novembro 20, 2013

Maçonaria e Igreja Catolica - um relação conturbada




Confesso que o tema me seduz e porque me impele a fazer algo que sempre me atraiu, isto é, pesquisar, analisar, perscrutar, mas a tentação por abordar hoje este tema deriva da sua atualidade, não obstante a longa história atribulada das relações Igreja com a Maçonaria, que dura há, pelo menos, três séculos.

Às dissonâncias a Igreja respondeu, invariavelmente, com várias condenações, com penas de excomunhão para os católicos que aderiram à Maçonaria e com intervenções públicas de altos dignitários da Igreja reprovando, de forma expressa e clara a Maçonaria.


Podemos situar o início das hostilidades em 1356, em Londres, quando foi registada a primeira Associação de Pedreiros Livres.
Com o seu registo, os membros da associação passaram a ter um conjunto de direitos importantes àquela época, como e.g. a liberdade de reunião, que naquele tempo era proibida, devido ao receio da proliferação de conspirações e tramas contra os poderes instituídos, como o da Igreja católica, e também a liberdade para viajar, algo que também estava fortemente condicionado.

Com liberdade de reunião e de circulação, a partilha do saber intensificava-se e, consequentemente, a iliteracia e a insciência diminuíam.

A história começava a mudar!

E a mudança sempre foi algo que a Igreja católica, dogmática e conservadora, não aceitava, exercendo um

outubro 18, 2013

Ritual e Fogos de São João de Verão


I Parte - Solstício
A palavra solstício vem do latim sol (Sol), e sistere (que não se move).
O solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o máximo afastamento angular do Equador. Acontece duas vezes por ano. No Verão, em Junho, e no Inverno, em Dezembro no caso do hemisfério norte. No hemisfério sul, o fenómeno é oposto. No solstício de Verão, a duração do dia é a mais longa do ano e no de Inverno acontece a noite mais longa do ano.

Outro fenómeno astronómico é o equinócio. É o momento em que o Sol, no seu movimento aparente, cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projectada na esfera celeste). Ocorre também duas vezes por ano, e é o momento em que o dia e a noite têm a mesma duração.

Os solstícios e os equinócios marcam o início das estações do ano: O Inverno, Primavera, Verão e Outono.
Desde os tempos mais remotos que os solstícios são ocasiões marcantes para as mais diversas culturas. A importância do Sol era reconhecida como fonte de luz, calor e vida, sendo o Ser Supremo. Os antigos povos eram verdadeiros adoradores do Sol e prestavam-lhe diversos cultos. Nos mitos persas e hindus temos o culto de Mitra e Agni, nos egípcios o culto de Rá (principal deus da religião egípcia).

Os povos da antiguidade (egípcios, persas, sírios, sumérios, celtas) tinham uma forte ligação com os ciclos da natureza, e comemoravam estas datas com rituais para celebrar, louvar e invocar as dádivas de cada época.
O solstício de inverno (21 de Dezembro) é a noite mais longa do

setembro 28, 2013

S. João Batista, a Festa do Fogo e o simbolismo da Água

S. João  foi desde sempre um símbolo da Maçonaria e encontramo-lo presente em muitas ocasiões e situações.

Assim, a nossa Loja  é uma Loja de S. João e como todos os maçons temos por patronos  os dois santos João. Toda a Maçonaria especulativa, em todo o mundo,  celebra as duas festas solstíciais dos São Joãos : a de Verão, que é agora: o São João Baptista, e a de  Inverno, em Dezembro, o São  João Evangelista.

A celebração desta festa  julga-se ser um  legado dos antigos Collegia  Fabrorum,  grémios  de construtores da antiga Roma, mais tarde transmitida às  corporações de construtores medievais, os maçons operativos, mantendo a natureza iniciática dos construtores romanos. Os  Collegia Fabrorum celebravam a festa do deus  Janus nos dois solistícios, era o deus que fechava e abria as  portas solstíciais no ciclo anual.

Esta história faz-nos penetrar  plenamente no  território mitológico, que, juntamente com os sistemas simbólicos e sociais são os três sistemas próprios da  vida humana.  Estes três sistemas estão sempre juntos e manifestam-se  em qualquer actividade humana, mas sobretudo colocam-se em relevo em todos os actos rituais. Os Rituais maçónicos são uma evidência da interação dos três sistemas mencionados.
 Em toda a Europa  e desde  tempos imemoriais  os agricultores têm o costume de acender  fogueiras em determinadas épocas do ano e dançar junto a elas  ou saltar  por cima. A época do ano em que estas  festas do fogo têm sido mais geralmente celebradas é no solstício de Verão. Segundo Frazer, existem  duas hipóteses para a interpretação destes rituais ígneos. A primeira é a

julho 24, 2013

O que vimos fazer à Loja?

A pergunta relativamente à qual  gostaria  que reflectíssemos conjuntamente é a  seguinte:

" O que vimos fazer à Loja?"

Nenhum de nós, depois de anos de prática, escapou a esta pergunta.
Quem não se interrogou, uma vez ou outra, que   mosca lhe teria mordido para que se  encontrar vestido de trajes  coloridos,   num cenário de papelão?

Convido-o  desde já  a um debate sobre este assunto  não para me  fazer, contudo ,  perguntas,  mas para exprimir  cada qual  o vosso sentimento  pessoal  face a  esta  pergunta.
O sistema de perguntas e respostas rituais que bem conhecemos é o resultado duma dialética e esta  dialética é uma chave.

Este sistema é utilizado desde tempos imemoriais, por qualquer  Sociedade dita  iniciática.
Frederick Tristan, que  conheci  bem,  e que era ex-orador da Loja de Pesquisa Villard de Honnecourt e antigo redactor em chefe   da revista homónima,  escreveu um livro sobre a sociedade de Houng  na China, onde   nos mostra que este sistema já estava em uso na época de Lao-Tzu.  Nós  não inventámos nada.

Naturalmente  certos rituais deram ,  portanto ,  uma resposta a  esta questão.

julho 02, 2013

O Livre-pensamento como razão de ser da Maçonaria


O livre-pensador é alguém que "forma as  suas opiniões com base na razão, independentemente da religião, tradição, autoridade e ideias estabelecidas,  para ser dono das  suas próprias decisões" (Wikipedia) ou, ainda, quem  se acolhe ao Livre-pensamento) que é a "Doutrina que reclama para a razão individual independência absoluta de todo o critério sobrenatural" (RAE). Isto significa que,  acima de qualquer outra consideração, trata-se dum indivíduo que rejeita qualquer opinião  que não seja baseada na razão.

Óbviamente que não estamos  perante  uma questão  relevante apenas para os maçons, embora seja óbvio que, se algo é um maçom ou maçona,  é livre- pensador - não alguém que pensa com liberdade -  embora esta condição seja aplicada, também, para aqueles que seguem a escola racionalista ou a do humanismo ou secular.

Sendo certo que o humanismo é algo que entronca  muito directamente com o pensamento filosófico de nossa Ordem, o Direito Humano, mas sem que tal seja  exclusivo, já que pode ser encontrado no GOdF, talvez porque o DH é , em grande medida, herdeiro do pensamento filosófico desta  Obediência liberal francesa, embora levado a um ponto superior, ao ter considerado todos os seres iguais,  muito antes do que aquela o fez.

junho 26, 2013

O Experto e a Loja - Origens, Funções e Simbolismo



I – Origens
É geralmente aceite pelos  historiadores, que terão sido os «Estatutos de Shaw» ( resultado da reunião realizada em Edimburgh, em 28.Dez. de 1598, convocada e dirigida por William Shaw, mestre de obras do reino da Escócia para todas as construções oficiais, durante o reinado de James VI  - I de Inglaterra), o primeiro documento conhecido onde são lançadas as bases da organização do sistema de Lojas da Maç:. operativa, de que deriva a estrutura das Loj:.  especulativas .

A historiografia maçónica actual permite concluir que as primeiras Loj:. especulativas funcionavam ainda com razoável número de  regras e  costumes provenientes da maçonaria operativa. Eram dirigidas únicamente por um Maç:. a que se dava o titulo de Mestre, assistido inicialmente por  um Vigilante e posteriormente por dois.  O «Edimburgh Register, circa 1630/1650” ( um dos documentos conhecidos mais antigos que referem a organização das Loj:.), menciona a existência de um Mestre, dois Vigilantes e dois “stewards”.     
             
Nos documentos relativos aos “Antigos”  é descrita a existência de dois diáconos, designados respectivamente por  guias de intendência e de  circulação, desempenhando estas funções.  O R.E.A.A. suprimiu os diáconos,  substituindo o guia de intendência pelo Experto (EXP) e o guia de circulação pelo Mestre de Cerimónias (MC).   No rito de Emulação não existe o EXP,  sendo as suas funções repartidas entre os diáconos e o Director de Cerimónias.

O número de Oficiais das Loj:. Maç:. varia conforme os ritos praticados, existindo contudo um trio dirigente comum a todas, o VM:., o 1º VIG:. e o 2º VIG:..  Em França, o cargo de ORA surgiu entre 1725/30 para libertar o VM:. das funções de análise e resumo dos Trabalhos, conformidade com as  Declaração de Princípios, Estatutos e Regulamentos da Ord:. e conclusão das sessões. Nessa época, as lojas inglesas eram compostas únicamente por cinco oficiais:

junho 12, 2013

A Tolerância Maçónica – Algumas Notas


I - Introdução

Ao consultar o   Dicionário a primeira definição de TOLERÂNCIA é a seguinte:
<1. (Substantivo…).Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos>, (f.c.).

A
palavra Tolerância deriva do latim tolerare, que significa tolerar, suportar, mas também suster, manter.  Segundo Mainguy (10) esta palavra só tomou o sentido positivo que actualmente lhe damos a partir do século XVI, aparecendo como noção filosófica evolutiva e começando verdadeiramente a definir-se nos decénios que precedem a eclosão da MM:. sob a forma especulativa moderna.

A Tolerância é um dos princípios  mais nobres que nos impõe a Maç:. ao proclamar (Constituição do G:.O:.L:. ) que    «A Maçonaria....obedece aos princípios da Fraternidade e da Tolerância, constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e Crenças”
 


A. H. de Oliveira Marques (8) evidencia também que «...É através dela que podem ser iniciados e permanecer dentro das Loj:. IIrr:. de todas as tendências políticas e religiosas, convertendo aquelas no «centro de união» proclamado por Anderson.  Nas várias Constituições Maçónicas Portuguesas, a Tolerância surge como princípio e divisa fundamentais da Ordem» (f.c.).

maio 30, 2013

Do Mestre de Cerimónias


Introdução

Desde tempos imemoriais, as cerimónias sempre fizeram parte do quotidiano do homem e com elas a figura indissociável do Mestre de Cerimónias.

Dele temos vestígios na Grécia antiga, três mil anos a.C., em que anunciava as diversas fases das reuniões nos anfiteatros.

Na China, mil anos a.C., o Mestre de Cerimónias efetuava a narração dos torneios de arco e flecha. Força e ritmo da voz para realçar as equipas mais importantes era fator primacial para o desempenho de tão ilustre cargo, sempre suportado num conceito de poder e nobreza.

Na Roma antiga, o Mestre de Cerimónias era o chefe dos trombeteiros, que montado no seu cavalo, após o toque das trombetas, anunciava a passagem do Imperador ou as medidas reais como o aumento de taxas, maior submissão, proibições e sanções.

Na nossa era, o Mestre de Cerimónias aparece na figura do arauto. Vestido de acordo com os costumes da época, anunciava a entrada dos convidados em festas da nobreza batendo três vezes um bastão sobre um batente, produzindo um som alto e seco.

maio 10, 2013

A Solidariedade, o Silêncio e o Segredo - O Anti-Maçonismo e o Papel dos Maçons na Afirmação da Ordem Maçónica


Quando me propus desenvolver algumas ideias para vos transmitir em sessão, imaginei abordar o tema da Solidariedade Maç:. e o que ela deve representar para todos nós, quer nos atos tangíveis, quer naqueles, que imateriais, não são menos relevantes, ou menos consequentes.

Pretendia e ainda pretendo, também, provocar e generalizar um debate criativo e construtivo, que tem de caracterizar a insatisfação intelectual e especulativa dos MMaç:., em particular acerca dos grandes Valores que nos devem acompanhar e guiar em permanência.

A este propósito inicial e impelido pela reação à leitura do livro de António José Vilela, sobre os Segredos da Maçonaria, que me suscitou reações e sentimentos vários, tais como perplexidade, repulsa, incompreensão, ou a dura tomada de consciência da fragilidade da N:.A:.O:., decidi estender o âmbito desta minha divagação aos Valores do Silêncio e do Segredo, Valores estes que devem caracterizar a praxis dos MMaç:..

Decidi, ainda, abordar de forma geral o papel que podemos e devemos ter na defesa da nossa Obediência e de nós próprios, enquanto iniciados e Homens de Bons Costumes.

Esta é, pois, uma apresentação que vos faço na defesa da Solidariedade Maç:. que nos deve caracterizar, em particular nestes dias de frequente agressão anti-Humanista e fundamentalista, de fundamentalismos e oportunismos vários.

abril 26, 2013

Uma dúzia de coisas que deves saber sobre a Maçonaria


Não é possível, nos dias de  hoje,  falar da Maçonaria no singular, se bem que  seja verdade que há um tronco  histórico  comum  aos diferentes ramos da Maçonaria, existem  muitas diferenças entre eles  para podermos ignorá-las.  É por isso que as considerações seguintes   não podem   generalizar-se  a todas as associações maçónicas,  a não ser às que estão vinculadas ao Acordo de Estrasburgo de 1962.

1. Maçonaria como associação moderna, surge em 1717 na cidade de Londres, em breve celebrará 300 anos,  como uma renovação e reelaboração duma tradição  associativa e de grémio, anterior:
A Maçonaria reflexiva ou especulativa foi criada a partir da agregação de quatro lojas que se reuniam noutras tantas tabernas  da cidade de Londres (“O Ganso e o Espeto” ,  “A Macieira”, “A Coroa”  e  “A Caneca e o Vinho”).  A Maçonaria moderna tomou  emprestada  da maçonaria operativa a  metáfora da construção: o ser humano como construtor de si mesmo e do mundo.

Os pedreiros e construtores medievais descobriram  uma realidade psicológica plena  de  consequências:  a de que, quando actuamos  sobre a realidade,  a nossa acção não é dirigida  sómente para fora de nós próprios, mas   de algum modo se  reflecte sobre a nossa própria personalidade, 

abril 10, 2013

Simbolismo Maçónico

PREFÁCIO

Estas notas sobre o SIMBOLISMO MAÇÓNICO, destinam-se a instrução maçónica dos  Ob:. da Resp:. L:.Ocidente, e constituem fundamentalmente uma recolha de ideias, opiniões e de saberes de autores consagrados, que tentámos encadear numa perspectiva de desenvolvimento lógico do tema, de acordo com a experiência e sensibilidade do autor.
Havendo uma vasta biblioteca sobre esta parte da ciência maçónica ficou, forçosamente, ao seu livre arbítrio, a escolha das obras que pareceram mais adequadas ao fim em vista.
Se os AAp:. da minha L:. virem neste trabalho alguma utilidade, considerar-nos-emos remunerados pelo esforço desenvolvido com tanto gosto.
Este trabalho tem reconhecidamente defeitos. Ele pode de facto ser construído melhor. Todavia o prazo por mim próprio imposto não me permitiu fazer as correcções que se aconselhavam, mas deixo isso aos AApr :. da minha L:., para além de um desafio é uma proposta de trabalho muito útil nesta fase das suas vidas maçónicas.

Flemming M:.M:.

INTRODUÇÃO

Joaquim Gervásio de Figueiredo, no seu Dicionário de Maçonaria, deixou expresso que a Maçonaria é algo mais importante do que uma simples continuação tradicional das associações operativas medievais e muito menos um agrupamento utilitarista de “clubes para entretenimentos sociais, políticos e comerciais” como alguns a têm entendido.
Pelo contrário sentimos na verdadeira Maçonaria uma testemunha muito antiga de organizações culturais, morais, filosóficas e espirituais, cujas raízes remontam a civilizações antiquíssimas de um passado tão longínquo que hoje se nos afiguram como brumas caóticas .

março 30, 2013

Do Profano ao reconhecimento de Aprendiz


Alguns conceitos prévios à apresentação da prancha

1 – Iniciação – Representa o início. O limiar entre o sagrado e o profano, a descoberta da verdadeira luz.

2 – Exaltação e Elevação – São passagens de um gau para outro, designadas de aumento de salário.


Iniciação tem a sua origem no latim – initium, initio, initiare que significa princípio, começar, instruir.
Existem vestígios de iniciações desde a pré-história através de pinturas e de objectos descobertos no fundo de cavernas, também, marcas em poços de argila etc….

Registamos hoje através de investigação e observação antropológica, festas de maturidade em povos primitivos designadas de ritos de passagem da idade infantil à idade adulta e as muito contestadas e abomináveis cerimónias de meninas através de mutilação sexual.
Com a evolução as religiões desenvolveram inúmeros ritos e crenças ocultas gerando as iniciações aos mistérios menores e maiores que formaram o conhecimento exotérico destinado ao povo e o esotérico, aos iniciados.

Nos grandes mistérios, os ensinamentos eram proferidos pelos hierofantes que significa “ o que explica as coisas sagradas “.
Eram adeptos superiores, mestres iniciadores, os únicos que podiam explicar os fenómenos da natureza e os segredos esotéricos.