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janeiro 16, 2013

A Maçonaria face às Ditaduras


Introdução
Do ponto de vista histórico, a Maçonaria é um fenómeno sócio-político que desempenhou um papel mais ou menos grande na nossa história ocidental, directa ou indiretamente, mas sempre de forma constante ao longo dos últimos três séculos.
No entanto, poucos assuntos, mesmo ainda hoje, têm causado tanta polémica e têm sido tão controversos.  A Maçonaria pertence a um capítulo da história, que até ainda recentemente, se tornou polo de atracção  de dois campos opostos, o dos apologistas e o dos detractores. E isso numa área que poderíamos chamar de especialistas; pelo contrário,  para um nível mais popular, a Maçonaria continua a ser muito pouco conhecida, embora se fale muito sobre ela.

O complot jacobino, ou se preferir, revolucionário no final do século XVIII, na sua luta contra o trono e o altar será rapidamente substituído pelo complot satânico (habilmente inventado e explorado por um personagem tão pitoresco como Leo Taxil) especialmente dirigido  contra o poder da Igreja.  Derivará em pleno século XX, para a conspiração judaico-maçónica à qual se irão acrescentar novos termos "pejorativos" como a palavra marxista ou comunista, traço característico de certas ditaduras, como a do general Franco, durante a qual o seu famoso slogan do complot "judaico-maçónico-comunista" causa de todos os males passados , presentes  e futuros  da Espanha,  se transformou numa verdadeira obsessão.

novembro 12, 2012

Resistência Factor de Progresso


Introdução
Resistência: Mito ou Realidade
Resistencia(s) no  Século XXI - Utopia ou Necessidade
Maçonaria: Resistência especulativa ou espírito de resistência:
Conclusão


Introdução
É uma grande honra ser convidado para apresentar uma prancha nesta sessão, em que nos acolhem tão fraternalmente na vossa oficina.
Para todos nós, esta noite é uma celebração, porque se reúnem sob o céu estrelado as nossas respectivas lojas, que se unem em amizade.

Neste contexto, é possível abordar um assunto sério como a da noção de Resistência, a sua evolução através do tempo, as questões que nos coloca enquanto Maçom.
Vários motivos me orientaram nesta escolha:

O primeiro, tão óbvio para mim, reside no facto de que estamos em Tulle, teatro da barbárie nazi, o centro de resistência no centro do maquis de Corrèze e mais largamente do Limousin

O segundo pode refletir o calendário deste fim de semana de 8 de maio

O terceiro é que nós, maçons devemos ser capazes de informar os cidadãos sobre os grandes problemas que enfrentamos hoje, no mundo em mudança. Tal como ontem, enfrenta o horror na sua mais extrema barbárie, gera injustiças intoleráveis, viola os direitos humanos e da democracia, espezinha os valores universais moldados ao longo dos séculos por uma humanidade em busca da igualdade e da fraternidade.

outubro 12, 2012

Paradigmas Emergentes

 À  Glória da Maçonaría e Progresso da Humanidade

O antropocentrismo ilustrado foi o paradigma de partida da Maçonaría especulativa. Supôs uma importante ruptura com os modelos anteriores e libertou o pensamento humano de grande parte do peso da superstição.

A Maçonaria inclusivamente antecipou-se ao seu tempo e adoptou na sua forma de trabalho modelos democráticos que não tinham  paralelo nas estruturas políticas do seu ambiente primitivo.Com o tempo, esses modelos foram chegando à sociedade por meio de adaptações, em muitos casos violentas.

No entanto, temos de rever essa base teórica da nossa instituição, porque embora possa ainda estar em vigor em alguns aspectos, noutros foi varrida por sucessivos acontecimentos e pela evolução do pensamento.

A velocidade com que ocorrem mudanças sociais tem-se tornando cada vez mais vertiginosa, especialmente após a revolução tecnológica, que aumentou a rapidez e o alcance da informação.
O Conhecimento deixou de estar intrincheirado nas instituições académicas e é mais acessível ao público através de dispositivos electrónicos. No entanto, o saber esconde-se na vasta rede de dados que suporta o acesso digital.
Após o Iluminismo e depois dos primeiros triunfos do racionalismo, este começou a sofrer os embates do seu próprio desenvolvimento. A Ciência desmantelou os  modelos mecanicistas, porque ensinou que quanto mais se aprofunda o conhecimento, mais indeterminada se torna a realidade.

outubro 10, 2012

Mais de dois Séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens ?


Segundo a historiografia oficial, o Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu no território dos  Estados Unidos da América (EUA) em 1801, em Charleston, Carolina do Sul.

Nos últimos anos, diversos investigadores maçónicos têm procurado esclarecer os  aspectos elementares desta importante matéria, dando a conhecer novos dados  documentais que vêm preencher amplas lacunas.

O Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) nasceu nos EUA?
Foi alvo de uma reorganização nos EUA com o acréscimo de 8 graus?
Ou as suas fontes efectivas estão em França?

Nesse sentido, torna-se útil efectuar um conjunto de referências que possam ser objecto  de uma posterior reflexão sobre as reais origens do rito mais divulgado e praticado em  todo o mundo.

setembro 21, 2012

A Maçonaría “não pode viver metida nas lojas”


Javier Bonales chegou à Maçonaria pela mão de seu padrinho. Bonales decidiu iniciar-se em 1979, numa casa particular em Barcelona. "Aqui nessa altura não havia nenhuma loja. A ditadura franquista tinha destruído tudo. Quando chega a democracia e se restabelece a Maçonaria, eu procurei inteirar-me, entrei em contato e iniciei-me numa casa particular. Desde esse dia, até hoje."

- O que significa ser maçon?
-É fazer parte de uma escola iniciática de aperfeiçoamento do ser humano. Isso não significa que a Maçonaria tenha uma varinha mágica para essa melhoria. Assumimos que qualquer ser humano pode procurar o seu aperfeiçoamento fora da maçonaria. O maior segredo que tem a Maçonaria é precisamente não ter segredos. É um lugar comum para discutir os diferentes pontos que convergem na busca da perfeição. Em todos as Lojas se abrem debates sobre temas que não são nem religiosos nem políticos, e nenhuma postura é melhor que a outra. Enriquecemo-nos  todos.

- Por que não saem para a sociedade, dando a vossa opinião?
"Posso pensar, por exemplo, que os fundamentos da economia tornaram-se obsoletos. Mas é a minha opinião e exponho-a na loja. O nossa função é essa: debater e expor os nossos pontos de vista. Não pretendemos que, como maçons, salpiquemos a vida pública para dizer que esta ou aquela é a solução. É que ninguém realmente a tem.

setembro 18, 2012

A Maçonaria dos negros americanos

Em 1775, um americano de raça negra com o nome de Prince Hall (1735/1807), metodista e divulgador religioso, foi iniciado em Boston na companhia de mais 14 homens livres de raça negra, numa loja de constituição irlandesa.
Prince Hall criou a primeira loja de negros da América, a Loja Africana nº 1, em 1775 e foi-lhe conferida a patente nº 495 pela Grande Loja dos Modernos de Inglaterra, dada a recusa da Grande Loja de Massachusetts.
Em 1791, esta Loja Africana nº 1 constituiu-se em loja mãe com o nome de Grande Loja Africana da América do Norte, da qual Prince Hall foi o primeiro grão-mestre. Em 1808, um ano após a morte de Prince Hall, ela adoptou o nome distintivo e emblemático de Grande Loja Prince Hall, Maçons Livres e Aceitos de Massachusetts, que dará origem à designada maçonaria de Prince Hall.

Outras grandes lojas de negros foram criadas em seguida noutros Estados que acabaram por se fundir, em 1847, com a Grande Loja Prince Hall. Hoje, esta Grande Loja conta com cerca de 500.000 membros de 5.000 lojas que se encontram repartidas em 40 Grandes Lojas autónomas, quase uma por Estado, às quais se juntam outras existentes nas Bahamas, Haiti, República Dominicana, Libéria e, surpreendentemente, 3 lojas na Alemanha criadas no decurso da II Guerra Mundial e na dependência da Grande Loja de Maryland.
A Grande Loja Prince Hall pratica os ritos mais usuais nos Estados Unidos: York e REAA.
Mantém boas relações com outras obediências maçónicas americanas de negros como as Grandes Lojas de Sto, André, do Rei David, do Rei Salomão, de Enoch, do Monte Sinai, do Monte das Oliveiras e dos Maçons do Rito Escocês de S. Jorge.

agosto 30, 2012

Os crivos de Hiram


 Meia Noite em ponto. Uma jornada mais terminou. Cansado, depois de um dia de trabalho Mestre Hiram recosta-se sobre a frescura do ébano para um merecido descanso. É nesta altura que, subindo em sua direcção, se aproximou o seu discípulo predilecto, que lhe relata:

 - Mestre Hiram vou contar-te o que me disseram sobre o segundo Mestre construtor…

 - Calma, meu discípulo e amigo. Antes que me contes algo que poderá não ter relevância, já fizeste passar a informação pelos Três Crivos da Sabedoria?

 -Crivos da Sabedoria? Não os conheço! - disse o discípulo.

 -É verdade, não os conheces porque ainda não te os havia ensinado. Parece-me que chegou o momento. Deves passar toda a informação em primeiro lugar pelo crivo da VERDADE e então eu pergunto-te: tens a certeza do que o que te contaram é de facto VERDADE?

 - Bem, não tenho realmente a certeza, só sei o que me contaram.
Hiram, continua:

julho 15, 2012

O Saber e o Conhecimento

Introdução
O Saber e o Conhecimento interessaram desde sempre os maçons, fundamentalmente  porque interferem no campos científico, cultural e sociológico, desafiando a consciência, a filosofia e o  sentimento religioso.

Além disso, estão incluídos dum modo implícito nos rituais maçónicos, uma vez que estruturam, como veremos mais tarde, a propósito da procura iniciática e  moldam a linguagem simbólica.

Existem  pelo menos duas boas razões intelectuais para estarmos interessados num tal estudo.  Mas além do prazer de conduzir esta pesquisa, existe fundamentalmente  mais a necessidade premente de compreender o sentido da vida,  aventurando-nos  em novos espaços, formadores  e formatadores duma exigência de verdade.  Essa necessidade de lucidez  e autenticidade é a chave que permite fortificar  a vontade de quem procura. Assim armado, o maçom será mais forte para empreender todas as pesquisas necessárias, que o levará a clarificar a aquisição do inato, o significado do significativo e o saber  do conhecimento.

"Há o que há" ... . onde "é ..." de acordo com a tradução, estas são as primeiras palavras de uma estrofe do poema de Parménides, que aprova magistralmente a interrogação primordial do homem face ao seu destino e que ao mesmo tempo qualifica esta força de vontade, que poderá  ser o motor da evolução . Compreender e investigar a origem desta vontade  é viver a sua condição humana. Em cada indivíduo existe pois fundamentalmente uma necessidade de ser e é em virtude desta necessidade que as noções de saber  e de conhecimento são o tema deste trabalho.

Definição
De acordo com o Larousse  enciclopédico a definição do saber é "um conjunto coerente de conhecimentos adquiridos em contacto com a realidade ou pelo estudo" e sempre segundo o mesmo editor a definição de conhecimento é "o conjunto dos domínios onde se exerce a actividade de aprender”. Mas também "o facto de compreender, de  conhecer as propriedades, as características, os traços  específicos de qualquer coisa."


junho 20, 2012

Tradição e modernidade na Maçonaria – Parte II

No início deste capítulo introduzi  a noção de limite  falando da tradição e, especialmente,  do limite de tempo  ligado ao estudo simbólico  das tradições.  Na verdade, quando uma tradição chega até nós, é muito difícil determinar a sua origem.  O simbolismo torna –se a única maneira de decifrar o que essa tradição nos traz em termos de conhecimento.  Determinar a natureza do conhecimento transmitido não está necessáriamente relacionado com a lógica como nós a entendemos.  Que sabemos  nós da lógica daqueles que estão na origem da tradição e dos sinais que  utilizaram para a transmitir?  Os conceitos que presidiram ao enriquecimento do conteúdo duma tradição que sobreviveram,  são de natureza  múltipla  mas de  contexto cultural semelhante.

No que respeita à tradição maçónica, e mais particularmente à Maçonaria especulativa moderna,  parece que as noções base fazem parte do domínio da construção.  Encontramos referências directas e apoiadas no Templo de Salomão, por exemplo.  O vocabulário foi enriquecido com toda uma variedade de ferramentas específicas  dos construtores .   No entanto, os  maçons  não construiram mais do que as suas mãos.   Isso não os impede de continuar a construir templos à virtude e paredes impenetráveis ao vício.

Neste caso, como devemos entender "virtude" e "vício"?   Há,  certamente,  o sentido directo e literal,  como há a compreensão simbólica.  Portanto, quando palavras como religião, Deus,  amor aparecem num  texto tradicional,  os que o lêm não o  fazem  necessariámente ao nível  simbólico que deveria  ser o delas.

junho 18, 2012

Tradição e modernidade na Maçonaria – Parte I

1. Preliminar.
Apenas me  decidi a confiar finalmente  as minhas dúvidas para o papel, logo   me questionei  como iria ser capaz de introduzir o assunto.  Admito ter-me  deixado embalar por uma euforia suave,  imaginando que um sinal exterior  viesse alimentar a minha imaginação. 

Assim pensei,  assim realizei.  Regressado duma refeição bem regada,  encontrei-me com bastante energia para queimar e os meus passos  levaram-me  à   minha livraria favorita,  onde encontrei  uma nova publicação de André Comte-Sponville (nota 1).  Um amigo  ofereceu-me há bastantes anos um dos  seus escritos que deve estar  a estagiar há um par de anos num dos meus armários. O que eu comprei é intitulado "O espírito do ateísmo" e ao vê-lo em exposição,  não resisti. Qual a ligação com o assunto que nos ocupa,  perguntarão?  A resposta é fácil, sem ser evidente.  A Tradição maçónica alimenta-se da espiritualidade e parece difícil alimentar a espiritualidade sem Deus à mão.  André Comte-Sponville promete ou, pelo menos propõe,  uma espiritualidade sem Deus.

Desde o prefácio, estou  completamente embrenhado.  "O Retorno da espiritualidade?  Não seria um problema. Mas o dogmatismo está de volta,  muitas vezes com  o obscurantismo,  o fundamentalismo e às vezes o fanatismo.  Seria errado abandonar o terreno.  O combate pelas luzes continua,  raramente terá sido tão  urgente, e é uma luta pela liberdade. " (Fim de citação). Não vou citar tudo o que ele escreveu  desde a  introdução, mas é provável que vá extrair algo das suas ideias, porque me  parecem ter alguma  relevância para o tema que vos quero transmitir. 

Eu poderia, em rigor,  criticar a ideia de combate, mas permanecendo profundamente pacifista,  reflecti  que por  vezes é necessário  maltratar o adversário. Não é entretanto necessário matá-lo. Mas parece que o homem parece ser o único na espécie animal a ser um lobo de si mesmo.  Aceitemos portanto que há uma luta moderada como se de facto essas duas palavras pudessem  ser unidas à mesma ideia.

junho 03, 2012

«On n' est pas initié, on s' inicie soi-même».


«On n' est pas initié, on s' inicie soi-même».

Existem coisas que, reveladas, sucumbem ou perdem o seu valor e, por outro lado, ocultas atingem a sua plenitude.

Alguns não reconhecem a profundidade de algo porque exigem que o profundo se manifeste de igual forma que o superficial. Não aceitando que há varias formas de brilho, focalizam-se, exclusivamente, no peculiar brilho da superfície. Não reparam que é essencial ao profundo ocultar-se sob a superfície e apresentar-se só através dela, permanecendo debaixo dela.

Desconhecer que cada coisa tem a sua própria condição e não a que queremos exigir-lhe é um verdadeiro pecado capital ou cordial porque deriva da falta de amor.


Nada é mais ilícito do que apequenar o mundo com as nossas manias e cegueiras, diminuir a realidade, suprimir imaginariamente pedaços do que é.

Isto acontece quando se pede ao profundo que se apresente da mesma maneira que o superficial. Não: há coisas que apresentam de si mesmas, apenas o estritamente necessário para nos prevenir que, atrás delas, estão outras ocultas.

maio 30, 2012

Interpretação esotérica da história de Pinóquio


Lançado em 1940, Pinóquio é um clássico da Disney que continua a ser apreciado por crianças e adultos em todo o mundo. No entanto, a história do boneco de madeira esconde uma alegoria espiritual baseada nos ensinamentos esotéricos, que raramente é discutida. Vamos olhar para as origens desta aventura animada e o seu significado subjacente.

Vi pela primeira vez Pinóquio como uma criança numa fita VHS mal gravada, com o meu irmão mais pequeno. Eu gostava das melodias cativantes e do Grilo Falante. Fiquei no entanto apavorado com o motorista e não gostava da parte submersa. Isso é mais ou menos o que eu me lembro até recentemente,  deste clássico da Disney,.

Numa noite dum domingo preguiçoso, encontrei o "remasterizado digitalmente " filme na televisão e revi-o "para os velhos tempos." O que era para ser uma viagem divertida pelas ruas de memória tornou-se uma revelação chocante: Pinóquio é um dos filmes mais profundos que eu já vi alguma vez.

Poderia ser uma alegoria sobre a espiritualidade enorme e a sociedade moderna? Há que detectar sinais de iniciação nos mistérios escondidos? Imediatamente comecei a investigar as origens do Pinóquio e todas as minhas teorias foram abundantemente confirmadas.

Escusado será dizer que este filme é agora um elemento básico na cultura popular actual. Quantas pessoas NÃO viram este filme? Por outro lado, quantas pessoas estão conscientes do verdadeiro significado subjacente de Pinóquio? Por trás da história do boneco tentando tornar–se numa boa pessoa, está uma história profundamente espiritual que tem as suas raízes nas escolas de mistério do ocultismo.

abril 08, 2012

A Mulher na Maçonaria


 A tradição maçónica diz-nos que os maçons eram originalmente os trabalhadores e construtores de antigamente, por esta razão a Maçonaria Feminina não é actualmente reconhecida pelas lojas regulares em todo o mundo (1). No entanto, em alguns países, existem  lojas maçónicas de mulheres, que motivadas pelo desejo e busca do conhecimento, trabalham àrduamente no polimento da pedra bruta.

As mulheres durante séculos lutaram pela emancipação e  conquista dos  seus direitos, e devemos reconhecer que, dia após dia,  vão-se impondo em todas as áreas. É natural que a Maçonaria, pelos seus princípios e rituais, lhes tenha despertado interesse. Em 1717 foi fundada a Grande Loja da Inglaterra, e o Pastor Anderson recusou às mulheres o direito à iniciação por esta razão: era necessário ser livre e de bons costumes;  de facto, naquele tempo as mulheres viviam sob a tutela do sexo masculino e não eram consideradas livres.

No início do século XVIII, foram criadas em França várias sociedades secretas que tentaram  imitar a maçonaria na sua forma exterior , caracteres e ritos,  diferenciando-se desta  pela  admissão de mulheres. Entre essas ditas sociedades, podemos  citar a de Cagliostro, a Maçonaria Egipcía, que ainda está a funcionar actualmente.

 Em 1774, o Grande Oriente da França criou um novo rito, chamado de adopção ou "Maçonaria de Senhoras", que submeteu à sua jurisdição, estabelecendo regras e leis para a sua governação; prescreveu que sómente os Mestres maçons poderiam participar nas suas reuniões; que cada Loja de Adopção ficasse a cargo e sob a sanção e garantia duma Loja Maçónica regularmente constituída e que o Venerável Mestre desta última, ou os Vigilantes na ausência dele, fossem o oficial responsável pela presidencia, acompanhado da «Mestra presidenta»  da loja de Adopção.

abril 03, 2012

Porquê a Maçonaria no Século XXI?



 A Maçonaria é um caminho possível para alcançar a felicidade pessoal, desde que reconhecamos que  para percorrê-lo  temos de trabalhar fiéis à nossa vocação universal e procurar a felicidade de toda a humanidade

Porque potencia a sociabilidade humana


 Como expôs o filósofo e maçon  K. Christian F. Krause,  no início do século XIX,  o impulso básico dos homens  - mulheres e homens  – é o da sociabilidade, e a Ordem Maçónica é uma associação ideal dedicada ao desenvolvimento dessa sociabilidade como uma expressão de nossa humanidade plena e pura.

A nossa tradição compromete-nos a dar apoio a qualquer irmão ou irmã que se encontr em situação de necessidade mas , além deste compromisso, o que a Loja nos popôe  é uma microsociedade com um funcionamento ordenado, em que cada membro asume um papel rotativo para interpretar uma e outra vez a nossa essência social. Esta microsociedade  dá-nos  a oportunidade de compartilhar múltiplas  experiências, como a de pertencer  a um projecto autêntico e humanizante, em que se estabelecem os elementos necessários para o animal social que é o homem,  tenha  a oportunidade de reconhecer-se  e de se reconciliar  com a sua pura humanidade .

A Loja  é um encontro com outras pessoas que facilita e orienta o encontro consigo mesmo, através dos complexos mecanismos de identificação com os outros, o reflexo nos outros, o jogo de percepções com os outros, a dissecação do «eu».... e, acima de tudo,  a  Loja  é um espaço humano que recria o ambiente socio-natural  óptimo de um ser evoluido: uma comunidade de mulheres e homens,  ordeira,  democrática,  procurando juntos a interpretação da existência.

março 13, 2012

A Maçonaria e o Século XXI


A forma de fazer Maçonaria no século em que recentemente entrámos não será certamente a mesma que foi praticada nos séculos anteriores, principalmente desde o primeiro quartel do século XVIII.
Em cada um houve alterações e adaptações às realidades sociais da época em vivência, sem as quais a Maçonaria não teria sobrevivido.
Com a responsabilidade social que todos lhe reconhecem, sejam adeptos ou opositores, a Maçonaria criou um espaço próprio gerador de uma auréola transmissora de certeza na capacidade de resolução de situações sociais difíceis.

Isto constitui para nós uma séria responsabilidade que teremos de honrar.
No entanto a Maçonaria sempre suscitou, na sociedade profana, múltiplas interrogações, expressas de diferentes formas, mas todas elas com um denominador comum, que é o de se colocar em dúvida a justeza da existência de uma sociedade discreta (ou secreta, como outros preferem) numa sociedade civil democrática como a nossa.

É frequente colocar-se a questão de se após a democratização do país justificar-se a existência de uma estrutura filosófica, iniciática, e discreta (secreta), com os seus ritos, segredos e comportamentos. É evidente que a resposta só pode ser afirmativa. Sem o respeito e a salvaguarda dos ritos, segredos, tradições e cultura maçónica a Maçonaria deixava pura e simplesmente de existir.

março 10, 2012

O Rito da Perfeição


Alguns autores suscitaram, em diversos momentos, dúvidas quanto à existência deste rito e outros pretenderam fazer crer que os chamados graus escoceses tinham uma origem inglesa.

No entanto, a existência do Rito da Perfeição, enquanto rito organizado com os seus rituais e instâncias dirigentes, está largamente provado e assenta em factos historicamente documentados.

Este rito desenvolveu-se sobretudo no chamado “Novo Mundo” e, segundo alguns autores, não atingiu a Europa antes de evoluir para o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Na origem deste rito estão 2 homens que consagraram as suas vidas inteiramente à Maçonaria e que foram quase ignorados ao longo dos séculos XIX e XX: Etienne Morin e Henry Andrew Francken.

Um dos méritos que lhes é reconhecido foi de terem ordenado um conjunto confuso de graus e de, a partir daí, terem constituído um rito, ou seja, uma sequência coerente de rituais colocados em prática no seio de um conjunto hierarquizado de oficinas, dotado de regulamentos, permitindo o seu funcionamento harmonioso e dirigido por deputados-inspectores.

Deste trabalho sistematizado resultou, em termos decisivos, aquilo que é o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Etiénne Morin
Não existe nenhum documento conclusivo que permita atestar a data e o local do seu nascimento, embora surjam indícios de que tenha nascido por volta de 1717, em S. Domingos, e com “algum sangue negro nas suas veias”.
Segundo Paul Naudon, terá nascido em Nova Iorque oriundo de emigrantes franceses, mas existem outros autores que consideram ter nascido em S. Domingos ou na Martinica.

março 08, 2012

A Origem Francesa do REAA

O escocismo nasceu na França, como Maçonaria stuartista, sendo, na realidade, a primeira manifestação maçônica em território francês. Quando, em 1649, o rei Carlos I (da dinastia dos Stuarts, de origem escocesa) foi decapitado, após a vitória da revolta puritana de Oliver Cromwell, sua viúva, Henriqueta de França, aceitou asilo em território francês, em Saint Germain, para onde foi, acompanhada de todo o seu séquito, onde já existiam numerosos maçons aceitos.

Onze anos depois, seria restaurado o trono stuartista na Inglaterra. Alec Mellor fala em origem jacobita do Rito Escocês, pelo fato de existirem Lojas militares, formadas pelos regimentos fiéis aos Stuarts, ou seja, regimentos irlandeses e escoceses, totalmente jacobitas e, em sua maioria, católicos. Jacobita foi o nome dado, na Inglaterra, após a revolução de 1688, quando houve nova queda de um Stuart (Jaime II), aos partidários da dinastia.

Paul Naudon informa que, em 1661, às vésperas de subir ao trono inglês, Carlos II criou, em Saint Germain, um regimento com o título de Real Irlandês, que, depois, seria alterado para Guardas Irlandeses. Esse regimento, seguindo os Stuarts, foi incluído na capitulação de 1688, desembarcando em Brest, a 9 de outubro de 1689, e permanecendo, até 1698, fora dos quadros militares franceses, quando foi incorporado ao exército francês. 

fevereiro 28, 2012

Nascidos do Sangue

Trata-se de um livro da autoria de um americano, John Robinson, e tem como subtítulo “Os segredos perdidos da Maçonaria”. O autor não é maçon e o seu livro resulta de um intenso trabalho de investigação em torno da revolta camponesa ocorrida em 1381 na Inglaterra.

Um dos mistérios que determinou a realização da investigação foi procurar desvendar a organização que tinha estado por detrás desta revolta que mobilizou centenas de milhares de ingleses e que dirigiu a sua acção violenta contra alvos bem definidos, entre eles a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de S. João, hoje denominada Cavaleiros de Malta.

Esta curiosidade foi ainda aprofundada pelo facto de após a revolta os seus principais líderes terem confessado estar ao serviço de uma Grande Sociedade. A historiografia oficial, de que a Enciclopédia Britânica faz eco, considerou-a uma revolta “curiosamente espontânea”.

No entanto, Winston Churchill, no seu livro “Birth of Britain”, escreveu que: “Durante o Verão de 1381 houve uma agitação geral. Por trás dela havia a organização. Agentes moviam-se pelas aldeias da Inglaterra central, em contacto com a Grande Sociedade que supostamente se reunia em Londres”.

Há que recordar que os Templários foram suprimidos por decreto do Papa Clemente V e que este decreto estabeleceu também que todas as propriedades desta ordem fossem entregues aos

fevereiro 13, 2012

Maçonaria e Rosacrucianismo - Uma nova reflexão cruzada

Retomo as reflexões anteriores, tentando promover uma explicação compreensível dos laços que interligam o Rosacrucianismo e a Maçonaria especulativa.

 Terminei a minha última prancha, citando alguns versos de um poema anónimo, de origem inglesa, dos princípios do século XVII que nos revela quão profunda e significativa é a proximidade existente:
“Porque somos Irmãos da Rosa-Cruz
Temos a palavra dos freemasons
E temos a dupla visão”.

Robert Fludd, tido como freemason e rosacruciano, na sua obra “A Ordem dos Rosa-Cruz (em 1617)” afirma, “os freemasons e os rosa-cruzes eram um único grupo que, um dia em tempos distantes, se separou para por um lado propagarem ideias filosóficas e filantrópicas e por outro realizarem trabalhos cabalísticos e alquímicos”.

Robert Fludd, considerado como o primeiro rosacruciano de Inglaterra, diz que o nome da ordem está ligado a uma alusão ao sangue de Cristo, na cruz do Golgota; a mística ideia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução.

fevereiro 12, 2012

O Rito das Old Charges


Este rito é conhecido hoje através de um pouco mais de uma centena de textos denominados OLD CHARGES e cuja redacção se estende por um período que vai de 1390 até aos anos que se seguiram à compilação dos Antigos Deveres (A.D.) por James Anderson, sob a forma das Constituições de 1723.

Existem alguns destes textos que são menos conhecidos:
–> Briscoe Pamphlet (1724, versão de A.D. seguida de uma critica das Constituições de 1723.*
–> Constituições de Cole, que incluem um pequeno número de versões de A.D., sendo mais de metade delas datadas do Século XVIII.*
–> Outras são datadas do Século XVI, como o Dowland (cerca de 1550), Grand Lodge nº 1 (1583), e Landsdown nº 98 (segunda metade do secº XVI).*
Quanto aos mais conhecidos, existem aspectos que se torna útil abordar:

O Regius (1390)
Os A.D. foram desde o seu aparecimento em 1390, com o Regius, os textos da franco-maçonaria inglesa que serviam numa loja de maçons operativos para receber, uma vez por ano, um ou mais aprendizes no grau de companheiro.

O conteúdo do Regius tem os seguintes elementos:
–> História geográfica do ofício de pedreiro.
–> Lista dos deveres profissionais, incluindo a descrição do juramento maçónico.
–> Martírio dos 4 santos coroados.
–> Dilúvio na época de Noé.
–> Suspensão da construção da Torre de Babel.
–> Elogio das 7 artes liberais.
–> Lista dos deveres morais próprios de todo o cristão.


A principal função de um A.D. era ser lido a um recipiendário no momento da sua admissão em loja,