maio 30, 2013

Do Mestre de Cerimónias


Introdução

Desde tempos imemoriais, as cerimónias sempre fizeram parte do quotidiano do homem e com elas a figura indissociável do Mestre de Cerimónias.

Dele temos vestígios na Grécia antiga, três mil anos a.C., em que anunciava as diversas fases das reuniões nos anfiteatros.

Na China, mil anos a.C., o Mestre de Cerimónias efetuava a narração dos torneios de arco e flecha. Força e ritmo da voz para realçar as equipas mais importantes era fator primacial para o desempenho de tão ilustre cargo, sempre suportado num conceito de poder e nobreza.

Na Roma antiga, o Mestre de Cerimónias era o chefe dos trombeteiros, que montado no seu cavalo, após o toque das trombetas, anunciava a passagem do Imperador ou as medidas reais como o aumento de taxas, maior submissão, proibições e sanções.

Na nossa era, o Mestre de Cerimónias aparece na figura do arauto. Vestido de acordo com os costumes da época, anunciava a entrada dos convidados em festas da nobreza batendo três vezes um bastão sobre um batente, produzindo um som alto e seco.

maio 10, 2013

A Solidariedade, o Silêncio e o Segredo - O Anti-Maçonismo e o Papel dos Maçons na Afirmação da Ordem Maçónica


Quando me propus desenvolver algumas ideias para vos transmitir em sessão, imaginei abordar o tema da Solidariedade Maç:. e o que ela deve representar para todos nós, quer nos atos tangíveis, quer naqueles, que imateriais, não são menos relevantes, ou menos consequentes.

Pretendia e ainda pretendo, também, provocar e generalizar um debate criativo e construtivo, que tem de caracterizar a insatisfação intelectual e especulativa dos MMaç:., em particular acerca dos grandes Valores que nos devem acompanhar e guiar em permanência.

A este propósito inicial e impelido pela reação à leitura do livro de António José Vilela, sobre os Segredos da Maçonaria, que me suscitou reações e sentimentos vários, tais como perplexidade, repulsa, incompreensão, ou a dura tomada de consciência da fragilidade da N:.A:.O:., decidi estender o âmbito desta minha divagação aos Valores do Silêncio e do Segredo, Valores estes que devem caracterizar a praxis dos MMaç:..

Decidi, ainda, abordar de forma geral o papel que podemos e devemos ter na defesa da nossa Obediência e de nós próprios, enquanto iniciados e Homens de Bons Costumes.

Esta é, pois, uma apresentação que vos faço na defesa da Solidariedade Maç:. que nos deve caracterizar, em particular nestes dias de frequente agressão anti-Humanista e fundamentalista, de fundamentalismos e oportunismos vários.

abril 26, 2013

Uma dúzia de coisas que deves saber sobre a Maçonaria


Não é possível, nos dias de  hoje,  falar da Maçonaria no singular, se bem que  seja verdade que há um tronco  histórico  comum  aos diferentes ramos da Maçonaria, existem  muitas diferenças entre eles  para podermos ignorá-las.  É por isso que as considerações seguintes   não podem   generalizar-se  a todas as associações maçónicas,  a não ser às que estão vinculadas ao Acordo de Estrasburgo de 1962.

1. Maçonaria como associação moderna, surge em 1717 na cidade de Londres, em breve celebrará 300 anos,  como uma renovação e reelaboração duma tradição  associativa e de grémio, anterior:
A Maçonaria reflexiva ou especulativa foi criada a partir da agregação de quatro lojas que se reuniam noutras tantas tabernas  da cidade de Londres (“O Ganso e o Espeto” ,  “A Macieira”, “A Coroa”  e  “A Caneca e o Vinho”).  A Maçonaria moderna tomou  emprestada  da maçonaria operativa a  metáfora da construção: o ser humano como construtor de si mesmo e do mundo.

Os pedreiros e construtores medievais descobriram  uma realidade psicológica plena  de  consequências:  a de que, quando actuamos  sobre a realidade,  a nossa acção não é dirigida  sómente para fora de nós próprios, mas   de algum modo se  reflecte sobre a nossa própria personalidade, 

abril 10, 2013

Simbolismo Maçónico

PREFÁCIO

Estas notas sobre o SIMBOLISMO MAÇÓNICO, destinam-se a instrução maçónica dos  Ob:. da Resp:. L:.Ocidente, e constituem fundamentalmente uma recolha de ideias, opiniões e de saberes de autores consagrados, que tentámos encadear numa perspectiva de desenvolvimento lógico do tema, de acordo com a experiência e sensibilidade do autor.
Havendo uma vasta biblioteca sobre esta parte da ciência maçónica ficou, forçosamente, ao seu livre arbítrio, a escolha das obras que pareceram mais adequadas ao fim em vista.
Se os AAp:. da minha L:. virem neste trabalho alguma utilidade, considerar-nos-emos remunerados pelo esforço desenvolvido com tanto gosto.
Este trabalho tem reconhecidamente defeitos. Ele pode de facto ser construído melhor. Todavia o prazo por mim próprio imposto não me permitiu fazer as correcções que se aconselhavam, mas deixo isso aos AApr :. da minha L:., para além de um desafio é uma proposta de trabalho muito útil nesta fase das suas vidas maçónicas.

Flemming M:.M:.

INTRODUÇÃO

Joaquim Gervásio de Figueiredo, no seu Dicionário de Maçonaria, deixou expresso que a Maçonaria é algo mais importante do que uma simples continuação tradicional das associações operativas medievais e muito menos um agrupamento utilitarista de “clubes para entretenimentos sociais, políticos e comerciais” como alguns a têm entendido.
Pelo contrário sentimos na verdadeira Maçonaria uma testemunha muito antiga de organizações culturais, morais, filosóficas e espirituais, cujas raízes remontam a civilizações antiquíssimas de um passado tão longínquo que hoje se nos afiguram como brumas caóticas .

março 30, 2013

Do Profano ao reconhecimento de Aprendiz


Alguns conceitos prévios à apresentação da prancha

1 – Iniciação – Representa o início. O limiar entre o sagrado e o profano, a descoberta da verdadeira luz.

2 – Exaltação e Elevação – São passagens de um gau para outro, designadas de aumento de salário.


Iniciação tem a sua origem no latim – initium, initio, initiare que significa princípio, começar, instruir.
Existem vestígios de iniciações desde a pré-história através de pinturas e de objectos descobertos no fundo de cavernas, também, marcas em poços de argila etc….

Registamos hoje através de investigação e observação antropológica, festas de maturidade em povos primitivos designadas de ritos de passagem da idade infantil à idade adulta e as muito contestadas e abomináveis cerimónias de meninas através de mutilação sexual.
Com a evolução as religiões desenvolveram inúmeros ritos e crenças ocultas gerando as iniciações aos mistérios menores e maiores que formaram o conhecimento exotérico destinado ao povo e o esotérico, aos iniciados.

Nos grandes mistérios, os ensinamentos eram proferidos pelos hierofantes que significa “ o que explica as coisas sagradas “.
Eram adeptos superiores, mestres iniciadores, os únicos que podiam explicar os fenómenos da natureza e os segredos esotéricos.

março 12, 2013

A Ética maçónica - O Maçom entre a dúvida e a certeza

O título e subtítulo resumem perfeitamente o caminho iniciático dum Maçom. Este caminho começa na dúvida, depois transforma-se passo a passo em certezas, que por sua vez  se transformam na ética.

Vamos começar pela dúvida.

Quando um profano bate à porta do Templo, isso acontece às vezes, e talvez com mais frequência do que pensamos, como se indica.

Antes de colocar a sua candidatura à iniciação, o profano quer saber um pouco mais sobre a Maçonaria. Começa por ler alguns livros e depois tenta ter algumas conversas com um maçom, que acaba muitas vezes por se tornar o seu padrinho. A primeira ideia que ele tem da Maçonaria é francamente optimista, porque está convencido que tem a ver com pessoas irrepreensíveis,  formando um grupo no qual certos problemas que encontramos regularmente no mundo profano,  não existem .

Após a iniciação, não leva muito tempo a descobrir que na Maçonaria não é tudo certo e perfeito. Os Maçons são e permanecem seres humanos com os seus defeitos e qualidades.

É indiscutível que o Maçom também pode conhecer a dúvida. É certo que na Maçonaria há muitos momentos de felicidade, muitas algrias, mas também há, gostemos ou não, momentos de decepção. Então a dúvida instala-se.

Fiz a escolha certa?

A questão a partir deste ângulo leva-nos imediatamente e antes de tudo para o "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates. Impele a meditar, a fazer uma introspecção para tentar aceder a

fevereiro 04, 2013

Quais os valores actuais da Maçonaria?

 Na reunião do CLIPSAS realizada em Nova York em Maio.2010 foi apresentada esta prancha pelo Grão-Mestre da Grande Loja Simbólica Espanhola (GLSE) Jordi Farrerons, que pelo seu inegável interesse traduzimos e publicamos. 

A Maçonaria na Sociedade do Espectáculo

 Em 1967, quando a Internet ainda não era perspectivada, nem as comunicações globais, nem  a telefonia móvel, nem o capitalismo desenfreado que marca a nossa agenda diária, o pensador francês Guy Debord previu que o próximo passo da sociedade capitalista tornar-se-ia a Sociedade do Espectáculo: "tudo o que antes se vivia", disse ele, "converteu-se em mera representação." De acordo com Debord e grande parte da crítica situacionista a premissa característica desta sociedade é a de já não viver ou experimentar os eventos, para passar testemunhá-los através de espelhos e lentes sobrepostas, os meios de Comunicação.

Assim, os actores convertem-se em espectadores; o activo converte-e em passivo e milhares de milhões de pessoas caem debaixo do controlo de grandes corporações,  como os principais personagens de um Admirável Mundo Novo, dependentes da droga da festa-espectáculo contínuos.


A "soma" de nossos tempos é a televisão, deus indiscutível de cada casa. O espaço, anteriormente dedicado à lareira, onde a família se reunia para contar histórias ao redor do fogo, está agora reservado aos raios catódicos. Além disso, a Internet, que deveria ser a grande esperança democratizadora da comunicação de massa, corre o risco de tornar-se uma nova imposição sobre a realidade: as coisas e as pessoas não o são oficialmente até que o referendem  publicamente nas redes sociais .

janeiro 24, 2013

Egrégora


Sugeriu-me o Ven:.M:. que pudesse dissertar sobre o significado de Egrégora porque, segundo ele, faria todo o sentido falarmos um pouco sobre o espírito e objectivos a atingir nas nossas Reuniões.
Pesquisando o tema, tentando perceber a mensagem que o Ven:.M:. pretendeu passar, pude chegar a algumas conclusões que convosco partilho e gostaria de colocar à discussão.

Primeiro a palavra. Provém do Grego Egrêgorein e significa Velar, Vigiar. Ao longo dos tempos ela foi utilizada para definir uma entidade resultante da soma da energia psíquica e emocional dos membros de uma qualquer assembleia reunidos por uma qualquer razão.

Naturalmente que esta ampla designação pode aplicar-se a todas as Reuniões de duas ou mais pessoas que se juntem para debater, analisar, contraditar, comungar qualquer conjunto de emoções veiculadas pela palavra, pelo silêncio, ou quaisquer outras formas de expressão.

Na Génese, no Livro dos Reis, Jafé criou o Céu e a Terra, e perante as trevas e o   abismo, pairando sobre a águas, o G:.A:.D:.U:. disse – “Fiat Lux”  e fez-se luz.

Poderemos considerar ser esta a Egrégora primordial?

Sendo Egrégora a energia da soma das vontades de duas ou mais pessoas só será possível entendê-la como uma Egrégora porque o G:.A:.D:.U:. é:

UNO pois não há quem o preceda

DUAL porque concentra o Alfa e o Ómega

TRIPLICE pois congrega a dogmática Santíssima Trindade, Pai, o Filho e o Espirito Santo, numa apropriação por parte dos Cristãos Romanos do conceito de Espirito que era a força de Yahweh, no Antigo Testamento, força essa que impelia os enviados a cumprirem a missão recebida. A partir do Novo Testamento passou a ser a força do Cristão.
Mas pode também ser TRÍPLICE para todas as religiões, se entendermos que é composta pela Verdade, pela Justiça e pela Paz.

janeiro 16, 2013

A Maçonaria face às Ditaduras


Introdução
Do ponto de vista histórico, a Maçonaria é um fenómeno sócio-político que desempenhou um papel mais ou menos grande na nossa história ocidental, directa ou indiretamente, mas sempre de forma constante ao longo dos últimos três séculos.
No entanto, poucos assuntos, mesmo ainda hoje, têm causado tanta polémica e têm sido tão controversos.  A Maçonaria pertence a um capítulo da história, que até ainda recentemente, se tornou polo de atracção  de dois campos opostos, o dos apologistas e o dos detractores. E isso numa área que poderíamos chamar de especialistas; pelo contrário,  para um nível mais popular, a Maçonaria continua a ser muito pouco conhecida, embora se fale muito sobre ela.

O complot jacobino, ou se preferir, revolucionário no final do século XVIII, na sua luta contra o trono e o altar será rapidamente substituído pelo complot satânico (habilmente inventado e explorado por um personagem tão pitoresco como Leo Taxil) especialmente dirigido  contra o poder da Igreja.  Derivará em pleno século XX, para a conspiração judaico-maçónica à qual se irão acrescentar novos termos "pejorativos" como a palavra marxista ou comunista, traço característico de certas ditaduras, como a do general Franco, durante a qual o seu famoso slogan do complot "judaico-maçónico-comunista" causa de todos os males passados , presentes  e futuros  da Espanha,  se transformou numa verdadeira obsessão.

dezembro 20, 2012

Assiduidade, Pontualidade e Postura – determinantes do comportamento Maçónico

I - Introdução
Ser Maçom implica obrigações que devem ser cumpridas com rigor. Entre estas, destaca-se a assiduidade aos trabalhos da Loja. O iniciado, ao declarar que aceita o conjunto de obrigações que lhe são indicadas , concorda  implicitamente em frequentar o maior número possível de Sessões da respectiva Loja.

Consultando o dicionário, a definição de Assiduidade indica:  «a qualidade ou carácter de assíduo; e assíduo é o que comparece com regularidade e exactidão ao lugar onde tem de desempenhar seus deveres ou função»(5).

A Constituição do N:.A:.O:. refere explicitamente no Título II, Cap. II, Art. 22,  alíneas  a) e e) que: «Os Maçons têm o dever de» - «honrar integralmente e  sem mácula o compromisso prestado na iniciação»; e «frequentar com assiduidade os trabalhos maçónicos».

Por sua vez no Regulamento Geral,  Cap. II, Sec.5, Art.38, ponto 1), salienta-se,  «os Maçons não devem permanecer afastados dos seus trabalhos, salvo quando não exista Oficina regular no Oriente do seu domicílio, ou seja de todo impossível deslocar-se aos trabalhos de uma Oficina em Oriente próximo». Ambos são portanto unânimes em chamar a atenção dos Obreiros, de todos os Graus, para a observância da assiduidade, classificando  este exercício como um dever  indispensável  de todos os maçons dignos desse nome.

dezembro 08, 2012

O Silêncio


Hesitei muito quanto à estrutura da prancha que vos queria apresentar. Desejando que contivesse:

•    A força suficiente para deixar algum efeito naqueles que me estão a dar a honra de me ouvir;
•    Um sinal de que alguma sabedoria resultou dos ensinamentos que entretanto recebi;
•    E, se possível, parte da beleza que reconheci no conjunto de traçados que ouvi até hoje, sem a qual ela não poderá ser minimamente forte e sapiente.

(I) Por um lado, queria demonstrar o reconhecimento da importância dos ritos, o significado da simbologia:
Entendo que o rito incute o hábito cerimonial. O termo Rito aplica-se no sentido de regra, ordem, método, orientação, directriz, que orienta o aprendiz para o compromisso e comportamento que deve ter em Loja, “desligando” do mundo profano.

Como é referido num texto que todos conhecerão, em “introdução à maçonaria”:
“O rito maçónico é um conjunto de sinais apenas compreensíveis para os iniciados, conforme os graus. Constitui um instrumento de acesso à sabedoria, pois é um fio condutor da verdade inicial e dos valores eternos. Compreende um acervo de sinais, toques, palavras, símbolos e elementos decorativos de grande riqueza alegórica.”

novembro 20, 2012

Os Media e os Direitos dos Cidadãos

A minha disponibilidade e vontade para vos falar sobre este assunto dos Media e dos Direitos dos Cidadãos tem muito a ver com a experiência que vivi nos últimos tempos e pode ser interpretada como um grito de revolta, uma chamada de atenção para todos nós, ou um apelo ao combate cívico pelo respeito dos Direitos dos Cidadãos, luta intemporal tão cara a nós maçons.

Peço-vos que não interpretem este meu desabafo como uma atitude egoísta, ou até de vitimização, mas tão só uma reacção de quem tem muitas dúvidas para as quais quer encontrar respostas racionais e libertas de sentimentos primários, e que pensa ter despertado para um combate que importa levar a cabo:

•    A luta dos cidadãos contra o poder sem limites do Quarto Poder;
•    A luta dos cidadãos pelo direito à defesa da sua honorabilidade, privacidade e dignidade;
•    A luta dos cidadãos pelo direito a uma informação objectiva e não vinculada, implícita ou explicitamente, a interesses de vária natureza.


Como compreenderão os últimos meses e, em particular o meio do mês de Agosto, foram dias muito difíceis em termos pessoais, onde senti o cerco e a agressão de pessoas que desconheço, possivelmente motivadas pela representação de eventuais interesses não identificados e dotadas de meios de destruição de elevada potência e alcance.
Neste período senti na pele que os meios de comunicação social podem ter, tal como a generalidade das acções que o homem promove, fins meritórios, ou precisamente o inverso, e senti a impotência de quem não tem armas para combater a injustiça, a mentira e a fabricação de realidades virtuais.