dezembro 10, 2014

A Loja Maçónica como Modelo Organizativo peculiar




I -  Introdução

A Loja Maçónica representa um modelo único no seu género, sendo considerada como uma micro-organização peculiar, já que  possui  apenas IIr.'. iguais em direitos, mas não em deveres.  Todos os  IIr.'.  unidos  pelo  juramento e vinculados pelo segredo maçónico são  solidários entre si.  Estes  princípios   traduzem desde logo uma diferença  inequívoca  face ao  mundo profano,  diferença essa que é superiormente enquadrada pelo facto do comportamento em Sessão ser  guiado e codificado pelo ritual.

A maioria do historidores maçónicos partilham a opinião de que terão sido os «Estatutos de Shaw» (Edimburgh, em 28.Dez. de 1598,  durante o reinado de James VI  - I de Inglaterra),  o primeiro documento conhecido em que são lançadas as bases da organização do sistema de Lojas da Maç:. operativa, em que se veio a inspirar e basear  a estrutura das Loj:.  especulativas .

Nesta microorganização peculiar,  os oficiais assumem uma hierarquização  no plano das responsabilidades e o sistema organizativo e de gestão distingue-se pela particularidade de ninguém deter quer o poder temporal  absoluto, quer  o poder espiritual.  Esta “sociedade” só  obtem a soberania e o poder a partir de si mesma.

Traduz pois num modelo único no seu género, comparativamente à generalidade das organizações do mundo profano, nas suas diferentes àreas. Os princípios organizativos duma Loja maç.'.resumem-se nalgumas frases que nos foram transmitidas desde o início e que recordo:

3  a dirigem: o Venerável, o 1 º e 2 º Vigilantes
5 a iluminam:   os três primeiros, o Orador e o Secretário
7 a tornam justa e perfeita: 
os 5 primeiros,  o Tesoureiro e o M:. de Cerimónias


novembro 08, 2014

Discurso de Instalação do Grão-Mestre do GOdF - Daniel Keller


Pela sua clareza e actualidade transcrevemos o Discurso de Instalação do  Grão-Mestre do Grande Oriente de França e Presidente do Conselho da Ordem, Daniel Keller, pronunciado no Convent da Obediência celebrado nos días 28, 29 e 30 de Agosto de 2014 em Reims.
 

No debate de ontem sobre o relatório anual de atividades  e ao longo das Vossas intervenções, surgiram as preocupações e as inquietações das Lojas.  O meu pensamento dirige-se neste momento para os IIr.'. e as IIra.'.  que  se sentem  magoados  e  indignados  na sinceridade e autenticidade do seu compromisso, por  semelhantes anátemas.  Sería inútil taparmos o rosto, o mundo que nos está llegando pode-nos  escapar e imcumbe-nos de nos interrogarnos a nós próprios, com toda a dureza, sobre o papel que deve desempenhar todo o maçom nestes inícios do século XXI. Não  esqueçamos  que a nossa Maçonaria sempre teve que lutar para que pudessem  triunfar os  seus valores e acrescentaria  que a luta é intrínseca à nossa vocação.

Esta não é uma batalha no sentido da confrontação partidária, não é uma batalha no   sentido de luta  eleitoral para ganhar pontos ou votos, não,  refiro-me a uma batalha que consiste em transformar radicalmente o mundo partindo do princípio de que os homens  seriam capaces de instaurar uma cadeia de união na qual a fraternidade universal não sería uma farsa.

Trata-se efectivamente duma luta, porque esta perspectiva está longe de ser  alcançada, tem  muitos  detractores que temem  as consequências da liberdade, da emancipação da humanidade que, finalmente, poderia florescer sem ter que submeter-se a qualquer forma de escravidão. Todo isto é o que as regressões actuais tentam afastar, como se os povos não tivessem sofrido o suficiente para terem tentado entreabrir a porta da liberdade.

Como tal, cabe recordar que o GODF construiu sua especificidade com base  na sua  capacidade para gerar uma

outubro 24, 2014

Dos Maçons Operativos os Especulativos - Epítome da História da Maçonaria






O estudo da Maçonaria deve iniciar-se precisamente pela sua História. Só assim o iniciado pode perceber o porquê de muitas situações que ele irá encontrar ao longo da sua carreira maçónica.
Hoje, o acesso à documentação maçónica está extraordinariamente simplificado, podendo dizer-se que só não sabe Maçonaria quem não queira perder, ou ganhar, depende do ponto de vista e do interesse individual, algum tempo na investigação e leitura do que sobre esta matéria a internet proporciona.

Mas, para abordar o tema da História da Maçonaria, para a enquadrar em dez ou quinze minutos de discurso temos de fazer um esforço de simplificação, que terá forçosamente de ser complementado pelo trabalho de busca, nas fontes de informação existentes e que referiremos oportunamente.
Pois bem, para iniciarmos a nossa conversa sobre a História da Maçonaria comecemos por a dividir em três períodos distintos, ou sejam:

- A Maçonaria Primitiva ou Pré-Maçonaria;
- A Maçonaria Operativa, e
- A Maçonaria Especulativa.


A Maçonaria Primitiva ou Pré- Maçonaria

Este período é de facto e como seria previsível, o mais nebuloso, dando azo às mais diferentes teorias e e conjecturas sobre as raízes da moderna Maçonaria.

A falta de documentos e de registos credíveis favorece claramente a especulação, dando origem a várias linhas de pensamento, cada uma com a sua visão particular do processo evolutivo da Maçonaria.
Há quem garanta que ela radica na Mesopotâmia, outros confundem os movimentos religiosos do Egipto e dos Caldeus com essas raízes. Outros ainda garantem que a influência da filosofia Essénia, de que Jesus seria seguidor, seria a base do que somos hoje.

O estudo da Maçonaria é de tal modo aliciante que em 1884, nasce, no seio da Grande Loja Maçónica Unida de Inglaterra, de Londres, a primeira e mais prestigiosa Loja Maçónica de investigação do mundo, a “Quatuor Coronati” nº 2076.

setembro 26, 2014

Do Templarismo à Maçonaria


Desenvolver este trabalho subordinado ao tema “Do Templarismo à Maçonaria” foi para mim um grande desafio, pelo vasto estudo e pesquisa que implicou como pela necessidade de uma grande capacidade de síntese. Respostas seguras sobre o que foi acontecendo e como “as peças se encaixam no puzzle” nas várias frentes, no longo período de quatro séculos que vai desde a extinção formal da Ordem dos Templários até ao advento da Maçonaria no início do século XVIII, não existem mas, as implicações civilizacionais, filosóficas, sociais, culturais, políticas são imensas.

A perceção de que a questão temporal e espacial que o tema me colocava era deveras problemática haveria que levar à limitação no tempo e no espaço da investigação.

A opção foi concentrar-me no triângulo constituído pela Grã-Bretanha, França e Alemanha e procurar ligações com fundamento histórico no período que vai dos princípios do século XIV (época em que formalmente foi extinta a Ordem dos Templários) até aos primeiros anos do século XVIII (altura assumida graças a diversas evidências como o princípio da maçonaria especulativa e formalmente constituída).

 Procurei assim descortinar entre cerca de três dezenas de trabalhos de investigação histórica e de reflexão filosófica a que tive acesso o que foram esses quatro séculos de transição em que predominaram a perseguição, a intolerância e o obscurantismo, quatro séculos em que se afirma oficialmente que o templarismo teria sido abolido em consequência da extinção da Ordem dos Templários e em que também se afirma que a maçonaria não passaria de uma vertente operativa, desenquadrada (ou seja sem um enquadramento formal reconhecido) e com intervenção limitada e afastada das preocupações dominantes nessas sociedades. Meramente com o objectivo de nos situarmos no tempo, recordo que em Portugal durante estes quatro séculos viveu-se a 2ª dinastia, a 3ª e quase metade da 4ª, no limite vivemos os referenciais históricos que vão da ínclita geração, aos descobrimentos, ao período Filipino e toda a época que se estendeu até ao período da governação do Marquês de Pombal.

junho 30, 2014

O Papel do Juramento no ritual de Iniciação



Neste meu segundo traçado em Loja, e na qualidade de Comp.'.  maçon, pretendo dar continuidade ao trabalho iniciado anteriormente, no qual reflecti sobre o processo iniciático como fenómeno, a propósito da dimensão pessoal do vivido na minha própria iniciação na nossa Respeitável Loja. Momento nascente e fundador de um processo de identificação progressivo que, espero, venha a consolidar-se numa identidade maçónica sólida e consequente.

A experiencia iniciática é marcada por uma dimensão radicalmente indizível e intransmissível, aspecto que a coloca numa categoria numinosa, ou seja, da ordem do sagrado. Refere Mircea Eliade que, a iniciação equivale a uma “modificação ontológica do regime existencial”; e neste sentido, podemos assimilá-la a uma espécie de acto obstétrico, um (re)nascimento que, através da Loja, inscreve  o iniciado numa nova dimensão espaço-tempo, integrando-o num colectivo em perpétua renovação - o “irmão invisível”, como diz Pierre Simon, que viverá até ao fim dos tempos, prefigurando assim a imortalidade simbólica do iniciado.

“O papel do juramento no ritual de iniciação”, poderia ser o titulo do presente traçado, dado que pretende esboçar, ainda que brevemente, o termo juramento, como elemento crucial do processo de iniciação. O juramento, tal como muitos outros comportamentos humanos, é um acto complexo. Não é apenas um pensamento, mas uma ideação com força motriz, carregada de intencionalidade. Em Maçonaria, e segundo Oliveira Marques, o juramento é definido como um “compromisso formal” tomado por um profano no momento da sua iniciação, ou por um maçon ao tomar posse de um cargo para que foi eleito ou ao ser elevado, com ritual, a um grau superior.

Este compromisso é realizado perante o “livro da lei”, em nome da honra própria e de livre e espontânea vontade; é um acto solene, exige sinceridade e incide sobre os seguintes aspectos: 1) não revelação dos segredos da Maçonaria, 2) não dizer ou divulgar o que puder ver, ouvir ou descobrir dentro ou fora das assembleias maçónicas, 3) trabalhar com zelo e regularidade na obra da Maçonaria, 4) amar, ajudar e socorrer os irmãos nas suas necessidades e 5) observar a Constituição e Regulamento Geral, as leis do Rito, o Regulamento da Respeitável Loja e do G.'. O.'. L.'...

maio 10, 2014

Procura Iniciática e Transmissão



  por: Irène Mainguy 

Qualquer procura iniciática centra-se  em torno de várias questões que se podem ligar ao nosso compromisso com a Maçonaria  que nos leva a interrrogar-nos:

- Por que entramos na Maçonaria? 
- O que procuramos? 
- Por que ficamos? 

Estas perguntas simples são todavia essenciais e devem estar constantemente no centro de nosso pensamento, se pretendermos abrirmos mais a nossa consciência e compreensão.

A pergunta efectuada na primeira parte da instrução no primeiro grau responde à pergunta:
D - Por que é que te tornaste maçon?
R - Para alcançar os segredos da Maçonaria e para sair das trevas.

Essa resposta leva-nos a observar que tomámos consciência dum modo mais ou menos claro da dualidade, sob estes dois aspectos  e que uma abordagem voluntária se afirma para descobrir a Luz, isto é, sair da multiplicidade das trevas e encontrar a Unidade.

Entre os princípios básicos subjacentes à Ordem, existem o amor fraternal, a benevolência, a procura da Verdade que devem ser a qualquer momento o motor da nossa reflexão e da nossa acção.

Uma meditação regular dos rituais e das instruções é um dos meios de abrir nosso coração e a nossa consciência ao Essencial. É uma prática de longo fôlego, muitas vezes difícil e desafiadora onde  "o esquadro deve regular as nossas acções e o compasso traçar os justos limites que devemos observar na nossa conduta para com nossos semelhantes."O ponto de partida desta provação é o despojamento dos metais, prova antes da cerimónia de iniciação,

abril 08, 2014

Comportamento Maçónico e a Loja – algumas notas

I – Introdução
O simbolismo de nos despojamos dos metais à entrada em Templo, significa que não devemos  transportar  para dentro  os ressentimentos da vida profana,  as questiúnculas ou despeitos  que nos separam, mas sim  a compreensão, o respeito,  a tolerância  e a fraternidade que devem prevalecer no nosso convívio, apesar das naturais diferenças de opinião.  Como podemos aperfeiçoar esta postura se não frequentarmos da Loj.´. assíduamente? 

Ser Maçom não pode nem deve, ser considerado estatuto de  tipo «nobiliárquico», mais ou menos correlacionado com perspectivas de promoção social, profissional  ou outras. Quem assim pensa (ou pensou) engana(ou)-se redondamente e está (estará) mal enquadrado e/ou a mais  na A.´. O.´..

Para sermos Maç.´. dignos dessa distinção (recordando o sapientíssimo  Ir.´. António Arnauth «não é maçom quem quer») é preciso perseverar diáriamente no trilho maçónico, tanto mais difícil numa sociedade em que a mentira, a falta de ética, o oportunismo  e o servilismo sem disfarces   são diáriamente evidenciados e/ou promovidos por  quem não  o deveria –    dirigentes e responsáveis políticos aos  diversos níveis,  jornalistas, comentadores /eiros,  nomeados por “compadrio”,  etc. etc..

É por vezes usual desculpabilizá-los pela «natureza humana», mas tal impele-me a reclamar ao G.´.A.´. que nos tempos que correm e por estes lados da Europa (à beira-mar plantados),  a concentração desta tipologia,  pecará  por algum exagero....

É intervindo coerentemente na Sociedade  de acordo com os princípios que nos norteiam,    cooperando activamente nos trabalhos em Loj, (estudando os clássicos e textos de IIr? mais credenciados,   elaborando ou analisando pranchas, discutindo  ou comentando intervenções,  etc.,...), apoiando os IIr. mais necessitados, que o Maç.´. constroi progressivamente o seu edíficio interior, ao mesmo tempo que  contribui para consolidar o exterior, ou seja a A.´. Or.´..


março 20, 2014

Liberdade, Igualdade, Fraternidade: uma questão prática e de honra ou meramente teórica e de circunstância?!

Permiti-me escolher este tema, porque vivemos tempos muito difíceis, por isso creio que urge refletir sobre o que somos, o que queremos, para onde vamos e para onde queremos ir, o que pretendemos para todos e para nós, o que pensamos do futuro e o queremos que o futuro nos traga, o que fizemos, o que estamos a fazer e o que pretendemos fazer!
O que temos em presença exige de nós, individualmente, uma introspeção a que devemos necessariamente recorrer, porquanto dela brotam a lucidez e o raciocínio lógico e racional. Não se olvide, porém, que nos devemos cingir ao individual, porque além desta dimensão, importa também o coletivo.

Não tenhamos dúvidas de que a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade são mais necessários do que nunca, pois o irracionalismo, o fundamentalismo, o obscurantismo, a barbárie e o capitalismo desenfreado estão a colocar em causa os alicerces do edifício que a humanidade erigiu e que levou, e.g. à abolição da escravatura ou à igualdade do género.
Importa referir, desde já, que ao contrário do que se diz, o lema objeto da presente prancha não é de origem maçónica, cuja divisa original era “fraternidade, alívio e verdade”, nem nasceu com a Revolução Francesa cujo lema original era “liberdade, igualdade e morte”.

Em relação à maçonaria, a divisa (1)  foi adotada na segunda metade do século XIX pela maçonaria francesa, acabando por se disseminar por todo o mundo maçónico; em relação à Revolução Francesa, apenas em 1848, na 2ª República o lema foi adotado em França, ou seja, sessenta anos depois da Revolução (2).
No entanto, diz-se que o lema é de origens ancestrais, ao que se crê da Antiga Índia, sendo visível ainda hoje nas escolas e religiões, havendo também vestígios em Johann Kelperès, criador da primeira seita comunista, também conhecida por “comunismo cristão”, em 1694, que apregoava que o Messias seria o distribuidor da justiça (a ideia de igualdade), o grande irmão (a ideia de fraternidade) e o libertador (a ideia de liberdade).

fevereiro 20, 2014

Maçonaria Especulativa e Sir Robert Moray


Continuamos a ler e a ouvir que a Maçonaria Especulativa nasceu em 24 de Junho de 1717 com a criação, por 4 lojas londrinas, da Grande Loja de Londres.
Continuamos a ler e a ouvir que antes desta data existia somente a Maçonaria Operativa, derivada dos grandes construtores dessas maravilhosas obras de arte que são as catedrais existentes em diversos países europeus.

E continuamos a ler e a ouvir que as lojas maçónicas operativas foram admitindo gradualmente em vários locais indivíduos que não estavam ligados às artes e aos ofícios e que eram recebidos como membros dessas lojas.

Podemos dizer que esta é a história oficial que foi criada e insistentemente difundida  como parte de um programa de cultura imperial global muito activo no século XIX por parte da potência dominadora a nível mundial nesse período que foi a Grã- Bretanha.
Este é um lado da questão e importa, na minha simples opinião pessoal, analisar a sensatez e a credibilidade dessa história oficial que não é diferente de quase todas as histórias oficiais de qualquer assunto que reflectem sempre uma visão manipuladora dos factos e das mentes.

O raciocínio de análise e a compilação de múltiplos factos históricos acaba por mostrar o contrasenso de algumas dessas matérias que vamos lendo e ouvindo.
Desde logo, porque não é possível qualquer acção operativa sem ser precedida de uma actividade especulativa.


 Está há muito demonstrado no plano científico e fisiológico que em qualquer actividade, mesmo de complexidade muito rudimentar, o pensamento precede a acção.
Os grandes construtores de catedrais muito antes de começarem a edificar os gigantescos edifícios com aspectos altamente sofisticados a nível estrutural e artístico, passavam, inevitavelmente, largos meses a discutir todos os cálculos de construção e as plantas de todo o conjunto a edificar.

janeiro 24, 2014

O Confronto que nunca procurámos



1 – A PERGUNTA
Na instrução do grau de Aprendiz a primeira pergunta que o Ven? M? faz ao Aprendiz é:
P. – O que é que nos une? Há alguma causa comum entre nós?
R. – Sim, Venerável Mestre.
P. – Qual é, Meu Irmão?
R. – Um Segredo.
P. – Que Segredo?
R. – A Maçonaria.
P. – O que é a Maçonaria?
R. – A Maçonaria é uma sociedade de homens esclarecidos, unidos para trabalhar em comum para o aperfeiçoamento intelectual e moral da humanidade.
P. – A Maçonaria é uma religião?
R. – Não é uma religião no sentido restrito da palavra mas, melhor que qualquer instituição, tem por fim ligar os homens entre si, e, por esse facto é uma religião (de religare) na acepção mais lata do termo.

Neste primeiro grupo de perguntas salienta-se o espírito de união, que deve existir entre todos os Maçons e que o factor que cimenta essa união é um segredo que, no fim, nada não é mais que a própria Maçonaria.

Mas, afinal o que é a Maçonaria? Restringe-se somente à definição acima mostrada? Não. A Maçonaria é algo tão vasto que não há uma só definição mas sim tantas quantas as situações em que se torna necessário defini-la.
Oliveira Marques, defini-a de uma forma singular e interessantíssima. Dizia ele: “ A Maçonaria é uma magnífica escola que só tem alunos. Não tem professores”.

dezembro 04, 2013

A lenda de Hiram Abif

Por ser o centro da organização da Loja Azul, o coração do ritual do terceiro grau, sobre o qual assenta a exaltação ao grau de Mestre, o mito de Hiram Abif (o “Filho da Viúva”) é tema de conhecimento obrigatório. Daí ser esse que, com toda a humildade, pretendi estu-dar.
 Em primeiro lugar, relembrar que, em Maçonaria, se designam por Lojas Azuis as Lojas que trabalham nos três graus essenciais da Maçonaria: Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Porquê azuis? Simplesmente porque, na sua origem, essa foi a cor escolhida pelos maçons que, no século XVIII, criaram, em Inglaterra, a Grande Loja de Londres.  Nesse tempo, havia apenas um rito praticado e a cor que o identificava, a cor principalmente usada nos artefactos dos maçons, era o azul.
E assim permaneceu, designadamente nos países anglo-saxónicos, que, praticamente em exclusivo, praticam apenas o Rito de York ou suas variantes. A cor deste rito é o azul.

Após a implantação da Maçonaria, seguiu-se um período de criação e proliferação de ritos. Cada rito era, pelos que o criavam, associa-do a uma cor. Das dezenas de ritos que apareceram, como é natural só uns poucos subsistiram. De entre estes, o Rito Escocês Anti-go e Aceito (R.E.A.A), cuja cor é o vermelho.

Na Maçonaria Continental Europeia, em África e na América Latina, as Lojas que trabalham no Rito Escocês Antigo e Aceito utilizam-no desde o primeiro grau.   Aqui, o Rito não

novembro 20, 2013

Maçonaria e Igreja Catolica - um relação conturbada




Confesso que o tema me seduz e porque me impele a fazer algo que sempre me atraiu, isto é, pesquisar, analisar, perscrutar, mas a tentação por abordar hoje este tema deriva da sua atualidade, não obstante a longa história atribulada das relações Igreja com a Maçonaria, que dura há, pelo menos, três séculos.

Às dissonâncias a Igreja respondeu, invariavelmente, com várias condenações, com penas de excomunhão para os católicos que aderiram à Maçonaria e com intervenções públicas de altos dignitários da Igreja reprovando, de forma expressa e clara a Maçonaria.


Podemos situar o início das hostilidades em 1356, em Londres, quando foi registada a primeira Associação de Pedreiros Livres.
Com o seu registo, os membros da associação passaram a ter um conjunto de direitos importantes àquela época, como e.g. a liberdade de reunião, que naquele tempo era proibida, devido ao receio da proliferação de conspirações e tramas contra os poderes instituídos, como o da Igreja católica, e também a liberdade para viajar, algo que também estava fortemente condicionado.

Com liberdade de reunião e de circulação, a partilha do saber intensificava-se e, consequentemente, a iliteracia e a insciência diminuíam.

A história começava a mudar!

E a mudança sempre foi algo que a Igreja católica, dogmática e conservadora, não aceitava, exercendo um