fevereiro 28, 2012

Nascidos do Sangue

Trata-se de um livro da autoria de um americano, John Robinson, e tem como subtítulo “Os segredos perdidos da Maçonaria”. O autor não é maçon e o seu livro resulta de um intenso trabalho de investigação em torno da revolta camponesa ocorrida em 1381 na Inglaterra.

Um dos mistérios que determinou a realização da investigação foi procurar desvendar a organização que tinha estado por detrás desta revolta que mobilizou centenas de milhares de ingleses e que dirigiu a sua acção violenta contra alvos bem definidos, entre eles a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de S. João, hoje denominada Cavaleiros de Malta.

Esta curiosidade foi ainda aprofundada pelo facto de após a revolta os seus principais líderes terem confessado estar ao serviço de uma Grande Sociedade. A historiografia oficial, de que a Enciclopédia Britânica faz eco, considerou-a uma revolta “curiosamente espontânea”.

No entanto, Winston Churchill, no seu livro “Birth of Britain”, escreveu que: “Durante o Verão de 1381 houve uma agitação geral. Por trás dela havia a organização. Agentes moviam-se pelas aldeias da Inglaterra central, em contacto com a Grande Sociedade que supostamente se reunia em Londres”.

Há que recordar que os Templários foram suprimidos por decreto do Papa Clemente V e que este decreto estabeleceu também que todas as propriedades desta ordem fossem entregues aos

fevereiro 23, 2012

Valores

“O essencial é invisível aos olhos”
O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

Não compete à Maçonaria ensinar a Verdade, mas antes INCITAR, cada um de nós, à busca permanente da Verdade no seu interior.
As regras e códigos morais, pelos quais cada Maçom se guia, têm de resultar de uma permanente busca de valores e de princípios que lhe propiciem um comportamento ético e uma actuação que, permanentemente, o caracterizem como “homem livre e de bons costumes”.

Este sistema de valores e princípios, próprio de cada qual, tem de ser coerente e de uma solidez a toda a prova. O “amanhã” não será o que hoje pensamos que seja: tudo evolui, incluindo as circunstâncias da vida de cada indivíduo, razão pela qual esse sistema terá de estar ancorado numa base universal que a todos une:

Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Tolerância, Verdade e Solidariedade.

Num mundo em que, a par e passo, nos confrontamos com a submissão, a ausência de equidade, a guerra, a mentira, o egoísmo e a intransigência, a afirmação e a prática quotidiana exigem-nos uma enorme força para transmitir, em tudo o que nos rodeia, a nossa crença e a nossa determinação no triunfo do BEM.

Todos vimos, na parede escura, escrito a branco:

fevereiro 20, 2012

O Maçon, a Sociedade e a Informação

Portugal tem cerca de 6.600 jornalistas profissionais, ou seja cerca de de 1 jornalista para 1.500 habitantes.

Entendendo-se por jornalista, e para simplificar, um profissional, devidamente acreditado e em posse da sua carteira profissional.
A profissão de jornalista tem vindo a sofrer uma forte exposição e consequentemente uma verdadeira erosão.

As enxurradas da chamada comunicação, entendida no seu senso mais largo, inundaram a sociedade e, de algum modo, afogam a profissão.

Este verdadeiro dilúvio de comunicação não tem, no entanto, um carácter estruturado e estruturante da informação, tão pouco respeita as regras éticas mais elementares.
Este fluxo de comunicação é possível graças às capacidades incríveis dos novos canais electrónicos de transmissão de dados.

Mas entre comunicação e informação existe um mundo.
É um espaço de conceitos, regras e ética.
Só o jornalista tem a obrigação de respeitar estes três dados, e pode vir a ser responsabilizado civil e penalmente, em caso de falta grave.

Por isso é necessário perguntar:
Assim sendo, quem é o jornalista?


fevereiro 19, 2012

Reflexões sobre o Grau de Companheiro, segundo o R.E.A.A.


A maçonaria é uma sociedade discreta de carácter universal, cujos membros cultivam e promovem os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade e aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática e filosófica.

As suas regras são ditadas pela razão e definidas pela Ciência, não se admitem debates acerca da religião, raça ou política. Portanto a maçonaria é uma sociedade fraternal, que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social. 

Entre si os Maçons reconhecem-se por sinais, palavras ou toques que variam conforme o grau.

A Maçonaria tem um princípio criador que denomina por “Grande Arquitecto do Universo”, um conceito que pode acolher diferentes religiões ou crenças. A designação abrangente apareceu pela primeira vez no livro “Exposure Masonry Dissected” de Samuel Prichard, publicado em 24 de Outubro de 1730.

Os Graus na Maçonaria segundo o Rito Escocês Antigo e Aceito é reapresentada por

Três Graus Simbólicos [MAÇONARIA AZUL (1-3)]:
1º Grau – Aprendiz Maçom. (Ap.’. M’.’)
2º Grau – Companheiro Maçom (C.’. M.’.)
3º Grau – Mestre Maçom (M.’. M.’.)

fevereiro 17, 2012

V.I.T.R.I.O.L.

Ce symbole maçonnique est un des plus impénétrables aux oreilles profanes. Il s’agit de l’acide sulfurique, utilisé de nos jours dans plusieurs procédés industriels comme le raffinage du pétrole ou le lessivage des minerais. Les alchimistes du Moyen Age s’en servaient dans leurs entreprises de dissolution de la matière brute afin d’obtenir la pierre philosophale.

La définition communément admise de notre symbole maçonnique est : « Visite l’intérieur de la Terre et en rectifiant tu trouveras la pierre cachée ». Jules Boucher prétend que le voyage à l’intérieur de la terre est une descente vers les profondeurs de l’âme humaine. J’aimerais maintenant m’éloigner de toute interprétation traditionnelle au sein du corpus des auteurs maçonniques et me laisser aller à de libres associations d’idées.

D’abord, et c’est là une constatation des plus simples et orthodoxes, la visite de l’intérieur de la Terre qui est proposée à l’impétrant se rapporte à la première épreuve du rituel d’initiation, l’épreuve de la Terre.  Celle-ci a lieu dans le Cabinet de réflexion. Il s’agit d’un espace exigu et faiblement éclairé par une chandelle. La psychologie des profondeurs nous enseigne qu’un tel espace est une métaphore

fevereiro 14, 2012

1817 - Morrer pela Liberdade

 Depois de tomar Lisboa, Junot é rejeitado pela Maçonaria portuguesa como seu representante, tenta então tornar-se “Rei de Portugal” e governar segundo uma constituição do tipo francês. Por seu lado, Gomes Freire de Andrade integra a Legião Portuguesa que parte ao serviço de Napoleão e da França.
Entre 1807 e 1814, serve o país que invadiu o seu, que o saqueara e que lhe infligiu uma guerra desumana.

Dona Mathilde de Faria e Mello, foge em 1808 com Gomes Freire, mulher casada, foi sua dedicada companheira até à sua morte. “A Mathilde tem sido constante companheira dos meus trabalhos; a pobre rapariga, depois de vender tudo quanto tinha, levava-me dinheiro para me livrar de aflições”, escreve Gomes Freire.

A missão da Legião Portuguesa fora concluída em 1814. Gomes Freire pediu então para regressar a Portugal, mas a permissão para o regresso demorou, valeu-lhe o talento político do seu primo direito D. Miguel Pereira Forjaz, um dos secretários mais poderosos da Junta Governativa.

Sujeitou-se a um processo de reabilitação que o declarou “livre de toda e qualquer mácula”. Apesar disso Gomes Freire tinha consciência que poderia ter sido considerado traidor à pátria, por ter servido o país que estivera em guerra com Portugal e durante o período que ela durou.

fevereiro 13, 2012

Maçonaria e Rosacrucianismo - Uma nova reflexão cruzada

Retomo as reflexões anteriores, tentando promover uma explicação compreensível dos laços que interligam o Rosacrucianismo e a Maçonaria especulativa.

 Terminei a minha última prancha, citando alguns versos de um poema anónimo, de origem inglesa, dos princípios do século XVII que nos revela quão profunda e significativa é a proximidade existente:
“Porque somos Irmãos da Rosa-Cruz
Temos a palavra dos freemasons
E temos a dupla visão”.

Robert Fludd, tido como freemason e rosacruciano, na sua obra “A Ordem dos Rosa-Cruz (em 1617)” afirma, “os freemasons e os rosa-cruzes eram um único grupo que, um dia em tempos distantes, se separou para por um lado propagarem ideias filosóficas e filantrópicas e por outro realizarem trabalhos cabalísticos e alquímicos”.

Robert Fludd, considerado como o primeiro rosacruciano de Inglaterra, diz que o nome da ordem está ligado a uma alusão ao sangue de Cristo, na cruz do Golgota; a mística ideia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução.

fevereiro 12, 2012

O Rito das Old Charges


Este rito é conhecido hoje através de um pouco mais de uma centena de textos denominados OLD CHARGES e cuja redacção se estende por um período que vai de 1390 até aos anos que se seguiram à compilação dos Antigos Deveres (A.D.) por James Anderson, sob a forma das Constituições de 1723.

Existem alguns destes textos que são menos conhecidos:
–> Briscoe Pamphlet (1724, versão de A.D. seguida de uma critica das Constituições de 1723.*
–> Constituições de Cole, que incluem um pequeno número de versões de A.D., sendo mais de metade delas datadas do Século XVIII.*
–> Outras são datadas do Século XVI, como o Dowland (cerca de 1550), Grand Lodge nº 1 (1583), e Landsdown nº 98 (segunda metade do secº XVI).*
Quanto aos mais conhecidos, existem aspectos que se torna útil abordar:

O Regius (1390)
Os A.D. foram desde o seu aparecimento em 1390, com o Regius, os textos da franco-maçonaria inglesa que serviam numa loja de maçons operativos para receber, uma vez por ano, um ou mais aprendizes no grau de companheiro.

O conteúdo do Regius tem os seguintes elementos:
–> História geográfica do ofício de pedreiro.
–> Lista dos deveres profissionais, incluindo a descrição do juramento maçónico.
–> Martírio dos 4 santos coroados.
–> Dilúvio na época de Noé.
–> Suspensão da construção da Torre de Babel.
–> Elogio das 7 artes liberais.
–> Lista dos deveres morais próprios de todo o cristão.


A principal função de um A.D. era ser lido a um recipiendário no momento da sua admissão em loja,

fevereiro 10, 2012

Os Jardineiros da Rosa - Os primeiros maçons do rito escocês

Os graus escoceses existiam já antes de 1743, mas eram sobretudo graus isolados ou pequenos sistemas de alguns graus, não constituindo verdadeiros ritos ordenados numa progressão iniciática reflectida.
É óbvio, que desde essa altura até aos nossos dias os rituais foram rescritos, modificados e actualizados. As pesquisas mais recentes sugerem que os rituais ligados aos graus escoceses foram uma elaboração colegial no seio das lojas.

Uma carta de Petit de Boulard refere precisamente este tipo de processo. Independentemente desta base eventual de elaboração colegial, houve contributos e empenhos pessoais que determinaram a decisiva dinamização do subsequente processo mais alargado de participação.

Os autores dos rituais dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito foram designados por várias referências documentais, nomeadamente a Colecção Sharp, como os Jardineiros da Rosa.

Não se encontram referências pessoais concretas em torno da elaboração e consolidação desses rituais, colocando-se a necessidade de formular algumas pistas que possam ajudar a situar esta pesquisa.

fevereiro 09, 2012

O Simbolismo Maçónico e o Espírito Científico


Isaac Newton é o seu nome, e a sua Obra a primeira dedução que a razão conseguiu dar do Universo em que estamos mergulhados.

Mais do que descrever o trabalho de Newton, julgo que será mais enriquecedor enquadrá-lo numa corda unificadora do tempo, como aquela que envolve todos nós, tentando fazer uma pobre reflexão sobre donde viemos, aonde julgamos que chegámos e para onde caminhamos.

O Universo, em que a Terra representa uma partícula tão pequena quanto um grão de areia numa praia muito, muito extensa, rege-se por um conjunto de mecanismos que os homens sonham algum dia entender.

É a procura do entendimento destes mecanismos que faz com que possamos dizer que há um pensamento antes de Newton e um pensamento após Newton.

De facto, até Newton, desde Euclides, Anaximandro de Estrabão e Aristóteles na antiguidade Clássica, passando por Nicolau Copérnico, Tycho Brae, Galileu Galilei, Joannus Kepler, já durante o Renascimento e o Barroco, todos tentaram deduzir as equações do movimento e da interacção dos corpos, a partir de sistemáticas  observações directas.

Para todos eles as leis que deduziam sobre o movimento e interacção dos corpos, eram consequência de, aturadas, observações directas dos eventos. Kepler passou uma vida inteira a caminhar para uma

fevereiro 08, 2012

A Cadeia de União


A cadeia de união é provávelmente, do ponto de vista simbólico, uma das cerimónias que mais directamente apelam  à fraternidade maçónica, sendo seguramente um dos actos mais significativos da dedicação  que trazemos ao nosso compromisso com os sublimes princípios  assumidos: «Liberdade, Igualdade, Fraternidade».

Segundo Jean-Pierre Bayard (4),  só se deverá desenrolar num ambiente tradicional e numa atmosfera particular, na ausencia dos quais restará sem valor.      A primeira descrição conhecida  da cadeia de união está contida no Manuscrito de Edimburgo, datado de 1696. Trata-se dum gesto ritual que traduz uma relação activa entre todos os elementos duma loja,  segundo determindas regras, tendo como objectivo transmitir a palavra de mestre.

Boucher (3) refere que a cadeia de união é um ritual que encontramos, por sua vez, quer no Compagnonnnage quer na Maçonaria e que nos chega proveniente da maçonaria operativa, reencontrando--a  no compagnonnage, sob a designação de «cadeia de aliança».     Consiste na formação de um círculo, uma cadeia, dando-se mutúamente as mãos,  após prévio cruzamento dos braços.  Cada novo iniciado é convidado, desde a sua admissão, a constituir um elo nesta cadeia. 
A recente (e excelente) obra do nosso Ir.  José. Adelino Maltez (1), refere  na entrada correspondente à «Cadeia de União»:

fevereiro 07, 2012

O Rito da Palavra de Maçom


A expressão “Palavra de Maçon” (Mason Word) designa, numa pequena vintena de textos escoceses e ingleses do século XVII e em cerca de uma dúzia de textos do século XVIII, um rito maçónico de recepção que consistia em receber em loja um novo maçon com um aperto de mão durante o qual lhe comunicavam oralmente o nome das 2 colunas, Jachim e Boaz, do Templo de Salomão.

O desaparecimento progressivo das antigas lojas operativas determinou que o Rito da Palavra de Maçon tenha conseguido difundir-se rapidamente para substituir o Rito dos Antigos Deveres (Old Charges).

O conteúdo operativo deste último rito já não se adaptava aos maçons especulativos.
Importa lembrar que o Rito dos Antigos Deveres era um antigo rito operativo e de influência anglicana que consistia na recepção de um novo maçon em loja, onde lhe eram lidos os antigos deveres e sobre os quais o recipiendário jurava que os respeitaria.

Referir, desde já, que o Rito dos Antigos Deveres não comportava nem palavras nem sinais secretos.
De 1637 a 1652 os testemunhos históricos são unânimes em situar a existência do Rito da Palavra de Maçon na Escócia.

A título de exemplos: o poeta Henry Adanson, em 1638, referiu numa das suas obras (Thrénodie des Muses) que este rito surgiu em Kilwinning e depois em Perth entre 1628 e 1637 , que eram 2 cidades escocesas de elevada influência calvinista no século XVI; em 1653, Sir Thomas Urquhart de Cromarty afirmou na sua obra “Logopandecteision” que a Palavra de Maçon servia para fazer um maçon; em 1663, o reverendo William Guthrie, num dos seus sermões, qualificou-a de sinal; o