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abril 03, 2012

Porquê a Maçonaria no Século XXI?



 A Maçonaria é um caminho possível para alcançar a felicidade pessoal, desde que reconhecamos que  para percorrê-lo  temos de trabalhar fiéis à nossa vocação universal e procurar a felicidade de toda a humanidade

Porque potencia a sociabilidade humana


 Como expôs o filósofo e maçon  K. Christian F. Krause,  no início do século XIX,  o impulso básico dos homens  - mulheres e homens  – é o da sociabilidade, e a Ordem Maçónica é uma associação ideal dedicada ao desenvolvimento dessa sociabilidade como uma expressão de nossa humanidade plena e pura.

A nossa tradição compromete-nos a dar apoio a qualquer irmão ou irmã que se encontr em situação de necessidade mas , além deste compromisso, o que a Loja nos popôe  é uma microsociedade com um funcionamento ordenado, em que cada membro asume um papel rotativo para interpretar uma e outra vez a nossa essência social. Esta microsociedade  dá-nos  a oportunidade de compartilhar múltiplas  experiências, como a de pertencer  a um projecto autêntico e humanizante, em que se estabelecem os elementos necessários para o animal social que é o homem,  tenha  a oportunidade de reconhecer-se  e de se reconciliar  com a sua pura humanidade .

A Loja  é um encontro com outras pessoas que facilita e orienta o encontro consigo mesmo, através dos complexos mecanismos de identificação com os outros, o reflexo nos outros, o jogo de percepções com os outros, a dissecação do «eu».... e, acima de tudo,  a  Loja  é um espaço humano que recria o ambiente socio-natural  óptimo de um ser evoluido: uma comunidade de mulheres e homens,  ordeira,  democrática,  procurando juntos a interpretação da existência.

abril 02, 2012

A Pedra Bruta e a Moral do Aprendiz


Uma reflexão sobre o significado simbólico da pedra bruta, sugere uma estreita relação com o sistema moral que a Maçonaria nos ensina em torno da  perfeição do homem, na busca do desenvolvimento espiritual,  atè ao comportamento social baseado em valores, respeito, fraternidade, humildade,  tolerância e os direitos do invíduo.

Este sistema moral é representado pela pedra bruta (rudimentar), que desde o início, a partir do grau de Aprendiz, nos incentiva a trabalhar em torno das práticas e doutrinas maçónicas, num desejo veemente de procura da Verdade.  Daí a estreita relação de sentido entre a pedra e a Câmara de Reflexão, negra na sua aparência, donde sobressai a antiga fórmula alquímica e hermética  V.I.T.R.I.O.L., "Visita Interior Terrae, Rectificando Invenies Ocultum Lapidem " (Visita o interior da Terra, Rectificando descubrirás a Pedra Oculta).

Mas a busca da verdade ou a descoberta dum sentido superior da vida, como resposta à nossa própria existência,  só é possível através duma investigação profunda dos nossos sentimentos e da melhor disposição para um verdadeiro trabalho interior.  É assim que o trabalho maçónico  consiste simbólicamente em aperfeiçoar a existência humana, através dum permanente e sucessivo processo de transformação. A "pedra bruta" constitui o símbolo do Aprendiz,  a "pedra cúbica" simboliza o Companheiro e a "pedra cúbica em ponta" o Mestre,  as quais, no seu conjunto,  simbolizam o motivo central da superação permanente e constante na busca do pensamento independente e da perfeição.

março 16, 2012

A Maçonaria é uma Religião??

Não são poucas as pessoas que consideram a organização maçónica como um fenómeno religioso, definindo o termo  "fenómeno" segundo a filososofia de Emmanuel Kant, como o que é objecto da experiência sensorial. Ou seja, interpretam as práticas maçônicas como religiosas. É assim mesmo ou será uma ilusão influenciada pelo preconceito e ignorância?

Para encontrar uma resposta que consiga levantar o véu do preconceito e derramar luz na escuridão da ignorância, é necessário entender do que fala quando se afirma "é uma religião." A noção é tão vasta e tão heterogénea que é impraticável defini-la numa nota,  para que seja entendida de forma totalmente satisfatória. No entanto, algumas idéias podem desencadear  a chispade  pesquisa do leitor,  para continuar a ler outras a este respeito.

De todos os cantos do mundo e em todas as áreas, somos sujeitos a anos de bombardeamento  com propaganda teológica, de tal modo que conheço pessoas que, de tão feridas que foram, não conseguem compreender  plenamente a vida sem os ditames de uma religião particular. Para fornecer um bálsamo, seria uma boa acção  definir o que é uma religião, para então comparar as características obtidas, com as práticas maçónicas e lograr responder à questão colocada no título deste trabalho.

Segundo Emile Durkheim, um dos fundadores da moderna sociologia,  em «As Formas Elementares da Vida Religiosa»  «uma religião é um sistema integral de crenças e práticas relativas a coisas sagradas;  isto é, separadas ou proibidas, crenças e práticas que reunem  numa mesma  comunidade moral todos os que aderem a elas " . Esta definição centrada nas noções de sagrado e comunidade oferece o mais amplo sentido, sociológico ou etnológico da palavra religião.

março 13, 2012

A Maçonaria e o Século XXI


A forma de fazer Maçonaria no século em que recentemente entrámos não será certamente a mesma que foi praticada nos séculos anteriores, principalmente desde o primeiro quartel do século XVIII.
Em cada um houve alterações e adaptações às realidades sociais da época em vivência, sem as quais a Maçonaria não teria sobrevivido.
Com a responsabilidade social que todos lhe reconhecem, sejam adeptos ou opositores, a Maçonaria criou um espaço próprio gerador de uma auréola transmissora de certeza na capacidade de resolução de situações sociais difíceis.

Isto constitui para nós uma séria responsabilidade que teremos de honrar.
No entanto a Maçonaria sempre suscitou, na sociedade profana, múltiplas interrogações, expressas de diferentes formas, mas todas elas com um denominador comum, que é o de se colocar em dúvida a justeza da existência de uma sociedade discreta (ou secreta, como outros preferem) numa sociedade civil democrática como a nossa.

É frequente colocar-se a questão de se após a democratização do país justificar-se a existência de uma estrutura filosófica, iniciática, e discreta (secreta), com os seus ritos, segredos e comportamentos. É evidente que a resposta só pode ser afirmativa. Sem o respeito e a salvaguarda dos ritos, segredos, tradições e cultura maçónica a Maçonaria deixava pura e simplesmente de existir.

março 11, 2012

O Avental


O Avental é o elemento distintivo da Maçonaria por excelência e é considerado, por essa razão, a peça mais importante do traje maçónico. Teve a sua origem na Maçonaria operativa e é o único sinal externo com origem nesse período.

Entre todos os símbolos com que nos deparamos em Loja, o Avental destaca-se entre os demais, pois está sempre junto de nós significando que o Maçom deve estar constantemente trabalhando em prol da humanidade e do seu desenvolvimento pessoal.

Constitui um simbolismo muito importante da Maçonaria, de tal modo que não se pode entrar em Loja sem o ter vestido e só pode ser retirado após encerrada a sessão, já fora do recinto de trabalho.

A História e a Bíblia fazem referências múltiplas ao uso de aventais em complemento de vestes cerimoniais e em rituais realizados por exemplo, por sacerdotes hebreus.

Na Maçonaria operativa, o avental era uma peça importante de vestuário profissional e de protecção individual, constituindo uma barreira eficaz para o trabalhador que moldava a pedra, transformando a pedra bruta numa obra de arte.

março 07, 2012

A Maçonaria em Portugal

Introdução
Antes de entrarmos nos primórdios da história da maçonaria em Portugal convirá recordar alguns factos que a enquadram no seu histórico geral. A Maçonaria moderna não tem uma origem ou uma fonte específicas, ao contrário de que alguns maçons defendem. Ela é equiparável a um rio cujo caudal é a soma dos caudais dos seus afluentes, caudais esses que lhe são entregues em épocas e locais bem diferentes.

Os conceitos históricos/filosóficos que enformam a Maçonaria moderna não são produto de uma acção ou atitude singulares. É antes o somatório de vários pensamentos e filosofias que têm como resultante a Maçonaria como hoje a conhecemos.

Desde conceitos radicados nas culturas suméria e egípcia até aos conflitos entre católicos e protestantes na Inglaterra do século XVIII, passando pelas filosofias essénias e templárias amalgamadas nos interesses profissionais das guildas germânicas, tudo isto teve como resultado a Maçonaria que hoje conhecemos e praticamos (com influências directa nos rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito).

Não há qualquer dúvida que a Maçonaria Moderna nasce em 1717 quando o reverendo Anderson é encarregado de elaborar as regras de comportamento da nova Ordem Maçónica. Mas, como se sabe, antes disto, ela existia e com implantação forte, na sociedade britânica.

Era constituída por maçons operativos, isto é, aqueles que praticavam uma profissão e que a defendiam já com determinados métodos, regras e rituais. São os chamados Maçons Antigos. Mais tarde permitiram a iniciação de alguns homens, que pela sua riqueza material ou intelectual entenderam serem dignos da admissão naquela que era uma sociedade rigorosamente fechada. Foram os Maçons Aceitos.

março 04, 2012

GodF – Breve História da Maçonaria


Les Maçons au Moyen-âge.
Les registres des municipalités l’attestent, le Moyen-âge connut beaucoup de sociétés professionnelles. Marchands et artisans se réunissaient dans des confréries ou des corporations chargées de gérer les intérêts du métier : formation, embauche, attribution des chantiers…

Mais à cette époque le travail quotidien de chacun s’inscrit dans une vision du monde profondément imprégnée de sacré. Aussi ces organisations de métier ne se limitent pas à gérer les problèmes techniques mais prennent en charge tout un pan de la vie de leurs membres de la solidarité à la spiritualité.

Les Anciens Devoirs – les statuts des Maçons médiévaux – présentent, à coté de différentes dispositions réglementaires, une histoire mythique et édifiante du métier. Ainsi la Maçonnerie, fille de la Géométrie, a été fondée par Euclide en Egypte et diffusée en Europe par Pythagore ! En méditant ce récit des origines le maçon médiéval inscrit son labeur journalier dans le combat séculaire des forces de la Lumière contre les forces des Ténèbres.

Au XVII° siècle, en Ecosse, quelques loges vont accepter des membres étrangers au métier. Ces maçons acceptés sont à l’origine de la Franc-maçonnerie spéculative moderne. Cette entrée importante d’« acceptés » en quelques années laisse supposer un projet sous-jacent mais, en dépit de nombreuses hypothèses, on ignore lequel.

março 03, 2012

Epítome da História da Maçonaria

O estudo da Maçonaria deve iniciar-se precisamente pela sua História. Só assim o iniciado pode perceber o porquê de muitas situações que ele irá encontrar ao longo da sua carreira maçónica. Hoje, o acesso à documentação maçónica está extraordinariamente simplificado, podendo dizer-se que só não sabe Maçonaria quem não queira perder, ou ganhar, depende do ponto de vista e do interesse individual, algum tempo na investigação e leitura do que sobre esta matéria a internet proporciona.
Mas, para abordar o tema da História da Maçonaria, para a enquadrar em dez ou quinze minutos de discurso temos de fazer um esforço de simplificação, que terá forçosamente de ser complementado pelo trabalho de busca, nas fontes de informação existentes e que referiremos oportunamente. Pois bem, para iniciarmos a nossa conversa sobre a História da Maçonaria comecemos por a dividir em três períodos distintos, ou sejam:
    - A Maçonaria Primitiva ou Pré-Maçonaria;
    -A Maçonaria Operativa, e
    - A Maçonaria Especulativa.


A Maçonaria Primitiva ou Pré-Maçonaria
Este período é de facto e como seria previsível, o mais nebuloso, dando azo às mais diferentes teorias e e conjecturas sobre as raízes da moderna Maçonaria. A falta de documentos e de registos credíveis favorece claramente a especulação, dando origem a várias linhas de pensamento, cada uma com a sua visão particular do processo evolutivo da Maçonaria.

março 02, 2012

O Pavimento Mosaico

O PAVIMENTO MOSAICO

O chão da L:. representa simbolicamente a Terra. É constituído por um pavimento preto e branco formando xadrez, ou por outro tipo de revestimento, estando decorado com um “duplo quadrado” preto e branco, que obedece a proporções definidas. Por isso o rectângulo se designa como quadrado alongado, mas é um duplo quadrado. A este duplo quadrado se chama “Pavimento Mosaico”.

Faz parte da tradição maçónica considerar que o Pavimento Mosaico ornamentava a entrada do pórtico do Templo de Salomão. Este elemento arquitectónico é mítico, pois não se fundamenta em qualquer prova arqueológica ou bíblica. Actualmente, consideramos a sua origem greco-romana, não hebraica. Em Templo, no R:. E:. A:.  A:. representa o Debhir. Por essa razão, não deve ser pisado durante as cerimónias.

Na Confissão de um Maçon  (1727) o Pavimento Mosaico é designado como Pavimento de Esquadria:
P – Quantas Jóias há na sua L:.?
R-  Três: um pavimento de esquadria, uma pedra bruta e uma pedra talhada.
P_ Para que serve um pavimento em esquadria?
R- Ao M:. Maçon para traçar os seus planos no chão.

fevereiro 28, 2012

Nascidos do Sangue

Trata-se de um livro da autoria de um americano, John Robinson, e tem como subtítulo “Os segredos perdidos da Maçonaria”. O autor não é maçon e o seu livro resulta de um intenso trabalho de investigação em torno da revolta camponesa ocorrida em 1381 na Inglaterra.

Um dos mistérios que determinou a realização da investigação foi procurar desvendar a organização que tinha estado por detrás desta revolta que mobilizou centenas de milhares de ingleses e que dirigiu a sua acção violenta contra alvos bem definidos, entre eles a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de S. João, hoje denominada Cavaleiros de Malta.

Esta curiosidade foi ainda aprofundada pelo facto de após a revolta os seus principais líderes terem confessado estar ao serviço de uma Grande Sociedade. A historiografia oficial, de que a Enciclopédia Britânica faz eco, considerou-a uma revolta “curiosamente espontânea”.

No entanto, Winston Churchill, no seu livro “Birth of Britain”, escreveu que: “Durante o Verão de 1381 houve uma agitação geral. Por trás dela havia a organização. Agentes moviam-se pelas aldeias da Inglaterra central, em contacto com a Grande Sociedade que supostamente se reunia em Londres”.

Há que recordar que os Templários foram suprimidos por decreto do Papa Clemente V e que este decreto estabeleceu também que todas as propriedades desta ordem fossem entregues aos

fevereiro 23, 2012

Valores

“O essencial é invisível aos olhos”
O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

Não compete à Maçonaria ensinar a Verdade, mas antes INCITAR, cada um de nós, à busca permanente da Verdade no seu interior.
As regras e códigos morais, pelos quais cada Maçom se guia, têm de resultar de uma permanente busca de valores e de princípios que lhe propiciem um comportamento ético e uma actuação que, permanentemente, o caracterizem como “homem livre e de bons costumes”.

Este sistema de valores e princípios, próprio de cada qual, tem de ser coerente e de uma solidez a toda a prova. O “amanhã” não será o que hoje pensamos que seja: tudo evolui, incluindo as circunstâncias da vida de cada indivíduo, razão pela qual esse sistema terá de estar ancorado numa base universal que a todos une:

Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Tolerância, Verdade e Solidariedade.

Num mundo em que, a par e passo, nos confrontamos com a submissão, a ausência de equidade, a guerra, a mentira, o egoísmo e a intransigência, a afirmação e a prática quotidiana exigem-nos uma enorme força para transmitir, em tudo o que nos rodeia, a nossa crença e a nossa determinação no triunfo do BEM.

Todos vimos, na parede escura, escrito a branco:

fevereiro 17, 2012

V.I.T.R.I.O.L.

Ce symbole maçonnique est un des plus impénétrables aux oreilles profanes. Il s’agit de l’acide sulfurique, utilisé de nos jours dans plusieurs procédés industriels comme le raffinage du pétrole ou le lessivage des minerais. Les alchimistes du Moyen Age s’en servaient dans leurs entreprises de dissolution de la matière brute afin d’obtenir la pierre philosophale.

La définition communément admise de notre symbole maçonnique est : « Visite l’intérieur de la Terre et en rectifiant tu trouveras la pierre cachée ». Jules Boucher prétend que le voyage à l’intérieur de la terre est une descente vers les profondeurs de l’âme humaine. J’aimerais maintenant m’éloigner de toute interprétation traditionnelle au sein du corpus des auteurs maçonniques et me laisser aller à de libres associations d’idées.

D’abord, et c’est là une constatation des plus simples et orthodoxes, la visite de l’intérieur de la Terre qui est proposée à l’impétrant se rapporte à la première épreuve du rituel d’initiation, l’épreuve de la Terre.  Celle-ci a lieu dans le Cabinet de réflexion. Il s’agit d’un espace exigu et faiblement éclairé par une chandelle. La psychologie des profondeurs nous enseigne qu’un tel espace est une métaphore

fevereiro 09, 2012

O Simbolismo Maçónico e o Espírito Científico


Isaac Newton é o seu nome, e a sua Obra a primeira dedução que a razão conseguiu dar do Universo em que estamos mergulhados.

Mais do que descrever o trabalho de Newton, julgo que será mais enriquecedor enquadrá-lo numa corda unificadora do tempo, como aquela que envolve todos nós, tentando fazer uma pobre reflexão sobre donde viemos, aonde julgamos que chegámos e para onde caminhamos.

O Universo, em que a Terra representa uma partícula tão pequena quanto um grão de areia numa praia muito, muito extensa, rege-se por um conjunto de mecanismos que os homens sonham algum dia entender.

É a procura do entendimento destes mecanismos que faz com que possamos dizer que há um pensamento antes de Newton e um pensamento após Newton.

De facto, até Newton, desde Euclides, Anaximandro de Estrabão e Aristóteles na antiguidade Clássica, passando por Nicolau Copérnico, Tycho Brae, Galileu Galilei, Joannus Kepler, já durante o Renascimento e o Barroco, todos tentaram deduzir as equações do movimento e da interacção dos corpos, a partir de sistemáticas  observações directas.

Para todos eles as leis que deduziam sobre o movimento e interacção dos corpos, eram consequência de, aturadas, observações directas dos eventos. Kepler passou uma vida inteira a caminhar para uma

fevereiro 08, 2012

A Cadeia de União


A cadeia de união é provávelmente, do ponto de vista simbólico, uma das cerimónias que mais directamente apelam  à fraternidade maçónica, sendo seguramente um dos actos mais significativos da dedicação  que trazemos ao nosso compromisso com os sublimes princípios  assumidos: «Liberdade, Igualdade, Fraternidade».

Segundo Jean-Pierre Bayard (4),  só se deverá desenrolar num ambiente tradicional e numa atmosfera particular, na ausencia dos quais restará sem valor.      A primeira descrição conhecida  da cadeia de união está contida no Manuscrito de Edimburgo, datado de 1696. Trata-se dum gesto ritual que traduz uma relação activa entre todos os elementos duma loja,  segundo determindas regras, tendo como objectivo transmitir a palavra de mestre.

Boucher (3) refere que a cadeia de união é um ritual que encontramos, por sua vez, quer no Compagnonnnage quer na Maçonaria e que nos chega proveniente da maçonaria operativa, reencontrando--a  no compagnonnage, sob a designação de «cadeia de aliança».     Consiste na formação de um círculo, uma cadeia, dando-se mutúamente as mãos,  após prévio cruzamento dos braços.  Cada novo iniciado é convidado, desde a sua admissão, a constituir um elo nesta cadeia. 
A recente (e excelente) obra do nosso Ir.  José. Adelino Maltez (1), refere  na entrada correspondente à «Cadeia de União»:

fevereiro 04, 2012

Desbastar a Pedra Bruta – Simbologia do Trabalho de Aprendiz




Pela sua clareza lapidar, tomo a liberdade de transcrever uma citação de Rizzardo da Camiño, relativa ao tema:

«A pedra bruta, ou in natura, é o aprendiz, depois de concluída a sua Iniciação; antes disso, o maçom não é Pedra, mas “terra solta”, que toma forma segundo as conveniências da vida. O evento principal e inicial, na Pedra, será o seu “desbastamento”, ou seja, a retirada do que é “supérfluo”, a saber: vaidade, prepotência, presunção, intolerância, egoísmo, enfim tudo o que não for catalogado como “virtude”.

O trabalho que a Maçonaria exerce “sobre” o aprendiz, será a retirada das arestas, com o pleno consentimento e colaboração do próprio “desbastado”. Não há, propriamente, um “autodesbastamento”, porque o trabalho é dos mais árduos e deve ser orientado»

- «O Companheirismo Maçónico» - Rizzardo da Camiño:

Quando esta venerável Loja me permitiu o acesso à Luz, nesse momento inesquecível da Iniciação, tive  a certeza que os percursos iniciáticos seriam o início duma caminhada de aperfeiçoamento interior muito particular. Na minha primeira visualização do Templo, embora encadeado pelos reflexos da Luz que ofuscava e com o entusiasmo e emoção dum recem chegado, não esqueci a reflexão efectuada na câmara escura, em que um marco se evidenciou como referencial do meu “deslumbramento” ainda profano: a Pedra Bruta.

A simbolologia que encerra - desbastar a pedra bruta – pareceu-me traduzir o essencial daquilo que será o precurso de um Aprendiz Maçon e por isso resolvi partilhar convosco, nesta prancha,  algumas reflexões que tenho vindo a interiorizar e a coligir sobre o profundo significado que esta simbologia encerra.

A PEDRA,  O HOMEM E A ARTE DE A TRABALHAR
A pedra acompanha o homem desde os tempos mais remotos, constituindo-se sucessivamente como arma, projéctil, ferramenta, matéria prima, objecto de contemplação, entre outros. A importância da pedra e as diversas simbologias que encerra, podem ser observadas  desde as enormes esculturas na Ilha de Páscoa, passando pelo Stonehenge (em Inglaterra), pelas pirâmides (no Egipto), até às monumentais catedrais medievais, nos seus diversos estilos.

janeiro 31, 2012

Alvores da Maçonaria em Portugal




Introdução
Antes de entrarmos nos primórdios da história da maçonaria em Portugal convirá recordar alguns factos que a enquadram no seu histórico geral. A Maçonaria moderna não tem uma origem ou uma fonte específicas, ao contrário de que alguns maçons defendem. Ela é equiparável a um rio cujo caudal é a soma dos caudais dos seus afluentes, caudais esses que lhe são entregues em épocas e locais bem diferentes.

Os conceitos históricos/filosóficos que enformam a Maçonaria moderna não são produto de uma acção ou atitude singulares. É antes o somatório de vários pensamentos e filosofias que têm como resultante a Maçonaria como hoje a conhecemos. 
Desde conceitos radicados nas culturas suméria e egípcia até aos conflitos entre católicos e protestantes na Inglaterra do século XVIII, passando pelas filosofias essénias e templárias amalgamadas nos interesses profissionais das guildas germânicas, tudo isto teve como resultado a Maçonaria que hoje conhecemos e praticamos (com influências directa nos rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito).

Não há qualquer dúvida que a Maçonaria Moderna nasce em 1717 quando o reverendo Anderson é encarregado de elaborar as regras de comportamento da nova Ordem Maçónica. Mas, como se sabe, antes disto, ela existia e com implantação forte, na sociedade britânica.

Era constituída por maçons operativos, isto é, aqueles que praticavam uma profissão e que a defendiam já com determinados métodos, regras e rituais. São os chamados Maçons Antigos. Mais tarde permitiram a iniciação de alguns homens, que pela sua riqueza material ou intelectual entenderam serem dignos da admissão naquela que era uma sociedade rigorosamente fechada. Foram os Maçons Aceitos.

janeiro 28, 2012

Normas do Comportamento Maçónico

Desde sempre que houve a preocupação de estabelecer normas e de reger o comportamento dos Maçons, dentro e fora da Loja.
As Constituições, os Regulamentos internos, os decretos-leis dos Grão-mestrado, os normativos dos Conselhos da Ordem etc. são vários exemplos de documentos da regência comportamental maçónica .
Existem, todavia, dois que sobrenadam por todos estes.
Um, que constitui a trave mestra do edifício maçónico, e que é o ponto de partida para todos os outros, que são as CONSTITUIÇÕES DE ANDERSEN e outro, com um estilo de implantação diferente e exercendo uma maior influência na Maçonaria americana, mas que é alvo de forte contestação pontual por parte da Maçonaria Liberal. Estamos a referir aos Landmarks de Mackey.
Façamos então umas breves passagens sobre estes dois documentos para dar uma panorâmica geral da estrutura normativa que nos orienta.

     AS CONSTITUIÇÕES DE ANDERSEN
Em 1717, quatro Lojas de Pedreiros Livres – “O Ganso e o Espeto” ; “A Cervejaria e a Coroa”; “A Taverna da Macieira” e a “Taverna da Caneca e do Vinho” – decidiram organizar-se numa espécie de Federação a que deram o nome de Grande Loja.
Elegeram então um primeiro Grão-Mestre, com autoridade sobre todos os Maçons.

janeiro 22, 2012

Alvores da Maçonaria em Portugal_v0

 Introdução

Antes de entrarmos nos primórdios da história da maçonaria em Portugal convirá recordar alguns factos que a enquadram no seu histórico geral.
A Maçonaria moderna não tem uma origem ou uma fonte específicas, ao contrário de que alguns maçons defendem. Ela é equiparável a um rio cujo caudal é a soma dos caudais dos seus afluentes, caudais esses que lhe são entregues em épocas e locais bem diferentes.

Os conceitos históricos/filosóficos que enformam a Maçonaria moderna não são produto de uma acção ou atitude singulares. Sãp antes o somatório de vários pensamentos e filosofias que têm como resultante a Maçonaria como hoje a conhecemos.

Desde conceitos radicados nas culturas suméria e egípcia até aos conflitos entre católicos e protestantes na Inglaterra do século XVIII, passando pelas filosofias essénias e templárias amalgamadas nos interesses profissionais das guildas germânicas, tudo isto teve como resultado a Maçonaria que hoje conhecemos e praticamos.