fevereiro 06, 2012

O Futuro: que Liberdade?


No séc. XX, três acontecimentos transformaram completamente a Humanidade, invadiram a intimidade individual e reduziram o espaço de liberdade pessoal.

1- A utilização generalizada das ondas electromagnéticas.
2- A invenção do computador.
3- A sua utilização em rede.


Estes elementos empurraram as sociedades evoluídas para uma corrida vertiginosa contra o tempo.
Como tudo acelerou, o tempo pareceu diminuir, contraiu-se em proporções fantásticas.
Ora, essa mudança teve consequências importantíssimas na organização das sociedades e também no relacionamento dos cidadãos com elas.

Uma das questões colocadas é a sobrevivência da individualidade no seio de uma sociedade híper organizada.
Mas esta contracção do tempo durante o século XX não foi a primeira. Outras já tinham acontecido.
Já agora vale a pena fazer um pequeno parêntesis para, digamos, mudar de onda…
O outro grande salto na contracção do tempo, foi dado por Portugal graças às grandes viagens durante o chamado período das descobertas.

As novas rotas marítimas estimularam o comércio, foram indutoras de conhecimento nos dois sentidos, mas o mais importante não foi isso. Mais importante que o próprio comércio foi a redução de tempo de viagem. Uma viagem à China em vez de levar anos, passou a levar meses.

fevereiro 04, 2012

Desbastar a Pedra Bruta – Simbologia do Trabalho de Aprendiz




Pela sua clareza lapidar, tomo a liberdade de transcrever uma citação de Rizzardo da Camiño, relativa ao tema:

«A pedra bruta, ou in natura, é o aprendiz, depois de concluída a sua Iniciação; antes disso, o maçom não é Pedra, mas “terra solta”, que toma forma segundo as conveniências da vida. O evento principal e inicial, na Pedra, será o seu “desbastamento”, ou seja, a retirada do que é “supérfluo”, a saber: vaidade, prepotência, presunção, intolerância, egoísmo, enfim tudo o que não for catalogado como “virtude”.

O trabalho que a Maçonaria exerce “sobre” o aprendiz, será a retirada das arestas, com o pleno consentimento e colaboração do próprio “desbastado”. Não há, propriamente, um “autodesbastamento”, porque o trabalho é dos mais árduos e deve ser orientado»

- «O Companheirismo Maçónico» - Rizzardo da Camiño:

Quando esta venerável Loja me permitiu o acesso à Luz, nesse momento inesquecível da Iniciação, tive  a certeza que os percursos iniciáticos seriam o início duma caminhada de aperfeiçoamento interior muito particular. Na minha primeira visualização do Templo, embora encadeado pelos reflexos da Luz que ofuscava e com o entusiasmo e emoção dum recem chegado, não esqueci a reflexão efectuada na câmara escura, em que um marco se evidenciou como referencial do meu “deslumbramento” ainda profano: a Pedra Bruta.

A simbolologia que encerra - desbastar a pedra bruta – pareceu-me traduzir o essencial daquilo que será o precurso de um Aprendiz Maçon e por isso resolvi partilhar convosco, nesta prancha,  algumas reflexões que tenho vindo a interiorizar e a coligir sobre o profundo significado que esta simbologia encerra.

A PEDRA,  O HOMEM E A ARTE DE A TRABALHAR
A pedra acompanha o homem desde os tempos mais remotos, constituindo-se sucessivamente como arma, projéctil, ferramenta, matéria prima, objecto de contemplação, entre outros. A importância da pedra e as diversas simbologias que encerra, podem ser observadas  desde as enormes esculturas na Ilha de Páscoa, passando pelo Stonehenge (em Inglaterra), pelas pirâmides (no Egipto), até às monumentais catedrais medievais, nos seus diversos estilos.

fevereiro 02, 2012

A METAMORFOSE - da Morte à Vida, o Estádio e o Ser


Sento-me humildemente perante Vós para partilhar o que do meu âmago sinto, hoje, que sou M:., o estádio em que me encontro e o ser que me sinto.

Ignorante morri, ignorante nasci.

Com a morte simbólica e iniciática, foi-me concedido o ingresso numa nova vida, renasci interiormente e transmutei o meu íntimo, o meu verdadeiro ser.
Não tenho dúvidas, foi uma inevitabilidade, foi o caminho para uma nova oportunidade.

Morrer é fundamental no processo de iniciação maçónica. Representa um ritual de passagem do mundo profano ao mundo maçónico.
Reflectir sobre a morte é reflectir sobre a vida.

Na câmara de reflexões isolei-me do mundo, fiz a introspecção necessária, conheci-me a mim mesmo. Conforme diz Sócrates, “conhece-te a ti mesmo”, isto é, “torna-te consciente da tua ignorância”.

Visita o interior da Terra e, rectificando, encontrarás a Pedra Oculta”. Conforme refere Jules Boucher “trata-se de um convite à procura do Ego profundo, que nada mais é do que a própria alma humana, no silêncio e na meditação” .

fevereiro 01, 2012

Ser Companheiro


Sendo a palavra Companheiro de origem latina, o significado que lhe é atribuído tem provocado controvérsias quanto à sua origem etimológica. Sendo diversas as teorias sobre o seu significado composto, não pretendo aqui apresentá-las. Tão somente, revelar a minha predilecta.

Segundo uma das teorias, o termo “Companheiro” é derivado da expressão cum panis, onde cum reporta à preposição com e panis é o substantivo masculino de pão, o que lhe dá o significado de participantes do mesmo pão. Esta interpretação, remete-nos para a ideia de uma convivência tão íntima e profunda entre duas ou mais pessoas, a ponto destas participarem do mesmo pão, para o seu alimento.
Independentemente da sua origem etimológica, a palavra Companheiro associa-se sempre à virtude e à partilha.

Historicamente, e consultada diversa bibliografia, verifica-se que até os anos de 1670, não existem documentos registados, que citem o Grau de Companheiro.   Desde o ano de 1356, onde nasceu a Maçonaria documentada, até a década de 1670, predominou o grau de Aprendiz, sendo que os antigos Catecismos, apenas mencionam  Aprendiz e Companheiro trabalhando juntos.

janeiro 31, 2012

Alvores da Maçonaria em Portugal




Introdução
Antes de entrarmos nos primórdios da história da maçonaria em Portugal convirá recordar alguns factos que a enquadram no seu histórico geral. A Maçonaria moderna não tem uma origem ou uma fonte específicas, ao contrário de que alguns maçons defendem. Ela é equiparável a um rio cujo caudal é a soma dos caudais dos seus afluentes, caudais esses que lhe são entregues em épocas e locais bem diferentes.

Os conceitos históricos/filosóficos que enformam a Maçonaria moderna não são produto de uma acção ou atitude singulares. É antes o somatório de vários pensamentos e filosofias que têm como resultante a Maçonaria como hoje a conhecemos. 
Desde conceitos radicados nas culturas suméria e egípcia até aos conflitos entre católicos e protestantes na Inglaterra do século XVIII, passando pelas filosofias essénias e templárias amalgamadas nos interesses profissionais das guildas germânicas, tudo isto teve como resultado a Maçonaria que hoje conhecemos e praticamos (com influências directa nos rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito).

Não há qualquer dúvida que a Maçonaria Moderna nasce em 1717 quando o reverendo Anderson é encarregado de elaborar as regras de comportamento da nova Ordem Maçónica. Mas, como se sabe, antes disto, ela existia e com implantação forte, na sociedade britânica.

Era constituída por maçons operativos, isto é, aqueles que praticavam uma profissão e que a defendiam já com determinados métodos, regras e rituais. São os chamados Maçons Antigos. Mais tarde permitiram a iniciação de alguns homens, que pela sua riqueza material ou intelectual entenderam serem dignos da admissão naquela que era uma sociedade rigorosamente fechada. Foram os Maçons Aceitos.

janeiro 28, 2012

Normas do Comportamento Maçónico

Desde sempre que houve a preocupação de estabelecer normas e de reger o comportamento dos Maçons, dentro e fora da Loja.
As Constituições, os Regulamentos internos, os decretos-leis dos Grão-mestrado, os normativos dos Conselhos da Ordem etc. são vários exemplos de documentos da regência comportamental maçónica .
Existem, todavia, dois que sobrenadam por todos estes.
Um, que constitui a trave mestra do edifício maçónico, e que é o ponto de partida para todos os outros, que são as CONSTITUIÇÕES DE ANDERSEN e outro, com um estilo de implantação diferente e exercendo uma maior influência na Maçonaria americana, mas que é alvo de forte contestação pontual por parte da Maçonaria Liberal. Estamos a referir aos Landmarks de Mackey.
Façamos então umas breves passagens sobre estes dois documentos para dar uma panorâmica geral da estrutura normativa que nos orienta.

     AS CONSTITUIÇÕES DE ANDERSEN
Em 1717, quatro Lojas de Pedreiros Livres – “O Ganso e o Espeto” ; “A Cervejaria e a Coroa”; “A Taverna da Macieira” e a “Taverna da Caneca e do Vinho” – decidiram organizar-se numa espécie de Federação a que deram o nome de Grande Loja.
Elegeram então um primeiro Grão-Mestre, com autoridade sobre todos os Maçons.

janeiro 26, 2012

Frederico II da Prussia e as Grandes Constituições de 1786

MONOGRAFIAS MAÇÔNICAS
pelo Ven.Irmão WILLIAM ALMEIDA DE CARVALHO 33

Frederico II da Prussia e as Grandes Constituições de 1786


Assim como a maçonaria simbólica é regida pelas Constituições de Anderson, os Supremos Conselhos do REAA o são pelas Grandes Constituições de 1786. Ainda que muito importantes, as Constituições de 1786 não foram redigidas por Frederico II da Prússia, conforme se demonstrará a seguir.

Causa espanto verificar que, no Brasil, uma grande parte dos maçons dos altos graus, por falta de conhecimento de história maçônica, continua ainda acreditando e “jurando de pés juntos” que as Constituições de 1786 foram elaboradas pelo rei prussiano. Pensam, erroneamente que, por constar nos rituais do REAA, Frederico tenha criado e legitimado as Constituições de 1786. Isto, ipso facto, transforma-se em artigo de lei ou de crença inabalável.

Um fato ponderável e concorrente para essa mitologização foi a certeza de que os EEUU, à época em se criaram os 33 graus, não eram nenhuma potência maçônica, como vieram a se tornar posteriormente. Necessitavam, portanto, de um forte aval para legitimar o Supremo Conselho de Charleston para que não caísse no ridículo. Seria como se hoje a Nigéria pretendesse criar um novo rito para a maçonaria mundial. Nada melhor, então, do que um rei europeu, um déspota esclarecido, com nítida simpatia pela maçonaria, tornar-se o autor das Constituições de 1786.
Vejam-se, então, os autores do primeiro time maçônico e tudo que tiveram a dizer sobre a propalada e ridícula assertiva de ser Frederico II da Prússia, o autor das Constituições de 1786.

janeiro 24, 2012

O Congresso de Lausanne

Monografias Maçónicas
pelo Ven.Ir:. WILLIAM ALMEIDA DE CARVALHO 33

O Congresso de Lausanne


A segunda tentativa de promover-se a união e a organização internacional, antevista e abortada em 1834, foi o Convento que se realizou em Lausanne na Suíça período de 6 a 22 de setembro de 1875, tendo como principais objetivos revisar e reformar as Grandes Constituições de 1786. Visou, também, à definição e à proclamação de princípios e à elaboração de um Tratado de Aliança e Solidariedade.

Onze Supremos Conselhos se fizeram representar neste Convento: Inglaterra (e País de Gales), Bélgica, Cuba, Escócia, França, Grécia, Hungria, Itália, Peru, Portugal e o anfitrião Suíça. A Escócia e a Grécia, ambas representadas pelo mesmo Ir\ se retiraram antes do término dos trabalhos, fato que levou a assinatura dos documentos finais a somente nove países. Os Supremos Conselhos dos Estados Unidos (jurisdição sul) [1], Argentina e Colômbia deram seu assentimento, mas não puderam mandar representantes. O do Chile mandou dizer que daria seu assentimento às resoluções do Conclave.Após numerosas reuniões de trabalho em comissão e onze sessões plenárias, o Conclave foi encerrado em 22 de setembro de 1875.

janeiro 22, 2012

Alvores da Maçonaria em Portugal_v0

 Introdução

Antes de entrarmos nos primórdios da história da maçonaria em Portugal convirá recordar alguns factos que a enquadram no seu histórico geral.
A Maçonaria moderna não tem uma origem ou uma fonte específicas, ao contrário de que alguns maçons defendem. Ela é equiparável a um rio cujo caudal é a soma dos caudais dos seus afluentes, caudais esses que lhe são entregues em épocas e locais bem diferentes.

Os conceitos históricos/filosóficos que enformam a Maçonaria moderna não são produto de uma acção ou atitude singulares. Sãp antes o somatório de vários pensamentos e filosofias que têm como resultante a Maçonaria como hoje a conhecemos.

Desde conceitos radicados nas culturas suméria e egípcia até aos conflitos entre católicos e protestantes na Inglaterra do século XVIII, passando pelas filosofias essénias e templárias amalgamadas nos interesses profissionais das guildas germânicas, tudo isto teve como resultado a Maçonaria que hoje conhecemos e praticamos.

janeiro 20, 2012

Génese e Expansão dos Supremos Conselhos do R.E.E.A.

O  R.E.A.A aparece no mundo, como é praticado atualmente, com a constituição do primeiro Supremo Conselho de Charleston em 31 de maio de 1801. O mundo maçônico da época, basicamente europeu, não tomou o mínimo conhecimento, pois seria como se hoje, em Cochabamba, na Bolívia (sem nenhum demérito para os IIrr\bolivianos) se formasse uma nova instituição maçônica.

Os europeus viam os norte-americanos como chucros e selvagens, ou seja gente de país, diríamos hoje, periférico. Coil [1], na sua Enciclopédia, afirma que “pouco se conhece sobre os assuntos do Supremo Conselho do Sul [pois os EEUU são o único país do mundo que possui dois Supremos Conselhos: Jurisdição Sul e Norte] nos primeiros 50 anos de sua existência”.
  
Em 4 de dezembro de 1802, uma circular – atrevida e demente, para não dizer paranóica para a época - dava conhecimento ao mundo maçônico da criação deste Conselho-Mãe em Charleston, Carolina do Sul, apelidado desde então de Supremo Conselho dos Soberanos Grandes Inspetores Gerais, 33º e último grau do Rito Escocês Antigo e Aceito. A circular afirmava pomposamente que em “31 de maio, o Supremo Conselho dos Estados Unidos da América foi constituído em grande pompa pelos IIrr\John Mitchell e Frederico Dalcho e o pleno efetivo dos Grandes Inspetores Gerais foram, no curso do presente ano, completado conforme as Grandes Constituições”.


Naudon [2], no seu livro clássico,  afirma que “o Ir\John Mitchell tomou o título de Soberano Grande Comendador deste Supremo Conselho e o Ir\Dalcho, o de Grande Comendador Adjunto. Os outros membros eram os Mui Ilustres IIrr\Emmanuel de la Motta, Abraham Alexander, Major Th. Bartolomew Bowen, Israel de Lieben, Dr. Isaac Auld, Moses C. Levy e o Dr. James Moultrie. O conde de Grasse-Tilly e seu sogro Delahogue estavam entre os fundadores; permaneceram como membros até a sua partida para São Domingos e antes que o efetivo de nove membros tivesse sido completado”.

Assim como a maçonaria simbólica é regida pelas Constituições de Anderson, os Supremos Conselhos o são pelas Grandes Constituições de 1786. Apesar de sua importância, as Constituições de 1786 não foram redigidas por Frederico II, da Prússia, conforme já