Objecto do dia a dia, a corda é um entrançado de cabos de maior ou menor diâmetro que, habitualmente, não nos chama a atenção. Utilizamo-la com frequência para atar e prender e nesse sentido é um elemento que restringe a liberdade; mas utilizamo-la também para unir e ligar, para tornar uno o que está separado e, nesse sentido, é um elemento de criação, de crescimento e de liberdade.
Foi neste sentido que o Homem primeiramente a utilizou: para caçar alimento (prender), para confeccionar as suas roupas (ligar), para se deslocar de árvore em árvore (transcender-se ?). Mas certamente que não passou despercebido ao xamane ou ao feiticeiro o valor do objecto como símbolo da união entre os elementos da tribo, da integridade física (o fio que mantém os orgãos no lugar) ou associado ao nascimento (cordão umbilical) ou ao renascimento: a corda ou o fio que nos liga ao além, ao desconhecido, a uma outra vida, ao divino.
A importância celeste ou cósmica da Corda foi particularmente relevante para os egípcios e gregos, que a ela recorrem para descrever o céu e as constelações, sendo o elemento que manteria os planetas a circular no céu e conferiria unidade ao universo (a Corda de Ouro de Zeus). As trança da deusa egipcia Hathor simbolizam a tecitura ordenada do universo mas para Platão, a Luz seria uma Corda luminosa que o rodeava.













