Neste meu segundo traçado em Loja, e na qualidade de Comp.'. maçon, pretendo dar continuidade ao trabalho iniciado anteriormente, no qual reflecti sobre o processo iniciático como fenómeno, a propósito da dimensão pessoal do vivido na minha própria iniciação na nossa Respeitável Loja. Momento nascente e fundador de um processo de identificação progressivo que, espero, venha a consolidar-se numa identidade maçónica sólida e consequente.
A experiencia iniciática é marcada por uma dimensão radicalmente indizível e intransmissível, aspecto que a coloca numa categoria numinosa, ou seja, da ordem do sagrado. Refere Mircea Eliade que, a iniciação equivale a uma “modificação ontológica do regime existencial”; e neste sentido, podemos assimilá-la a uma espécie de acto obstétrico, um (re)nascimento que, através da Loja, inscreve o iniciado numa nova dimensão espaço-tempo, integrando-o num colectivo em perpétua renovação - o “irmão invisível”, como diz Pierre Simon, que viverá até ao fim dos tempos, prefigurando assim a imortalidade simbólica do iniciado.
“O papel do juramento no ritual de iniciação”, poderia ser o titulo do presente traçado, dado que pretende esboçar, ainda que brevemente, o termo juramento, como elemento crucial do processo de iniciação. O juramento, tal como muitos outros comportamentos humanos, é um acto complexo. Não é apenas um pensamento, mas uma ideação com força motriz, carregada de intencionalidade. Em Maçonaria, e segundo Oliveira Marques, o juramento é definido como um “compromisso formal” tomado por um profano no momento da sua iniciação, ou por um maçon ao tomar posse de um cargo para que foi eleito ou ao ser elevado, com ritual, a um grau superior.Este compromisso é realizado perante o “livro da lei”, em nome da honra própria e de livre e espontânea vontade; é um acto solene, exige sinceridade e incide sobre os seguintes aspectos: 1) não revelação dos segredos da Maçonaria, 2) não dizer ou divulgar o que puder ver, ouvir ou descobrir dentro ou fora das assembleias maçónicas, 3) trabalhar com zelo e regularidade na obra da Maçonaria, 4) amar, ajudar e socorrer os irmãos nas suas necessidades e 5) observar a Constituição e Regulamento Geral, as leis do Rito, o Regulamento da Respeitável Loja e do G.'. O.'. L.'...





















