acessível ao entendimento de todos os homens criando uma espécie de exame moderno a que chamaram Iniciação que filtrava os interessados através de símbolos (a expressão mais corrente nesses tempos idos, ou seja, uma espécie de proto-linguagem).

março 20, 2015

A Estrela do Companheiro



Nos termos do artigo primeiro da Constituição da N.'.A.'.O.'. “a Maçonaria é uma Ordem universal, filosófica e progressiva, fundada na tradição iniciática, obedecendo aos princípios da Fraternidade e da Tolerância, e constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e crenças.

No exercício formal da prática maçónica, os maçons recorrem a rituais e símbolos, como forma de interpretação e de expressão dos valores, dos princípios e dos conhecimentos que constituem parte fundamental do património histórico e cognitivo da N.’.A.’.O.’..

Refere Manuel Pinto dos Santos, autor do "Dicionário da Antiga e Moderna Maçonaria", que o simbolismo se refere à arte “de interpretar os símbolos.” Este autor identifica ainda duas correntes na interpretação e conceptualização do simbolismo: “uma que preconiza o símbolo como elemento capaz de fazer despertar a transcendência e a espiritualidade do ser humano; a segunda que defende a dimensão do símbolo ajustada a natureza humana, sendo capaz de explicar racionalmente o mundo que nos rodeia através do método analógico”.

Os símbolos nada mais são, na verdade, que representações de natureza gráfica que exprimem uma correspondência entre um objecto e um determinado significado, sendo fundamentais para a compreensão e consolidação do sentir, do saber e do ser maçom.
Por este efeito, os símbolos são uma presença em todo o percurso maçónico, sendo permitido pela maçonaria, uma relativa liberdade na sua interpretação.

fevereiro 22, 2015

O Conhecimento



 Desde que os filósofos e os livre-pensadores em geral questionam a essência e o porquê das coisas que uma interrogação persiste: de que “conhecimento” falamos. A dificuldade da sua abordagem só é ultrapassada pela de outra pergunta associada: o que é o conhecimento? Vejamos alguns dados históricos relativos a este tema, a partir do Mundo Grego, dada a prevalência deste na formação cultural do Ocidente.

 Ao homem desejoso de sabedoria e conhecimento muitas vias se abrem e não lhe repugna a consideração das vias existentes para além do racionalismo e da objetividade científica. Digamos que não lhe são estranhos os caminhos do Sagrado e da pesquisa metafísica. Não deve o maçon esclarecido refugiar-se no “castelo da Razão” e rejeitar sem mais as conclusões alcançadas através da Sabedoria Primordial ou da chamada Via Mística (vidé F. Pessoa). É na busca das grandes respostas que relevamos a importância do Método Maçónico e a prevalência do estudo do Simbólico e da Tradição.

 Desde que o Homem se interrogou sobre o que é e o que cá faz que estas questões se colocam. Mais ainda: pode o ser humano conhecer? E conhecer o quê? Antes de Sócrates e Aristóteles, no tempo dos Mitos estes eram o reportório do Conhecimento possível e o veículo de transmissão das grandes interpretações cosmogónicas de então. A intimidade do Homem com o Mundo, real e imaginado, era de tal forma que se cria então na simplicidade das explicações transmitidas ao longo de gerações e se imaginava um Todo que integrava não só a Humanidade mas sim tudo o que se apresentava do Universo Físico ou do mundo apercebido e/ou imaginado, mas tido como verdadeiro. Foi o tempo do Homem Cósmico.

Cada Mito explicador do Mundo era uma chave para a Civilização/Cultura que o tinha concebido e desenvolvido mas havia um denominador comum a todos os mitos conhecidos, de forma a constituírem no seu conjunto uma grande teoria explicativa da Cosmogonia humana.

fevereiro 20, 2015

Liberdade, essa coisa tão frugal...



Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei” e “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

Historicamente, a liberdade constitui um direito natural do ser humano, proveniente da liberdade absoluta, praticada no seu estado de natureza, que paulatinamente evoluiu para o estado civil, regido pelo contrato social idealizado por Thomas Hobbes (1588-1679) , contemplando a vontade da maioria.

Em filosofia liberdade significa “ausência de submissão, de servidão e de determinação”. Ela é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional, qualificando e constituindo a condição dos comportamentos humanos voluntários e é ínsita ao ser humano, nasce com ele e dele desabrocha para a sociedade civil.

O termo pode ser definido e entendido em várias vertentes, como a liberdade de expressão, a liberdade de ir e vir, a liberdade de pensamento, a liberdade de associação, de religião ou de ação.

A liberdade existe em duas dimensões, a individual e a coletiva, ainda que aquela atinja, invariavelmente esta.

A individual nasce com todos nós, é inatacável, e nada nos pode coartar o que pensamos, o que

fevereiro 10, 2015

Maçonaria, Religião e Fundamentalismos



O tempo para discorrer é curto e, por isso, seguirei um bom Princípio, ir direto ao assunto e utilizar poucos floreados semânticos ou citações. De qualquer forma, uma explicitação dos objectivos desta apresentação é necessária, para que ela seja eficaz.

Pretendo que a discussão do tema do nosso debate seja viva e generalizada e as afirmações/conclusões que vou retirar sirvam para catalisar aquela. Como é usual dizermos, da discussão nasce a luz e é a Luz que buscamos em permanência.

Indo direto ao assunto:
A Maçonaria é uma Ordem iniciática que busca o aperfeiçoamento do Homem e como tal tem no Humanismo um dos seus fundamentos teóricos que aqui e para o fim da dissertação quero destacar.

O Humanismo centra-se no desenvolvimento humano, na harmonia, na evolução do conhecimento, em Liberdade e no respeito pelo outro, respeitando a sua individualidade e as suas diferenças, tendo na Tolerância uma postura metodológica permanente.

Esta é, de forma simplificada, a minha percepção sobre o que caracteriza genericamente a visão Humanista do mundo e que é relevante para o objectivo deste meu raciocínio.

E uma primeira conclusão:

A Maçonaria tem no Humanismo uma ferramenta central para o desenvolvimento da sua afirmação na Sociedade!

janeiro 28, 2015

A lenda de Hiram



“ - O que procuram os Mestres?
 - A Palavra Perdida.
 -Qual é essa palavra?
- A Chave do segredo maçónico, ou dito de outro modo, a compreensão do que     permanece ininteligivel aos profanos e aos iniciados imperfeitos” .
(1) Oswald With

Esta citação que selecionámos para iniciar esta Pr.'.  afigurou-se-nos   extremamente esclarecedora  como introdução à  interpretação da Lenda de Hiram, que configura a base estruturante do grau mais importante da Maç.'.  Azul , o de Mestre Maçon (M.'. M.´.).
Procuraremos abordar nos pontos seguintes, as incertezas e dúvidas que subsistem quanto às suas origens, bem como o que interiorizámos  da respectiva interpretação.

I – Introdução histórica

A Lenda de Hiram era práticamente desconhecida da Maçonaria operativa. Alguns dos documentos mais antigos (Manuscritos "Regius" e  "Cook"), não fazem menção nem ao Templo de Salomão nem a Hiram(4).  Em  1711, cerca de seis anos antes da fundação da Grande Loja de Londres (GLL),  encontramos o primeiro documento  em que é referido  um 3º grau (manuscrito do “Trinity College, Dublín”).

No chamado manuscrito “Wilkinson” (por volta de 1727), consta o seguinte passo: 
“A forma da loja é um quadrado largo. Por quê?
Pela forma do túmulo do mestre Hiram”.


Alguns historiadores apontam  para que tenha sido Anderson e alguns dos seus companheiros, os "criadores" desta lenda. Contudo até essa altura (constituição da GLL de 1723) só eram conhecidos dois graus: Aprendiz (Entered Apprentice) e  Companheiro (Fellowcraft), representando “Mestre

dezembro 10, 2014

A Loja Maçónica como Modelo Organizativo peculiar




I -  Introdução

A Loja Maçónica representa um modelo único no seu género, sendo considerada como uma micro-organização peculiar, já que  possui  apenas IIr.'. iguais em direitos, mas não em deveres.  Todos os  IIr.'.  unidos  pelo  juramento e vinculados pelo segredo maçónico são  solidários entre si.  Estes  princípios   traduzem desde logo uma diferença  inequívoca  face ao  mundo profano,  diferença essa que é superiormente enquadrada pelo facto do comportamento em Sessão ser  guiado e codificado pelo ritual.

A maioria do historidores maçónicos partilham a opinião de que terão sido os «Estatutos de Shaw» (Edimburgh, em 28.Dez. de 1598,  durante o reinado de James VI  - I de Inglaterra),  o primeiro documento conhecido em que são lançadas as bases da organização do sistema de Lojas da Maç:. operativa, em que se veio a inspirar e basear  a estrutura das Loj:.  especulativas .

Nesta microorganização peculiar,  os oficiais assumem uma hierarquização  no plano das responsabilidades e o sistema organizativo e de gestão distingue-se pela particularidade de ninguém deter quer o poder temporal  absoluto, quer  o poder espiritual.  Esta “sociedade” só  obtem a soberania e o poder a partir de si mesma.

Traduz pois num modelo único no seu género, comparativamente à generalidade das organizações do mundo profano, nas suas diferentes àreas. Os princípios organizativos duma Loja maç.'.resumem-se nalgumas frases que nos foram transmitidas desde o início e que recordo:

3  a dirigem: o Venerável, o 1 º e 2 º Vigilantes
5 a iluminam:   os três primeiros, o Orador e o Secretário
7 a tornam justa e perfeita: 
os 5 primeiros,  o Tesoureiro e o M:. de Cerimónias


novembro 08, 2014

Discurso de Instalação do Grão-Mestre do GOdF - Daniel Keller


Pela sua clareza e actualidade transcrevemos o Discurso de Instalação do  Grão-Mestre do Grande Oriente de França e Presidente do Conselho da Ordem, Daniel Keller, pronunciado no Convent da Obediência celebrado nos días 28, 29 e 30 de Agosto de 2014 em Reims.
 

No debate de ontem sobre o relatório anual de atividades  e ao longo das Vossas intervenções, surgiram as preocupações e as inquietações das Lojas.  O meu pensamento dirige-se neste momento para os IIr.'. e as IIra.'.  que  se sentem  magoados  e  indignados  na sinceridade e autenticidade do seu compromisso, por  semelhantes anátemas.  Sería inútil taparmos o rosto, o mundo que nos está llegando pode-nos  escapar e imcumbe-nos de nos interrogarnos a nós próprios, com toda a dureza, sobre o papel que deve desempenhar todo o maçom nestes inícios do século XXI. Não  esqueçamos  que a nossa Maçonaria sempre teve que lutar para que pudessem  triunfar os  seus valores e acrescentaria  que a luta é intrínseca à nossa vocação.

Esta não é uma batalha no sentido da confrontação partidária, não é uma batalha no   sentido de luta  eleitoral para ganhar pontos ou votos, não,  refiro-me a uma batalha que consiste em transformar radicalmente o mundo partindo do princípio de que os homens  seriam capaces de instaurar uma cadeia de união na qual a fraternidade universal não sería uma farsa.

Trata-se efectivamente duma luta, porque esta perspectiva está longe de ser  alcançada, tem  muitos  detractores que temem  as consequências da liberdade, da emancipação da humanidade que, finalmente, poderia florescer sem ter que submeter-se a qualquer forma de escravidão. Todo isto é o que as regressões actuais tentam afastar, como se os povos não tivessem sofrido o suficiente para terem tentado entreabrir a porta da liberdade.

Como tal, cabe recordar que o GODF construiu sua especificidade com base  na sua  capacidade para gerar uma

outubro 24, 2014

Dos Maçons Operativos os Especulativos - Epítome da História da Maçonaria






O estudo da Maçonaria deve iniciar-se precisamente pela sua História. Só assim o iniciado pode perceber o porquê de muitas situações que ele irá encontrar ao longo da sua carreira maçónica.
Hoje, o acesso à documentação maçónica está extraordinariamente simplificado, podendo dizer-se que só não sabe Maçonaria quem não queira perder, ou ganhar, depende do ponto de vista e do interesse individual, algum tempo na investigação e leitura do que sobre esta matéria a internet proporciona.

Mas, para abordar o tema da História da Maçonaria, para a enquadrar em dez ou quinze minutos de discurso temos de fazer um esforço de simplificação, que terá forçosamente de ser complementado pelo trabalho de busca, nas fontes de informação existentes e que referiremos oportunamente.
Pois bem, para iniciarmos a nossa conversa sobre a História da Maçonaria comecemos por a dividir em três períodos distintos, ou sejam:

- A Maçonaria Primitiva ou Pré-Maçonaria;
- A Maçonaria Operativa, e
- A Maçonaria Especulativa.


A Maçonaria Primitiva ou Pré- Maçonaria

Este período é de facto e como seria previsível, o mais nebuloso, dando azo às mais diferentes teorias e e conjecturas sobre as raízes da moderna Maçonaria.

A falta de documentos e de registos credíveis favorece claramente a especulação, dando origem a várias linhas de pensamento, cada uma com a sua visão particular do processo evolutivo da Maçonaria.
Há quem garanta que ela radica na Mesopotâmia, outros confundem os movimentos religiosos do Egipto e dos Caldeus com essas raízes. Outros ainda garantem que a influência da filosofia Essénia, de que Jesus seria seguidor, seria a base do que somos hoje.

O estudo da Maçonaria é de tal modo aliciante que em 1884, nasce, no seio da Grande Loja Maçónica Unida de Inglaterra, de Londres, a primeira e mais prestigiosa Loja Maçónica de investigação do mundo, a “Quatuor Coronati” nº 2076.

setembro 26, 2014

Do Templarismo à Maçonaria


Desenvolver este trabalho subordinado ao tema “Do Templarismo à Maçonaria” foi para mim um grande desafio, pelo vasto estudo e pesquisa que implicou como pela necessidade de uma grande capacidade de síntese. Respostas seguras sobre o que foi acontecendo e como “as peças se encaixam no puzzle” nas várias frentes, no longo período de quatro séculos que vai desde a extinção formal da Ordem dos Templários até ao advento da Maçonaria no início do século XVIII, não existem mas, as implicações civilizacionais, filosóficas, sociais, culturais, políticas são imensas.

A perceção de que a questão temporal e espacial que o tema me colocava era deveras problemática haveria que levar à limitação no tempo e no espaço da investigação.

A opção foi concentrar-me no triângulo constituído pela Grã-Bretanha, França e Alemanha e procurar ligações com fundamento histórico no período que vai dos princípios do século XIV (época em que formalmente foi extinta a Ordem dos Templários) até aos primeiros anos do século XVIII (altura assumida graças a diversas evidências como o princípio da maçonaria especulativa e formalmente constituída).

 Procurei assim descortinar entre cerca de três dezenas de trabalhos de investigação histórica e de reflexão filosófica a que tive acesso o que foram esses quatro séculos de transição em que predominaram a perseguição, a intolerância e o obscurantismo, quatro séculos em que se afirma oficialmente que o templarismo teria sido abolido em consequência da extinção da Ordem dos Templários e em que também se afirma que a maçonaria não passaria de uma vertente operativa, desenquadrada (ou seja sem um enquadramento formal reconhecido) e com intervenção limitada e afastada das preocupações dominantes nessas sociedades. Meramente com o objectivo de nos situarmos no tempo, recordo que em Portugal durante estes quatro séculos viveu-se a 2ª dinastia, a 3ª e quase metade da 4ª, no limite vivemos os referenciais históricos que vão da ínclita geração, aos descobrimentos, ao período Filipino e toda a época que se estendeu até ao período da governação do Marquês de Pombal.

junho 30, 2014

O Papel do Juramento no ritual de Iniciação



Neste meu segundo traçado em Loja, e na qualidade de Comp.'.  maçon, pretendo dar continuidade ao trabalho iniciado anteriormente, no qual reflecti sobre o processo iniciático como fenómeno, a propósito da dimensão pessoal do vivido na minha própria iniciação na nossa Respeitável Loja. Momento nascente e fundador de um processo de identificação progressivo que, espero, venha a consolidar-se numa identidade maçónica sólida e consequente.

A experiencia iniciática é marcada por uma dimensão radicalmente indizível e intransmissível, aspecto que a coloca numa categoria numinosa, ou seja, da ordem do sagrado. Refere Mircea Eliade que, a iniciação equivale a uma “modificação ontológica do regime existencial”; e neste sentido, podemos assimilá-la a uma espécie de acto obstétrico, um (re)nascimento que, através da Loja, inscreve  o iniciado numa nova dimensão espaço-tempo, integrando-o num colectivo em perpétua renovação - o “irmão invisível”, como diz Pierre Simon, que viverá até ao fim dos tempos, prefigurando assim a imortalidade simbólica do iniciado.

“O papel do juramento no ritual de iniciação”, poderia ser o titulo do presente traçado, dado que pretende esboçar, ainda que brevemente, o termo juramento, como elemento crucial do processo de iniciação. O juramento, tal como muitos outros comportamentos humanos, é um acto complexo. Não é apenas um pensamento, mas uma ideação com força motriz, carregada de intencionalidade. Em Maçonaria, e segundo Oliveira Marques, o juramento é definido como um “compromisso formal” tomado por um profano no momento da sua iniciação, ou por um maçon ao tomar posse de um cargo para que foi eleito ou ao ser elevado, com ritual, a um grau superior.

Este compromisso é realizado perante o “livro da lei”, em nome da honra própria e de livre e espontânea vontade; é um acto solene, exige sinceridade e incide sobre os seguintes aspectos: 1) não revelação dos segredos da Maçonaria, 2) não dizer ou divulgar o que puder ver, ouvir ou descobrir dentro ou fora das assembleias maçónicas, 3) trabalhar com zelo e regularidade na obra da Maçonaria, 4) amar, ajudar e socorrer os irmãos nas suas necessidades e 5) observar a Constituição e Regulamento Geral, as leis do Rito, o Regulamento da Respeitável Loja e do G.'. O.'. L.'...

maio 10, 2014

Procura Iniciática e Transmissão



  por: Irène Mainguy 

Qualquer procura iniciática centra-se  em torno de várias questões que se podem ligar ao nosso compromisso com a Maçonaria  que nos leva a interrrogar-nos:

- Por que entramos na Maçonaria? 
- O que procuramos? 
- Por que ficamos? 

Estas perguntas simples são todavia essenciais e devem estar constantemente no centro de nosso pensamento, se pretendermos abrirmos mais a nossa consciência e compreensão.

A pergunta efectuada na primeira parte da instrução no primeiro grau responde à pergunta:
D - Por que é que te tornaste maçon?
R - Para alcançar os segredos da Maçonaria e para sair das trevas.

Essa resposta leva-nos a observar que tomámos consciência dum modo mais ou menos claro da dualidade, sob estes dois aspectos  e que uma abordagem voluntária se afirma para descobrir a Luz, isto é, sair da multiplicidade das trevas e encontrar a Unidade.

Entre os princípios básicos subjacentes à Ordem, existem o amor fraternal, a benevolência, a procura da Verdade que devem ser a qualquer momento o motor da nossa reflexão e da nossa acção.

Uma meditação regular dos rituais e das instruções é um dos meios de abrir nosso coração e a nossa consciência ao Essencial. É uma prática de longo fôlego, muitas vezes difícil e desafiadora onde  "o esquadro deve regular as nossas acções e o compasso traçar os justos limites que devemos observar na nossa conduta para com nossos semelhantes."O ponto de partida desta provação é o despojamento dos metais, prova antes da cerimónia de iniciação,