abril 03, 2012

Porquê a Maçonaria no Século XXI?



 A Maçonaria é um caminho possível para alcançar a felicidade pessoal, desde que reconhecamos que  para percorrê-lo  temos de trabalhar fiéis à nossa vocação universal e procurar a felicidade de toda a humanidade

Porque potencia a sociabilidade humana


 Como expôs o filósofo e maçon  K. Christian F. Krause,  no início do século XIX,  o impulso básico dos homens  - mulheres e homens  – é o da sociabilidade, e a Ordem Maçónica é uma associação ideal dedicada ao desenvolvimento dessa sociabilidade como uma expressão de nossa humanidade plena e pura.

A nossa tradição compromete-nos a dar apoio a qualquer irmão ou irmã que se encontr em situação de necessidade mas , além deste compromisso, o que a Loja nos popôe  é uma microsociedade com um funcionamento ordenado, em que cada membro asume um papel rotativo para interpretar uma e outra vez a nossa essência social. Esta microsociedade  dá-nos  a oportunidade de compartilhar múltiplas  experiências, como a de pertencer  a um projecto autêntico e humanizante, em que se estabelecem os elementos necessários para o animal social que é o homem,  tenha  a oportunidade de reconhecer-se  e de se reconciliar  com a sua pura humanidade .

A Loja  é um encontro com outras pessoas que facilita e orienta o encontro consigo mesmo, através dos complexos mecanismos de identificação com os outros, o reflexo nos outros, o jogo de percepções com os outros, a dissecação do «eu».... e, acima de tudo,  a  Loja  é um espaço humano que recria o ambiente socio-natural  óptimo de um ser evoluido: uma comunidade de mulheres e homens,  ordeira,  democrática,  procurando juntos a interpretação da existência.

abril 02, 2012

A Pedra Bruta e a Moral do Aprendiz


Uma reflexão sobre o significado simbólico da pedra bruta, sugere uma estreita relação com o sistema moral que a Maçonaria nos ensina em torno da  perfeição do homem, na busca do desenvolvimento espiritual,  atè ao comportamento social baseado em valores, respeito, fraternidade, humildade,  tolerância e os direitos do invíduo.

Este sistema moral é representado pela pedra bruta (rudimentar), que desde o início, a partir do grau de Aprendiz, nos incentiva a trabalhar em torno das práticas e doutrinas maçónicas, num desejo veemente de procura da Verdade.  Daí a estreita relação de sentido entre a pedra e a Câmara de Reflexão, negra na sua aparência, donde sobressai a antiga fórmula alquímica e hermética  V.I.T.R.I.O.L., "Visita Interior Terrae, Rectificando Invenies Ocultum Lapidem " (Visita o interior da Terra, Rectificando descubrirás a Pedra Oculta).

Mas a busca da verdade ou a descoberta dum sentido superior da vida, como resposta à nossa própria existência,  só é possível através duma investigação profunda dos nossos sentimentos e da melhor disposição para um verdadeiro trabalho interior.  É assim que o trabalho maçónico  consiste simbólicamente em aperfeiçoar a existência humana, através dum permanente e sucessivo processo de transformação. A "pedra bruta" constitui o símbolo do Aprendiz,  a "pedra cúbica" simboliza o Companheiro e a "pedra cúbica em ponta" o Mestre,  as quais, no seu conjunto,  simbolizam o motivo central da superação permanente e constante na busca do pensamento independente e da perfeição.

abril 01, 2012

Sobre o envelhecimento

Vou tentar fazer uma abordagem e algumas reflexões sobre um dos fenómenos mais interessantes da espécie humana: o envelhecimento.
Convivi sempre com pessoas de idade e aprendi muito com elas.
“O conceito de que a idade acarreta bom-senso, paz, serenidade e sabedoria é verdadeiro mas só em parte. Acompanha-a outras facetas, ângulos sombrios e tristes, marcados pelo arrependimento, subversão, doença, sofrimento e a estranha percepção de que o fim está ao virar da esquina mais próxima” (Julian Barnes).

O livro, “A mesa de limão“, de Julian Barnes, escritor britânico, demonstra, através de vários contos as diferentes realidades emergentes no decurso do envelhecimento. A escolha do título, também é curiosa, o autor baseou-se na simbologia chinesa, segundo a qual o limão representa a morte.

Ao mesmo tempo que lia esta obra, deliciava-me com uma outra, “Gente de palmo e meio” de Augusto Gil. Os contos deste genial autor focam as crianças com as suas aspirações, visões do mundo, virtudes, traquinices, medos, desejos, insegurança, tragédias, alegrias e sempre muita esperança mesmo entre os mais desafortunados; em perfeito contraste com a obra de Barnes. Augusto Gil oferece-nos doces e suculentas laranjas que, com o tempo, e na perspetiva “barniana”, acabarão por se transmutar em amargos limões.

março 31, 2012

A perseguição franquista à Ordem Maçónica (1940). - 2ª parte

Adjuntamos la segunda y última parte de la plancha masónica leída en Tenida ordinaria en México, dedicada a la persecución de la Masonería en 1940 por la dictadura franquista. Como dijimos en post anterior esta fue reproducida en la revista Verbum en 1950, editada por el Gran Oriente Federal Argentino (G.•. O.•. F.•. A.•.)

La Plancha sigue de esta manera ...

Decían así:
Cinco siglos de la Historia
y un pueblo que, en su vibrar,
libre en sí, supo encauzar
los destinos de su gloria,
deshacen su trayectoria
y se anula el siglo veinte.

-"¡Siglo quince, es el vigente!...
-pregona inmundo graznido-
Y España toda, es un nido
de Inquisición renaciente.

março 29, 2012

A perseguição Franquista à Ordem Maçónica (1940) / 1ª parte

 Publicado em: «El Mason Aprendiz» em 26.Fev.2012
   por Mauricio. J. Campos


Adjuntamos esta plancha leída en Tenida ordinaria por el H.•. José Méndez Sastre desde México. Se refiere al dictamen de la Ley persecutoria contra la Masonería española de 1940.

Notable documento de la época reproducido en 1950 por la revista Verbum, editada por el Gran Oriente Federal Argentino (G.•. O.•. F.•. A.•.), Obediencia adogmática y liberal argentina en la cual encontraron cobijo los exiliados republicanos y masones españoles perseguidos.

Decía la redacción de Verbum: 

"Este interesante trabajo que publicamos a continuación fue escrito en 1940, cuando se promulgó la disposición principal del tirano Franco contra la Masonería Española.

No obstante el tiempo transcurrido no ha perdido actualidad, sino que, por el contrario, la mantiene. Las noticias que se reciben de España acusan un cruel recrudecimiento de las persecuciones de nuestros hermanos que viven bajo la férula del odiado franquismo".


Mauricio J. Campos

março 25, 2012

O “Compagnonnage” e o nascimento do Sindicalismo

Foi a partir do século XII mas, essencialmente, no decurso dos séculos XV e XVI que se assistiu ao despontar do “Compagnonnage du Tour” em França. A par com a sua acção de defesa dos interesses dos operários, ele afrontou as corporações dos mestres.
Foi, então, que proliferaram as interdições do poder civil que não conseguem atingir, apesar de tudo, toda a extensão dos seus efectivos.

Apesar dos regulamentos e das disposições que lhes proibiam o abandono do seu mestre sem o acordo deste e o poderem circular livremente, os operários do artesanato que pretendiam instruir-se no seu ofício e melhorar os seus salários, organizaram-se clandestinamente.
É nessa época que nasceram os primeiros companheiros pertencendo a uma sociedade conhecida pelo nome de “Dever”. Desafiando as poderosas corporações e. por via disso, o reino da França, o Compagnonnage desencadeou a permanente hostilidade da Igreja Católica.

Praticar certas cerimónias durante a recepção de novos membros, ter sinais e palavras de reconhecimento, a presença de um ritual, de um simbolismo, de um segredo do ofício, tudo contribuiu para suscitar uma permanente desconfiança no seio da Igreja.
No século XVIII, existiam duas categorias de companheiros: os companheiros do “Dever”, o rito de Jacques e de Soubise, essencialmente ligados à religião católica, e os que eram qualificados como “ não do Dever”, agrupando numa larga maioria os companheiros protestantes.

As diversas sociedades de companheiros adquiriram um grande poder, podendo impedir a contratação e a colocação de qualquer operário, o que constituía um grave risco para a economia de uma cidade.

março 21, 2012

A Corda


Objecto do dia a dia, a corda é um entrançado de cabos de maior ou menor diâmetro que, habitualmente, não nos chama a atenção. Utilizamo-la com frequência para atar e prender e nesse sentido é um elemento que restringe a liberdade; mas utilizamo-la também para unir e ligar, para tornar uno o que está separado e, nesse sentido, é um elemento de criação, de crescimento e de liberdade.

Foi neste sentido que o Homem primeiramente a utilizou: para caçar alimento (prender), para confeccionar as suas roupas (ligar), para se deslocar de árvore em árvore (transcender-se ?).  Mas certamente que não passou despercebido ao xamane ou ao feiticeiro o valor do objecto como símbolo da união entre os elementos da tribo, da integridade física (o fio que mantém  os orgãos no lugar) ou associado ao nascimento (cordão umbilical) ou ao renascimento: a corda ou o fio que nos liga ao além, ao desconhecido, a uma outra vida, ao divino.

A importância celeste ou cósmica da Corda foi particularmente relevante para os egípcios e gregos, que a ela recorrem para descrever o céu e as constelações, sendo o elemento que manteria os planetas a circular no céu e conferiria unidade ao universo (a Corda de Ouro de Zeus). As trança da deusa egipcia Hathor simbolizam a tecitura ordenada do universo mas para Platão, a Luz seria uma Corda luminosa que o rodeava.

março 20, 2012

Isaac Newton


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Isaac Newton (Woolsthorpe, 4 de Janeiro de 1643 - Londres, 31 de Março de 1727), cientista. Foi um dos criadores, com Leibniz, do Cálculo Diferencial e Integral. Descobriu também várias leis da Mecânica, como as actualmente conhecidas Lei Fundamental da Dinâmica e Teoria da Gravitação Universal. Para ele, a função da ciência era a de descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.

Newton estudou no Trinity College de Cambridge, tendo-se graduado em 1665. Um dos principais precursores do Iluminismo, o seu trabalho científico sofreu forte influência de seu professor e orientador Barrow desde 1663, e de Schooten, Viète, John Wallis, Descartes, dos trabalhos de Fermat sobre retas tangentes à curvas, Cavallieri, das concepções de Galileu e, finalmente, de Kepler.

março 18, 2012

O Simbolismo das Viagens na Elevação a Companheiro

Oswald Wirth,  destacado autor maç:.  da primeira metade do Século XX,  salienta:
“Para ser admitido à Aprendizagem é necessário mostrar aptidões, para passar a Companheiro é necessário, adicionalmente,  ter efectuado prova de aplicação, de zelo e de ardor no trabalho,.... com o objectivo de  se dominar e conheçer interiormente, por forma a sentir-se  disponivel para a nova tarefa, o trabalho efectivo para o qual será chamado, ao serviço da colectividade à qual se devota”.

I - Preâmbulo
Ao receber a LUZ, o Aprendiz comprometeu-se com as Leis da Maç.’. em geral  e do G.’.O.’.L.’. em particular,  a amar os seus irmãos e a resguardar-se dos profanos. Elevado a Companheiro, não poderá limitar-se  a renovar o juramento efectuado no primeiro grau, uma vez que se deve exigir a um Maç.’. instruido o que não se pode exigir a um iniciado.
O Companheiro deverá redobrar a discrição, tentando colocar-se sempre ao  nivel dos que estão menos avançados, pois a sua Força reside na concretização de um único objectivo – o de se instruir para constituir um verdadeiro Iniciado, de molde a consagrar todo a seu espirito e acção à Obra da Maçonaria.

É nossa convicção que não basta possuir um grau maçónico decorrente unicamente da sua recepção ritualística,  já que os ritos iniciáticos têm básicamente o papel de traçar um programa de aprendizagem. Compete ao Maçon concretizar esta aprendizagem, fazendo o caminho individualmente quer pelo seu trabalho, assiduidade e aprendizagem em Loj.’. quer pelo estudo adicional e também pela aplicação consequente ao mundo profano.

março 16, 2012

A Maçonaria é uma Religião??

Não são poucas as pessoas que consideram a organização maçónica como um fenómeno religioso, definindo o termo  "fenómeno" segundo a filososofia de Emmanuel Kant, como o que é objecto da experiência sensorial. Ou seja, interpretam as práticas maçônicas como religiosas. É assim mesmo ou será uma ilusão influenciada pelo preconceito e ignorância?

Para encontrar uma resposta que consiga levantar o véu do preconceito e derramar luz na escuridão da ignorância, é necessário entender do que fala quando se afirma "é uma religião." A noção é tão vasta e tão heterogénea que é impraticável defini-la numa nota,  para que seja entendida de forma totalmente satisfatória. No entanto, algumas idéias podem desencadear  a chispade  pesquisa do leitor,  para continuar a ler outras a este respeito.

De todos os cantos do mundo e em todas as áreas, somos sujeitos a anos de bombardeamento  com propaganda teológica, de tal modo que conheço pessoas que, de tão feridas que foram, não conseguem compreender  plenamente a vida sem os ditames de uma religião particular. Para fornecer um bálsamo, seria uma boa acção  definir o que é uma religião, para então comparar as características obtidas, com as práticas maçónicas e lograr responder à questão colocada no título deste trabalho.

Segundo Emile Durkheim, um dos fundadores da moderna sociologia,  em «As Formas Elementares da Vida Religiosa»  «uma religião é um sistema integral de crenças e práticas relativas a coisas sagradas;  isto é, separadas ou proibidas, crenças e práticas que reunem  numa mesma  comunidade moral todos os que aderem a elas " . Esta definição centrada nas noções de sagrado e comunidade oferece o mais amplo sentido, sociológico ou etnológico da palavra religião.

março 15, 2012

Doutrina Geral de Martinez de Pasqually


Como todo o Esoterismo, a doutrina Martinista, tal como foi definida por Martinez de Pasqually no seu “Tratado de Reintegração dos Seres”, necessariamente recorre ao Esoterismo para exprimir verdades metafísicas, que é pouco perceptível e pouco exprimível por sua natureza. É assim que ela está integralmente vinculada à tradição Ocidental, e mais particularmente à cristã.

Símbolo dos Elu-Cohen
 Em relação ao problema da Causa Primeira (Deus), o Martinismo torna suas as conclusões a que chegaram os teólogos cristãos e os cabalistas hebreus, ao menos quanto aos princípios sobre os quais as diversas escolas estão sempre em acordo: o ternário divino, “pessoas divinas”, emanação, e etc…

Relativamente ao restante, é particularmente gnóstico - se bem que o que é apresentado nesta tese tem uma conotação diferente das escolas associadas a esse nome - porque coloca em princípio a igual necessidade do Conhecimento e da Fé, e o facto de que a graça deve, para actuar efectivamente, ser completada pela acção inteligente, compreensiva e livre do homem.

É por estes motivos que Martinez de Pasqually apresenta o esoterismo de sua escola sob o aspecto da tradição judaico-cristã. A lenda, que teve o Mestre muito certamente como autor, decorre de documentos tradicionais de propriedade de sua família desde que um avô, membro de um tribunal de Inquisição, os obteve de heréticos árabes ou judeus na Espanha. Esses documentos eram constituídos por manuscritos latinos, cópias dos originais árabes, derivados de clavículas hebraicas.

O que quer que seja, eis aqui um resumo do “Tratado de Reintegração dos Seres”, obra tão rara quanto obscura para quem não está familiarizado com as tradições gerais que a têm inspirado.
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março 14, 2012

Newton e o Conhecimento Científico



Isaac Newton tem sido considerado, muito justamente, uma das figuras mais importantes da
história da humanidade. Foi simultaneamente matemático, astrónomo, físico e alquimista, mas foram os seus trabalhos em mecânica clássica nomeadamente, a teoria gravitacional, as leis do movimento e os trabalhos sobre óptica que o tornaram famoso.

Nasceu em Woolsthorpe, Lincolnshire, Inglaterra em Janeiro de 1643 e nunca conheceu o pai, que morreu antes de ele ter nascido. Criado como um orfão, foi educado por um tio, no sentido de poder entrar na universidade. Ingressou assim no Trinity College de Cambridge como “trabalhador-estudante”. Na sua formação contactou com as obras dos grandes clássicos da antiguidade mas estudou também Galileu.

Kepler, Descartes, Locke, Hobbes e Boyle, entre outros. Em 1669 ocupou a Cátedra Lucasiana.

A sua obra mais conhecida, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, ou simplesmente Principia, demonstra que os fenómenos da natureza ocorrem de acordo com certas leis bem definidas que foram consideradas inquestionáveis até ao surgimento da teoria da relatividade.

Na verdade, ainda hoje são utilizadas como boas aproximações para a resolução de problemas em trabalhos de engenharia que requerem menos sofisticação.

Tendo sido, sem sombra de dúvida, uma figura ímpar da humanidade, protagonizou a mais significativa revolução científica de todos os tempos e foi um dos pais fundadores do moderno método científico.