Não são poucas as pessoas que consideram a organização maçónica como um fenómeno religioso, definindo o termo "fenómeno" segundo a filososofia de Emmanuel Kant, como o que é objecto da experiência sensorial. Ou seja, interpretam as práticas maçônicas como religiosas. É assim mesmo ou será uma ilusão influenciada pelo preconceito e ignorância?
Para encontrar uma resposta que consiga levantar o véu do preconceito e derramar luz na escuridão da ignorância, é necessário entender do que fala quando se afirma "é uma religião." A noção é tão vasta e tão heterogénea que é impraticável defini-la numa nota, para que seja entendida de forma totalmente satisfatória. No entanto, algumas idéias podem desencadear a chispade pesquisa do leitor, para continuar a ler outras a este respeito.
De todos os cantos do mundo e em todas as áreas, somos sujeitos a anos de bombardeamento com propaganda teológica, de tal modo que conheço pessoas que, de tão feridas que foram, não conseguem compreender plenamente a vida sem os ditames de uma religião particular. Para fornecer um bálsamo, seria uma boa acção definir o que é uma religião, para então comparar as características obtidas, com as práticas maçónicas e lograr responder à questão colocada no título deste trabalho.
setembro 06, 2012
agosto 30, 2012
Os crivos de Hiram
Meia Noite em ponto. Uma jornada mais terminou. Cansado, depois de um dia de trabalho Mestre Hiram recosta-se sobre a frescura do ébano para um merecido descanso. É nesta altura que, subindo em sua direcção, se aproximou o seu discípulo predilecto, que lhe relata:
- Mestre Hiram vou contar-te o que me disseram sobre o segundo Mestre construtor…
- Calma, meu discípulo e amigo. Antes que me contes algo que poderá não ter relevância, já fizeste passar a informação pelos Três Crivos da Sabedoria?
-Crivos da Sabedoria? Não os conheço! - disse o discípulo.
-É verdade, não os conheces porque ainda não te os havia ensinado. Parece-me que chegou o momento. Deves passar toda a informação em primeiro lugar pelo crivo da VERDADE e então eu pergunto-te: tens a certeza do que o que te contaram é de facto VERDADE?
- Bem, não tenho realmente a certeza, só sei o que me contaram.
Hiram, continua:
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agosto 24, 2012
Do Templarismo à Maçonaria
Logo de início percebi que a questão temporal e espacial que o tema me colocava era problemática - haveria que limitar no tempo e no espaço a investigação. O tema em si tornou-se, ainda assim, um desafio de forte mobilização pessoal, porque polémico, incerto, transversal em termos filosóficos, sociais e culturais mas igualmente grandioso nas suas implicações humanas e civilizacionais.
A opção foi concentrar-me no triângulo constituído pela Grã-Bretanha, França e Alemanha e procurar ligações com fundamento histórico no período que vai dos princípios do século XIV (época em que formalmente foi extinta a Ordem dos Templários) até aos primeiros anos do século XVIII (altura assumida por diversas evidências como o princípio da maçonaria especulativa e formalmente constituída).
Procurei, assim, descortinar entre cerca de três dezenas de trabalhos de investigação histórica e de reflexão filosófica a que tive acesso o que foram esses quatro séculos de transição em que predominaram a perseguição, a intolerância e o obscurantismo, quatro séculos em que se afirma oficialmente que o templarismo teria sido abolido e em que também se afirma que a maçonaria não passaria de uma vertente operativa, desenquadrada (ou seja, sem um enquadramento formal reconhecido) e com intervenção limitada e isolada das preocupações dominantes.
Meramente com o objectivo de nos situarmos no tempo, recordo que em Portugal durante estes quatro séculos viveu-se a 2ª dinastia, a 3ª e quase metade da 4ª, no limite vivemos os referenciais históricos que vão da ínclita geração, aos Descobrimentos, ao período Filipino e toda a época que se estendeu até ao Marquês de Pombal.
A opção foi concentrar-me no triângulo constituído pela Grã-Bretanha, França e Alemanha e procurar ligações com fundamento histórico no período que vai dos princípios do século XIV (época em que formalmente foi extinta a Ordem dos Templários) até aos primeiros anos do século XVIII (altura assumida por diversas evidências como o princípio da maçonaria especulativa e formalmente constituída).
Procurei, assim, descortinar entre cerca de três dezenas de trabalhos de investigação histórica e de reflexão filosófica a que tive acesso o que foram esses quatro séculos de transição em que predominaram a perseguição, a intolerância e o obscurantismo, quatro séculos em que se afirma oficialmente que o templarismo teria sido abolido e em que também se afirma que a maçonaria não passaria de uma vertente operativa, desenquadrada (ou seja, sem um enquadramento formal reconhecido) e com intervenção limitada e isolada das preocupações dominantes.Meramente com o objectivo de nos situarmos no tempo, recordo que em Portugal durante estes quatro séculos viveu-se a 2ª dinastia, a 3ª e quase metade da 4ª, no limite vivemos os referenciais históricos que vão da ínclita geração, aos Descobrimentos, ao período Filipino e toda a época que se estendeu até ao Marquês de Pombal.
agosto 14, 2012
Prof. Doutor A. H. de Oliveira Marques (biografia)
Historiador e professor catedrático, de nome completo António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques, nasceu em S. Pedro do Estoril, concelho de Cascais, a 23 de Agosto de 1933. Frequentou os liceus Camões e Gil Vicente, de Lisboa.
Em 1956 licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresentando uma dissertação intitulada A Sociedade em Portugal nos séculos XII a XIV.
Depois de ter estagiado na Universidade de Würzburg (Alemanha) iniciou funções docentes em 1957, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em História em 1960 (Junho), com a dissertação Hansa e Portugal na Idade Média.
Em 1962 participou na greve académica, ao lado dos estudantes, o que esteve na base do seu afastamento da Universidade portuguesa.
Em 1965, partiu para os Estados Unidos da América, leccionando como professor associado e catedrático nas universidades de Auburn, Flórida, Columbia, Minnesota e Chicago, e percorrendo grande parte daquele país como conferencista.
agosto 08, 2012
Homenagem a Salvador Allende
Pinochet, traidor da maçonaria, não passou do grau de Aprendiz, como informa o nosso Irmão chileno Rodrigo Reyes Sangermani. Foi irradiado da sua Loja por falta de frequência e de pagamento.
Homenaje al Q:.H:. Salvador Allende en el 30° aniversario de su sacrificio
A propósito de una plancha enviada a las listas (ELAT) hace ya tres años.
Leído en tenida de 1er grado el 11 de septiembre de 2003
La sola iniciación no actúa por arte de magia ni menos por fuerzas sobrenaturales. La calidad masónica se obtiene a través del compromiso permanente por la verdad: Entrar a la masonería es fácil, lo difícil es que ella entre en mí.
El próximo jueves se cumplen exactos 30 años desde que los militares terminaran con el gobierno constitucional del presidente Allende.
Acerca los alcances políticos, históricos o sociales todos tenemos una opinión formada y un juicio definitivo de los hechos que no es el momento de discutir.
agosto 06, 2012
Política de Ambiente e Saúde
O filme “Uma Verdade Inconveniente” com Al Gore foca de uma forma brilhante o problema do aquecimento global. Presumo que são muito poucos os que ainda não aceitam este fenómeno, por interesse ou por eventual, e ingénua, incredulidade.
As consequências não são nada agradáveis. A emergência de muitas doenças infecciosas mergulha, em parte, neste fenómeno, e o reavivar de velhas doenças, que tinham sido eliminadas em certas latitudes, caso da malária, correm o risco de reaparecerem. Veja-se a descrição de um caso recente na Córsega. Mas, mesmo nos povos onde ela grassa, equaciona-se a hipótese de voltar a utilizar o velho DDT para controlar os vectores. Sabendo dos efeitos deste pesticida, nada de bom se avizinha.
O equilíbrio planetário é cada vez mais delicado, fazendo-se à custa de uma imensa entropia negativa, quer no verdadeiro sentido da palavra, com todos os inconvenientes energéticos, quer em sentido figurado pelos receios resultantes das medidas a adoptar.
A par deste fenómeno, complexo, outros merecem a nossa atenção. O caso da poluição atmosférica é uma realidade inquestionável que não atinge apenas as vias respiratórias, mas acaba por contribuir para o aparecimento de problemas congénitos, tumorais e cardíacos.
As consequências não são nada agradáveis. A emergência de muitas doenças infecciosas mergulha, em parte, neste fenómeno, e o reavivar de velhas doenças, que tinham sido eliminadas em certas latitudes, caso da malária, correm o risco de reaparecerem. Veja-se a descrição de um caso recente na Córsega. Mas, mesmo nos povos onde ela grassa, equaciona-se a hipótese de voltar a utilizar o velho DDT para controlar os vectores. Sabendo dos efeitos deste pesticida, nada de bom se avizinha.
O equilíbrio planetário é cada vez mais delicado, fazendo-se à custa de uma imensa entropia negativa, quer no verdadeiro sentido da palavra, com todos os inconvenientes energéticos, quer em sentido figurado pelos receios resultantes das medidas a adoptar.
A par deste fenómeno, complexo, outros merecem a nossa atenção. O caso da poluição atmosférica é uma realidade inquestionável que não atinge apenas as vias respiratórias, mas acaba por contribuir para o aparecimento de problemas congénitos, tumorais e cardíacos.
julho 15, 2012
O Saber e o Conhecimento
Introdução
O Saber e o Conhecimento interessaram desde sempre os maçons, fundamentalmente porque interferem no campos científico, cultural e sociológico, desafiando a consciência, a filosofia e o sentimento religioso.
Além disso, estão incluídos dum modo implícito nos rituais maçónicos, uma vez que estruturam, como veremos mais tarde, a propósito da procura iniciática e moldam a linguagem simbólica.
Existem pelo menos duas boas razões intelectuais para estarmos interessados num tal estudo. Mas além do prazer de conduzir esta pesquisa, existe fundamentalmente mais a necessidade premente de compreender o sentido da vida, aventurando-nos em novos espaços, formadores e formatadores duma exigência de verdade. Essa necessidade de lucidez e autenticidade é a chave que permite fortificar a vontade de quem procura. Assim armado, o maçom será mais forte para empreender todas as pesquisas necessárias, que o levará a clarificar a aquisição do inato, o significado do significativo e o saber do conhecimento.
"Há o que há" ... . onde "é ..." de acordo com a tradução, estas são as primeiras palavras de uma estrofe do poema de Parménides, que aprova magistralmente a interrogação primordial do homem face ao seu destino e que ao mesmo tempo qualifica esta força de vontade, que poderá ser o motor da evolução . Compreender e investigar a origem desta vontade é viver a sua condição humana. Em cada indivíduo existe pois fundamentalmente uma necessidade de ser e é em virtude desta necessidade que as noções de saber e de conhecimento são o tema deste trabalho.
Definição
De acordo com o Larousse enciclopédico a definição do saber é "um conjunto coerente de conhecimentos adquiridos em contacto com a realidade ou pelo estudo" e sempre segundo o mesmo editor a definição de conhecimento é "o conjunto dos domínios onde se exerce a actividade de aprender”. Mas também "o facto de compreender, de conhecer as propriedades, as características, os traços específicos de qualquer coisa."
O Saber e o Conhecimento interessaram desde sempre os maçons, fundamentalmente porque interferem no campos científico, cultural e sociológico, desafiando a consciência, a filosofia e o sentimento religioso.
Além disso, estão incluídos dum modo implícito nos rituais maçónicos, uma vez que estruturam, como veremos mais tarde, a propósito da procura iniciática e moldam a linguagem simbólica.
Existem pelo menos duas boas razões intelectuais para estarmos interessados num tal estudo. Mas além do prazer de conduzir esta pesquisa, existe fundamentalmente mais a necessidade premente de compreender o sentido da vida, aventurando-nos em novos espaços, formadores e formatadores duma exigência de verdade. Essa necessidade de lucidez e autenticidade é a chave que permite fortificar a vontade de quem procura. Assim armado, o maçom será mais forte para empreender todas as pesquisas necessárias, que o levará a clarificar a aquisição do inato, o significado do significativo e o saber do conhecimento.
"Há o que há" ... . onde "é ..." de acordo com a tradução, estas são as primeiras palavras de uma estrofe do poema de Parménides, que aprova magistralmente a interrogação primordial do homem face ao seu destino e que ao mesmo tempo qualifica esta força de vontade, que poderá ser o motor da evolução . Compreender e investigar a origem desta vontade é viver a sua condição humana. Em cada indivíduo existe pois fundamentalmente uma necessidade de ser e é em virtude desta necessidade que as noções de saber e de conhecimento são o tema deste trabalho.
Definição
De acordo com o Larousse enciclopédico a definição do saber é "um conjunto coerente de conhecimentos adquiridos em contacto com a realidade ou pelo estudo" e sempre segundo o mesmo editor a definição de conhecimento é "o conjunto dos domínios onde se exerce a actividade de aprender”. Mas também "o facto de compreender, de conhecer as propriedades, as características, os traços específicos de qualquer coisa."
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julho 08, 2012
O Painel Simbólico do Grau de Companheiro
“Daí não sabemos o porquê de se colocar Três Painéis num Ritual do Rito Escocês, do Segundo Grau, se não se ensina nada sobre eles – com a agravante ainda maior, quase não se faz Sessões no Grau de Companheiro”.
Assis Carvalho (04/10/1934 – 03/11/2002)
I. Consideracoes Iniciais
A ausência de um Painel entapetado no centro do piso mosaico torna incompleta uma L.'. M.`.. A sua presença é indispensável durante a realização da Reunião. Não é para menos, porquanto o Painel representa um estandarte, ou insígnia, no qual os símbolos apropriados ao respectivo Grau estão gravados para serem estimados, compreendidos e respeitados. É, pois, ritual inevitável estendê-lo no início da sessão e enrolá-lo no final dos trabalhos.
Esta preocupação provém dos idos tempos da Mac.`.. A bem da verdade, quiça nesta época, a representatividade do Painel fosse ainda mais significativa, pois os primitivos maçons desenhavam os símbolos do Painel no chão, vivificando-os a cada início do encontro e ocultando-os, para sua preservação, ao final. Isto porque, nesta ocasião, inexistiam os Templos M.`., assim 1º Experto era obrigado a riscar no centro dos Varandões dos canteiros de obras, a giz ou a carvão, o desenho das ferramentas dos MM.'. Operativos e das Colunas e Pórtico encontrados nas ruínas do Templo do Rei Salomão. Paulatinamente, estes Símbolos foram sendo desenhados, pintados ou bordados permanentemente em um pedaço de pano, lona e tapetes que receberam o nome de Painel.
Assis Carvalho (04/10/1934 – 03/11/2002)
I. Consideracoes Iniciais
A ausência de um Painel entapetado no centro do piso mosaico torna incompleta uma L.'. M.`.. A sua presença é indispensável durante a realização da Reunião. Não é para menos, porquanto o Painel representa um estandarte, ou insígnia, no qual os símbolos apropriados ao respectivo Grau estão gravados para serem estimados, compreendidos e respeitados. É, pois, ritual inevitável estendê-lo no início da sessão e enrolá-lo no final dos trabalhos.
Esta preocupação provém dos idos tempos da Mac.`.. A bem da verdade, quiça nesta época, a representatividade do Painel fosse ainda mais significativa, pois os primitivos maçons desenhavam os símbolos do Painel no chão, vivificando-os a cada início do encontro e ocultando-os, para sua preservação, ao final. Isto porque, nesta ocasião, inexistiam os Templos M.`., assim 1º Experto era obrigado a riscar no centro dos Varandões dos canteiros de obras, a giz ou a carvão, o desenho das ferramentas dos MM.'. Operativos e das Colunas e Pórtico encontrados nas ruínas do Templo do Rei Salomão. Paulatinamente, estes Símbolos foram sendo desenhados, pintados ou bordados permanentemente em um pedaço de pano, lona e tapetes que receberam o nome de Painel.
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julho 04, 2012
TOLERÂNCIA, conceito e limites. Notas para reflexão.
"Si tu diffères de moi, mom frère, loin de me léser, tu m’enrichis".
Antoine de Saint-Exupéry, Citadelle, 1948
Para Guy Chassagnard (1) , a Tolerância é o Princípio primeiro da Maçonaria, que considera respeitáveis todas as ideias que emanam de espíritos sinceros, traduzindo aspectos diferentes da verdade. Nenhum Homem ou Mulher livre e de bons costumes pode permanecer no erro absoluto nem vangloriar-se de deter a verdade perfeita.
O objetivo primordial da Maçonaria é a construção do Ser Humano sendo, por essa razão, o centro de uma união fraterna em que a Tolerância deverá prevalecer: a aplicação prática dos princípios fundadores da Liberdade, Igualdade, Fraternidade e da Solidariedade exige a todos os seus membros o respeito pelas opiniões e crenças individuais.
A Tolerância é a capacidade de conviver, com respeito e liberdade, com valores, conceitos e situações distintos dos que individualmente defendemos, desde que não suportem posições extremistas ou fundamentalistas que coloquem em causa os pilares fundamentais que nos regem.
É através da aprendizagem dos seus membros que a Maçonaria combate a intolerância, a tirania, o fanatismo e a ignorância. Todavia, no exercício da tolerância, a Maçonaria ensina também que esta exige a definição de limites.
Antoine de Saint-Exupéry, Citadelle, 1948
Para Guy Chassagnard (1) , a Tolerância é o Princípio primeiro da Maçonaria, que considera respeitáveis todas as ideias que emanam de espíritos sinceros, traduzindo aspectos diferentes da verdade. Nenhum Homem ou Mulher livre e de bons costumes pode permanecer no erro absoluto nem vangloriar-se de deter a verdade perfeita.
O objetivo primordial da Maçonaria é a construção do Ser Humano sendo, por essa razão, o centro de uma união fraterna em que a Tolerância deverá prevalecer: a aplicação prática dos princípios fundadores da Liberdade, Igualdade, Fraternidade e da Solidariedade exige a todos os seus membros o respeito pelas opiniões e crenças individuais.
A Tolerância é a capacidade de conviver, com respeito e liberdade, com valores, conceitos e situações distintos dos que individualmente defendemos, desde que não suportem posições extremistas ou fundamentalistas que coloquem em causa os pilares fundamentais que nos regem.
É através da aprendizagem dos seus membros que a Maçonaria combate a intolerância, a tirania, o fanatismo e a ignorância. Todavia, no exercício da tolerância, a Maçonaria ensina também que esta exige a definição de limites.
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junho 26, 2012
Opus Dei - Factos e Motivos Para Reflexão
De acordo com os Landmarks, “a Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa…”.
Em minha opinião, importa clarificar se deve existir uma leitura literalista destas disposições ou se elas devem ser entendidas no contexto adequado das nossas sociedades actuais.
Existem substanciais diferenças entre discutir questões políticas gerais ou questões de índole político-partidária, bem como entre discutir questões relativas às legítimas opções religiosas de cada um ou os instrumentos perversos de dominação obscurantista das consciências humanas.
Aspectos fundamentais do progresso social e humano dos últimos 2 séculos tiveram, em diversos países, a intervenção decisiva de maçons e das próprias Ordens maçónicas.
Ora, esta intervenção teve, inevitavelmente, um conteúdo político em torno de grandes princípios e valores do progresso civilizacional, que uniram vontades e energias de muitos maçons com diferentes posicionamentos partidários e religiosos no mundo profano.
Basta lembrar as seguintes lutas:
- Contra os extremismos políticos e absolutismo religioso;
- Contra as guerras;- Pela liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei;
- Pela autodeterminação dos povos;
- Pelos governos representativos e democráticos;
- Pela justiça social e de igualdade de oportunidades para todos os cidadãos;
- Pela separação entre o Estado e a Igreja;
- O ensino ao alcance de todos;
- Pela supressão da miséria e da alienação humanas;
- Criação do registo civil;
- Criação de protecção social nas doenças profissionais.
junho 20, 2012
Tradição e modernidade na Maçonaria – Parte II
No início deste capítulo introduzi a noção de limite falando da tradição e, especialmente, do limite de tempo ligado ao estudo simbólico das tradições. Na verdade, quando uma tradição chega até nós, é muito difícil determinar a sua origem. O simbolismo torna –se a única maneira de decifrar o que essa tradição nos traz em termos de conhecimento. Determinar a natureza do conhecimento transmitido não está necessáriamente relacionado com a lógica como nós a entendemos. Que sabemos nós da lógica daqueles que estão na origem da tradição e dos sinais que utilizaram para a transmitir? Os conceitos que presidiram ao enriquecimento do conteúdo duma tradição que sobreviveram, são de natureza múltipla mas de contexto cultural semelhante.
No que respeita à tradição maçónica, e mais particularmente à Maçonaria especulativa moderna, parece que as noções base fazem parte do domínio da construção. Encontramos referências directas e apoiadas no Templo de Salomão, por exemplo. O vocabulário foi enriquecido com toda uma variedade de ferramentas específicas dos construtores . No entanto, os maçons não construiram mais do que as suas mãos. Isso não os impede de continuar a construir templos à virtude e paredes impenetráveis ao vício.
Neste caso, como devemos entender "virtude" e "vício"? Há, certamente, o sentido directo e literal, como há a compreensão simbólica. Portanto, quando palavras como religião, Deus, amor aparecem num texto tradicional, os que o lêm não o fazem necessariámente ao nível simbólico que deveria ser o delas.
No que respeita à tradição maçónica, e mais particularmente à Maçonaria especulativa moderna, parece que as noções base fazem parte do domínio da construção. Encontramos referências directas e apoiadas no Templo de Salomão, por exemplo. O vocabulário foi enriquecido com toda uma variedade de ferramentas específicas dos construtores . No entanto, os maçons não construiram mais do que as suas mãos. Isso não os impede de continuar a construir templos à virtude e paredes impenetráveis ao vício.
Neste caso, como devemos entender "virtude" e "vício"? Há, certamente, o sentido directo e literal, como há a compreensão simbólica. Portanto, quando palavras como religião, Deus, amor aparecem num texto tradicional, os que o lêm não o fazem necessariámente ao nível simbólico que deveria ser o delas.
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junho 18, 2012
Tradição e modernidade na Maçonaria – Parte I
1. Preliminar.
Apenas me decidi a confiar finalmente as minhas dúvidas para o papel, logo me questionei como iria ser capaz de introduzir o assunto. Admito ter-me deixado embalar por uma euforia suave, imaginando que um sinal exterior viesse alimentar a minha imaginação.
Assim pensei, assim realizei. Regressado duma refeição bem regada, encontrei-me com bastante energia para queimar e os meus passos levaram-me à minha livraria favorita, onde encontrei uma nova publicação de André Comte-Sponville (nota 1). Um amigo ofereceu-me há bastantes anos um dos seus escritos que deve estar a estagiar há um par de anos num dos meus armários. O que eu comprei é intitulado "O espírito do ateísmo" e ao vê-lo em exposição, não resisti. Qual a ligação com o assunto que nos ocupa, perguntarão? A resposta é fácil, sem ser evidente. A Tradição maçónica alimenta-se da espiritualidade e parece difícil alimentar a espiritualidade sem Deus à mão. André Comte-Sponville promete ou, pelo menos propõe, uma espiritualidade sem Deus.
Desde o prefácio, estou completamente embrenhado. "O Retorno da espiritualidade? Não seria um problema. Mas o dogmatismo está de volta, muitas vezes com o obscurantismo, o fundamentalismo e às vezes o fanatismo. Seria errado abandonar o terreno. O combate pelas luzes continua, raramente terá sido tão urgente, e é uma luta pela liberdade. " (Fim de citação). Não vou citar tudo o que ele escreveu desde a introdução, mas é provável que vá extrair algo das suas ideias, porque me parecem ter alguma relevância para o tema que vos quero transmitir.
Eu poderia, em rigor, criticar a ideia de combate, mas permanecendo profundamente pacifista, reflecti que por vezes é necessário maltratar o adversário. Não é entretanto necessário matá-lo. Mas parece que o homem parece ser o único na espécie animal a ser um lobo de si mesmo. Aceitemos portanto que há uma luta moderada como se de facto essas duas palavras pudessem ser unidas à mesma ideia.
Apenas me decidi a confiar finalmente as minhas dúvidas para o papel, logo me questionei como iria ser capaz de introduzir o assunto. Admito ter-me deixado embalar por uma euforia suave, imaginando que um sinal exterior viesse alimentar a minha imaginação.
Assim pensei, assim realizei. Regressado duma refeição bem regada, encontrei-me com bastante energia para queimar e os meus passos levaram-me à minha livraria favorita, onde encontrei uma nova publicação de André Comte-Sponville (nota 1). Um amigo ofereceu-me há bastantes anos um dos seus escritos que deve estar a estagiar há um par de anos num dos meus armários. O que eu comprei é intitulado "O espírito do ateísmo" e ao vê-lo em exposição, não resisti. Qual a ligação com o assunto que nos ocupa, perguntarão? A resposta é fácil, sem ser evidente. A Tradição maçónica alimenta-se da espiritualidade e parece difícil alimentar a espiritualidade sem Deus à mão. André Comte-Sponville promete ou, pelo menos propõe, uma espiritualidade sem Deus.
Desde o prefácio, estou completamente embrenhado. "O Retorno da espiritualidade? Não seria um problema. Mas o dogmatismo está de volta, muitas vezes com o obscurantismo, o fundamentalismo e às vezes o fanatismo. Seria errado abandonar o terreno. O combate pelas luzes continua, raramente terá sido tão urgente, e é uma luta pela liberdade. " (Fim de citação). Não vou citar tudo o que ele escreveu desde a introdução, mas é provável que vá extrair algo das suas ideias, porque me parecem ter alguma relevância para o tema que vos quero transmitir.
Eu poderia, em rigor, criticar a ideia de combate, mas permanecendo profundamente pacifista, reflecti que por vezes é necessário maltratar o adversário. Não é entretanto necessário matá-lo. Mas parece que o homem parece ser o único na espécie animal a ser um lobo de si mesmo. Aceitemos portanto que há uma luta moderada como se de facto essas duas palavras pudessem ser unidas à mesma ideia.
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