junho 20, 2012

Tradição e modernidade na Maçonaria – Parte II

No início deste capítulo introduzi  a noção de limite  falando da tradição e, especialmente,  do limite de tempo  ligado ao estudo simbólico  das tradições.  Na verdade, quando uma tradição chega até nós, é muito difícil determinar a sua origem.  O simbolismo torna –se a única maneira de decifrar o que essa tradição nos traz em termos de conhecimento.  Determinar a natureza do conhecimento transmitido não está necessáriamente relacionado com a lógica como nós a entendemos.  Que sabemos  nós da lógica daqueles que estão na origem da tradição e dos sinais que  utilizaram para a transmitir?  Os conceitos que presidiram ao enriquecimento do conteúdo duma tradição que sobreviveram,  são de natureza  múltipla  mas de  contexto cultural semelhante.

No que respeita à tradição maçónica, e mais particularmente à Maçonaria especulativa moderna,  parece que as noções base fazem parte do domínio da construção.  Encontramos referências directas e apoiadas no Templo de Salomão, por exemplo.  O vocabulário foi enriquecido com toda uma variedade de ferramentas específicas  dos construtores .   No entanto, os  maçons  não construiram mais do que as suas mãos.   Isso não os impede de continuar a construir templos à virtude e paredes impenetráveis ao vício.

Neste caso, como devemos entender "virtude" e "vício"?   Há,  certamente,  o sentido directo e literal,  como há a compreensão simbólica.  Portanto, quando palavras como religião, Deus,  amor aparecem num  texto tradicional,  os que o lêm não o  fazem  necessariámente ao nível  simbólico que deveria  ser o delas.

junho 18, 2012

Tradição e modernidade na Maçonaria – Parte I

1. Preliminar.
Apenas me  decidi a confiar finalmente  as minhas dúvidas para o papel, logo   me questionei  como iria ser capaz de introduzir o assunto.  Admito ter-me  deixado embalar por uma euforia suave,  imaginando que um sinal exterior  viesse alimentar a minha imaginação. 

Assim pensei,  assim realizei.  Regressado duma refeição bem regada,  encontrei-me com bastante energia para queimar e os meus passos  levaram-me  à   minha livraria favorita,  onde encontrei  uma nova publicação de André Comte-Sponville (nota 1).  Um amigo  ofereceu-me há bastantes anos um dos  seus escritos que deve estar  a estagiar há um par de anos num dos meus armários. O que eu comprei é intitulado "O espírito do ateísmo" e ao vê-lo em exposição,  não resisti. Qual a ligação com o assunto que nos ocupa,  perguntarão?  A resposta é fácil, sem ser evidente.  A Tradição maçónica alimenta-se da espiritualidade e parece difícil alimentar a espiritualidade sem Deus à mão.  André Comte-Sponville promete ou, pelo menos propõe,  uma espiritualidade sem Deus.

Desde o prefácio, estou  completamente embrenhado.  "O Retorno da espiritualidade?  Não seria um problema. Mas o dogmatismo está de volta,  muitas vezes com  o obscurantismo,  o fundamentalismo e às vezes o fanatismo.  Seria errado abandonar o terreno.  O combate pelas luzes continua,  raramente terá sido tão  urgente, e é uma luta pela liberdade. " (Fim de citação). Não vou citar tudo o que ele escreveu  desde a  introdução, mas é provável que vá extrair algo das suas ideias, porque me  parecem ter alguma  relevância para o tema que vos quero transmitir. 

Eu poderia, em rigor,  criticar a ideia de combate, mas permanecendo profundamente pacifista,  reflecti  que por  vezes é necessário  maltratar o adversário. Não é entretanto necessário matá-lo. Mas parece que o homem parece ser o único na espécie animal a ser um lobo de si mesmo.  Aceitemos portanto que há uma luta moderada como se de facto essas duas palavras pudessem  ser unidas à mesma ideia.

junho 16, 2012

Intervir nas dificuldades sociais - Uma responsabilidade acrescida para os Maçons


A elevada taxa de desemprego que se verifica no nosso país tem como causa mais próxima a crise económica e financeira internacional ocorrida em 2008-2009, mas constitui um problema estrutural cuja responsabilidade não pode ser assacada a nenhum governo ou parceiro social em especial.
De igual forma, a responsabilidade pela resolução deste grave problema não é tarefa de uma qualquer entidade em particular, mas sim de todos os cidadãos, exigindo-se ao maçon uma especial intervenção dada a gravidade social que o fenómeno apresenta.

A defesa das empresas e empregos existentes e, principalmente, a criação de novas actividades empresariais geradoras de emprego é um encargo que só em parte cabe a políticas governamentais específicas.
Todos nós, maçons nos sentimos impelidos a ajudar na resolução mas é, sem dúvida, aos empresários, e com mais acuidade aos gestores públicos, que está reservada a parte mais importante nesta tarefa e estes últimos, quando maçons, estão obrigados, por imperativo ético e moral, a um maior empenhamento em alcançar tal desiderato.

junho 11, 2012

René Guénon - Vida e Obra

MONOGRAFIAS MAÇÔNICAS

René Guénon - Vida e Obra

Guénon foi um prodígio precoce. Cedo dominava o grego, latim, inglês, italiano, alemão, espanhol, sânscrito, hebraico, árabe e mais tarde, o chinês, mantendo conversação com seus interlocutores europeus e orientais em suas próprias línguas, para desconcerto de muitos deles, ao constatarem um francês dominar com maestria a língua e o espírito de civilizações distantes.

O mais decisivo em sua formação, sem dúvida, foram os dados doutrinais obtidos pela oralidade diretamente de representantes do hinduísmo (Escola de Shankara), do Islã (tariqah do Sheikh Elish El Kebir, da linha Alkbariana) e do Taoísmo (por intermédio do filho espiritual de Tong Sou Luat, eminente mestre Taoísta).

Guénon desmascarou terminantemente dezenas de impostores, desde os grosseiros aos mais pretensamente refinados, angariando para si, de um lado, a grata surpresa e o agradecimento dos que buscavam o oriente autêntico e, de outro, o ódio e as perseguições de uma maioria, surpreendida em suas falsas bases e artimanhas.

junho 10, 2012

Jean Theophile Desaguliers (1683-1744)

MONOGRAFIAS MAÇÔNICAS
pelo Ven.Irmão WILLIAM ALMEIDA DE CARVALHO 33


Jean Theophile Desaguliers (1683-1744)


I – Introdução
Visa-se aqui dar uma idéia acerca da vida e da obra de Jean Théophile Desaguliers, mais conhecido na Inglaterra como John Theophilus. Desaguliers ocupa uma posição impar quando da fundação da Grande Loja de Londres, por não se identificar com alguns nobres empoados de então nem com os supersticiosos maçons plebeus dos primórdios que confundiam superstição com esoterismo e misticismo, fato tão comum no Brasil de hoje.

Desaguliers, além de possuir uma sólida formação científica, como se verá a seguir, era um homem também pragmático, preocupado em resolver os problemas concretos de seu tempo, extrapolando na preocupação com questões metafísicas. Homem de escol, é considerado um dos Pais Fundadores da moderna maçonaria.
 
II – A Saga Huguenote de La Rochelle    
O nosso personagem é proveniente de uma família huguenote. Como se sabe, huguenotes são protestantes franceses que se desenvolveram durante a Reforma do século XVI. Sofreram penosas perseguições já que a fé que os guiava, durante muitos anos, esteve baseada nas idéias de Calvino. Esses protestantes fundaram em 1559 uma igreja na França que grassou como um rastilho de pólvora. Emergiram vitoriosos sobre as forças católicas durante as Guerras Religiosas (1562-98) e, pelo Edito de Nantes, receberam uma certa liberdade religiosa e política.

junho 08, 2012

Economia, ética e os tempos conturbados

A envolvente Económica e os conturbados tempos que se avizinham justificam que reflictamos sobre a forma de actuar perante uma nova realidade que se avizinha com alteração do paradigma de desenvolvimento das sociedades modernas.
Todos sabemos que desde há cerca de cem Anos vivemos na Economia da dívida e da falsa escassez. Este conceito é o suporte básico da envolvente económica que rege o Mundo. Não há aqui qualquer conceito politico porque todas as ideologias se suportam neste paradigma.

As sociedades actuais vivem à sombra de um conjunto de Normas que foram criadas para nos tolher o poder de decisão e estreitar, se não obrigar, a seguirmos apenas um caminho.
Elas suportam-se em bases mais ou menos democráticas, mas todas são condicionadas por informação veiculada por órgãos de comunicação controlados politica ou economicamente, consoante o regime em que se desenvolvam.

junho 03, 2012

«On n' est pas initié, on s' inicie soi-même».


«On n' est pas initié, on s' inicie soi-même».

Existem coisas que, reveladas, sucumbem ou perdem o seu valor e, por outro lado, ocultas atingem a sua plenitude.

Alguns não reconhecem a profundidade de algo porque exigem que o profundo se manifeste de igual forma que o superficial. Não aceitando que há varias formas de brilho, focalizam-se, exclusivamente, no peculiar brilho da superfície. Não reparam que é essencial ao profundo ocultar-se sob a superfície e apresentar-se só através dela, permanecendo debaixo dela.

Desconhecer que cada coisa tem a sua própria condição e não a que queremos exigir-lhe é um verdadeiro pecado capital ou cordial porque deriva da falta de amor.


Nada é mais ilícito do que apequenar o mundo com as nossas manias e cegueiras, diminuir a realidade, suprimir imaginariamente pedaços do que é.

Isto acontece quando se pede ao profundo que se apresente da mesma maneira que o superficial. Não: há coisas que apresentam de si mesmas, apenas o estritamente necessário para nos prevenir que, atrás delas, estão outras ocultas.

maio 30, 2012

Interpretação esotérica da história de Pinóquio


Lançado em 1940, Pinóquio é um clássico da Disney que continua a ser apreciado por crianças e adultos em todo o mundo. No entanto, a história do boneco de madeira esconde uma alegoria espiritual baseada nos ensinamentos esotéricos, que raramente é discutida. Vamos olhar para as origens desta aventura animada e o seu significado subjacente.

Vi pela primeira vez Pinóquio como uma criança numa fita VHS mal gravada, com o meu irmão mais pequeno. Eu gostava das melodias cativantes e do Grilo Falante. Fiquei no entanto apavorado com o motorista e não gostava da parte submersa. Isso é mais ou menos o que eu me lembro até recentemente,  deste clássico da Disney,.

Numa noite dum domingo preguiçoso, encontrei o "remasterizado digitalmente " filme na televisão e revi-o "para os velhos tempos." O que era para ser uma viagem divertida pelas ruas de memória tornou-se uma revelação chocante: Pinóquio é um dos filmes mais profundos que eu já vi alguma vez.

Poderia ser uma alegoria sobre a espiritualidade enorme e a sociedade moderna? Há que detectar sinais de iniciação nos mistérios escondidos? Imediatamente comecei a investigar as origens do Pinóquio e todas as minhas teorias foram abundantemente confirmadas.

Escusado será dizer que este filme é agora um elemento básico na cultura popular actual. Quantas pessoas NÃO viram este filme? Por outro lado, quantas pessoas estão conscientes do verdadeiro significado subjacente de Pinóquio? Por trás da história do boneco tentando tornar–se numa boa pessoa, está uma história profundamente espiritual que tem as suas raízes nas escolas de mistério do ocultismo.

maio 24, 2012

Reflexões Maçónicas


A finalidade desta prancha é abordar de forma meditativa algumas matérias Maçónicas que são pilares formais e substanciais na existência da nossa Augusta Ordem. 

A escrita tripontuada
Estou convicto de que muitos maçons desconhecem a origem da escrita  tripontuada que caracteriza o discurso impresso maçónico.

Observemos a sequência de quatro pares de letras maiúsculas, cada par seguido de três pontos formando um triângulo equilátero, quer dizer, de três lados iguais. Elas são: MM:. LL:.  AA:.  AA:.

Isto é a escritura tripontuada adoptada pela Maçonaria; porém a escritura tripontuada não foi criada pela Maçonaria.

O primeiro documento maçónico conhecido que utiliza a escritura com três pontos é uma circular do Grande Oriente da França, datado 12 de Agosto de 1774, comunicando novo valor da anuidade e mudança de local.
Lennhoff, no Dicionário Maçónico Internacional, diz que os três pontos aparecem já em antigos escritos monacais, conservados na Biblioteca Coraini, Roma.

Na Corte Pontifícia de Roma existia um tribunal denominado "Tribunal da A:. C:." que para uns era Augusta Consulta e para outros Auditor Camarae.

maio 20, 2012

A mulher procura na Maçonaria a sua própria verdade

A  Grã-Mestra da Loja Feminina de Espanha, Ana María Lorente, defende o papel actual da Ordem face à perda de valores na sociedade.

"Tem sentido a maçonaría feminina no século XXI? Ante a perda de valores, há que redefinir as raízes espirituais e morais". A Grã-Mestra da Loga Feminina de España, Ana María Lorente Medina, defendeu est noite no Clube LA PROVINCIA a necesidade de manter activa esta Ordem em Espanha para continuar a avançar no que chamou de "maturidade feminina", cujo processo e segundo as suas  palavras, "é imparável".

"Cada mulher procura na  maçonaría a sua propria verdade, o seu proprio conhecimento", explicou Lorente perante uma audiência   que questionava a máxima responsável desta organizacão em Espanha, qual é o seu fundamento e creença, formas de ingresso na ordem, e o que parecía mais preocupante para algumas das mulheres presentes: o porquê do termo obediência que frecuentava a conferencista no seu discurso  sobre a historia da ordem, a sua criação e penetração em Espanha e nas Canárias.

"É um termo que usamos para denominar  cada organizacão macónica, e não significa que como mulheres devamos obediência a nada", precisou Ana María Lorente. "Queremos ser mulheres construidas, lúcidas nas suas possibilidades, firmes, livres e comprometidas", recordou a Crã-Mestra, em resposta ao facto de "terem estado submissas e subordinadas durante milénios". Segundo disse, não se trata duma organizacão dogmática ou sectária, mas que a sua principal referência é "um método sábio, rico e ancestral que se adapta à arquitectura feminina".

maio 16, 2012

Advertência Maçónica

Publicamos, pelo inegável interesse e actualidade, um texto endereçado pelo Ir:. Flemming, relativo à prudencia aconselhada na admissão de profanos à N:.A:.O:..

Suscitou-me que, apesar do interesse ser conveniente,  fazermos alguma meditação sobre esses actos.
Ocorreu-me então copiar do tomo Iº da «Bibliotheca Maçónnica», de Miguel António Dias, edição de 1874, um trecho que ele designou de Advertência maçónica, e que mantém toda a actualidade (2)

«A Maçonaria é uma associação de homens sábios e virtuosos, cujo objecto é viver uma perfeita igualdade, intimamente unidos pelos laços da estima, da confiança e da amizade, debaixo da denominação de Irmãos e o se estimularem reciprocamente, uns aos outros, na prática das virtudes.
Segundo esta definição a prudência e o interesse de todas as Lojas impõe-lhes o rigoroso dever de não fazerem participar dos nossos Mistérios senão aquelas pessoas que, além de serem dignas de todas estas vantagens, sejam capazes de contribuir ao fim proposto e que não envergonhem, aos olhos dos Maçons de todo o Universo, as Lojas que os tiverem admitido.

maio 11, 2012

Princípios e Preceitos Maçónicos

Ama a Humanidade.

Escuta a voz da natureza, que te brada: todos os homens são iguais, todos constituem uma única família.

Tem sempre presente que não só és responsável pelo mal que fizeres, mas pelo bem que deixaste de fazer.

Faz o bem pelo amor do próprio bem.

O verdadeiro culto consiste nos bons costumes e na prática das virtudes.

Escuta sempre a voz da consciência: é o teu juiz.

Trata de te conhecer; corrige os teus defeitos e vence as tuas paixões.

Nos teus actos mais secretos supõe sempre que tens todo o mundo por testemunha.

Ama os bons, anima os fracos, foge dos maus, mas não odeies ninguém.

Fala sobriamente com os teus superiores, prudentemente com os iguais, abertamente com os amigos, benevolamente com os inferiores, leal e sinceramente com todos.

Diz a verdade, pratica a justiça, procede com rectidão.

Não lisonjeies nunca, é uma traição; se alguém te lisonjear toma cuidado não te corrompa.

Não julgues ao de leve as acções dos outros; louva pouco e censura ainda menos; lembra-te que para bem julgar os homens é preciso sondar as consciências e perscrutar as intenções.